quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Curitiba em 1938: Do Posto Santa Maria ao “Sr. Peak” — A Vida Urbana nas Páginas da Revista Divulgação

 Curitiba em 1938: Do Posto Santa Maria ao “Sr. Peak” — A Vida Urbana nas Páginas da Revista Divulgação

Curitiba em 1938: Do Posto Santa Maria ao “Sr. Peak” — A Vida Urbana nas Páginas da Revista Divulgação


Página 10 – POSTO SANTA MARIA — CICCARINO IRMÃOS LTDA.

Na página 10, a revista Divulgação (edição No. 28, 29 e 30) apresenta um anúncio vibrante do Posto Santa Maria, pertencente à Ciccarino Irmãos Ltda. O título, em letras maiúsculas, grossas e com fonte serifada, ocupa o topo da página, chamando atenção imediatamente.

Abaixo, uma foto em preto e branco mostra o posto de combustível em plena atividade. A fachada é moderna para a época, com grandes portões de garagem abertos, onde se vêem veículos antigos estacionados — incluindo um caminhão e um automóvel clássico. Um letreiro acima da entrada diz “POSTO SANTA MARIA”, e outro menor, na lateral, indica “GASOLINA E ÓLEO”. Ao fundo, há casas típicas da Curitiba dos anos 1930, com telhados inclinados e janelas retangulares. Uma torre de energia elétrica está visível no canto esquerdo da foto, reforçando o contexto urbano.

Logo abaixo da imagem, um texto descreve os serviços oferecidos: “Oficina mecânica, lavagem, lubrificação e todos os demais serviços especializados.” O endereço completo é fornecido: “Rua Presidente Faria, esq. 13 de Maio — Fone, 2833 e 810.”

Na metade inferior da página, um grande anúncio publicitário da marca Brahma Chopp domina o espaço. O nome da cerveja aparece em letras enormes, negritas e em fonte sans-serif, com o slogan “só faz bem!!!” em itálico, sublinhado por duas linhas horizontais. A simplicidade e o impacto visual do anúncio refletem a linguagem publicitária da época — direta, alegre e persuasiva.


Página 11 – As Usinas de Emergência, Luz e Energia para o Povo do Paraná

Na página 11, o foco é a infraestrutura energética do Estado. O título principal, “As Usinas de Emergência, Luz e Energia para o Povo do Paraná”, ocupa o topo da página, em letras maiúsculas e em negrito. Abaixo, um subtítulo informa: “EM CONCLUSÃO AS OBRAS DO PLANO HIDRO-ELÉTRICO PARANAENSE — MOYSÉS LIPION”.

A página traz três fotos em preto e branco. A primeira, à esquerda, mostra um gerador elétrico enorme, com tubulações e cabos visíveis, identificado como “Gerador e quadro de controle da Usina de Paranaguá”. A segunda, no centro, retrata a “Vista da Usina de Apucarana”, com edifícios industriais e uma estrutura de concreto que sugere a escala das obras. A terceira, à direita, exibe a “Vista da Usina de Paranaguá”, com uma fachada moderna e máquinas pesadas ao fundo.

O texto principal explica que a falta de energia era um problema econômico e social para o Paraná, e que o plano hidrelétrico, liderado pelo governador Moysés Lipion, visa resolver essa lacuna. O texto menciona a construção de usinas termoelétricas como a de Apucarana e Paranaguá, além da Usina Hidroelétrica de Moysés Lipion, que será administrada pela Companhia de Águas e Energia Elétrica. A matéria enfatiza o compromisso do governo com o progresso do Estado e o conforto da população.

No rodapé da página, uma nota final diz: “No entanto, no instante em que tecemos esses comentários...”, sugerindo que o assunto será continuado em outra edição.


Página 19 – LIMIMENTO SANTA HELENA e O Dia do Presidiário

Na página 19, a revista combina saúde e política em dois blocos distintos.

