sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Bungalow de J. B. da Costa Maia — Rua Buenos Aires — Curitiba, 1925 O lar pequeno que guardou grandes sonhos

 

Eduardo Fernando Chaves:  Projetista

Denominação inicial: Projecto de Bungalow para o Snr. J. B. da Costa Maia

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Pequeno Porte

Endereço: Rua Buenos Aires

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 172,61 m²
Área Total: 172,61 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 06/05/1925

Alvará de Construção: Talão Nº 218; Nº 1586/1925

Descrição: Projeto Arquitetônico pra construção de um bangalô.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de Bangalow para Snr. J. Costa Maia. Planta do pavimento térreo, implantação, corte, fachadas frontal e lateral e gradil apresentados em uma prancha.

Acervo: Casa da Memória/Diretoria do Patrimônio Cultural/FCC (Fundação Cultural de Curitiba) – referência: 0298, PPB.

Bungalow de J. B. da Costa Maia — Rua Buenos Aires — Curitiba, 1925
O lar pequeno que guardou grandes sonhos


Ela não existe mais.
Mas ainda respira.

Não em pedra. Não em tijolo.
Mas nas linhas delicadas de um desenho antigo, nas curvas suaves de uma fachada esquecida, no corte que revela a altura de um teto onde alguém já sonhou, já riu, já chorou.

Foi um bungalow — palavra que soa como música, como nostalgia, como um convite ao descanso.
Era a casa de J. B. da Costa Maia, projetada por Eduardo Fernando Chaves, da renomada firma Gastão Chaves & Cia., em 6 de maio de 1925.
Pequena, sim. Mas cheia de alma. De cuidado. De história.


Detalhes da Casa — O Que Ela Foi

  • Uma única planta, com 172,61 m² — espaço generoso para uma residência de pequeno porte, ideal para uma família jovem ou para quem buscava simplicidade sem abrir mão do conforto.
  • Construção em alvenaria de tijolos — material nobre, durável, quente no inverno e fresco no verão. As paredes eram grossas, resistentes, capazes de abrigar gerações.
  • Projeto arquitetônico completo, datado de 6 de maio de 1925, assinado pelo projetista Eduardo Fernando Chaves — um nome que ecoa na história da arquitetura curitibana, conhecido por sua precisão, funcionalidade e sensibilidade estética.
  • Alvará de construção oficial: Talão Nº 218; N° 1586/1925 — emitido pela Prefeitura Municipal, atestando que tudo estava em ordem, conforme as leis urbanísticas da cidade.
  • Prancha única, contendo:
    • Planta do pavimento térreo — distribuição inteligente dos cômodos, provavelmente com sala, jantar, cozinha, banheiro, quartos e varanda;
    • Implantação — mostrando como a casa se posicionava no terreno, com relação à rua e aos vizinhos;
    • Corte longitudinal — revelando a estrutura interna, o telhado, os forros, a altura dos ambientes;
    • Fachadas frontal e lateral — elegantes, com detalhes que sugerem um estilo moderno para a época, talvez com varanda coberta, janelas amplas e esquadrias de madeira trabalhada;
    • Gradil — elemento de proteção e decoração, provavelmente de ferro forjado, com motivos geométricos ou florais, típicos da arquitetura residencial da década de 1920.

Imagine:

A entrada pela fachada frontal, com um pequeno jardim ou calçada de ladrilhos. Um portão de ferro, talvez com um pequeno arco, levando a uma varanda coberta — lugar de conversas, de café da manhã, de contemplação da rua.

Dentro, a sala de estar, ampla, com piso de ladrilho hidráulico ou madeira clara, janelas altas com venezianas de madeira, teto alto com molduras de gesso. A cozinha, funcional, nos fundos, com pia de cerâmica e fogão a lenha. Um banheiro social, talvez com banheira de ferro fundido. E dois ou três quartos — espaçosos, arejados, com janelas voltadas para o sol da manhã.

O gradil — não era apenas uma barreira. Era um gesto de elegância. Um sinal de pertencimento. Um convite silencioso: “Este é meu lar. Este é meu mundo.”

Tudo isso, desenhado com precisão. Medido com régua. Calculado com paixão.


