segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Fichas de ingresso cunhadas pela diretoria do antigo Theatro Hauer, de Curitiba, urilizadas para acesso às dependências do citado teatro.

 Fichas de ingresso cunhadas pela diretoria do antigo Theatro Hauer, de Curitiba, urilizadas para acesso às dependências do citado teatro.

Localizava-se na rua Mateus Leme, esquina com a rua 13 de Maio, foi construído em 1889 por Joseph Hauer e Ludovico Carlos Egg, ambos imigrantes alemães e moradores da região de Curitiba.
O local foi o segundo teatro da história da cidade e em 1891 começou a funcionar com apresentações teatrais que ficavam por conta da Companhia Dramática Alemã.
Na primeira ficha, no anverso, consta "Theatro Hauer - L.C.E. - Curityba" e, no reverso, o valor "500". Na outra, repete-se o texto e o valor é "200". A sigla L.C.E. refere-se às iníciais de Ludovico Carlos Egg, socio de Joseph Hauer.
A família Hauer chegou em Curitiba na década de 1860, dedicando-se desde então ao comércio, tornando-se uma das famílias mais relevantes do município.
Sentindo uma carência de espaços para apresentações culturais, providenciaram a construção de uma casa de espetáculos, então o Theatro Hauer, inaugurado em 1891 com a estréia da Companhia Dramática Alemã que excursionou pelo Brasil à época.
No final de 1900, a Companhia Apollo veio a Curitiba e realizou uma apresentação com um cinematógrafo. No teatro aconteciam também festas e reuniões.
Em uma dessas reuniões ocorreu a fundação do Coritiba Football Club, em 1909.
Com o passar do tempo o local passou a ser administrado pelas companhias de teatro, até seu fechamento nos anos 1930.
(Fotos: internet)
Paulo Grani






Maria Eulália Chaves – O Sobrado que Resistiu ao Tempo na Rua Dr. Murici

 Denominação inicial: Projecto de sobrado para a Snra. Maria Eulália Chaves

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Informações incompletas

Endereço: Rua Dr. Murici

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 
Área Total: 

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 

Alvará de Construção: 

Descrição: 

Situação em 2012: Existente


Imagens

1 - Fotografia do imóvel em 2012 (Elizabeth Amorim de Castro).

Referências: 

1 - CHAVES, Eduardo Fernando Chaves. Theses de Concurso. Cadeira de Architectura Civil, Hygiene dos Edificios e Saneamento das Cidades. Curitiba: Faculdade de Engenharia do Paraná, 1930. 45 p. (p. 45).

Hermano Franco Machado – Um Sobrado de Elegância e Propósito na Curitiba dos Anos 1930

 Denominação inicial: Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Residência de Médio Porte

Endereço: Avenida Batel esquina com a Rua Bruno Filgueira

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 270,00 m²
Área Total: 270,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 21/05/1930

Alvará de Construção: Talão Nº 25192; N° 1322/1930

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de um sobrado destinado a residência e comércio.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

Projeto Arquitetônico.

Referências: 

GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado à Avenida Batel esq. Bruno Filgueiras. Plantas
do pavimento térreo e superior e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

Hermano Franco Machado – Um Sobrado de Elegância e Propósito na Curitiba dos Anos 1930

Entre o ritmo acelerado do progresso urbano e a poeira da memória histórica, alguns edifícios desaparecem — mas não sem deixar vestígios de sua importância. É o caso do sobrado projetado para Hermano Franco Machado, uma construção emblemática da Curitiba em transformação no início do século XX, erguida com a firmeza dos tijolos e a ambição de uma cidade que crescia em camadas: residência no alto, comércio embaixo, vida por toda parte.


