quarta-feira, 29 de julho de 2026

Estêvão José Barbosa de Moura: Patriarca, Político e Pioneiro da Infraestrutura Potiguar

 

Estêvão Moura
Presidente da Província do Rio Grande do Norte
Período15 de novembro de 1842
a 7 de julho de 1843
Antecessor(a)Manuel de Assis Mascarenhas
Sucessor(a)André de Albuquerque Maranhão Júnior
Dados pessoais
Nome completoEstêvão José Barbosa de Moura
Nascimentojaneiro de 1810
Brasil Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte, Brasil
Morte16 de janeiro de 1891 (81 anos)
Brasil Macaíba, Rio Grande do Norte, Brasil
ProgenitoresMãe: Ana da Costa e Vasconcelos
Pai: Manuel Teixeira Barbosa
EsposaMaria Rosa do Rego Barros (1833 - 1853)
Generosa Antônia de Lima (1881 - 1891)
ReligiãoCatolicismo

Estêvão José Barbosa de Moura (Ceará-Mirim[nota 1], janeiro de 1810Macaíba, 16 de janeiro de 1891) foi latifundiário, militar e político brasileiro. Foi vice-presidente da província do Rio Grande do Norte, tendo assumido a presidência interinamente por três vezes, de 6 de julho a 4 de dezembro de 1841, de 31 de março a 31 de maio de 1842 e de 15 de novembro de 1842 a 7 de julho de 1843. Foi também coronel da Guarda Nacional (Brasil).[2]

Biografia

Estêvão Moura nasceu no povoado de Pousa, da cidade potiguar de Taipu, numa família abastada. Seu pai, Manuel Teixeira Barbosa, foi o primeiro presidente da província do Rio Grande do Norte após a Independência do Brasil. Sua mãe era Ana da Costa e Vasconcelos, filha do do coronel de milícias Francisco da Costa e Vasconcelos e de Maria Rosa Teixeira de Melo.

Em 1838 assumiu como suplente a vaga de João Valentino Dantas Pinajé, escolhido presidente da província, na Assembleia Provincial. Dois anos depois, elegeu-se como deputado provincial titular e, como vice-presidente da província, assumiu na ausência do presidente Manuel de Assis Mascarenhas, entre julho e novembro de 1841. Durante sua estada no governo, assinou a lei provincial n.º 71, que criou o município de Maioridade, atual Martins, desmembrando-o de Portalegre. Assumiu o poder provincial novamente, ao fim do termo de Mascarenhas, de novembro de 1842 a julho de 1843, sendo sucedido por André de Albuquerque Maranhão Júnior.

Moura conseguiu reeleger-se deputado provincial continuamente até 1845, dedicando-se nos anos posteriores à administração de seu grande patrimônio, situado principalmente nos arredores de Rio Grande do Norte. Em Macaíba, que ainda era um povoado, em 1850, com recursos próprios, o coronel Moura construiu a primeira ponte sobre o rio Jundiaí e abriu a primeira estrada até Natal, via Mangabeira. A parte dessa estrada que passa dentro de Natal é hoje conhecida como Avenida Coronel Estêvão, uma de suas principais vias.

Casamento e descendência

Seguindo o costume das famílias ricas do campo, o casamento entre parentes com o intuito de preservar o patrimônio familiar, Estêvão desposou sua prima-irmã Maria Rosa do Rego Barros, filha de sua tia materna Maria Angélica da Conceição de Vasconcelos e do coronel de milícias Joaquim José do Rego Barros. A união foi oficializada em 3 de julho de 1833, com as bênçãos do padre Manuel Pinto de Castro, no Engenho Ferreiro Torto, domínio de seu sogro o qual herdou.

O casal teve oito filhos, dentre os quais:

Falecida Maria Rosa, em 11 de novembro de 1853, Estêvão Moura contraiu segundas núpcias com Generosa Antônia de Lima, em 4 de dezembro de 1881, em cerimônia celebrada no oratório particular da fazenda Barra, em Macaíba, onde o casal passou a residir.[4] A dita propriedade fora anteriormente dada como herança à filha Ana Joaquina quando esta se casou, em 1852. A fazenda, no entanto, foi retornada ao coronel Moura com a morte dela, em 1870. A esta altura de sua vida, Estêvão já não era mais o homem influente que fora, nem mais tão rico. Em janeiro de 1899, aderira ao Partido Republicano fundado por Pedro Velho de Albuquerque Maranhão.

Generosa e Estêvão tiveram um filho, nascido em 1890, apenas um ano antes de sua morte, aos 81 anos. Seu corpo foi sepultado originalmente no Cemitério de São Miguel e posteriormente transportado seus restos mortais para o jazigo da família Moura, na matriz de Nossa Senhora da Conceição da Macaíba. A viúva Generosa e seu filho permaneceram na fazenda Barra até 1895, quando a propriedade foi vendida.

Notas e referências

Notas

  1. A localidade de Taipu, onde algumas fontes afirmam ter nascido o biografado, ainda não existia naquela época, sendo um dos vários povoados subordinados ao município de Ceará-Mirim; o nome "Taipu" só viria em 1889 ao então distrito que se chamava "Picada" e se emanciparia em 1891.[1]

Referências

  1. «Taipu». IBGE Cidades. Consultado em 30 de julho de 2022
  2. «Ferreiro Torto, casa hereditária da família Moura». 8 de julho de 2010. Consultado em 13 de novembro de 2014
  3. «Perfis - Coronel Estêvão Moura». 14 de março de 2010. Consultado em 13 de novembro de 2014
  4. «Solar Caxangá – Instituto Pró Memória de Macaíba». 16 de abril de 2012. Consultado em 13 de novembro de 2014

Estêvão José Barbosa de Moura: Patriarca, Político e Pioneiro da Infraestrutura Potiguar

Introdução

Estêvão José Barbosa de Moura (Ceará-Mirim, janeiro de 1810 — Macaíba, 16 de janeiro de 1891) foi uma das figuras mais proeminentes da elite agrária, militar e política do Rio Grande do Norte durante o Império do Brasil. Latifundiário influente e coronel da Guarda Nacional, Moura destacou-se por exercer interinamente a presidência da província do Rio Grande do Norte em três ocasiões distintas, além de liderar importantes iniciativas de abertura viária e expansão urbana que moldaram a geografia do estado.

