| José Mariano da Conceição Veloso | |
|---|---|
Quinografia Portugueza (1799) | |
| Nome completo | José Marianno da Conceição Velloso |
| Nascimento | |
| Morte | 14 de julho de 1811 (68 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Ocupação | botânico |
José Mariano da Conceição Veloso[1] (São José del-Rei, comarca de Rio das Mortes, Minas Gerais, 14 de outubro de 1742 — Rio de Janeiro, 14 de julho de 1811), foi um sacerdote, professor, missionário e botânico brasileiro colonial.
Estudou Filosofia e Teologia no Rio de Janeiro, no convento franciscano de Santo Antônio. Ordenou-se em 1766. Poucos anos depois transferiu-se para São Paulo, onde ministrou aulas da Geometria e Retórica no Convento de São Francisco.
Entre 1783 e 1790, na então província do Rio de Janeiro, coletou espécimes animais, vegetais e minerais que foram insumos para sua obra posterior, Flora Fluminensis, escrita entre 1825 e 1831.
O trabalho, encomendado pelo vice-rei do Brasil Luís de Vasconcelos e Sousa, foi por este elogiado, quando do envio de espécimes da flora e fauna para o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa.
Biografia
O naturalista era filho de José Veloso da Câmara e Rita de Jesus Xavier e primo de Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes.[2]
Em 1761, se tornou franciscano no Convento de São Boaventura, em Macacu, tendo sido ordenado no Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro, onde estudou Filosofia e Teologia. Foi nomeado pregador em 1768 e, em 1771, já ministrava Geometria no convento de São Paulo.
Transformou seu claustro em um museu herbário, cultivando sua dedicação aos estudos botânicos. Lente de Retórica no convento de São Paulo e lecionando História Natural no convento de Santo Antônio, em 1790 foi a Lisboa, quando começou a classificar espécies da flora e fauna, enquanto trabalhava no Real Museu e Jardim da Ajuda e na Academia Real das Ciências de Lisboa.
Sob a protecção de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, de 1799 a 1801, tornou-se diretor da Oficina Typographia Chalcographica, Typoplastica, e Litteraria do Arco do Cego, em Lisboa, onde terá escrito a sua célebre obra Flora Fluminensis. A obra nasceu de expedições botânicas que realizou pelo Rio de Janeiro, entre 1782 e 1790, percorrendo a Serra do Mar, em direção a Santos, passando pela Ilha Grande e por Paraty, chegando até a Serra de Paranapiacaba. O livro, porém, só foi editado em 1831 - vinte anos após a morte de Veloso.[3] Da Arco do Cego saíram várias publicações que abrangeram a História Natural, a Agricultura, a Poesia, o Desenho, a Medicina, a Náutica, as Ciências Exactas, a Química e a História.
Devido a notoriedade da obra Flora Fluminensis, Saint-Hilaire[4] o homenageou ao classificar as canelas d’ema, da família das velosiáceas, por considera-lo um grande botânico brasileiro e que era, para nosso espanto, primo-irmão de Tiradentes.
Regressou ao Brasil em 1808, residindo no Rio de Janeiro à época da chegada da família real portuguesa ao Brasil.
Veloso morreu de hidropisia, na noite de 13 para 14 de julho de 1811, no convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.
A biblioteca pessoal de José Mariano da Conceição Veloso, com manuscritos e documentos, foi graciosamente cedida à Real Biblioteca do Rio de Janeiro, mais tarde rebatizada como Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Ver também
- O Fazendeiro do Brasil - livro de José Mariano Veloso.
- História do livro no Brasil
- Francisco Solano, ilustrador da Flora Fluminense
Referências
- Neste artigo, o nome do biografado foi atualizado conforme a onomástica vigente. Em algumas fontes do século XVIII, encontra-se a forma José Marianno da Conceição Velloso (ver fac-símile da página de rosto de Alographia dos alkalis fixos, de 1798, in LUNA, Fernando J. "Frei José Mariano da Conceição Veloso e a divulgação de técnicas industriais no Brasil colonial: discussão de alguns conceitos das ciências químicas"; GAMA, José de Saldanha da Biographia e apreciação dos trabalhos do botanico Brasileiro frei José Marianno da Conceição Velloso; Rio de Janeiro, 1869; ANDRADE, Maria Guilhermina Loureiro de Resumo da Historia do Brazil: Para Uso das Escolas Primarias Brazileiras, 1877). Na Quinografia Portugueza (1799), adota-se a forma José Mariano Velloso.
