Fichas de ingresso cunhadas pela diretoria do antigo Theatro Hauer, de Curitiba, urilizadas para acesso às dependências do citado teatro.
fotos fatos e curiosidades antigamente O passado, o legado de um homem pode até ser momentaneamente esquecido, nunca apagado
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Fichas de ingresso cunhadas pela diretoria do antigo Theatro Hauer, de Curitiba, urilizadas para acesso às dependências do citado teatro.
Maria Eulália Chaves – O Sobrado que Resistiu ao Tempo na Rua Dr. Murici
Denominação inicial: Projecto de sobrado para a Snra. Maria Eulália Chaves
Denominação atual:
Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Informações incompletas
Endereço: Rua Dr. Murici
Número de pavimentos: 2
Área do pavimento:
Área Total:
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico:
Alvará de Construção:
Descrição:
Situação em 2012: Existente
Imagens
1 - Fotografia do imóvel em 2012 (Elizabeth Amorim de Castro).
Referências:
1 - CHAVES, Eduardo Fernando Chaves. Theses de Concurso. Cadeira de Architectura Civil, Hygiene dos Edificios e Saneamento das Cidades. Curitiba: Faculdade de Engenharia do Paraná, 1930. 45 p. (p. 45).
1 - Fotografia do imóvel em 2012 (Elizabeth Amorim de Castro).
Maria Eulália Chaves – O Sobrado que Resistiu ao Tempo na Rua Dr. Murici
Na trama silenciosa dos bairros históricos de Curitiba, algumas edificações permanecem como testemunhas discretas de uma era em que a cidade se moldava com tijolos, sonhos e uma noção clara de lugar. Entre elas, destaca-se o sobrado projetado para Maria Eulália Chaves, uma construção de alvenaria que, mesmo com poucos dados oficiais, carrega em suas paredes a dignidade de uma época em que residência e comércio compartilhavam o mesmo teto — e a mesma história.
Uma Presença Documentada, Embora Enigmática
Embora lacunas permeiem sua ficha técnica — sem data precisa do projeto arquitetônico, alvará de construção ou medidas exatas de área —, o sobrado destinado à Senhora Maria Eulália Chaves na Rua Dr. Murici é uma peça rara do quebra-cabeça urbano curitibano do início do século XX.
Registrado originalmente como “Projecto de sobrado para a Snra. Maria Eulália Chaves”, o imóvel figura em fontes acadêmicas como parte do repertório da arquitetura residencial-comercial da capital paranaense. Sua menção aparece na página 45 da tese de concurso de Eduardo Fernando Chaves, apresentada em 1930 à Cadeira de Architectura Civil, Hygiene dos Edificios e Saneamento das Cidades da Faculdade de Engenharia do Paraná — instituição precursora da atual Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O fato de ter sido incluído em um trabalho acadêmico da época sugere que o projeto possuía qualidades notáveis: talvez pela distribuição espacial, pela integração com o lote ou pelo equilíbrio entre função privada e pública — elementos centrais na formação do urbanismo higiênico e funcional pregado pelos engenheiros-arquitetos da primeira metade do século XX.
Arquitetura de Alvenaria e Dupla Função
O sobrado foi erguido em alvenaria de tijolos, técnica dominante na Curitiba dos anos 1920–1940, que garantia solidez, durabilidade e certo status social. Com dois pavimentos, seguia o modelo clássico do “sobrado misto”:
- Térreo: destinado ao comércio — talvez uma mercearia, uma oficina, um ateliê ou mesmo um consultório.
- Pavimento superior: reservado à moradia da família, com acesso independente, assegurando privacidade e conforto.
Esse arranjo era comum em ruas como a Dr. Murici, localizada em área de transição entre o centro histórico e os bairros residenciais emergentes. A rua, batizada em homenagem ao médico Dr. Antônio Murici, figura importante na história da saúde pública curitibana, era — e ainda é — marcada por edificações de escala humana, com fachadas contidas, varandas reentrantes e detalhes construtivos que falam de uma arquitetura feita para durar.
Sobrevivência e Memória
Enquanto tantos sobrados semelhantes foram demolidos para dar lugar a edifícios verticais ou estacionamentos, o imóvel de Maria Eulália Chaves ainda existia em 2012, conforme registrado em fotografia feita por Elizabeth Amorim de Castro — uma valiosa contribuição para a memória visual da cidade. A imagem, embora não descrita em detalhe aqui, certamente captura a textura do tempo: tijolos aparentes ou revestidos, janelas de madeira, talvez grades de ferro forjado e um telhado de duas águas, típico da época.
Sua preservação até os dias atuais (ainda que em estado desconhecido após 2012) é um ato de resistência silenciosa. Numa cidade que frequentemente troca o antigo pelo novo sem reflexão, cada sobrado que permanece é um monumento à memória coletiva.
Maria Eulália: Uma Mulher à Frente do Seu Tempo
O fato de o imóvel ter sido encomendado por uma mulher — “Snra. Maria Eulália Chaves” — é digno de destaque. Na década de 1920–1930, era incomum que mulheres, especialmente viúvas ou independentes, figurassam como proprietárias formais de imóveis comerciais. Seu nome ligado a um projeto arquitetônico sugere autonomia econômica, visão de futuro e talvez até papel ativo na gestão de um negócio familiar.
Ela pode ter sido mãe, viúva, comerciante ou profissional liberal — mas acima de tudo, foi uma construtora de patrimônio, no sentido mais amplo: não apenas de tijolos, mas de legado.
Conclusão: Entre o Silêncio dos Dados e a Força da Presença
Embora faltem datas, medidas e alvarás, o sobrado de Maria Eulália Chaves existe — na fotografia, na tese de 1930, na rua que ainda leva o nome de um médico visionário, e na memória de quem caminha por Curitiba com olhos atentos ao passado.
