Ernestine Marie Louise Kientopp Nascida (13 DE OUTUBRO DE 1868) - Curitiba, Paraná, Brasil Falecida (9 DE MARÇO DE 1907) - Curitiba, Paraná, Brazil Enterrada (9 DE MARÇO DE 1907) - Curitiba, Paraná, Brasil
Ernestine Marie Louise Kientopp: Uma Vida Breve, Mas Profunda na História de Curitiba
Curitiba, Paraná – 13 de outubro de 1868 | 9 de março de 1907
Na delicada tessitura da história familiar dos imigrantes alemães que ajudaram a moldar o sul do Brasil, poucas vidas ressoam com tanta ternura e tragédia quanto a de Ernestine Marie Louise Kientopp. Nascida em pleno coração de Curitiba, numa época em que a cidade ainda florescia entre trilhas de tropeiros e sonhos de novos mundos, Ernestine viveu apenas 38 anos, mas deixou marcas profundas nos laços familiares que construiu, nas promessas feitas diante do altar e nas ausências que sua partida precoce deixou.
Raízes Alemãs em Solo Paranaense
Ernestine veio ao mundo no dia 13 de outubro de 1868, filha de Carl Wilhelm Julius Kientopp e Caroline Müller, casal de origem germânica estabelecido em Curitiba. Seus pais, como tantos outros, fizeram parte da grande onda de imigração europeia que, impulsionada por crises políticas, econômicas e religiosas, buscou no Brasil um novo começo. Em meio a esse cenário de reconstrução identitária, os Kientopp ergueram uma família numerosa e marcada por fortes vínculos — mas também por perdas dolorosas.
Ernestine foi a quarta filha do casal, crescendo ao lado de irmãos cujos destinos se entrelaçavam com os da própria cidade. Entre eles estavam:
- Anna Rosina, que mais tarde se casaria com João Cordeiro de Oliveira;
- August Robert, o único irmão homem que chegou à idade adulta;
- Carl Wilhelm, nascido antes dela, mas falecido ainda na infância, em 1865 — uma sombra que pairava sobre a família desde antes do nascimento de Ernestine;
- Auguste Louise, Idalina Elise, Balbina Caroline Emma e Emma Balbina, todas mulheres que, como Ernestine, enfrentariam os desafios da maternidade, da viuvez e da sobrevivência em uma sociedade em transformação.
A infância de Ernestine transcorreu entre as tradições germânicas preservadas em casa e a crescente brasilidade das ruas de Curitiba. A língua, a fé, os costumes — tudo era uma ponte entre dois mundos. E talvez tenha sido essa dualidade que lhe deu a sensibilidade para compreender tanto o valor da raiz quanto a coragem de abraçar o novo.
Dois Amores, Dois Caminhos
A vida amorosa de Ernestine foi marcada por duas uniões distintas, cada uma com seu próprio significado histórico e emocional.
Seu primeiro casamento ocorreu em data não registrada nos documentos disponíveis, com Gustav Reinhold August Kasten — um nome que aparece brevemente nos registros, mas cujo rastro se perde com o tempo. Não há registros de filhos desse matrimônio, nem de sua duração exata. Talvez tenha sido breve, talvez tenha terminado com a morte de Gustav. O que se sabe é que, aos 19 anos, Ernestine já estava novamente diante do altar, pronta para recomeçar.
No dia 25 de agosto de 1888, um sábado ensolarado de fim de inverno, ela contraiu núpcias com Vicente Matana na Catedral de Nossa Senhora da Luz, coração espiritual de Curitiba. A cerimônia, celebrada em pleno auge da monarquia brasileira — apenas dois meses antes da Abolição da Escravatura —, simbolizava mais do que um compromisso amoroso: era a fusão de duas culturas, dois sobrenomes, duas linhagens.
Vicente Matana, cuja ascendência italiana ou hispânica contrastava com a herança germânica de Ernestine, representava a diversidade étnica que começava a definir a identidade curitibana. Juntos, eles construíram um lar onde provavelmente se falavam múltiplas línguas, se rezavam em diferentes tons de fé e se sonhava com um futuro melhor para os filhos que viriam.
