terça-feira, 4 de agosto de 2026

Francisco José de Lacerda e Almeida: O Cientista, Astrónomo e Pioneiro das Explodações na América do Sul e em África

 

Francisco José de Lacerda e Almeida
Nascimento22 de agosto de 1753
São Paulo
Morte18 de outubro de 1798
CidadaniaReino de Portugal
Alma mater
Ocupaçãoexplorador, matemático, astrônomo

Francisco José de Lacerda e Almeida (São Paulo, 1753Cazembe, 1798), Cavaleiro da Ordem de Cristo, Doutor em Matemática pela Universidade de Coimbra, lente da Real Academia dos Guardas da Marinha de Lisboa, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, Capitão de Fragata e Governador dos Rios de Sena,[1] foi um dos maiores viajantes exploradores do século XVIII.

Durante dez anos percorreu grande parte da América do Sul, por caminhos fluviais, entre Belém, Vila Bela e São Paulo, na campanha de demarcação de fronteiras entre o Brasil e a América espanhola. Mais tarde, percorreu parte de Moçambique e do Reino de Cazembe (atual Zâmbia), no que passaria a ser a primeira tentativa científica de travessia de África. Magnus Roberto de Mello escreveu a seu respeito:
"A demarcação das fronteiras da América do Sul e a expedição de travessia da África estão entre as maiores aventuras científicas do século XVIII. Lacerda e Almeida participou de ambas".[2]

Biografia

A antiga Sé de São Paulo onde Lacerda e Almeida foi batizado em 1753

Francisco José de Lacerda e Almeida nasceu na cidade de São Paulo, em 1753. Era filho do capitão português José António de Lacerda e de D. Francisca de Almeida Pais, nascida em Itu.[3] O capitão José António de Lacerda, natural de Leiria, tinha emigrado para São Paulo, onde possuía uma das únicas três farmácias lá existentes em 1765, que ficava situada na atual Praça da Sé.[4] Por parte da mãe, cuja família foi descrita por Pedro Taques na sua obra Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica (títulos Taques Pompeus, Laras e Godoys),[5] Lacerda e Almeida descendia de alguns dos primeiros povoadores de São Vicente, como Estêvão Gomes da Costa e Garcia Rodrigues, e de conhecidos sertanistas e bandeirantes, como Lourenço Castanho Taques, o primeiro descobridor das minas de ouro do Brasil e que, "tendo recebido um convite do príncipe regente Dom Pedro em 1674 para o descobrimento de ouro e prata (...) resolveu-se com seus cabedais e força de armas penetrar o sertão dos gentios Cataguazes (...) e conseguiu o 1.º conhecimento das minas, a princípio chamadas de Cataguazes, e mais tarde (...) chamadas Minas Gerais".[6]

A Academia Real da Marinha de Lisboa onde Lacerda e Almeida foi professor

Formação e primeiros anos da vida profissional

Lacerda e Almeida faz parte da elite brasileira que no final do século XVIII foi estudar para a Universidade de Coimbra, recentemente reformada pelo Marquês de Pombal. Não se sabe onde fez seus primeiros estudos, mas os registos da Universidade de Coimbra indicam que em 1772, Lacerda e Almeida já se encontrava matriculado no 2.° ano de Filosofia e no 1.° ano de Matemática.[3] Com ele encontravam-se outros "brasileiros", entre os quais o seu futuro colega de trabalho no Brasil, o mineiro Antônio Pires da Silva Pontes. Em 1777, aos vinte e quatro anos, recebeu o grau de doutor em Matemática[7] e Astronomia, tendo sido aprovado nemine discrepante.

Demarcação das fronteiras do Brasil

Em 1780 Lacerda e Almeida e o seu colega Antônio Pires da Silva Pontes, também doutorado pela Universidade de Coimbra, receberam a incumbência de tomarem as medidas astronômicas necessárias à demarcação dos limites fronteiriços do Mato Grosso com as colônias castelhanas. A missão demarcadora, que deixou Lisboa em 1780, com destino a Belém do Pará, era um desdobramento do Tratado de Santo Ildefonso, assinado em 1777.