- «Tiradentes: um rebelde verdadeiro». Aventuras na História. UOL. 19 de abril de 2018. Consultado em 29 de novembro de 2018
- «Tipografia do Arco do Cego». Biblioteca Nacional. Consultado em 16 de dezembro de 2018
- BERTRAN, Paulo (1994). História da terra e do homem no planalto central: eco história do Distrito Federal, do indígena ao colonizador. Brasília: Solo. p. 21
Frei José Mariano da Conceição Veloso: O Pioneiro da Botânica Colonial e Ilustrador da Flora Fluminensis
Figura cimeira do Iluminismo científico no Brasil colonial, Frei José Mariano da Conceição Veloso (1742–1811) destacou-se como sacerdote, professor, missionário e, sobretudo, como um dos maiores naturalistas da sua época. Cousin germânico de Tiradentes, consagrou a vida ao estudo da natureza e à difusão do conhecimento útil, deixando um legado indelével através da monumental obra Flora Fluminensis.
📍 Dados Biográficos e Percurso Eclesiástico
Nascimento e Origens: Nascido a 14 de outubro de 1742 em São José del-Rei (comarca de Rio das Mortes, Minas Gerais), era filho de José Veloso da Câmara e Rita de Jesus Xavier, sendo primo-irmão de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
Formação Franciscana: Em 1761, ingressou como franciscano no Convento de São Boaventura, em Macacu. Concluiu os estudos de Filosofia e Teologia no Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro, onde se ordenou sacerdote em 1766, sendo nomeado pregador em 1768.
Atividade Docente: Transferiu-se posteriormente para São Paulo, onde começou a lecionar Geometria e Retórica no Convento de São Francisco a partir de 1771. No interior dos claustros, transformou os espaços em verdadeiros museus herbários, cultivando a paixão pela botânica e lecionando também História Natural.
🌿 Expedições Científicas e a Flora Fluminensis
Entre 1783 e 1790, a mando do vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa, empreendeu extensas expedições botânicas pela província do Rio de Janeiro e regiões vizinhas:
Percurso Exploratório: Percorreu a Serra do Mar em direção a Santos, passando pela Ilha Grande, Paraty e chegando até à Serra de Paranapiacaba, recolhendo centenas de espécimes animais, vegetais e minerais.
A Obra Magna: Recolhido a Lisboa a partir de 1790, trabalhou no Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda e na Academia Real das Ciências. Sob a proteção de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, dirigiu entre 1799 e 1801 a célebre Oficina Tipográfica do Arco do Cego, onde redigiu a sua obra-prima, a Flora Fluminensis. Embora escrita nesse período, a edição impressa só viria a lume em 1831, duas décadas após o seu falecimento.
Homenagem Botânica: O célebre naturalista Auguste Saint-Hilaire imortalizou o seu nome ao batizar a família das velosiáceas (vulgarmente conhecidas como canelas-d'ema), prestando tributo ao seu contributo pioneiro para a botânica brasileira.
📚 A Tipografia do Arco do Cego e o Retorno ao Brasil
A direção da Oficina do Arco do Cego marcou a história editorial e científica luso-brasileira, publicando dezenas de títulos nas áreas de História Natural, Agricultura, Química, Ciências Exatas e Medicina, com o objetivo de modernizar o conhecimento prático no império.
Regresso e Falecimento: Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil, regressou ao Rio de Janeiro em 1808. Veio a falecer vítima de hidropisia na noite de 13 para 14 de julho de 1811, no Convento de Santo Antônio.
Legado Documental: A sua valiosa biblioteca pessoal, composta por manuscritos e documentos de incalculável valor científico e histórico, foi doada à Real Biblioteca, integrando hoje o acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
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