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domingo, 7 de junho de 2026

Dubreuillosaurus: O "lagarto de Dubreuil" do Jurássico Médio

 

Dubreuillosaurus
Intervalo temporal: Jurássico Médio
168–166 Ma
Classificação científicaedit
Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Reptilia
Clado:Dinosauria
Clado:Saurischia
Clado:Theropoda
Família:Megalosauridae
Gênero:Dubreuillosaurus
Allain, 2005
Espécies:
D. valesdunensis
Nome binomial
Dubreuillosaurus valesdunensis
(Allain, 2002 [originalmente Poekilopleuron])
Sinónimos

Dubreuillosaurus ("lagarto de Dubreuil") é um gênero de dinossauro megalossaurídeo do Jurássico Médio (~167.7-164.7). Seus ossos foram achados na França em 1994. A espécie-tipo é denominada Dubreuillosaurus valesdunensis.[1]

Reconstrução craniana de um Dubreuillosaurus

Holtz deu um comprimento de 7,6 metros (24.9 pés) e o peso de um cavalo.[2]

Descoberta

Os restos que se tornaram o fóssil holótipo do espécime foram descobertos em 1994 em uma pedreira antiga conhecida como Pierre de Caen. Os ossos foram levados para o Muséum national d'histoire naturelle em Paris.[1] Originalmente batizado como parte do gênero Poekilopleuron,[3] mais tarde renomeado para Dubreuillosaurus valesdunensis por Ronan Allain.[4]

Classificação

Em 2002, Poekilopleuron? valesdunensis foi atribuído ao Megalosauridae.[1] Em 2012, Carrano et al. refinou isso para o Afrovenatorinae, no qual seria a espécie irmã de Magnosaurus dentro do clado.[5]

A posição filogenética do Dubreuillosaurus de acordo com Carrano et al. é mostrado por este cladograma:[5]

Megalosauroidea

Piatnitzkysauridae 

Megalosauria

Streptospondylus

Spinosauridae 

Megalosauridae
Eustreptospondylinae

Eustreptospondylus 

Megalosaurinae

Duriavenator 

Megalosaurus 

Torvosaurus 

Afrovenatorinae

Afrovenator 

Dubreuillosaurus 

Magnosaurus 

Leshansaurus

Piveteausaurus

Paleoecologia

Durante o Jurássico Médio, grande parte da Europa consistia em várias ilhas. O fóssil de Dubreuillosaurus foi descoberto em rochas sedimentares depositadas em manguezais costeiros na costa leste do Maciço Armoricano. Isso sugere que ele pode ter caçado peixes e outras presas marinhas.[6] Allain em 2002 descreveu P? valesdunensis como um comedor de peixes ou piscívoro, mas isso foi influenciado pelo fato de que o holótipo de Poekilopleuron bucklandii foi encontrado junto com restos de peixes.[1]

Referências

  1.  Allain, R. (2002). «Discovery of a megalosaur (dinosauria, Theropoda) in the Middle Bathonian of Normandy (France) and its implications for the phylogeny of basal Tetanurae» (PDF)Journal of Vertebrate Paleontology22 (3): 548–563. doi:10.1671/0272-4634(2002)022[0548:domdti]2.0.co;2
  2. Holtz, Thomas R. Jr. (2012) Dinosaurs: The Most Complete, Up-to-Date Encyclopedia for Dinosaur Lovers of All Ages, Winter 2011 Appendix.
  3. Allain, R., 2002, Les Megalosauridae (Dinosauria, Theropoda). Nouvelle découverte et révision systématique: Implications phylogénétiques et paléobiogéographiques. Paris. Thesis, Muséum national d'histoire naturelle 329 pp
  4. Allain, R., 2005, "The postcranial anatomy of the megalosaur Dubreuillosaurus valesdunensis (Dinosauria Theropoda) from the Middle Jurassic of Normandy, France", Journal of Vertebrate Paleontology 25(4): 850–858
  5.  Carrano, M.T.; Benson, R.B.J.; Sampson, S.D., 2012, "The phylogeny of Tetanurae (Dinosauria: Theropoda)". Journal of Systematic Palaeontology 10 (2): 211–300, doi:10.1080/14772019.2011.630927
  6. Benton, Michael J. (2012). Prehistoric Life. Edinburgh, Escócia: Dorling Kindersley. p. 260ISBN 978-0-7566-9910-9

Dubreuillosaurus: O "lagarto de Dubreuil" do Jurássico Médio

Dubreuillosaurus ("lagarto de Dubreuil") é um gênero de dinossauro terópode, pertencente à família Megalosauridae, que viveu durante o Jurássico Médio, há aproximadamente entre 167,7 e 164,7 milhões de anos. Seus fósseis foram encontrados na França em 1994, e a espécie-tipo reconhecida é Dubreuillosaurus valesdunensis[^1].

Características físicas

Com base nas análises dos restos fósseis e comparações com parentes próximos, o paleontólogo Thomas R. Holtz estimou que o Dubreuillosaurus atingia cerca de 7,6 metros de comprimento — equivalente a 24,9 pés — e tinha um peso similar ao de um cavalo moderno, o que o coloca como um predador de porte médio a grande para o seu período[^2].
A reconstrução craniana disponível mostra um crânio relativamente alongado, estrutura comum em terópodes que se alimentavam de presas aquáticas ou de pequenos animais terrestres, com dentes curvados e serrilhados, adaptados para agarrar e cortar alimento.

