terça-feira, 4 de agosto de 2026

Inácio José de Alvarenga Peixoto: Poeta, Jurista e Inconfidente

 

Alvarenga Peixoto
Nome completoInácio José de Alvarenga Peixoto
Nascimento
Morte
27 de agosto de 1792 (50 anos)

NacionalidadeReino de Portugal Português

Inácio José de Alvarenga Peixoto (Rio de Janeiro, 1742[1]Ambaca, Angola, 27 de agosto de 1792)[2] foi um advogado e poeta carioca, e um dos principais articuladores da Inconfidência Mineira. Foi detido e julgado por participar desse movimento revolucionário, tendo sido condenado ao degredo perpétuo na África. A Alvarenga Peixoto é atribuída a autoria da inscrição latina na bandeira de Minas Gerais: "Libertas quae sera tamen".[3]

Biografia

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, era filho de Simão Alvarenga Braga e Ângela Micaela da Cunha.[4] Estudou no Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro, chamado Humberto de Souza Mello. Tendo se transferido para Portugal, onde obteve o Bacharelato, com louvor, em Direito na Universidade de Coimbra. Aí conheceu o poeta Basílio da Gama, de quem se tornou amigo.[4]

No Reino exerceu o cargo de juiz de fora na vila de Sintra. De volta ao Brasil, o de senador pela cidade de São João del-Rei, na capitania de Minas Gerais. Aí também exerceu o cargo de ouvidor da comarca de Rio das Mortes e desposou a poetisa Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, com quem teve quatro filhos:[5] Maria Ifigênia, José Eleutério, João Damasceno (que posteriormente mudara o nome para João Evangelista) e Tristão de Alvarenga.

Participação na Inconfidência

Frequentava a então Vila Rica. Deixou a magistratura, ocupando-se da lavoura e mineração na região do sul de Minas Gerais, mais especificamente nas cidades de Campanha e São Gonçalo do Sapucaí, última cidade esta onde despendeu quase toda sua fortuna para a abertura de um canal de cerca de 30 quilômetros para abranger as melhores minas de ouro do arraial e fazer a lavagem das terras.[4]

Foi amigo dos poderosos da época e partilhava com os demais intelectuais de seu tempo idéias libertárias advindas do Iluminismo. Entre essas personalidades destacam-se os poetas[4] Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (seu parente), o padre José da Silva e Oliveira Rolim, o militar Joaquim José da Silva Xavier (o "Tiradentes") e Joaquim Silvério dos Reis, que delataria os conjurados. Foi amigo e compadre de João Rodrigues de Macedo, rico contratador de impostos de Vila Rica que ajudou a esposa de Alvarenga Peixoto, Bárbara Heliodora, a pedido desta depois de que a fazenda de Alvarenga Peixoto, a Sesmaria da Boa Vista em São Gonçalo do Sapucaí foi leiloada em praça pública pelo governo em 1795. Macedo arrematou a metade da fazenda se tornando sócio da esposa de Alvarenga.

Condenação, degredo e morte

Pressionado por dívidas e impostos em atraso, acabou por se envolver na Inconfidência Mineira. Denunciado, detido (prisioneiro na Ilha das Cobras),[3] julgado e condenado, foi deportado para Angola, onde veio a falecer, pouco após sua chegada, vítima de uma febre tropical que à época assolava o local.[2]

Obras

A sua diminuta obra inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo, e foi recolhida por Rodrigues Lapa.[4] Apresenta alguns dos sonetos mais bem acabados do Arcadismo no Brasil. A temática amorosa foi uma das vertentes da sua poesia, em que também se observa uma postura crítica quanto à sociedade da época.

  • A Dona Bárbara Heliodora, poesia
  • A Maria Ifigênia, poesia
  • Canto Genetlíaco, poesia, 1793
  • Estela e Nize, poesia
  • Eu Não Lastimo o Próximo Perigo, poesia
  • Eu Vi a Linda Jônia, poesia
  • Sonho Poético, poesia
  • Traduziu para o português a peça teatral Mérope, de Scipione Maffei [3]

Inácio José de Alvarenga Peixoto: Poeta, Jurista e Inconfidente

Inácio José de Alvarenga Peixoto (Rio de Janeiro, 1742 — Ambaca, Angola, 27 de agosto de 1792) foi um advogado, magistrado e poeta carioca, reconhecido como um dos principais articuladores da Inconfidência Mineira. Envolvido na conspiração contra o domínio colonial português, foi julgado, condenado ao degredo perpétuo em África e é popularmente apontado como o criador da célebre divisa latina presente na bandeira de Minas Gerais: "Libertas quae sera tamen".

