Denominação inicial: Convento Bom Retiro da Santa Cruz das Irmãs da Divina Providência
Denominação atual: Centro Comunitário Diva Pereira Gomes / Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Guardas Mirins do Paraná
Categoria (Uso): Ensino
Subcategoria: Instituição Religiosa
Endereço: Avenida Anita Garibaldi, nº 2417 – Chácara Ahú
Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 1.250,00 m²
Área Total: 1.250,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico: 14/11/1941 e 04/09/1942
Alvará de Construção: Nº 5699/1941 e 6115/1942
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de prédio para as Irmãs da Divina Providência, Alvará de Construção e fotografia do imóvel.
Situação em 2012: Existente
Imagens
1- Projeto Arquitetônico da fachada principal. Alvará 5699
2 – Planta com cortes.
3 – Planta com a implantação do imóvel.
4 – Projeto Arquitetônico do pavimento térreo.
5 -Projeto Arquitetônico do pavimento superior.
6 – Projeto Arquitetônico para construção de muro e gradil. Alvará 6115.
7- Alvará de Construção nº 5699.
8 – Alvará de Construção nº 6115.
9 – Detalhe da construção s/d.
10 – Fachada principal. s/d.
11 – Vista de toda a fachada do prédio. s/d.
12 – Entrada principal do prédio em 2005.
Referências:
1, 2, 3, 4 e 5 - CHAVES, Eduardo Fernando. Prédio – Irmãs da Divina Providência. Avenida Anita Garibaldi, nº 2417. Ahú – Curitiba. Alvará 5699. Projeto da fachada principal; plantas dos cortes A-B e C-D; implantação; plantas dos pavimentos térreo e superior representados em cinco pranchas. Microfilme digitalizado.
6 - CHAVES, Eduardo Fernando. Prédio – Irmãs da Divina Providência. Avenida Anita Garibaldi, nº 2417. Ahú – Curitiba. Alvará 6115. Planta de muro com elevação e implantação, representados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
7 e 8 – Alvarás de Construção.
9, 10 e 11 – Fotografias da coleção do Colégio Divina Providência.
12 – Fotografia de Elizabeth Amorim de Castro. (2005)
1- Projeto Arquitetônico da fachada principal. Alvará 5699
2 – Planta com cortes.
3 – Planta com a implantação do imóvel.
4 – Projeto Arquitetônico do pavimento térreo.
5 -Projeto Arquitetônico do pavimento superior.
7- Alvará de Construção nº 5199.
7- Alvará de Construção nº 5199.
7- Alvará de Construção nº 5199.
7- Alvará de Construção nº 5199.
8 – Alvará de Construção nº 6115.
8 – Alvará de Construção nº 6115.
8 – Alvará de Construção nº 6115.
8 – Projeto Arquitetônico para construção de muro e gradil. Alvará 6115.
9 – Detalhe da construção s/d. (acervo divina)
10 – Fachada principal. s/d.(acervo divina)
11 – Vista de toda a fachada do prédio. s/d.
12 – Entrada principal do prédio em 2005.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba; Colégio Divina Providência.
Do Convento à Guarda Mirim: A História do Prédio das Irmãs da Divina Providência na Avenida Anita Garibaldi
Entre os arcos silenciosos da memória curitibana, ergue-se um edifício que já foi lar de orações, hoje pulsante com o passo firme de jovens em formação. Localizado na Avenida Anita Garibaldi, nº 2417, no bairro Chácara Ahú, o prédio originalmente destinado às Irmãs da Divina Providência carrega em suas paredes de tijolos mais do que concreto: carrega transformação, vocação social e a persistência da missão educativa ao longo de décadas.
Origens: Um Convento para a Caridade e a Fé
Em meados do século XX, Curitiba vivia um período de expansão urbana e renovação espiritual. Foi nesse contexto que as Irmãs da Divina Providência, congregação católica dedicada à assistência aos necessitados, à educação e à formação moral dos jovens, decidiram estabelecer uma nova casa na capital paranaense.