De Belém, os astrônomos seguiram para Vila Bela, no Mato Grosso, onde começaram a atuar na demarcação das fronteiras. Lacerda e Almeida recebeu a incumbência de explorar as bacias do Rio Guaporé e do Rio Paraguai. Por fim, dirigiu-se a Cuiabá e dali a São Paulo, onde chegou em 1790. Foram mais de dez anos explorando o sertão do Brasil.

Lacerda e Almeida deixou uma série de diários relativos a cada uma das etapas da sua grande viagem pelo interior do Brasil, além de mapas e tabelas de latitudes e longitudes. Esses diários viriam a ser publicados em 1841, por ordem da Assembleia Legislativa da Província de São Paulo, com o título de Diário da viagem do Dr. Francisco José de Lacerda e Almeida pelas capitanias do Pará, Rio Negro, Matto-Grosso, Cuyabá e S. Paulo, nos annos de 1780 a 1790.

Mapa Inglês mostrando a rota da viagem de Lacerda e Almeida até Cazembe (rota 4)

Regresso a Portugal

Lacerda e Almeida voltou a Portugal em 1791, tornando-se professor da Academia Real dos Guardas da Marinha. Entretanto, enquanto ainda viajava pelo Brasil, já fora eleito sócio da Academia Real das Ciências.

Em 1797, foi nomeado Governador dos Rios de Sena (Zambézia), na África Oriental, pelo então ministro e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar, D. Rodrigo de Sousa Coutinho. Tinha por missão específica fazer a travessia da África, entre Moçambique e Angola.

Primeira tentativa de travessia de África

Em outubro de 1797, Lacerda e Almeida já se encontrava em Moçambique. O seu Diário da viagem de Moçambique para os Rios de Senna indica que saiu de Quelimane a 30 de Outubro de 1797 e que chegou a Tete, capital dos Rios de Sena, a 23 de janeiro do ano seguinte.

Depois de um período de vários meses de preparação, Lacerda e Almeida dirigiu, entre julho e outubro de 1798, o que viria a ser a "primeira expedição científica no sul da África Central (...) resultando na descoberta do Cazembe (...) e do lago Moero",[8] na atual fronteira da Zâmbia com a República Democrática do Congo.

Depois de ter percorrido mais de 1300 km desde Tete, Lacerda e Almeida chegou, já doente e com febres, a Cazembe. Então parte do Reino Lunda, a 3 de outubro de 1798, onde contacta o Rei Muata Lequéza, 4.° soberano do Cazembe,[9] que o recebe como "irmão". Passadas duas semanas, veio a falecer sem conseguir concluir a travessia.

Diário de Lacerda e Almeida contendo instruções para a continuação da missão

No seu diário de viagem, Lacerda e Almeida deixou ordens escritas para que seus subordinados continuassem a missão. Todavia, houve uma revolta, e a expedição retornou a Moçambique. Os homens que continuaram fiéis ao Padre Francisco João Pinto, nomeado pelo próprio Lacerda e Almeida, pouco antes de falecer, para sucedê-lo no comando, ainda permaneceram alguns meses no Cazembe mas também regressaram a Tete sem tentar continuar até Angola, como inicialmente previsto.

O diário de viagem do explorador foi salvo, trazido para Tete e publicado pela primeira vez em Lisboa, entre 1844 e 1845, nos Anais Marítimos e Coloniais, por iniciativa do Marquês de Sá da Bandeira, acompanhado do diário da viagem de regresso a Tete, escrito pelo Padre Francisco João Pinto. Mais tarde, esses documentos viriam a ser traduzidos para o inglês e publicados em Londres, no ano de 1873, sob o título de The Lands of Cazembe: Lacerda's journey to Cazembe in 1798, por iniciativa do explorador inglês Sir Richard Burton, que escreveu: "se o Dr. Lacerda não executou o seu projeto, o seu sucesso parcial aumentou, consideravelmente, o nosso conhecimento sobre o interior de África (...) Até que o Dr. Livingstone tenha regressado da sua terceira expedição, os escritos de Lacerda devem continuar a ser nossa principal autoridade".[10]

