| Alvarenga Peixoto | |
|---|---|
| Nome completo | Inácio José de Alvarenga Peixoto |
| Nascimento | |
| Morte | 27 de agosto de 1792 (50 anos) |
| Nacionalidade | |
Inácio José de Alvarenga Peixoto (Rio de Janeiro, 1742[1] — Ambaca, Angola, 27 de agosto de 1792)[2] foi um advogado e poeta carioca, e um dos principais articuladores da Inconfidência Mineira. Foi detido e julgado por participar desse movimento revolucionário, tendo sido condenado ao degredo perpétuo na África. A Alvarenga Peixoto é atribuída a autoria da inscrição latina na bandeira de Minas Gerais: "Libertas quae sera tamen".[3]
Biografia
Nascido na cidade do Rio de Janeiro, era filho de Simão Alvarenga Braga e Ângela Micaela da Cunha.[4] Estudou no Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro, chamado Humberto de Souza Mello. Tendo se transferido para Portugal, onde obteve o Bacharelato, com louvor, em Direito na Universidade de Coimbra. Aí conheceu o poeta Basílio da Gama, de quem se tornou amigo.[4]
No Reino exerceu o cargo de juiz de fora na vila de Sintra. De volta ao Brasil, o de senador pela cidade de São João del-Rei, na capitania de Minas Gerais. Aí também exerceu o cargo de ouvidor da comarca de Rio das Mortes e desposou a poetisa Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, com quem teve quatro filhos:[5] Maria Ifigênia, José Eleutério, João Damasceno (que posteriormente mudara o nome para João Evangelista) e Tristão de Alvarenga.
Participação na Inconfidência
Frequentava a então Vila Rica. Deixou a magistratura, ocupando-se da lavoura e mineração na região do sul de Minas Gerais, mais especificamente nas cidades de Campanha e São Gonçalo do Sapucaí, última cidade esta onde despendeu quase toda sua fortuna para a abertura de um canal de cerca de 30 quilômetros para abranger as melhores minas de ouro do arraial e fazer a lavagem das terras.[4]
Foi amigo dos poderosos da época e partilhava com os demais intelectuais de seu tempo idéias libertárias advindas do Iluminismo. Entre essas personalidades destacam-se os poetas[4] Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (seu parente), o padre José da Silva e Oliveira Rolim, o militar Joaquim José da Silva Xavier (o "Tiradentes") e Joaquim Silvério dos Reis, que delataria os conjurados. Foi amigo e compadre de João Rodrigues de Macedo, rico contratador de impostos de Vila Rica que ajudou a esposa de Alvarenga Peixoto, Bárbara Heliodora, a pedido desta depois de que a fazenda de Alvarenga Peixoto, a Sesmaria da Boa Vista em São Gonçalo do Sapucaí foi leiloada em praça pública pelo governo em 1795. Macedo arrematou a metade da fazenda se tornando sócio da esposa de Alvarenga.
Condenação, degredo e morte
Pressionado por dívidas e impostos em atraso, acabou por se envolver na Inconfidência Mineira. Denunciado, detido (prisioneiro na Ilha das Cobras),[3] julgado e condenado, foi deportado para Angola, onde veio a falecer, pouco após sua chegada, vítima de uma febre tropical que à época assolava o local.[2]
Obras
A sua diminuta obra inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo, e foi recolhida por Rodrigues Lapa.[4] Apresenta alguns dos sonetos mais bem acabados do Arcadismo no Brasil. A temática amorosa foi uma das vertentes da sua poesia, em que também se observa uma postura crítica quanto à sociedade da época.
- A Dona Bárbara Heliodora, poesia
- A Maria Ifigênia, poesia
- Canto Genetlíaco, poesia, 1793
- Estela e Nize, poesia
- Eu Não Lastimo o Próximo Perigo, poesia
- Eu Vi a Linda Jônia, poesia
- Sonho Poético, poesia
- Traduziu para o português a peça teatral Mérope, de Scipione Maffei [3]
Inácio José de Alvarenga Peixoto: Poeta, Jurista e Inconfidente
Inácio José de Alvarenga Peixoto (Rio de Janeiro, 1742 — Ambaca, Angola, 27 de agosto de 1792) foi um advogado, magistrado e poeta carioca, reconhecido como um dos principais articuladores da Inconfidência Mineira. Envolvido na conspiração contra o domínio colonial português, foi julgado, condenado ao degredo perpétuo em África e é popularmente apontado como o criador da célebre divisa latina presente na bandeira de Minas Gerais: "Libertas quae sera tamen".