Ascensão Familiar e Origens

Nascido em janeiro de 1810 no povoado de Pousa — então pertencente à jurisdição de Taipu, embora registrado com raízes em Ceará-Mirim —, Estêvão Moura originava-se de uma das estirpes mais poderosas da oligarquia norte-rio-grandense do século XIX.

  • Linhagem paterna: Era filho de Manuel Teixeira Barbosa, figura central da política local que fez história como o primeiro presidente da província do Rio Grande do Norte após a Independência do Brasil.

  • Linhagem materna: Sua mãe era Ana da Costa e Vasconcelos, filha do coronel de milícias Francisco da Costa e Vasconcelos e de Maria Rosa Teixeira de Melo, consolidando alianças estreitas entre as tradicionais famílias de proprietários de terras da região.

Carreira Política e Governo Provincial

A trajetória de Estêvão Moura na vida pública começou a tomar forma consolidada na década de 1838, quando assumiu como suplente a vaga de João Valentino Dantas Pinajé na Assembleia Provincial. Com forte articulação política, elegeu-se deputado provincial titular dois anos depois.

Sua projeção executiva ocorreu por meio do cargo de vice-presidente da província, o que o levou a assumir o comando do governo potiguar interinamente em três períodos críticos:

  1. De 6 de julho a 4 de dezembro de 1841: Assumiu na ausência do titular Manuel de Assis Mascarenhas. Durante este período, sancionou a lei provincial n.º 71, marco administrativo que criou o município de Maioridade (atual cidade de Martins), desmembrando-o de Portalegre.

  2. De 31 de março a 31 de maio de 1842: Período de transição e gestão administrativa contínua.

  3. De 15 de novembro de 1842 a 7 de julho de 1843: Assumiu o poder provincial logo após o término do mandato de Mascarenhas, governando até ser sucedido por André de Albuquerque Maranhão Júnior.

Moura manteve-se politicamente ativo como deputado provincial de forma contínua até 1845, ano a partir do qual passou a dedicar maior atenção à gestão de seu extenso patrimônio agrário. Nas vésperas do fim de sua vida, já na República, aderiu ao Partido Republicano fundado por Pedro Velho de Albuquerque Maranhão.

Legado em Infraestrutura e Urbanismo

Além da atuação político-partidária, o coronel Moura destacou-se por investimentos de cunho privado com forte impacto público na região de Macaíba e Natal:

  • Pioneirismo Viário: Em 1850, utilizando exclusivamente recursos próprios, financiou a construção da primeira ponte sobre o rio Jundiaí, em Macaíba (então um povoado em desenvolvimento).

  • Abertura de Estradas: Abriu a pioneira via terrestre de ligação direta entre Macaíba e Natal, passando pela região de Mangabeira.

  • Toponímia Urbana: O trecho histórico dessa estrada que penetrava na capital potiguar é conhecido até os dias atuais como Avenida Coronel Estêvão, figurando como uma das principais artérias viárias de Natal.

Casamentos, Alianças e Descendência

Seguindo o pragmatismo das elites agrárias imperiais voltado à preservação e concentração de terras e riquezas, Estêvão Moura desposou sua prima-irmã Maria Rosa do Rego Barros em 3 de julho de 1833. A cerimônia religiosa foi celebrada pelo padre Manuel Pinto de Castro no histórico Engenho Ferreiro Torto, propriedade de seu sogro, o coronel de milícias Joaquim José do Rego Barros (casado com Maria Angélica da Conceição de Vasconcelos), cujo domínio acabou por herdar.

O casal teve oito filhos, destacando-se:

  • Ana Joaquina de Moura Castelo Branco, casada com o Dr. José Moreira Brandão Castelo Branco;

  • Maria Angélica de Moura Câmara, esposa de Jerônimo Cabral Raposo da Câmara;

  • Isabel Cândida de Moura Chaves, esposa do Dr. Francisco Clementino de Vasconcelos Chaves;

  • Manuel Joaquim Teixeira de Moura, que seguiu os passos da família como latifundiário e político.

Após o falecimento de Maria Rosa em 11 de novembro de 1853, o coronel contraiu segundas núpcias em 4 de dezembro de 1881 com Generosa Antônia de Lima. A cerimônia ocorreu no oratório particular da Fazenda Barra, em Macaíba, residência do casal. Esta fazenda havia sido inicialmente cedida à filha Ana Joaquina por ocasião de seu casamento em 1852, mas retornou à posse de Estêvão após o falecimento da filha em 1870. Desse segundo matrimônio nasceu um filho em 1890, quando Moura já contava com idade avançada.

Últimos Anos e Falecimento

Na última fase de sua vida, o coronel Estêvão Moura enfrentou a retração de sua antiga influência política e o arrefecimento de sua proeminência financeira. Faleceu em Macaíba em 16 de janeiro de 1891, aos 81 anos de idade.

Seu corpo foi inicialmente sepultado no Cemitério de São Miguel, tendo seus restos mortais trasladados posteriormente para o jazigo definitivo da família Moura, localizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Macaíba. Sua viúva, Generosa, permaneceu na Fazenda Barra com o filho do casal até 1895, ano em que a propriedade foi comercializada.

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