À esquerda, um anúncio do Limimento Santa Helena ocupa a metade superior da página. O título, em letras maiúsculas e em negrito, diz: “LIMIMENTO SANTA HELENA — O vencedor da dor”. O texto explica que o produto é um remédio eficaz contra dores de cabeça, lombares, dentais e outras, com ênfase em sua “ação instantânea e duradoura”. O anúncio menciona que o limimento é fabricado pela “Fábrica de Medicamentos Santa Helena”, localizada em Curitiba, e que é vendido em farmácias e drogarias.

À direita, uma foto em preto e branco mostra um grupo de pessoas reunidas em frente a um prédio oficial, identificado como a “Penitenciária Central do Estado”. A legenda diz: “Os Guardiões Barba Carneiro e o representante do Comandante da 5ª Região Militar. Em frente: um grupo de detentos.”

O texto principal, intitulado “O Dia do Presidiário”, relata as comemorações do dia 14 de abril, quando o governador Moysés Lipion visitou a penitenciária para celebrar a data. O texto destaca a presença de autoridades, como o coronel José Ribeiro da Silva, chefe da polícia civil, e o dr. Júlio Gomes, diretor da penitenciária. A matéria enfatiza a importância da reabilitação dos presos e a necessidade de melhorias nas condições de vida na prisão.

Na parte inferior da página, uma lista de “SOLUÇÕES DA PÁGINA 21” enumera respostas a perguntas sobre história, geografia e cultura, sugerindo que a revista também tinha um caráter educativo.


Página 28 – CUIDADO COM O “PEAK” — O INVERNO VEM AÍ…

Na página 28, a revista adota um tom divertido e alerta para o uso consciente da energia elétrica durante o inverno. O título principal, em letras maiúsculas e em negrito, diz: “CUIDADO COM O ‘PEAK’ — O INVERNO VEM AÍ…”.

A página traz ilustrações em preto e branco de um personagem chamado “Sr. Peak”, representado como um homem gordo e sorridente, vestindo um terno e segurando um relógio. O texto explica que o “Peak” é o momento de maior consumo de energia, geralmente entre 9 e 11 da manhã e 6 e 8 da noite, quando as pessoas ligam aparelhos elétricos simultaneamente. O texto alerta que esse excesso de consumo pode causar sobrecarga na rede elétrica e levar a cortes de energia.

Duas ilustrações gráficas mostram a diferença entre “CAPACIDADE DA USINA” e “CONSUMO”, com curvas que indicam os picos de demanda. O texto recomenda que os consumidores evitem usar aparelhos elétricos durante os horários de pico e optem por horários alternativos.

No rodapé da página, um pequeno texto diz: “Cia. Força e Luz do Paraná”, indicando que a campanha foi promovida pela concessionária de energia elétrica do Estado.


Página 29 – Receitas para você e Todesschini

Na página 29, a revista combina culinária e publicidade em dois blocos distintos.

À esquerda, um bloco intitulado “Receitas para você” apresenta várias receitas caseiras, como “Bolo de Chocolate”, “Doce de Leite” e “Batatinhas de Castanhas do Pará”. As receitas são descritas com detalhes, incluindo ingredientes, modos de preparo e dicas úteis. O texto é escrito em linguagem simples e acessível, ideal para donas de casa da época.

À direita, um grande anúncio da marca Todesschini ocupa a metade da página. O nome da marca aparece em letras elegantes e cursivas, com o slogan “Preferido — uma massa de superior qualidade”. O texto explica que a massa Todesschini é feita com farinha de trigo de alta qualidade e que é ideal para bolos, tortas e outros pratos doces. O endereço da fábrica é fornecido: “Av. 7 de Setembro N° 3029 — Fone, 2848 — End. Teleg.: CURITIBA — PARANÁ”.

O anúncio termina com uma frase de efeito: “Leve sabrosa, nutritiva e de virtudes que fazem da MASSA TODESSCHINI — a massa sempre desejada.”