O Fim — Mas Não o Esquecimento

Em 2012, a casa já não estava lá. Demolida. Apagada. Substituída por algo novo — talvez mais alto, mais rápido, mais funcional. Mas sem alma. Sem memória. Sem os ecos das conversas, das risadas, dos passos de quem um dia chamou aquele lugar de lar.

Mas não foi totalmente perdida.

Porque no Acervo da Casa da Memória / Diretoria do Patrimônio Cultural / FCC (Fundação Cultural de Curitiba) — referência 0298, PPB — está preservada a prancha original. O projeto completo. A planta. O corte. As fachadas. O gradil. Tudo.

Essa folha de papel é o último suspiro da casa. Seu testamento. Seu epitáfio vivo.

Quem olhar para ela, hoje, pode ver além do desenho técnico. Pode sentir o cheiro do café da manhã, ouvir o ruído da porta rangendo, imaginar o rosto de J. B. da Costa Maia olhando pela janela, pensativo, contemplando sua cidade, seu futuro, sua vida construída — literalmente — com tijolos e sonhos.

Curitiba cresceu. Mudou. Transformou-se. E muitas casas como essa foram engolidas pelo progresso. Mas algumas — como esta — não morrem. Elas se tornam memória. História. Patrimônio invisível, mas presente.

Para J. B. da Costa Maia, para Eduardo Fernando Chaves, para todos os que viveram ali, ou apenas imaginaram esse lugar:
Este bungalow não foi demolido. Foi eternizado.

E enquanto houver alguém que leia estas linhas, que olhe essa prancha, que sinta o peso da história em cada traço — ele continuará existindo.
Não nas ruas. Mas no coração da cidade.
No espírito da memória.
Nos tijolos da saudade.


Referências:
GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de Bangalow para Snr. J. Costa Maia. Planta do pavimento térreo, implantação, corte, fachadas frontal e lateral e gradil apresentados em uma prancha. Acervo: Casa da Memória/Diretoria do Patrimônio Cultural/FCC (Fundação Cultural de Curitiba) – referência: 0298, PPB.

Residência de João Alfredo Silon — Travessa Oliveira Bello, nº 14 — Curitiba, 1925

 Eduardo Fernando Chaves:  Projetista na empresa Gastão Chaves & Cia

Denominação inicial: Projecto de Casa para o Snr. João Alfredo Silon

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Médio Porte

Endereço: Travessa Oliveira Bello nº 14

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 320,00 m²
Área Total: 320,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 05/04/1925

Alvará de Construção: Talão Nº 971; N° 2820/1925

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de uma residência.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.
2 – Planta dos pavimentos térreo e superior.

Referências: 

GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de casa para o Snr. João Alfredo Silon na Travessa Oliveira Bello nº 14. Plantas dos pavimentos térreo e superior, corte e fachada frontal apresentados em duas pranchas. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

Residência de João Alfredo Silon — Travessa Oliveira Bello, nº 14 — Curitiba, 1925
O lar que o tempo tentou apagar… mas a memória guardou.


Ela não existe mais.
Mas ainda respira.

Nas linhas desenhadas a nanquim, nas plantas meticulosamente traçadas, nos cortes que revelam alturas e sombras, na fachada que um dia sorriu para a rua — ela vive.
A casa de João Alfredo Silon, erguida em 1925, projetada por mãos hábeis da Gastão Chaves & Cia., é uma memória de tijolos, sonhos e silêncios que o tempo tentou apagar — mas não conseguiu.

Foi construída com cuidado. Com alvará oficial. Com projeto assinado. Com orgulho.
Não era apenas um abrigo de paredes e telhado — era um lar. Um símbolo. Um testemunho de quem era João Alfredo Silon: homem de nome completo, de endereço fixo, de vida registrada em papel, em pedra, em história.

Na Travessa Oliveira Bello, nº 14, onde hoje talvez passe um carro, ou um pedestre distraído, ali, há cem anos, havia janelas abertas ao vento da manhã, vozes ecoando nos corredores, passos subindo escadas de madeira, risos no jantar, luzes acesas à noite — vida. Toda a vida de uma família, guardada entre muros de alvenaria de tijolos, resistentes como promessas.