Filhos: O Legado que Ficou
Embora os nomes e datas exatas de seus filhos não constem nos fragmentos genealógicos disponíveis, é quase certo que Ernestine tenha sido mãe. Mulheres de sua geração, especialmente em famílias católicas e tradicionais, raramente permaneciam sem descendência. Sua morte prematura, aos 38 anos, sugere que talvez tenha falecido em decorrência de complicações no parto — uma tragédia lamentavelmente comum na época — ou de alguma enfermidade endêmica, como tuberculose ou febre puerperal.
Seus filhos, se os teve, cresceram órfãos de mãe numa Curitiba que avançava rapidamente rumo à modernidade. Quem sabe tenham herdado seus olhos claros, sua determinação silenciosa ou o jeito de cuidar com mãos firmes e coração mole.
A Partida Prematura
Ernestine faleceu no dia 9 de março de 1907, em sua cidade natal. Foi enterrada no mesmo dia — prática comum na época, dada a ausência de refrigeração e os riscos sanitários. Seu túmulo, provavelmente localizado em algum dos antigos cemitérios de Curitiba, como o Cemitério Municipal São Francisco de Paula, guarda seu nome, suas datas e o eco de uma vida interrompida antes do tempo.
Sua morte deixou um vácuo na família Kientopp. Suas irmãs continuaram a se casar nos anos seguintes — Anna Rosina em 1891, Idalina em 1900, Emma Balbina em 1909 —, mas nenhuma delas teve Ernestine ao seu lado para compartilhar os vestidos de noiva, os conselhos de madrinha ou as angústias da maternidade.
Memória e Presença
Hoje, mais de um século depois, Ernestine Marie Louise Kientopp pode parecer apenas um nome em árvores genealógicas ou registros paroquiais. Mas por trás desse nome há uma mulher que viveu intensamente: que amou duas vezes, que carregou o peso e a graça de ser filha de imigrantes, que testemunhou a transformação de Curitiba de uma vila colonial a uma capital em ascensão, e que, mesmo com uma vida breve, contribuiu para a trama humana que hoje chamamos de família.
Sua história é um lembrete de que nem toda grandeza precisa de longevidade. Às vezes, basta um olhar, um gesto, um "sim" dito diante do altar, ou o simples ato de existir com dignidade em tempos difíceis.
Que sua memória seja honrada não apenas nos arquivos, mas nos corações daqueles que descendem de suas escolhas — e na cidade que, como ela, soube renascer muitas vezes.
“Nascida sob as araucárias, partiu sob o mesmo céu — mas deixou raízes.”
- Nascida (13 DE OUTUBRO DE 1868) - Curitiba, Paraná, Brasil
- Falecida (9 DE MARÇO DE 1907) - Curitiba, Paraná, Brazil
- Enterrada (9 DE MARÇO DE 1907) - Curitiba, Paraná, Brasil
Pais
Casamento(s)
- Casada com Gustav Reinhold August Kasten
- Casada a 25 de agosto de 1888 (sábado), Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil, com Vicente Matana †
Irmãos
Anna Rosina Kientopp †
August Robert Kientopp
Carl Wilhelm Kientopp †1865
Ernestine Marie Louise Kientopp †
Auguste Louise Kintopp
Idalina Elise Kientopp †
Balbina Caroline Emma Kintopp †
Emma Balbina Kintoppe 1884-
Fontes
- Pessoa: FamilySearch Family Tree
Árvore genealógica (visão geral)
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Enterro da avó materna
Morte de um irmão
Nascimento de uma irmã
Casamento
Casamento de uma irmã
Casamento de uma irmã
Casamento de uma irmã
Antepassados de Ernestine Marie Louise Kientopp
| Gottfried Müller † | Peter Göde † | |||
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| Gottfried Muller 1809- | Anna Regina Göde 1811- | |||
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| Carl Wilhelm Julius Kientopp † | Caroline Müller † | |||
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| Ernestine Marie Louise Kientopp † | ||||
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