📖 Origens, Formação e Carreira

  • Nascimento e Família: Natural do Rio de Janeiro, nasceu em 1742, filho de Simão Alvarenga Braga e de Ângela Micaela da Cunha.

  • Período Coimbrão: Fez os seus primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janeiro antes de se transferir para Portugal. Na Universidade de Coimbra, concluiu com louvor o Bacharelato em Direito, período em que estabeleceu uma sólida amizade com o poeta Basílio da Gama.

  • Atuação na Magistratura: No Reino, exerceu o cargo de juiz de fora na vila de Sintra. De regresso ao Brasil, fixou-se na Capitania de Minas Gerais, onde exerceu as funções de ouvidor da comarca de Rio das Mortes e senador pela cidade de São João del-Rei.

  • Casamento e Descendência: Desposou a ilustre poetisa Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, com quem teve quatro filhos: Maria Ifigênia, José Eleutério, João Damasceno (que mais tarde adotou o nome de João Evangelista) e Tristão de Alvarenga.

☕ A Vinda para Minas e a Inconfidência Mineira

  • Empreendimentos e Circuito Intelectual: Abandonando progressivamente a magistratura, Alvarenga Peixoto dedicou-se à agricultura e à mineração no sul de Minas Gerais (nas regiões de Campanha e São Gonçalo do Sapucaí). Chegou a investir quase toda a sua fortuna na abertura de um canal de cerca de 30 quilómetros em São Gonçalo do Sapucaí para otimizar a lavagem de ouro.

  • Rede de Relações: Frequentador assíduo de Vila Rica, privou de perto com a elite intelectual e económica da capitania. Era amigo de poetas como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (com quem tinha laços de parentesco), do padre Rolim, do alferes Tiradentes e do contratador de impostos João Rodrigues de Macedo (que mais tarde viria a auxiliar a sua esposa).

  • Envolvimento na Conjuração: Pressionado por dificuldades financeiras, dívidas e pesados impostos em atraso cobrados pela Coroa, integrou ativamente o núcleo pensante da Inconfidência Mineira, que ambicionava a emancipação da colónia à luz dos ideais iluministas.

⛓️ Prisão, Degredo e Morte

  • Devassa e Julgamento: Na sequência da denúncia de Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi desmantelado. Alvarenga Peixoto foi preso, encarcerado na Ilha das Cobras (no Rio de Janeiro), julgado e condenado à morte por degredo perpétuo.

  • O Fim Trágico: A pena capital foi comutada em degredo, tendo sido deportado para Angola. Pouco após a sua chegada a Ambaca, veio a falecer a 27 de agosto de 1792, vítima de uma febre tropical que grassava na região.

  • O Destino dos Bens: Em 1795, a sua fazenda (Sesmaria da Boa Vista) foi leiloada em praça pública. Graças à intercessão de Bárbara Heliodora junto do amigo da família João Rodrigues de Macedo, este arrematou metade da propriedade, tornando-se sócio da esposa do inconfidente.

📚 Obra Literária e Legado

A produção literária de Alvarenga Peixoto insere-se nos cânones do Arcadismo, tendo sido recolhida e estudada por Rodrigues Lapa. Embora escassa em volume, destaca-se pelo apuro formal, por sonetos de grande maturidade estética, pelo lirismo amoroso e por uma forte veia crítica face à sociedade coeva.

  • Principais Composições:

    • A Dona Bárbara Heliodora

    • A Maria Ifigênia

    • Canto Genetlíaco (1793)

    • Estela e Nize

    • Eu Não Lastimo o Próximo Perigo

    • Eu Vi a Linda Jônia

    • Sonho Poético

  • Tradução: Destaca-se também pela transposição para a língua portuguesa da peça teatral Mérope, da autoria de Scipione Maffei.

  • Símbolo Histórico: Para além da sua relevância literária, a tradição historiográfica atribui-lhe a autoria da célebre divisa "Libertas quae sera tamen" ("Liberdade, ainda que tardia"), lema imortalizado na bandeira do Estado de Minas Gerais.

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