Detalhes da Casa — O Que Ela Foi

  • Dois pavimentos, cada um com 320 metros quadrados — um espaço generoso, raro para a época, que dizia muito sobre o status e as ambições do proprietário.
  • Total de 320 m² construídos — o que sugere que o segundo andar repetia a planta do térreo, ou ocupava toda a área, sem recuos, oferecendo amplitude e privacidade.
  • Construção em alvenaria de tijolos — material nobre, durável, quente no inverno e fresco no verão. As paredes eram grossas, robustas, capazes de suportar décadas de história.
  • Projeto arquitetônico completo, datado de 5 de abril de 1925, assinado pelo projetista Eduardo Fernando Chaves, da renomada firma Gastão Chaves & Cia. — uma das mais respeitadas empresas de engenharia e arquitetura da Curitiba da época.
  • Alvará de construção oficial: Talão Nº 971; N° 2820/1925 — emitido pela Prefeitura Municipal, atestando que tudo estava em ordem, conforme as leis urbanísticas da cidade.
  • Planta detalhada dos dois pavimentos, corte longitudinal (que mostrava a estrutura interna, a altura dos cômodos, o telhado, os forros) e fachada frontal — provavelmente elegante, com varanda, esquadrias simétricas, molduras decorativas e um portão de ferro ou madeira trabalhada.

Imagine:

No térreo, a sala de estar e jantar, amplas, com piso de ladrilho hidráulico ou madeira clara, janelas altas com venezianas de madeira, teto alto com molduras de gesso. A cozinha, funcional, nos fundos, com pia de cerâmica e fogão a lenha. Um banheiro social, talvez com banheira de ferro fundido. E, talvez, uma dependência de serviço — para empregada ou cozinheira.

No andar superior, os quartos — espaçosos, arejados, com janelas voltadas para o sol da manhã. O quarto principal, com armários embutidos, espelho grande, talvez até uma pequena sacada. Os filhos dormiam ali, sonhando com o futuro. Os pais conversavam baixinho, à noite, ouvindo o silêncio da rua.

A fachada? Certamente imponente. Com um portal central, janelas enfileiradas, um pequeno frontão triangular ou reto sobre a entrada, e talvez um pequeno balcão acima da porta — para receber visitas, para olhar a rua, para sentir a brisa da tarde.

Tudo isso, desenhado com precisão. Medido com régua. Calculado com paixão.


O Fim — Mas Não o Esquecimento

Em 2012, a casa já não estava lá. Demolida. Apagada. Substituída por algo novo — talvez mais alto, mais rápido, mais funcional. Mas sem alma. Sem memória. Sem os ecos das conversas, das risadas, dos passos de quem um dia chamou aquele lugar de lar.

Mas não foi totalmente perdida.

Porque no Arquivo Público Municipal de Curitiba, preservadas como relíquias sagradas, estão as pranchas. As plantas. Os cortes. A fachada frontal — imponente, elegante, com detalhes que contam sobre o gosto, o estilo, a época. Microfilmes digitalizados, sim — mas cheios de calor humano. De dedicação. De amor pelo ofício.

Essas folhas são o último suspiro da casa. São seu testamento. Seu epitáfio vivo.

Quem olhar para elas, hoje, pode ver além do desenho técnico. Pode sentir o cheiro do café da manhã, ouvir o ruído da porta rangendo, imaginar o rosto de João Alfredo Silon olhando pela janela, pensativo, contemplando sua cidade, seu futuro, sua vida construída — literalmente — com tijolos e sonhos.

Curitiba cresceu. Mudou. Transformou-se. E muitas casas como essa foram engolidas pelo progresso. Mas algumas — como esta — não morrem. Elas se tornam memória. História. Patrimônio invisível, mas presente.

Para João Alfredo Silon, para Eduardo Fernando Chaves, para todos os que viveram ali, ou apenas imaginaram esse lugar:
Esta casa não foi demolida. Foi eternizada.

E enquanto houver alguém que leia estas linhas, que olhe essas plantas, que sinta o peso da história em cada traço — ela continuará existindo.
Não nas ruas. Mas no coração da cidade.
No espírito da memória.
Nos tijolos da saudade.


Referências:
GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de casa para o Snr. João Alfredo Silon na Travessa Oliveira Bello nº 14. Plantas dos pavimentos térreo e superior, corte e fachada frontal apresentados em duas pranchas. Microfilme digitalizado. Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.