A instituição, cuja denominação inicial era Convento Bom Retiro da Santa Cruz das Irmãs da Divina Providência, surgiu como um espaço de acolhimento, oração e ensino. O projeto arquitetônico foi elaborado nos idos de 1941 e 1942, assinado pelo engenheiro Eduardo Fernando Chaves, figura atuante na construção civil curitibana da época.
Os alvarás de construção — nº 5699/1941 e nº 6115/1942 — autorizaram não apenas a edificação do corpo principal do convento, mas também a construção de muros e gradis que delimitariam o terreno com discrição e segurança, em sintonia com a identidade claustral da ordem religiosa.
Arquitetura: Simplicidade com Propósito
O edifício erguido possui dois pavimentos, com área total construída de 1.250 m², distribuídos de forma equilibrada entre térreo e andar superior. Sua estrutura, em alvenaria de tijolos, reflete o estilo funcional e sóbrio típico das construções religiosas da primeira metade do século XX no Brasil — sem ostentação, mas com solidez e dignidade.
As plantas originais revelam um layout pensado para a vida comunitária: celas individuais ou compartilhadas, capela interna, refeitório, salas de estudo e espaços para atividades pedagógicas. A fachada principal, registrada em desenhos técnicos e fotografias históricas, apresenta linhas simétricas, janelas emolduradas e uma entrada central modesta, mas acolhedora — símbolo da abertura da instituição ao mundo, mesmo em meio à disciplina do recolhimento.
Da Vida Religiosa à Formação Cidadã
Ao longo das décadas, o papel do imóvel foi se transformando, acompanhando as mudanças sociais e as novas demandas da cidade. Embora as Irmãs da Divina Providência tenham mantido por muitos anos sua presença no local — possivelmente ligadas ao Colégio Divina Providência, instituição de ensino tradicional em Curitiba —, o prédio acabou sendo repensado como um centro de utilidade pública mais ampla.
Em algum momento após os anos 1980, o espaço foi cedido ou adaptado para abrigar o que hoje é conhecido como:
Centro Comunitário Diva Pereira Gomes / Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Guardas Mirins do Paraná
Essa transição marca uma bela continuidade simbólica: se antes o local formava almas na fé e na caridade, agora forma cidadãos na ética, na disciplina e no serviço comunitário. A Guarda Mirim, instituição centenária no Brasil, dedica-se à inclusão social de crianças e adolescentes por meio da educação, do trabalho protegido e do fortalecimento de valores — uma missão que dialoga profundamente com os princípios originais das Irmãs da Divina Providência.
A homenagem a Diva Pereira Gomes no nome atual do centro reforça esse compromisso com figuras locais que dedicaram suas vidas à causa infantojuvenil no Paraná.
Patrimônio Vivo: Preservação e Uso Contínuo
Em 2012, o prédio ainda existia em pleno uso, conforme registros oficiais. Fotografias da coleção do Colégio Divina Providência e imagens recentes, como a capturada por Elizabeth Amorim de Castro em 2005, mostram a fachada bem conservada, com poucas alterações estruturais significativas — testemunho do respeito pela herança arquitetônica do local.
Embora não seja tombado oficialmente como patrimônio histórico municipal ou estadual (até a data dos registros disponíveis), o edifício permanece como exemplo raro de instituição religiosa convertida em equipamento público de ensino e formação social, mantendo sua função educativa — agora sob uma perspectiva laica, mas igualmente humanista.
Conclusão: Um Legado em Camadas
O prédio da Avenida Anita Garibaldi, nº 2417, é muito mais do que um conjunto de tijolos e telhados. É um palimpsesto urbano: camada sobre camada de história, onde rezas deram lugar a aulas, onde hábitos brancos cederam espaço a uniformes azuis, mas onde o propósito permanece inabalável — formar seres humanos melhores.
Das Irmãs da Divina Providência à Guarda Mirim, este edifício continua cumprindo sua vocação: ser abrigo, escola e esperança. E, nesse sentido, talvez nunca tenha deixado de ser um convento — apenas trocou os sinos pelas vozes de jovens que, ali, encontram seu caminho.
"Nem todo templo tem cruz no topo; alguns têm futuro nos olhos dos que nele entram."

















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