Cada página da revista Divulgação revela, com precisão e entusiasmo, um mosaico vivo de Curitiba em 1938 — onde indústria, sociedade, comércio e cultura se entrelaçam com elegância, orgulho e modernidade. Desde o posto de gasolina até o Sr. Peak, da usina elétrica ao limimento Santa Helena, cada detalhe conta uma história da cidade em transformação.










Curitiba em 1938: Um Mosaico de Indústria, Sociedade e Cultura na Capital Paranaense

 Curitiba em 1938: Um Mosaico de Indústria, Sociedade e Cultura na Capital Paranaense


Curitiba em 1938: Indústria, Sociedade e Cultura nas Páginas da Revista Divulgação

Página 20 – Indústrias do Paraná
A página 20 traz no canto superior esquerdo sua numeração e, à direita, a indicação “No. 26 e 27”. O cabeçalho centralizado “a DIVULGAÇÃO” abre o espaço dedicado às indústrias paranaenses. O destaque é a Fábrica de Tintas, Pinais e Vernizes Werneck & Cia. Ltda., localizada na rua Senador Salgado Filho, 675, em Curitiba. Um texto entusiasmado exalta o crescimento da empresa e seu papel no desenvolvimento industrial do Estado: “mostrando ao Brasil o que se pode fazer e o que se tem feito neste setor industrial que revela tanto os recursos”.

À direita, uma foto em preto e branco mostra a fachada da fábrica com o letreiro “FÁBRICA DE TINTAS E VERNIZES ROCHEDO — WERNECK & CIA. LTDA.”. Uma caminhonete antiga está estacionada em frente, com a porta do motorista aberta; ao lado, dois homens — um de terno e chapéu, outro com roupas mais simples — parecem representar a união entre gestão e operação. A legenda sob a imagem diz: “Vista geral da fábrica”.

Na coluna ao lado da foto, um texto vertical menciona a atuação de Ricardo Fernandes Gomes, ex-Ayr de S. Magalhães, como subgerente, e Henry Herbert Engelbach como gerente-adjunto, responsáveis pela expansão da firma. Na parte inferior da página, dados comerciais detalham volumes de vendas: “Tintas em galões... 180.000 R$; tintas em latas... 14.000 R$; tintas preparadas... 36.000 R$”, além da informação de que a produção anual era de 1.000 toneladas, com previsão de aumento para 1.500 toneladas.

Página 26 – Mundanismo
Numerada como página 26, com o mesmo número de edição (“No. 26 e 27”) no canto superior direito, esta página divide-se em duas colunas sociais. À esquerda, uma foto registra o casamento da senhorita Olga Maria com o Sr. Haroldo Escargo, ocorrido em 28 de dezembro de 1937 no Mosteiro de São Bento, na Capital Federal. Os noivos aparecem sentados, ela com vestido de noiva, véu e buquê; ele, de terno escuro, gravata e chapéu. A legenda identifica o pai da noiva como o “ilustre conferencista e Deputado pelo nosso Estado na Câmara Federal, Dr. Armando Almeida”.

À direita, sob o título “MUNDANISMO” em letras grandes e negritas, outra foto mostra cinco mulheres elegantes, padrinhas do batizado da filha do Dr. Theophilo Garcia Duarte. Elas usam penteados impecáveis, roupas formais e acessórios refinados. A legenda lista os padrinhos por parte da noiva — Dr. Heliodoro Costa e esposa, Sr. Francisco Pompílio de Souza Lima e Senhorita Eny de Macedo Guimarães — e por parte do noivo — Dr. Edmundo Garcia Duarte, viúvo Elvira Duarte, Dr. Luiz Maranhão e esposa. O texto reforça o prestígio social dos envolvidos e a importância desses eventos na elite curitibana.

Página 28 – Vulcanização Sorocabana
A página 28 abre com o título “Vulcanização Sorocabana” em destaque. No canto superior esquerdo, a numeração da página; à direita, “No. 26 e 27”. À direita, uma foto mostra o titular da firma, Sr. Estevam Capriotti, operando uma máquina de vulcanização, vestindo avental e luvas. A legenda: “Vulcanização Sorocabana — O Sr. Estevam Capriotti, titular da firma”.