Ele é um lembrete de que a história da cidade não está apenas nos grandes palacetes ou monumentos oficiais, mas também nos pequenos sobrados de esquina, nas paredes que viram gerações passarem, e nos nomes de mulheres que, com discrição e determinação, ergueram suas casas — e suas vidas — tijolo por tijolo.
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Hermano Franco Machado – Um Sobrado de Elegância e Propósito na Curitiba dos Anos 1930
Denominação inicial: Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado
Denominação atual:
Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Residência de Médio Porte
Endereço: Avenida Batel esquina com a Rua Bruno Filgueira
Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 270,00 m²
Área Total: 270,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico: 21/05/1930
Alvará de Construção: Talão Nº 25192; N° 1322/1930
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de um sobrado destinado a residência e comércio.
Situação em 2012: Demolido
Imagens
Projeto Arquitetônico.
Referências:
GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado à Avenida Batel esq. Bruno Filgueiras. Plantas
do pavimento térreo e superior e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.
Hermano Franco Machado – Um Sobrado de Elegância e Propósito na Curitiba dos Anos 1930
Entre o ritmo acelerado do progresso urbano e a poeira da memória histórica, alguns edifícios desaparecem — mas não sem deixar vestígios de sua importância. É o caso do sobrado projetado para Hermano Franco Machado, uma construção emblemática da Curitiba em transformação no início do século XX, erguida com a firmeza dos tijolos e a ambição de uma cidade que crescia em camadas: residência no alto, comércio embaixo, vida por toda parte.
A Encomenda e o Arquiteto: Um Projeto de Época
Em 21 de maio de 1930, foi registrado o Projeto Arquitetônico para um sobrado destinado a residência e comércio, encomendado por Hermano Franco Machado, um cidadão cujo nome permanece ligado a um momento crucial da urbanização curitibana. O projeto, assinado pelo escritório Gastão Chaves & Cia., uma referência na arquitetura paranaense da primeira metade do século XX, foi apresentado em uma única prancha contendo:
- Planta do pavimento térreo
- Planta do pavimento superior
- Fachada frontal
O documento, hoje preservado em microfilme digitalizado, revela um traçado funcional, elegante e profundamente integrado ao modelo de ocupação urbana que se consolidava na Avenida Batel — à época, um corredor em ascensão, onde a elite emergente e a classe média comercial buscavam visibilidade, conforto e praticidade.
Localização Estratégica: Avenida Batel com Rua Bruno Filgueira
O terreno escolhido para a construção situava-se em um dos cruzamentos mais promissores do bairro Batel: esquina da Avenida Batel com a Rua Bruno Filgueira. Essa localização privilegiada permitia que o térreo fosse ocupado por um estabelecimento comercial, aproveitando o fluxo de pedestres e veículos, enquanto o pavimento superior abrigaria a residência da família, garantindo privacidade, luz natural e vistas privilegiadas.
Essa dualidade — casa e loja sob o mesmo telhado — era uma solução arquitetônica comum na época, refletindo tanto as necessidades econômicas quanto os anseios por status urbano. Em cidades como Curitiba, São Paulo e Porto Alegre, esse modelo de “sobrado misto” definiu o perfil arquitetônico de bairros inteiros.
Características Técnicas e Construtivas
O sobrado de Hermano Franco Machado foi concebido com alvenaria de tijolos, técnica dominante na época, que garantia durabilidade, isolamento térmico e prestígio perante vizinhos e clientes. Apesar de possuir dois pavimentos, o projeto indicava uma área total construída de 270,00 m², sugerindo que apenas um pavimento foi efetivamente construído — ou que a área computada refere-se à planta padrão replicada nos dois níveis, contabilizada como uma única unidade para fins cadastrais da época.
As plantas revelam um cuidado com a distribuição espacial: no térreo, provavelmente, salas amplas ou um único salão comercial com acesso direto à calçada; no andar superior, quartos, sala de estar, copa e cozinha, organizados em torno de um corredor central ou varanda interna — típico do gosto arquitetônico neocolonial e eclético dos anos 1920–1930.
A fachada frontal, embora modesta em ornamentação, certamente incorporava elementos simbólicos do progresso: janelas de verga reta ou arredondada, cornijas discretas, talvez revestimento em massa lisa ou texturizada, e uma escada lateral ou interna que conduzia à moradia no andar de cima.
Documentação Oficial e Legado Administrativo
O projeto foi aprovado pela prefeitura de Curitiba sob o Alvará de Construção nº 1322/1930, emitido no Talão nº 25192 — um detalhe burocrático que, hoje, serve como fio condutor para historiadores e pesquisadores rastrearem a evolução do tecido urbano da capital paranaense.
Infelizmente, o sobrado não resistiu ao tempo. Em 2012, já havia sido demolido, cedendo lugar, provavelmente, a um empreendimento moderno, mais alto, mais denso — reflexo de uma cidade que, na busca por verticalização e renovação, muitas vezes apaga as pegadas de suas origens.
Memória Arquitetônica: O que Resta?
Embora o edifício físico tenha desaparecido, sua memória subsiste nos arquivos municipais, nos microfilmes da documentação técnica e, agora, em narrativas como esta. O sobrado de Hermano Franco Machado não era apenas um imóvel; era um capítulo da Curitiba que aprendia a ser metrópole, onde arquitetura, economia e vida doméstica se entrelaçavam no cotidiano das esquinas.
Seu nome, gravado no projeto original como “Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado”, é um lembrete de que, por trás de cada traço arquitetônico, há um sonho, uma família, um momento histórico — e a cidade que os acolheu, mesmo que por pouco tempo.
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