segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Hermano Franco Machado – Um Sobrado de Elegância e Propósito na Curitiba dos Anos 1930

 Denominação inicial: Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Residência de Médio Porte

Endereço: Avenida Batel esquina com a Rua Bruno Filgueira

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 270,00 m²
Área Total: 270,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 21/05/1930

Alvará de Construção: Talão Nº 25192; N° 1322/1930

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de um sobrado destinado a residência e comércio.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

Projeto Arquitetônico.

Referências: 

GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado à Avenida Batel esq. Bruno Filgueiras. Plantas
do pavimento térreo e superior e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

Hermano Franco Machado – Um Sobrado de Elegância e Propósito na Curitiba dos Anos 1930

Entre o ritmo acelerado do progresso urbano e a poeira da memória histórica, alguns edifícios desaparecem — mas não sem deixar vestígios de sua importância. É o caso do sobrado projetado para Hermano Franco Machado, uma construção emblemática da Curitiba em transformação no início do século XX, erguida com a firmeza dos tijolos e a ambição de uma cidade que crescia em camadas: residência no alto, comércio embaixo, vida por toda parte.


A Encomenda e o Arquiteto: Um Projeto de Época

Em 21 de maio de 1930, foi registrado o Projeto Arquitetônico para um sobrado destinado a residência e comércio, encomendado por Hermano Franco Machado, um cidadão cujo nome permanece ligado a um momento crucial da urbanização curitibana. O projeto, assinado pelo escritório Gastão Chaves & Cia., uma referência na arquitetura paranaense da primeira metade do século XX, foi apresentado em uma única prancha contendo:

  • Planta do pavimento térreo
  • Planta do pavimento superior
  • Fachada frontal

O documento, hoje preservado em microfilme digitalizado, revela um traçado funcional, elegante e profundamente integrado ao modelo de ocupação urbana que se consolidava na Avenida Batel — à época, um corredor em ascensão, onde a elite emergente e a classe média comercial buscavam visibilidade, conforto e praticidade.


Localização Estratégica: Avenida Batel com Rua Bruno Filgueira

O terreno escolhido para a construção situava-se em um dos cruzamentos mais promissores do bairro Batel: esquina da Avenida Batel com a Rua Bruno Filgueira. Essa localização privilegiada permitia que o térreo fosse ocupado por um estabelecimento comercial, aproveitando o fluxo de pedestres e veículos, enquanto o pavimento superior abrigaria a residência da família, garantindo privacidade, luz natural e vistas privilegiadas.

Essa dualidade — casa e loja sob o mesmo telhado — era uma solução arquitetônica comum na época, refletindo tanto as necessidades econômicas quanto os anseios por status urbano. Em cidades como Curitiba, São Paulo e Porto Alegre, esse modelo de “sobrado misto” definiu o perfil arquitetônico de bairros inteiros.


Características Técnicas e Construtivas

O sobrado de Hermano Franco Machado foi concebido com alvenaria de tijolos, técnica dominante na época, que garantia durabilidade, isolamento térmico e prestígio perante vizinhos e clientes. Apesar de possuir dois pavimentos, o projeto indicava uma área total construída de 270,00 m², sugerindo que apenas um pavimento foi efetivamente construído — ou que a área computada refere-se à planta padrão replicada nos dois níveis, contabilizada como uma única unidade para fins cadastrais da época.

As plantas revelam um cuidado com a distribuição espacial: no térreo, provavelmente, salas amplas ou um único salão comercial com acesso direto à calçada; no andar superior, quartos, sala de estar, copa e cozinha, organizados em torno de um corredor central ou varanda interna — típico do gosto arquitetônico neocolonial e eclético dos anos 1920–1930.

A fachada frontal, embora modesta em ornamentação, certamente incorporava elementos simbólicos do progresso: janelas de verga reta ou arredondada, cornijas discretas, talvez revestimento em massa lisa ou texturizada, e uma escada lateral ou interna que conduzia à moradia no andar de cima.


Documentação Oficial e Legado Administrativo

O projeto foi aprovado pela prefeitura de Curitiba sob o Alvará de Construção nº 1322/1930, emitido no Talão nº 25192 — um detalhe burocrático que, hoje, serve como fio condutor para historiadores e pesquisadores rastrearem a evolução do tecido urbano da capital paranaense.

Infelizmente, o sobrado não resistiu ao tempo. Em 2012, já havia sido demolido, cedendo lugar, provavelmente, a um empreendimento moderno, mais alto, mais denso — reflexo de uma cidade que, na busca por verticalização e renovação, muitas vezes apaga as pegadas de suas origens.


Memória Arquitetônica: O que Resta?

Embora o edifício físico tenha desaparecido, sua memória subsiste nos arquivos municipais, nos microfilmes da documentação técnica e, agora, em narrativas como esta. O sobrado de Hermano Franco Machado não era apenas um imóvel; era um capítulo da Curitiba que aprendia a ser metrópole, onde arquitetura, economia e vida doméstica se entrelaçavam no cotidiano das esquinas.

Seu nome, gravado no projeto original como “Projecto de sobrado para o Snr. Hermano Franco Machado”, é um lembrete de que, por trás de cada traço arquitetônico, há um sonho, uma família, um momento histórico — e a cidade que os acolheu, mesmo que por pouco tempo.


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