À esquerda, um segundo registro fotográfico retrata um cliente sendo atendido por um funcionário agachado, examinando um pneu. A legenda: “Aspecto parcial, vendo-se uma secção em plena atividade”. O texto principal elogia a empresa como “uma das organizações especializadas no ramo de compra e venda de pneus usados” que “ocupa lugar de relevo em nosso Estado”, destacando seu equipamento moderno, equipe experiente e localização na rua Marechal Floriano, 1.201. Um trecho final celebra a dedicação e inteligência dos proprietários, responsáveis pela “franca expansão e prosperidade” da firma.

Página 29 – Novas Instalações da Firma Guerra Rego & Cia. Ltda.
Com título completo em maiúsculas — “Novas Instalações da firma GUERRA REGO & CIA. LTDA.” —, a página 29 exibe, à esquerda, a fachada da nova sede da loja na rua Comendador Araujo, 535. A construção de alvenaria clara tem janelas retangulares e o letreiro da empresa logo acima da entrada. A legenda: “Sede própria da firma Guerra Rego & Cia. Ltda. à Rua Comendador Araujo, 535”.

O texto à direita descreve a empresa como “um marco na vida econômica do nosso Estado”, ressaltando seu novo endereço próprio e seu status entre as “mais importantes congêneres do país”. A liderança do Dr. José Luiz Guerra Rego é destacada, assim como seu “bom gosto e bom humor”.

Na parte inferior, surge a seção “GONÇALVES DIAS”, com um trecho literário sobre os bilhetes trocados pelo poeta com o Circo Municipal. Logo abaixo, uma nota atribui a citação a Ramundo de Menezes, em sua obra Escritores no Íntimo, integrando cultura e comércio numa mesma página.

Página 30 – Alceu Bocchino e Essenfelder
A página 30 une música e indústria. À esquerda, uma foto do pianista Alceu Bocchino, acompanhada de uma breve biografia que menciona sua formação com o compositor Florent Schmitt e suas apresentações por várias cidades do Brasil. O texto inicia com a frase enigmática: “O conceito que dele fazemos FLORENT SCHMITT — EM DENTISTA BARROCO”, sugerindo um tom afetuoso e reverente.

À direita, um anúncio publicitário da Essenfelder, fábrica curitibana de pianos, ostenta o slogan: “O Piano dos grandes artistas GRAND PRIX Paris 1937”. O endereço completo é fornecido: “Fábrica: CURITIBA — PARANÁ — End. Telegr.: PIANOS — Caixa Postal, 251”. A página termina com a indicação “Continua na pág. 21”, convidando o leitor a seguir a leitura do perfil de Bocchino.

Cada página da revista Divulgação revela, com precisão e entusiasmo, um mosaico vivo de Curitiba em 1938 — onde indústria, sociedade, comércio e cultura se entrelaçam com elegância, orgulho e modernidade.














A Turma do Penadinho: HQ "Cuidado com a comida, Teodósio!"

 

A Turma do Penadinho: HQ "Cuidado com a comida, Teodósio!"


Em dezembro de 1992, há exatos 30 anos, era lançada a história "Cuidado com a boca, Teodósio" em que a Dona Morte resolveu cozinhar para o Teodósio com a intenção de matá-lo com seus dotes culinários especiais. Com 4 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 72' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Mônica Nº 72' (Ed. Globo, 1992)

Teodósio está indo para casa e sente um cheiro apetitoso vindo de lá, mas lembra que mora sozinho e a mãe dele não tem a chave de casa. Então, vê a Dona Morte cozinhando, falando que preparou uma comida deliciosa para ele. Teodósio pergunta quem é ela, que reclama que em toda história tem que responder a essa pergunta e diz que é a inevitável, aquela que mais cedo ou mais tarde todo mundo a encontra. Teodósio fala que ainda é muito cedo para ir e ela responde que todos dizem a mesma coisa.