A Encomenda e o Arquiteto: Um Projeto de Época

Em 21 de maio de 1930, foi registrado o Projeto Arquitetônico para um sobrado destinado a residência e comércio, encomendado por Hermano Franco Machado, um cidadão cujo nome permanece ligado a um momento crucial da urbanização curitibana. O projeto, assinado pelo escritório Gastão Chaves & Cia., uma referência na arquitetura paranaense da primeira metade do século XX, foi apresentado em uma única prancha contendo:

  • Planta do pavimento térreo
  • Planta do pavimento superior
  • Fachada frontal

O documento, hoje preservado em microfilme digitalizado, revela um traçado funcional, elegante e profundamente integrado ao modelo de ocupação urbana que se consolidava na Avenida Batel — à época, um corredor em ascensão, onde a elite emergente e a classe média comercial buscavam visibilidade, conforto e praticidade.


Localização Estratégica: Avenida Batel com Rua Bruno Filgueira

O terreno escolhido para a construção situava-se em um dos cruzamentos mais promissores do bairro Batel: esquina da Avenida Batel com a Rua Bruno Filgueira. Essa localização privilegiada permitia que o térreo fosse ocupado por um estabelecimento comercial, aproveitando o fluxo de pedestres e veículos, enquanto o pavimento superior abrigaria a residência da família, garantindo privacidade, luz natural e vistas privilegiadas.

Essa dualidade — casa e loja sob o mesmo telhado — era uma solução arquitetônica comum na época, refletindo tanto as necessidades econômicas quanto os anseios por status urbano. Em cidades como Curitiba, São Paulo e Porto Alegre, esse modelo de “sobrado misto” definiu o perfil arquitetônico de bairros inteiros.


Características Técnicas e Construtivas

O sobrado de Hermano Franco Machado foi concebido com alvenaria de tijolos, técnica dominante na época, que garantia durabilidade, isolamento térmico e prestígio perante vizinhos e clientes. Apesar de possuir dois pavimentos, o projeto indicava uma área total construída de 270,00 m², sugerindo que apenas um pavimento foi efetivamente construído — ou que a área computada refere-se à planta padrão replicada nos dois níveis, contabilizada como uma única unidade para fins cadastrais da época.

As plantas revelam um cuidado com a distribuição espacial: no térreo, provavelmente, salas amplas ou um único salão comercial com acesso direto à calçada; no andar superior, quartos, sala de estar, copa e cozinha, organizados em torno de um corredor central ou varanda interna — típico do gosto arquitetônico neocolonial e eclético dos anos 1920–1930.

A fachada frontal, embora modesta em ornamentação, certamente incorporava elementos simbólicos do progresso: janelas de verga reta ou arredondada, cornijas discretas, talvez revestimento em massa lisa ou texturizada, e uma escada lateral ou interna que conduzia à moradia no andar de cima.


Documentação Oficial e Legado Administrativo

O projeto foi aprovado pela prefeitura de Curitiba sob o Alvará de Construção nº 1322/1930, emitido no Talão nº 25192 — um detalhe burocrático que, hoje, serve como fio condutor para historiadores e pesquisadores rastrearem a evolução do tecido urbano da capital paranaense.

Infelizmente, o sobrado não resistiu ao tempo. Em 2012, já havia sido demolido, cedendo lugar, provavelmente, a um empreendimento moderno, mais alto, mais denso — reflexo de uma cidade que, na busca por verticalização e renovação, muitas vezes apaga as pegadas de suas origens.


Memória Arquitetônica: O que Resta?

Embora o edifício físico tenha desaparecido, sua memória subsiste nos arquivos municipais, nos microfilmes da documentação técnica e, agora, em narrativas como esta. O sobrado de Hermano Franco Machado não era apenas um imóvel; era um capítulo da Curitiba que aprendia a ser metrópole, onde arquitetura, economia e vida doméstica se entrelaçavam no cotidiano das esquinas.

Seu nome, gravado no projeto original como “Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado”, é um lembrete de que, por trás de cada traço arquitetônico, há um sonho, uma família, um momento histórico — e a cidade que os acolheu, mesmo que por pouco tempo.


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