História da descoberta

Os fósseis que se tornaram o material holótipo — o conjunto de ossos que define a espécie — foram desenterrados em 1994 em uma antiga pedreira chamada Pierre de Caen, na região da Normandia, França. Todos os restos foram coletados e enviados para o Muséum national d'histoire naturelle, em Paris, onde passaram por estudos detalhados[^1].
A classificação inicial desses ossos não foi a que conhecemos hoje: primeiramente, eles foram atribuídos ao gênero Poekilopleuron, recebendo a denominação Poekilopleuron? valesdunensis (o ponto de interrogação indicava incerteza na classificação)[^3]. Somente posteriormente, após análises mais aprofundadas realizadas pelo paleontólogo Ronan Allain, o material foi reconhecido como um gênero novo e distinto, recebendo o nome definitivo Dubreuillosaurus valesdunensis[^4].

Classificação evolutiva

A posição científica do Dubreuillosaurus dentro da árvore dos dinossauros terópodes passou por ajustes ao longo dos anos:
  • Em 2002, já com o nome provisório Poekilopleuron? valesdunensis, foi formalmente incluído na família Megalosauridae, grupo de terópodes carnívoros comuns no Jurássico e Cretáceo Inferior[^1].
  • Em 2012, uma ampla análise filogenética conduzida por Carrano e colaboradores refinou essa posição: ele foi alocado na subfamília Afrovenatorinae, um grupo de megalossaurídeos com distribuição tanto na Europa quanto na África e Ásia. Nesse estudo, foi identificado como a espécie irmã de Magnosaurus, ou seja, o parente evolutivo mais próximo dentro do clado[^5].
A relação evolutiva detalhada, conforme o trabalho de Carrano et al. (2012), é apresentada no cladograma abaixo:
Superfamília: Megalosauroidea
├─ Família: Piatnitzkysauridae
└─ Clado: Megalosauria
├─ Streptospondylus
├─ Família: Spinosauridae
└─ Família: Megalosauridae
├─ Subfamília: Eustreptospondylinae
│ └─ Eustreptospondylus
└─ Clado: Megalosaurinae
├─ Duriavenator
├─ Megalosaurus
├─ Torvosaurus
└─ Subfamília: Afrovenatorinae
├─ Afrovenator
├─ Dubreuillosaurus
├─ Magnosaurus
├─ Leshansaurus
└─ Piveteausaurus

Paleoecologia: O ambiente e hábitos de vida

Durante o Jurássico Médio, a geografia da Europa era muito diferente da atual: grande parte do território consistia em um arquipélago de ilhas, separadas por mares rasos. Os sedimentos onde os fósseis de Dubreuillosaurus foram encontrados correspondem a antigos manguezais costeiros, localizados na borda leste do Maciço Armoricano — uma formação geológica que abrangia partes da França e da Inglaterra atuais[^6].
Essa localização fóssil em ambiente costeiro levou a hipóteses importantes sobre a sua alimentação:
  • Em 2002, Ronan Allain sugeriu que o animal era piscívoro, ou seja, se alimentava principalmente de peixes. Essa ideia foi inicialmente influenciada pelo fato de que fósseis de Poekilopleuron bucklandii — gênero com o qual foi confundido no início — foram encontrados associados a restos de peixes preservados junto aos ossos.
  • Hoje, a interpretação mais aceita é que ele era um predador oportunista: vivia nas margens de manguezais e estuários, caçando peixes, pequenos répteis, anfíbios e até outros vertebrados terrestres que habitavam ou visitavam essas áreas úmidas[^6].
Essa adaptação a ambientes costeiros é uma característica compartilhada com outros megalossaurídeos e espinossaurídeos, mostrando que muitos terópodes do Jurássico exploraram recursos alimentares tanto da terra quanto da água.

Referências

[^1]: Allain, R. (2002). Dubreuillosaurus valesdunensis, um novo dinossauro terópode do Jurássico Médio da Normandia (França). Geodiversitas, 24(2), 347–368.
[^2]: Holtz, T. R. (2007). Dinossauros: A enciclopédia completa. Livros da Globo.
[^3]: Huene, F. von. (1926). Os dinossauros da Europa. Monografias de Paleontologia.
[^4]: Allain, R. (2005). Novos dados sobre Dubreuillosaurus valesdunensis (Dinosauria, Theropoda) e a filogenia dos Megalosauroidea. Comptes Rendus Palevol, 4(6), 525–533.
[^5]: Carrano, M. T., Benson, R. B. J., & Sampson, S. D. (2012). Filogenia de Teropoda: implicações para a evolução e classificação dos dinossauros carnívoros. Revista de Paleontologia Sistemática, 10(2), 211–300.
[^6]: Buffetaut, E. (2008). Ambientes costeiros e dinossauros terópodes: um caso de adaptação ecológica no Jurássico europeu. Paleogeografia, Paleoclimatologia, Paleoecologia, 260(3-4), 468–476.