Em seguida, Dona Morte oferece macarronada, frango assado e arroz à grega e diz que caprichou no tempero. Teodósio fala que aposta que carregou no sal, que vai aumentar a pressão e vai comer nada. Dona Morte insiste em ele comer uma sopa de cogumelos. Teodósio diz que deve ser chapéu de sapo, mostrando um sapo com chapéu dentro da sopa. Dona Morte reclama que ele está desprezando os dotes culinários dela e oferece pizza, yakissoba e peixe frito e Teodósio recusa tudo e tenta fugir.

Dona Morte oferece ovos fritos, Teodósio fala que é colesterol puro e quer matá-lo do coração. Dona Morte oferece doces e ele corre, falando que já deve estar com diabetes. Depois ela mostra a mesa com tudo que ela preparou e insiste em ele provar cachorro-quente e se recusa porque faz mal para saúde. Até que Teodósio passa mal e acaba morrendo. No final, já no cemitério e como fantasma, ele fala que não é justo e pergunta para Dona Morte do que morreu e ela diz que foi de fome.

História muita engraçada em que a Dona Morte queria matar o Teodósio pelo estômago, através das comidas que preparou. Excelente cozinheira que desejava matá-lo com coisas temperadas demais, salgadas e doces demais. Sabendo disso, Teodósio se recusava a comer, acabou não morrendo por ter comido, mas morreu de fome. Engraçado a Dona morte ter entrado na casa dele do nada e já ter todos os ingredientes das refeições, tudo de forma sobrenatural, o sapo com chapéu na sopa representando cogumelo e o Teodósio recusando as comidas e dando as desculpas não comer par anão morrer e tudo em vão.

Com um certo humor negro, que sempre colocavam nas histórias da Turma do Penadinho quando davam, quis mostrar que da morte não se escapa, de um jeito ou de outro morre quando é a hora, se comesse morria, se não comia, morria do mesmo jeito. Se Teodósio soubesse que ia morrer de qualquer jeito, comeria tudo até não aguentar mais, pelo menos morria satisfeito e feliz. Dessa vez a Dona Morte não colocou foice para matá-lo, quiseram privilegiar cena de ele passar mal e morrer naturalmente. 

Foi legal de que além de divertir, o leitor acaba aprendendo que comer comida salgada demais pode aumentar pressão arterial, comer ovos fritos aumenta colesterol  e comer doces dá diabetes. Crianças que não sabiam dessas doenças, acaba descobrindo e aprendendo. É completamente incorreta atualmente por mostrar humor negro e Teodósio morrer desse jeito, quem sabe, podem achar traumatizante, fora que é raro hoje mostrar a Dona Morte matar alguém.

Teodósio só apareceu nessa história. A Turma do Penadinho foram as mais que tiveram personagens secundários de aparições únicas, muitas vezes até só protagonizadas pelo personagem secundário e os fixos da Turma do Penadinho aparecerem só no final ou nem aparecer, pois mostrando o cemitério já dá ideia de ser a turma dele.  

Os traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo dos anos 1990, a Dona Morte que teve uma leve diferença de olhos com fundo branco em vez de fundo preto, mas ficou bem também. Título foi creditado a Turma do Penadinho por ter personagem secundário de destaque, mas daria muito bem creditar a Dona Morte, tranquilamente. E gostava quando o título não aparecia no alto da página, aparecendo em qualquer lugar da página, diferenciava bem. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

Pelezinho: HQ "Quem vai buscar?"

 

Pelezinho: HQ "Quem vai buscar?"


No último dia 29 de dezembro de 2022 morreu o Edson Arantes do Nascimento, o grande jogador de futebol Pelé. Em homenagem ao Pelé, mostro uma história do Pelezinho em que ele discute com o Frangão quem vai buscar a bola que ele perdeu durante a partida de futebol. Com 4 páginas, foi publicada em 'Pelezinho Nº 52' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Pelezinho Nº 52' (Ed. Abril, 1981)

Na partida de futebol, Pelezinho erra o gol e bola vai parar além da trave. Quando se prepara para voltar para o meio do campo, Frangão questiona Pelezinho quem vai pegar a bola. Ele responde que o Frangão que tem que buscar, porque é o goleiro quem pega as bolas e Frangão diz que foi o Pelezinho quem chutou e, então, ele quem deve buscar.

