Denominação inicial: Casa Escolar Professor Brandão
Denominação atual:
Endereço: Av. João Gualberto, 953 - Alto da Glória
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1900-1930
Projeto Arquitetônico
Autor: Secretaria de Obras Públicas e Colonização
Data: 1910
Estrutura: padronizado
Tipologia: Bloco único
Linguagem: Eclética
Data de inauguracao: 1911
Situação atual: Edificação demolida
Uso atual:
Grupo Escolar Professor Brandão - s/d
Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração) - Pasta 32
Casa Escolar Professor Brandão: Um Marco da Educação Pública em Curitiba (1911–?)
Na história da educação curitibana, poucos edifícios simbolizaram com tanta clareza o esforço do Estado em expandir o ensino público no início do século XX quanto a Casa Escolar Professor Brandão. Localizada na Avenida João Gualberto, 953, no bairro do Alto da Glória, em Curitiba, essa instituição foi erguida como parte de um ambicioso plano de modernização da rede escolar paranaense entre 1900 e 1930 — período marcado pela consolidação do ensino primário laico, gratuito e obrigatório.
Origens e Contexto Histórico
A Casa Escolar Professor Brandão foi concebida em 1910, sob a responsabilidade técnica da Secretaria de Obras Públicas e Colonização do Paraná, órgão encarregado de projetar e construir unidades escolares padronizadas em todo o estado. Seu projeto arquitetônico seguiu um modelo institucionalizado: bloco único, estrutura funcional e linguagem eclética, característica da época, que combinava elementos neoclássicos, renascentistas e até traços coloniais, adaptados à simplicidade exigida por edificações públicas.
Inaugurada em 1911, a escola recebeu o nome de Professor Brandão — homenagem provavelmente dirigida a um educador ou intelectual local cuja memória era reverenciada pelas autoridades da época, embora registros biográficos detalhados sobre sua identidade ainda sejam escassos nos arquivos públicos disponíveis.
Arquitetura e Função Social
Classificada como "Casa Escolar" e posteriormente como "Grupo Escolar", a unidade fazia parte de uma tipologia administrativa adotada no Brasil desde o final do século XIX, inspirada no modelo francês de groupe scolaire. Esses estabelecimentos reuniam, sob um mesmo teto, várias salas de aula, sanitários, pátio interno e, muitas vezes, residência para o diretor — configurando-se como verdadeiros centros comunitários de formação cidadã.
O prédio da Casa Escolar Professor Brandão seguia rigorosamente o padrão estatal: alvenaria de tijolo, telhado de duas águas, janelas amplas para ventilação cruzada e fachada simétrica com detalhes ornamentais discretos — como molduras em argamassa, platibandas e cornijas leves — típicos do ecletismo oficial empregado em edifícios públicos da Primeira República.
Sua localização no Alto da Glória, então um bairro em expansão habitacional, refletia a intenção do poder público de atender às famílias da classe média urbana emergente, filhas de funcionários públicos, comerciantes e operários qualificados que se instalavam nas zonas altas da capital.
Destino e Memória
Apesar de seu papel formativo nas primeiras décadas do século XX, o edifício da Casa Escolar Professor Brandão não resistiu ao tempo. Em data não registrada — provavelmente nas décadas de 1960 ou 1970, período de intensa verticalização e renovação urbana em Curitiba — a construção foi demolida. Atualmente, não há uso específico registrado no local, e o terreno pode ter sido incorporado a novos empreendimentos ou destinado a outras funções urbanas.
Felizmente, sua memória permanece preservada nos arquivos históricos. O Acervo da Coordenadoria do Patrimônio do Estado, vinculada à SEAD (Secretaria de Estado da Administração), guarda documentação sobre a escola na Pasta 32, onde constam plantas, correspondências administrativas e fotografias que testemunham sua existência.
Embora ausente do mapa físico da cidade, a Casa Escolar Professor Brandão permanece viva na história da educação paranaense — não apenas como um tijolo erguido, mas como símbolo de um ideal republicano: o de que a escola pública é alicerçada na igualdade, na instrução e na esperança coletiva.
“Construíram salas, mas plantaram sementes.”
— Em memória das Casas Escolares do Paraná

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