quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O Barracão de Madeira de João Szuberski: Um Fragmento da Curitiba Efêmera dos Anos 1920

 Denominação inicial: Projecto de barracão de madeira para o Snr. João Szubersk

Denominação atual:

Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria: Barracão

Endereço: Rua Visconde de Nacar

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 44,00 m²
Área Total: 44,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Madeira

Data do Projeto Arquitetônico: 22/10/1926

Alvará de Construção: Talão N° 511; N° 4385/1926

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de barracão.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de barracão de madeira para o Snr. João Szuberski. Plantas do pavimento térreo e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

O Barracão de Madeira de João Szuberski: Um Fragmento da Curitiba Efêmera dos Anos 1920

Numa época em que Curitiba ainda se construía com as mãos — madeira, tijolo e cal —, pequenas estruturas erguiam-se como testemunhas silenciosas da vida cotidiana, do comércio incipiente e da inventividade dos seus habitantes. Entre elas, destaca-se, mesmo em sua ausência, o barracão de madeira projetado para o senhor João Szuberski, aprovado em outubro de 1926 por uma das mais respeitadas firmas de engenharia da capital: Gastão Chaves & Cia. Embora demolido décadas depois, seu projeto permanece como documento íntimo da cidade que já foi — efêmera, funcional e profundamente humana.


Uma Estrutura de Madeira, Um Espaço de Possibilidades

Concebido como barracão, o edifício destinava-se a usos diversos — provavelmente armazenagem, oficina ou suporte a atividades comerciais ou artesanais. Localizado na Rua Visconde de Nacar, uma via de configuração residencial e comercial no centro histórico de Curitiba, o barracão ocupava uma área modesta de 44,00 m², em único pavimento, construído inteiramente em madeira, material abundante, acessível e versátil na primeira metade do século XX.

A escolha da madeira refletia não apenas questões econômicas, mas também uma lógica construtiva típica da época: rapidez de execução, facilidade de montagem e adaptabilidade. Nesses pequenos galpões, sapateiros consertavam calçados, ferreiros forjavam ferramentas, comerciantes guardavam encomendas e imigrantes armazenavam sonhos.


João Szuberski: O Homem por Trás do Nome

Embora os registros históricos não revelem muito sobre João Szuberski, seu sobrenome sugere origem polonesa ou eslava, comum entre os imigrantes que chegaram ao Paraná no final do século XIX e início do XX. Muitos desses novos cidadãos instalaram-se em Curitiba com ofícios manuais, comércio de bairro ou pequenas indústrias familiares — e é provável que Szuberski seguisse caminho semelhante.

Ao encomendar um projeto arquitetônico — mesmo que para uma estrutura simples —, Szuberski demonstrou respeito pelas normas urbanas e compromisso com a ordem da cidade em crescimento. Não se tratava de uma construção improvisada, mas de uma edificação regularizada, projetada e autorizada.


O Projeto e o Contexto Urbano de 1926

Assinado em 22 de outubro de 1926, o projeto foi submetido ao poder municipal e aprovado por meio do Alvará de Construção nº 4385/1926, emitido pelo Talão nº 511 — prova de que, mesmo para estruturas modestas, a prefeitura exigia planejamento.

A prancha original, preservada em microfilme digitalizado, contém planta do pavimento térreo, implantação no terreno, corte e fachada frontal — desenhos à mão, com traços precisos e anotações técnicas que revelam o cuidado da firma Gastão Chaves & Cia., responsável por inúmeras obras públicas e privadas que marcaram a paisagem curitibana do período.

A Rua Visconde de Nacar, embora menos movimentada que a XV de Novembro ou a Marechal Deodoro, era parte do entrelaçado urbano que dava suporte à vida econômica da cidade. Ali, pequenos proprietários como Szuberski encontravam espaço para exercer seu ofício e garantir o sustento da família.


Desaparecimento e Significado

Em 2012, o barracão de João Szuberski já não existia mais. Demolido, esquecido ou substituído por construções mais densas, seu lugar na paisagem física foi apagado. Contudo, sua presença persiste nos arquivos — não como monumento, mas como fragmento de uma história coletiva.

Estruturas como essa raramente entram nos livros de história oficial. No entanto, são elas que compõem o esqueleto cotidiano de uma cidade: os galpões, as oficinas, os depósitos, os barracões de madeira que, embora efêmeros, sustentaram vidas, negócios e comunidades.


Um Patrimônio da Simplicidade

O barracão de João Szuberski ensina que nem todo patrimônio precisa ser grandioso para ser valioso. Sua importância reside em:

  • Representar a arquitetura vernácula funcional do início do século XX;
  • Ilustrar a presença de imigrantes europeus na economia local;
  • Demonstrar a profissionalização do projeto arquitetônico, mesmo para usos secundários;
  • E, acima de tudo, humanizar a história urbana, lembrando que cidades são feitas não só de palácios, mas de pequenos espaços habitados com dignidade.

Hoje, ao passar pela Rua Visconde de Nacar, talvez sob um prédio moderno ou um estacionamento, há um ponto invisível onde, um dia, uma estrutura de madeira abrigou o trabalho e a esperança de um homem chamado João Szuberski — cujo nome, graças a um projeto preservado, não se dissolveu inteiramente no esquecimento.


Ficha Técnica Resumida

  • Denominação inicial: Projecto de barracão de madeira para o Snr. João Szuberski
  • Localização: Rua Visconde de Nacar, Curitiba – PR
  • Data do projeto: 22 de outubro de 1926
  • Arquitetura/Engenharia: Gastão Chaves & Cia.
  • Área total: 44,00 m² (1 pavimento)
  • Material construtivo: Madeira
  • Alvará de construção: Talão nº 511; nº 4385/1926
  • Situação em 2012: Demolido
  • Documentação existente: Projeto arquitetônico (planta, corte, fachada, implantação) em microfilme

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