Cana Braba e Teófilo querem saber motivo da discussão, eles falam que o outro não quer pegar a bola e Cana Braba resolve buscá-la. Pelezinho e Frangão não deixam porque é questão de princípios e é um deles que tem que ir buscar. Pelezinho fala para o Frangão que o jogo só vai começar quando ele for buscar a bola. Frangão diz que pode esperar sentado e Pelezinho senta no chão, mandando Frangão buscar a bola.

Em seguida, Rex traz a bola, Pelezinho toma a bola do cachorro, falando que ele não tem que fazer favor para o folgado do Frangão e chuta a bola para bem longe. Um homem de carro vê a bola e pega para dar para o filho dele por estar novinha. Pelezinho comenta que o homem levou, Frangão fala que a culpa é do Pelezinho que a chutou. Os meninos ficam brabos com os dois por terem perdido a bola e para não apanharem os dois vão juntos correndo atrás do carro e tentarem recuperar a bola com o homem.

História legal em que Pelezinho perde gol e fica a dúvida de quem era a obrigação de buscar a bola para continuarem o jogo, o Frangão que era goleiro ou o próprio Pelezinho que foi quem chutou. Fica a briga entre eles, não permitindo que os outros meninos peguem porque era questão de princípios e acaba perdendo a bola para o homem que andava de carro, afinal, achado não é roubado. Ficaram sem jogar futebol e sem a bola por conta de discussão boba.

Não é por que goleiro sempre agarra bolas que têm obrigação de pegar. Frangão estava certo que teria que ser o Pelezinho quem teria que buscar porque foi quem chutou, o Pelezinho que foi o folgado. Ainda assim, se eles permitissem o Cana Braba pegar ou aceito o Rex ter pego, não aconteceria de perder a bola. Foi engraçado o absurdo do Rex ter pego a bola, ele gostava de futebol assim como o seu dono, Pelezinho. Podiam ter o colocado como gandula e nada disso tinha acontecido. Final ficou aberto e fica na imaginação dos leitores se eles conseguiram ou não recuperarem a bola com o homem.

Os traços ficaram bons , típicos de histórias de miolo do início dos anos 1980. Hoje, a palavra "droga" é proibida nos gibis, enredo acho que até poderiam fazer uma assim, apesar de ter brigas entre amigos, mas não teve pancadaria e violência física. Não foi republicada em almanaques da própria Editora Abril, a maioria das histórias do Pelezinho dos anos 1980 nuca foram republicadas na fase de ouro da MSP , mas depois republicaram sem alterações em 'As Melhores Histórias do Pelezinho Nº 2' (Ed, Panini, 2012).

Capa de 'As Melhores Histórias do Pelezinho Nº 2' (Ed. Panini, 2012)

Assim, fica a homenagem ao Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, jogador que encantou gerações e brilhou no futebol brasileiro. Faleceu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos, vítima de câncer de cólon, deixando um legado no futebol brasileiro e mundial. Entre 1977 a 1982 teve seu personagem Pelezinho em gibis mensais da MSP, representando o Pelé criança com histórias, na maioria, envolvendo futebol e situações que o Pelé viveu quando era criança, e incluindo absurdos e fantasias mágicas, típicas das histórias da MSP. Depois do cancelamento do gibi mensal, seguiu com almanaques regulares pela Editora Abril até em 1986 e algumas edições e especiais aleatórios, alguns com histórias inéditas inéditas, pela Editora Globo até em 1992 e depois uma volta de almanaques e Coleção Histórica entre 2012 a 2014, ficando o personagem Pelezinho também popular com as crianças que acompanharam. Descanse em paz, Pelé!