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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Colégio Estadual Segismundo Falarz: Uma Herança Modernista na Vila Hauer de Curitiba

 Denominação inicial: Grupo Escolar da Vila Hauer

Denominação atual: Colégio Estadual Segismundo Falarz

Endereço: Rua Isaías Regis de Miranda, 848 - Vila Hauer

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Geraldo S. Campelo

Data: 1950

Estrutura: padronizado

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 1953

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Grupo Escolar da Vila Hauer - s/d

Acervo: Museu da Imagem e do Som (MIS)

Colégio Estadual Segismundo Falarz: Uma Herança Modernista na Vila Hauer de Curitiba

Entre as ruas arborizadas da Vila Hauer, em Curitiba, ergue-se um edifício que, mais do que abrigar salas de aula, carrega em suas linhas arquitetônicas a memória de uma época em que a educação pública era símbolo de progresso e esperança coletiva. Trata-se do antigo Grupo Escolar da Vila Hauer, hoje conhecido como Colégio Estadual Segismundo Falarz — um marco da arquitetura modernista paranaense e testemunha silenciosa da transformação urbana e educacional da capital.


Origens: O Sonho de Uma Escola para a Comunidade

A história do Grupo Escolar da Vila Hauer começa no final da década de 1940, quando o bairro — ainda em formação — sentia a necessidade urgente de uma instituição de ensino pública e acessível. A demanda por educação básica crescia junto com a expansão demográfica pós-guerra, e o Estado do Paraná, alinhado às políticas nacionais de modernização, investiu na construção de unidades escolares padronizadas, eficientes e simbolicamente modernas.

O projeto foi concebido em 1950 pelo arquiteto Geraldo S. Campelo, profissional atuante no setor público e responsável por diversos edifícios escolares no Paraná durante esse período. Seu traço refletia os princípios do Modernismo brasileiro: funcionalidade, simplicidade formal, integração com o entorno e uso racional dos materiais. A planta em formato de “U” — tipologia comum nos grupos escolares da época — permitia a criação de um pátio interno, espaço fundamental para recreio, cerimônias cívicas e convivência comunitária.

Apesar de projetado em 1950, a construção só foi concluída alguns anos depois, com a inauguração oficial ocorrendo em 1953. Entre 1945 e 1951, a comunidade da Vila Hauer já se referia ao futuro prédio como “Grupo Escolar da Vila Hauer”, embora as atividades escolares provavelmente tenham sido realizadas em sedes provisórias até a entrega da edificação definitiva.


Arquitetura: Simplicidade com Propósito

O edifício seguiu o modelo padronizado adotado pela Secretaria da Educação do Paraná naquele momento, mas não por isso deixou de expressar identidade. Sua linguagem modernista manifestava-se nas fachadas limpas, ausência de ornamentos, grandes vãos envidraçados para iluminação natural e ventilação cruzada — elementos essenciais para o bem-estar dos alunos em um tempo anterior ao ar-condicionado.

A estrutura em concreto armado, alvenaria e telhado de duas águas era robusta e econômica, pensada para durar décadas. O pátio central, cercado pelas alas de salas de aula, administrativas e sanitários, reforçava a ideia de escola como espaço comunitário fechado, protegido do caos urbano, mas aberto à formação cidadã.

Fotografias sem data do acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS) de Curitiba registram o edifício em sua juventude, com paredes claras, jardins bem cuidados e crianças uniformizadas brincando sob o sol do outono paranaense — imagens que evocam uma era em que a escola era vista como templo laico do saber e da igualdade social.


Da Vila Hauer a Segismundo Falarz: Uma Nova Identidade

Com o passar das décadas, o nome “Grupo Escolar da Vila Hauer” cedeu lugar a uma homenagem mais específica: Colégio Estadual Segismundo Falarz. A mudança de denominação reflete uma prática comum na administração pública paranaense — nomear instituições em memória de personalidades locais que contribuíram para a educação, a cultura ou a vida cívica.

Embora os registros detalhados sobre a vida de Segismundo Falarz sejam escassos no domínio público, seu nome perpetuado na fachada da escola sugere um legado de dedicação à causa educacional ou ao desenvolvimento da região.


Presente: Memória e Transformação

Atualmente, o edifício ainda existe, embora com alterações significativas ao longo dos anos. Ampliações, reformas, substituição de esquadrias e adaptações às novas normas de acessibilidade e segurança modificaram parcialmente sua aparência original. No entanto, a estrutura básica em “U” e a vocação escolar do espaço permanecem intactas.

Localizado na Rua Isaías Regis de Miranda, 848, o colégio continua cumprindo seu papel fundador: educar gerações. Hoje, atende alunos do ensino fundamental e médio, mantendo viva a tradição de ser um pilar da comunidade da Vila Hauer.


Patrimônio Invisível, Mas Presente

Embora não seja tombado oficialmente como patrimônio histórico, o Colégio Estadual Segismundo Falarz é parte integrante do patrimônio afetivo e arquitetônico de Curitiba. Representa uma fase crucial da história da educação pública no Paraná — quando o Estado assumiu o compromisso de levar escolas de qualidade a todos os bairros, mesmo aos mais periféricos.

Sua arquitetura, aparentemente modesta, fala de um ideal: a escola como instrumento de justiça social. E, mesmo com paredes repintadas e pisos trocados, ela ainda sussurra, em cada corredor, a mesma promessa feita em 1953: aqui, todo filho de trabalhador pode sonhar.


Referências visuais e documentais sobre o Grupo Escolar da Vila Hauer encontram-se preservadas no acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS) de Curitiba, convidando pesquisadores, ex-alunos e historiadores a resgatarem não apenas tijolos e telhados, mas histórias de infância, professores inesquecíveis e o cheiro de giz misturado ao aroma das árvores do pátio.

Que essa casa de aprendizado continue de pé — não só como edifício, mas como símbolo vivo da fé na educação.