📖 Origens, Formação e Carreira
Nascimento e Família: Natural do Rio de Janeiro, nasceu em 1742, filho de Simão Alvarenga Braga e de Ângela Micaela da Cunha.
Período Coimbrão: Fez os seus primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janeiro antes de se transferir para Portugal. Na Universidade de Coimbra, concluiu com louvor o Bacharelato em Direito, período em que estabeleceu uma sólida amizade com o poeta Basílio da Gama.
Atuação na Magistratura: No Reino, exerceu o cargo de juiz de fora na vila de Sintra. De regresso ao Brasil, fixou-se na Capitania de Minas Gerais, onde exerceu as funções de ouvidor da comarca de Rio das Mortes e senador pela cidade de São João del-Rei.
Casamento e Descendência: Desposou a ilustre poetisa Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, com quem teve quatro filhos: Maria Ifigênia, José Eleutério, João Damasceno (que mais tarde adotou o nome de João Evangelista) e Tristão de Alvarenga.
☕ A Vinda para Minas e a Inconfidência Mineira
Empreendimentos e Circuito Intelectual: Abandonando progressivamente a magistratura, Alvarenga Peixoto dedicou-se à agricultura e à mineração no sul de Minas Gerais (nas regiões de Campanha e São Gonçalo do Sapucaí). Chegou a investir quase toda a sua fortuna na abertura de um canal de cerca de 30 quilómetros em São Gonçalo do Sapucaí para otimizar a lavagem de ouro.
Rede de Relações: Frequentador assíduo de Vila Rica, privou de perto com a elite intelectual e económica da capitania. Era amigo de poetas como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (com quem tinha laços de parentesco), do padre Rolim, do alferes Tiradentes e do contratador de impostos João Rodrigues de Macedo (que mais tarde viria a auxiliar a sua esposa).
Envolvimento na Conjuração: Pressionado por dificuldades financeiras, dívidas e pesados impostos em atraso cobrados pela Coroa, integrou ativamente o núcleo pensante da Inconfidência Mineira, que ambicionava a emancipação da colónia à luz dos ideais iluministas.
⛓️ Prisão, Degredo e Morte
Devassa e Julgamento: Na sequência da denúncia de Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi desmantelado. Alvarenga Peixoto foi preso, encarcerado na Ilha das Cobras (no Rio de Janeiro), julgado e condenado à morte por degredo perpétuo.
O Fim Trágico: A pena capital foi comutada em degredo, tendo sido deportado para Angola. Pouco após a sua chegada a Ambaca, veio a falecer a 27 de agosto de 1792, vítima de uma febre tropical que grassava na região.
O Destino dos Bens: Em 1795, a sua fazenda (Sesmaria da Boa Vista) foi leiloada em praça pública. Graças à intercessão de Bárbara Heliodora junto do amigo da família João Rodrigues de Macedo, este arrematou metade da propriedade, tornando-se sócio da esposa do inconfidente.
📚 Obra Literária e Legado
A produção literária de Alvarenga Peixoto insere-se nos cânones do Arcadismo, tendo sido recolhida e estudada por Rodrigues Lapa. Embora escassa em volume, destaca-se pelo apuro formal, por sonetos de grande maturidade estética, pelo lirismo amoroso e por uma forte veia crítica face à sociedade coeva.
Principais Composições:
A Dona Bárbara Heliodora
A Maria Ifigênia
Canto Genetlíaco (1793)
Estela e Nize
Eu Não Lastimo o Próximo Perigo
Eu Vi a Linda Jônia
Sonho Poético
Tradução: Destaca-se também pela transposição para a língua portuguesa da peça teatral Mérope, da autoria de Scipione Maffei.
Símbolo Histórico: Para além da sua relevância literária, a tradição historiográfica atribui-lhe a autoria da célebre divisa "Libertas quae sera tamen" ("Liberdade, ainda que tardia"), lema imortalizado na bandeira do Estado de Minas Gerais.
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