Em 1879, num dos seus livros de História, intitulado Os Grandes Navegadores do século XVIII (3.° volume da História Geral das Grandes Viagens e dos Grandes Viajantes), o escritor e historiador francês Júlio Verne, escreve três páginas sobre Lacerda e Almeida, lamentando a falta de documentação mais completa sobre o explorador e exprimindo "uma pena profunda de não ter podido (...) escrever mais demoradamente sobre a história dum homem que fez descobertas tão importantes e em relação ao qual a posteridade é soberanamente injusta deixando-o no esquecimento"[11]

Homenagens

Trevo de Pontes e Lacerda no Mato Grosso

A cidade de Pontes e Lacerda, no Estado do Mato Grosso, foi assim chamada em homenagem aos dois cientistas, Silva Pontes e Lacerda e Almeida, que desenharam os primeiros esboços da carta geográfica dos rios das bacias Amazônica e do Prata.[12]

Outros locais no Brasil, como o Rio Lacerda e Almeida, no Estado de Rondônia e a Ilha Lacerda e Almeida, no rio Paraná, Estado de São Paulo, também receberam seus nomes em homenagem ao trabalho levado a cabo por Lacerda e Almeida naquelas regiões.

Em África, a primeira homenagem foi uma iniciativa do Rei do Cazembe, que mandou instalar um maxâmo (monumento tumular), à memória de Lacerda e Almeida, que o major Pedroso Gamitto ainda teve oportunidade de ver em 1832.[13]:p.327 O major Gamitto explica que os Maxâmos são "os jazigos dos Muatas [reis] que os Cazembes reverenciam como lugares sagrados".[13]:p.229

Em 1893, uma povoação de Moçambique, na margem direita do Zambeze, recebeu o nome de Lacerdónia, em homenagem ao explorador.[3]

Referências

  1. Filipe Gastão de Almeida de Eça – "Lacerda e Almeida, escravo do dever e mártir da ciência", Lisboa 1951, pág. 41
  2. Magnus Roberto de Mello Pereira e André Akamine Ribas - "Francisco José de Lacerda e Almeida – Um astrônomo paulista no sertão africano", Editora Universidade Federal do Paraná (Coleção Ciência e Império), 2012, contracapa
  3.  Filipe Gastão de Almeida de Eça – "Lacerda e Almeida, escravo do dever e mártir da ciência", Lisboa 1951
  4. Prof.ª Dr.ª Elza C. O. Sebastião - "Apostila Introdução a Farmácia", Universidade Federal de Ouro Preto, 2010
  5. Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme - "Genealogia Paulistana", Tit. Taques Pompeus e Laras, Vol. IV e Tit. Godoys, Vol. VI 
  6. Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme - "Genealogia Paulistana", Tit. Taques Pompeus Vol. IV, pág.232 e 233
  7. Prof. Jaime Carvalho e Silva – "A Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra (1771-1911)", disponível no site da Universidade de Coimbra 
  8. sir Harry Hamilton Johnston - "A History of the Colonization of Africa by Alien Races", University Press, Cambridge 1905, pág. 52, disponível no Internet Archive (em inglês) 
  9. Pedroso Gamito. O Muata Cazembe. Lisboa, 1854, pág. 231
  10. Sir Richard Francis Burton. The Lands of Cazembe: Lacerda's journey to Cazembe in 1798. Londres, 1873, p. 10-11.
  11. (em francês) Jules Verne. Les Grands Navigateurs du XVIIIe siècle, vol. 3 da "Histoire des Grands Voyages et des Grands Voyageurs. Paris: Ed. Hetzel, 1879, pp. 391-394; Disponível no Internet Archive.
  12. Site da Prefeitura de Pontes e Lacerda«Título ainda não informado (favor adicionar)». www.ponteselacerda.mt.gov.br
  13.  Major A.C.P. Gamitto. O Muata Cazembe. Lisboa, 1854. Disponível no Google books.

