segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Grupo Escolar Professor Cleto: Um Marco da Educação Pública em Curitiba

 Denominação inicial: Grupo Escolar Professor Cleto

Denominação atual: Colégio Estadual Professor Cleto

Endereço: Rua Visconde de Nacar, 544

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Secretaria de Obras Públicas e Colonização

Data: 1910

Estrutura: padronizado

Tipologia: Bloco único

Linguagem: 


Data de inauguracao: 3 de abril de 1911

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Grupo Escolar Professor Cleto - s/d

Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração) - Pasta 26

Grupo Escolar Professor Cleto: Um Marco da Educação Pública em Curitiba

Na Rua Visconde de Nacar, 544, no centro de Curitiba, ergue-se um edifício que há mais de um século contribui para a formação de gerações: o Grupo Escolar Professor Cleto, hoje conhecido como Colégio Estadual Professor Cleto. Inaugurado em 3 de abril de 1911, o prédio é um dos exemplares mais representativos do modelo de ensino primário implantado no Paraná nas primeiras décadas do século XX — uma época em que a escola pública se consolidava como pilar do projeto republicano de nação.

Projetado pela Secretaria de Obras Públicas e Colonização em 1910, o Grupo Escolar Professor Cleto seguiu um padrão arquitetônico oficial, fruto de uma política estadual voltada à expansão rápida e uniforme da rede escolar. Sua estrutura padronizada, tipologia de bloco único e linguagem eclética refletem não apenas as tendências estéticas da época, mas também os princípios de funcionalidade, higiene e ordem que orientavam a arquitetura escolar do período.


O Modelo dos Grupos Escolares: Modernidade e Instrução Popular

Os chamados “Grupos Escolares” surgiram no Brasil como resposta à necessidade de organizar o ensino primário em edifícios próprios, substituindo as antigas escolas isoladas, muitas vezes improvisadas em casas particulares ou salões paroquiais. No Paraná, esse movimento ganhou força sob a gestão de presidentes estaduais comprometidos com a modernização, como Affonso Alves de Camargo.

O Grupo Escolar Professor Cleto foi concebido dentro desse novo paradigma: um espaço coletivo, laico, gratuito e estruturado em séries anuais, com corpo docente especializado e currículo definido. A padronização do projeto permitia replicar rapidamente o modelo em diferentes regiões do estado, garantindo certa homogeneidade na qualidade da infraestrutura escolar.

Apesar de seguir um modelo institucional, o edifício não deixou de incorporar elementos da arquitetura eclética, então dominante nos prédios públicos curitibanos. Fachadas simétricas, molduras em torno de janelas e portas, telhados inclinados e detalhes clássicos conferiam dignidade visual à instituição, reforçando a ideia de que a escola era um “templo do saber”.


Homenagem a um Educador

A denominação “Professor Cleto” presta homenagem a Cleto de Oliveira, educador paranaense cuja trajetória esteve alinhada aos ideais de renovação pedagógica da Primeira República. Embora poucos detalhes sobre sua vida estejam amplamente divulgados, sua memória foi preservada no nome da instituição — prática comum na época, que buscava valorizar figuras locais dedicadas à instrução pública.

A escolha do nome reforça o caráter cívico da instituição: mais do que ensinar leitura e aritmética, a escola tinha a missão de formar cidadãos republicanos, conscientes de seus direitos e deveres.


Trajetória e Transformações

Desde sua inauguração em 1911, o Grupo Escolar Professor Cleto permaneceu em operação contínua, adaptando-se às sucessivas reformas educacionais ao longo do século XX. Com a expansão do ensino fundamental e médio, a unidade evoluiu de “Grupo Escolar” para Colégio Estadual, mantendo seu vínculo com a educação básica, mas ampliando sua abrangência.

Ao longo das décadas, o prédio sofreu alterações estruturais e funcionais — adaptações necessárias para atender às novas demandas pedagógicas, tecnológicas e demográficas. No entanto, mesmo com essas modificações, conserva traços significativos de sua configuração original, especialmente em sua volumetria e localização privilegiada no tecido urbano central de Curitiba.

Documentos históricos, como fotografias sem data registradas no Acervo da Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Pasta 26), atestam sua presença contínua no cenário educacional da capital.


Patrimônio Vivo da Educação Paranaense

Hoje, o Colégio Estadual Professor Cleto segue cumprindo seu papel como espaço de ensino, convivência e formação. Embora não seja tombado formalmente como patrimônio histórico, sua existência contínua já representa uma forma de preservação viva — um elo entre o passado e o presente da educação pública no Paraná.

Sua história é compartilhada por centenas de outras escolas construídas no mesmo período, mas cada uma carrega particularidades que a tornam única: os nomes gravados nos cadernos antigos, as vozes que ecoaram em seus corredores, os professores que ali dedicaram suas vidas.


Conclusão: Mais que um Prédio, uma Promessa

O Grupo Escolar Professor Cleto não foi apenas um edifício — foi, e continua sendo, a materialização de um ideal: o de que toda criança tem direito a uma escola digna. Em tempos de debates sobre o futuro da educação, olhar para essas instituições centenárias é também lembrar que a construção de um sistema público de ensino é obra de gerações — e que cada tijolo, cada carteira, cada quadro-negro faz parte dessa herança coletiva.

Que o Colégio Estadual Professor Cleto continue de portas abertas, acolhendo sonhos, cultivando saberes e honrando, a cada dia, o nome do educador que lhe dá identidade.


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