Bibliografia

  • . Francisco José de Lacerda e Almeida. Diário de viagem pelas capitanias do Pará, Rio Negro, Matto-Grosso, Cuyabá e S. Paulo, nos anos de 1780 a 1790. São Paulo: Typ. de Costa Silveira, 1841. disponível na Biblioteca Brasiliana 
  • Francisco José de Lacerda e Almeida. Diários de Viagem. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1944. Prefácio de Sérgio Buarque de Holanda.
  • Francisco José de Lacerda e Almeida. Diário da Viagem de Moçambique para os Rios de Senna. Lisboa: Imprensa Nacional, 1889.
  • Francisco José de Lacerda e Almeida. Travessia da África. Lisboa: Agência Geral das Colônias, 1936. Prefácio de Manuel Múrias.
  • (em inglês) sir Richard Francis Burton. The Lands of Cazembe: Lacerda´s journey to Cazembe in 1798. London: John Murray, 1883, disponível no Internet Archive 
  • CORREA DE LACERDA, D. José Maria. Exame das Viagens do Doutor Livingstone. Lisboa: Imprensa Nacional, Lisboa 1867, disponível no Internet Archive 
  • QUIRINO DA FONSECA. Um drama no sertão. Lisboa, 1936. Prefácio do Almirante Gago Coutinho.
  • MARTINS, Luisa Fernanda Guerreiro. Francisco José de Lacerda e Almeida, Travessias Científicas e Povos da África Central (1787-1884). 1997. (Dissertação de Mestrado) – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Departamento de História.
  • PEREIRA, Magnus Roberto de Mello; RIBAS, André Akamine. Francisco José de Lacerda e Almeida – Um astrônomo paulista no sertão africano. Curitiba: Editora UFPR, 2012, (O livro traz a obra completa de Lacerda e Almeida, bem como sua correspondência) ISBN 9788565888110

Ligações externas

  • A Ilustração em Portugal e no Brasil: Cientistas & Viajantes  Francisco José de Lacerda e Almeida 
  • «Appleton's Cyclopedia de American Biography» (em inglês). , editado por James Grant Wilson, John Fiske y Stanley L. Klos Seis volúmenes, Nueva York: D. Appleton y Compañía, 1887-1889
  • Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT) - Projecto Biografias  Lacerda e Almeida, Francisco José 
  • Instituto Hidrográfico da Marinha Portuguesa - História - Figuras Ilustres  Francisco Lacerda e Almeida 
  • Manuscrito do Diário de Viagem para o Centro da África na Biblioteca Digital Mundial 

Francisco José de Lacerda e Almeida: O Cientista, Astrónomo e Pioneiro das Explodações na América do Sul e em África

Francisco José de Lacerda e Almeida (São Paulo, 1753 – Cazembe, 1798), Cavaleiro da Ordem de Cristo, Doutor em Matemática, Capitão de Fragata, lente da Real Academia dos Guardas da Marinha de Lisboa e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, foi um dos maiores viajantes e exploradores científicos do século XVIII. A sua trajetória singular uniu a rigorosa cartografia científica das fronteiras sul-americanas à primeira tentativa de travessia científica do continente africano.

🧬 Origens Familiares e Formação Académica

  • Nascimento e Família: Nasceu em São Paulo em 1753, filho do capitão português José António de Lacerda (nativo de Leiria e proprietário de uma das únicas farmácias de São Paulo em 1765, na atual Praça da Sé) e de D. Francisca de Almeida Pais, natural de Itu.

  • Ascendência Paulista: Através da família materna — descrita por Pedro Taques na Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica —, Lacerda e Almeida descendia de pioneiros de São Vicente (como Estêvão Gomes da Costa e Garcia Rodrigues) e de célebres sertanistas e bandeirantes, com destaque para Lourenço Castanho Taques, o descobridor das minas de ouro dos Cataguazes (futuras Minas Gerais) a pedido do príncipe regente em 1674.

  • Estudos em Coimbra: Inserido na elite intelectual enviada a Coimbra durante a reforma pombalina da Universidade, encontrava-se matriculado em Filosofia e Matemática em 1772, tendo como colega o mineiro Antônio Pires da Silva Pontes. Em 1777, aos 24 anos, obteve o grau de Doutor em Matemática e Astronomia (nemine discrepante).

🗺️ A Demarcação de Fronteiras na América do Sul (1780–1790)

  • A Missão do Tratado de Santo Ildefonso: Em 1780, Lacerda e Almeida e António Pires da Silva Pontes foram encarregados de realizar as medições astronómicas necessárias para fixar os limites fronteiriços entre o Mato Grosso e as colônias castelhanas, na sequência do Tratado de Santo Ildefonso (1777).

  • Dez Anos de Exploração: Partindo de Lisboa com destino a Belém, a comitiva avançou rumo a Vila Bela (Mato Grosso). Lacerda explorou exaustivamente as bacias dos rios Guaporé e Paraguai, passando por Cuiabá e regressando a São Paulo em 1790.

  • Registo Documental: O seu minucioso trabalho resultou em diários, mapas e tabelas de latitudes e longitudes, publicados postumamente em 1841 pela Assembleia Legislativa da Província de São Paulo sob o título Diário da viagem do Dr. Francisco José de Lacerda e Almeida pelas capitanias do Pará, Rio Negro, Matto-Grosso, Cuyabá e S. Paulo, nos annos de 1780 a 1790.

🌍 A Primeira Tentativa Científica de Travessia de África (1797–1798)

  • Regresso a Portugal e Nova Missão: De regresso a Portugal em 1791, lecionou na Academia Real dos Guardas da Marinha. Em 1797, foi nomeado Governador dos Rios de Sena (Zambézia, em Moçambique) pelo ministro D. Rodrigo de Sousa Coutinho, com a ambiciosa missão de atravessar o continente africano entre Moçambique e Angola.

  • A Expedição ao Cazembe: Partindo de Quelimane em outubro de 1797 e passando por Tete, Lacerda liderou entre julho e outubro de 1798 a primeira expedição científica no sul da África Central. Esta culminou na descoberta do Reino do Cazembe (na atual fronteira entre a Zâmbia e a República Democrática do Congo) e do lago Moero.

  • Morte e Legado da Missão: A 3 de outubro de 1798, após percorrer mais de 1 300 km desde Tete e já debilitado por febres, chegou a Cazembe, onde o 4.° soberano, o Rei Muata Lequéza, o recebeu como "irmão". Apenas duas semanas depois, veio a falecer.

  • O Destino da Expedição: Embora tenha deixado instruções escritas para continuar a travessia até Angola sob a liderança do Padre Francisco João Pinto, as revoltas e pressões internas forçaram o regresso da expedição a Tete sem concluir o plano original.

📚 Receção Internacional e Reconhecimento Histórico

Os diários de Lacerda e Almeida foram salvos, publicados em Lisboa entre 1844 e 1845 nos Anais Marítimos e Coloniais (por iniciativa do Marquês de Sá da Bandeira) e traduzidos para inglês em Londres (1873) por Sir Richard Burton na obra The Lands of Cazembe.

O explorador britânico destacou que, embora Lacerda não tenha concluído o projeto total, o seu sucesso parcial ampliou de forma decisiva o conhecimento europeu sobre o interior de África. O escritor francês Júlio Verne também lhe dedicou páginas laudatórias na sua obra Os Grandes Navegadores do século XVIII (1879), lamentando o esquecimento a que a posteridade votou uma figura de tão elevadas descobertas.

🏛️ Principais Homenagens e Toponímia

  • Pontes e Lacerda: Município no Mato Grosso batizado em honra conjunta de Silva Pontes e Lacerda e Almeida.

  • Outros locais geográficos: O Rio Lacerda e Almeida (Rondônia) e a Ilha Lacerda e Almeida (no rio Paraná, em São Paulo).

  • Em África: O Rei do Cazembe mandou erigir um maxâmo (monumento tumular sagrado dos reis) em sua memória, avistado pelo major Pedroso Gamitto em 1832; em 1893, uma povoação moçambicana às margens do Zambeze foi nomeada Lacerdónia.

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