Denominação inicial: Escola Normal de Curitiba
Denominação atual: Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto
Endereço: Rua Emiliano Perneta, 92 - Centro
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Escola Normal
Período: 1900-1930
Projeto Arquitetônico
Autor: Engenheiro Carlos Ross
Data: 1920
Estrutura: padronizado
Tipologia: U
Linguagem: Eclética
Data de inauguracao: 7 de setembro de 1922
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Escola Normal de Curitiba na década de 1920
Acervo: Memorial Lysimaco Ferreira da Costa
Escola Normal de Curitiba: Berço dos Educadores do Paraná
Na confluência entre tradição pedagógica e arquitetura cívica, ergue-se no coração de Curitiba um dos mais importantes marcos da história educacional do Paraná: a Escola Normal de Curitiba, hoje conhecida como Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto. Localizada na Rua Emiliano Perneta, 92, no bairro Centro, sua imponente estrutura em forma de “U” abrigou, desde sua inauguração em 7 de setembro de 1922, gerações de futuros professores que moldariam o ensino público em todo o estado.
A Missão das Escolas Normais
Criadas no Brasil a partir do final do século XIX, as Escolas Normais tinham como objetivo formar docentes para o ensino primário, seguindo modelos inspirados na França e nos Estados Unidos. No Paraná, a demanda por professores qualificados cresceu rapidamente com a expansão da rede escolar estadual nas primeiras décadas do século XX. Foi nesse contexto que surgiu a necessidade de uma instituição própria, capaz de unir teoria pedagógica, prática didática e formação moral — pilares fundamentais da educação republicana.
A Escola Normal de Curitiba não apenas atendia a essa demanda, mas tornou-se referência intelectual e cultural, atraindo jovens de todas as regiões do estado, muitos dos quais chegavam à capital com pouco mais que uma mala e o sonho de ensinar.
Arquitetura ao Serviço da Instrução
Projetada em 1920 pelo engenheiro Carlos Ross, figura destacada na engenharia pública paranaense da época, a edificação seguiu uma tipologia padronizada para instituições de ensino superior ligadas à formação de professores, mas com distinção: sua planta em “U” criava um pátio interno central, espaço simbólico e funcional destinado a reuniões, recreios e cerimônias cívicas.
A linguagem arquitetônica adotada foi o ecletismo, então dominante nos edifícios públicos brasileiros. Fachadas simétricas, janelas amplas com vergas curvas ou retas, detalhes em estuque, cornijas marcantes e escadarias monumentais compunham um conjunto de dignidade institucional, projetado para impressionar e inspirar respeito pelo saber.
A escolha da data de inauguração — 7 de setembro, Dia da Independência — não foi casual. Reforçava o caráter nacionalista da instituição e sua inserção no projeto civilizatório da Primeira República, que via na educação o caminho para a modernização do país.
Vida Escolar e Legado Formativo
Nas décadas de 1920 e 1930, a Escola Normal de Curitiba já era reconhecida como centro de excelência. Seus alunos cursavam disciplinas como Didática, Psicologia da Criança, Higiene Escolar, Língua Portuguesa, Matemática e História do Brasil, além de realizarem estágios supervisionados em escolas da capital. O currículo combinava rigor acadêmico e formação ética, preparando não apenas professores, mas cidadãos conscientes.
Fotografias preservadas no Memorial Lysimaco Ferreira da Costa mostram salas de aula organizadas, biblioteca bem provida, laboratórios rudimentares e alunas em uniformes impecáveis — imagens que revelam o zelo com que a instituição era conduzida.
Transformação e Permanência
Ao longo do século XX, a Escola Normal passou por diversas reformulações administrativas e curriculares. Com a expansão do ensino médio e a criação de faculdades de pedagogia, as Escolas Normais perderam progressivamente seu papel original. Em homenagem a um de seus mais ilustres educadores, a instituição foi renomeada Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto, mantendo, porém, sua vocação histórica: formar e acolher.
Embora tenha sofrido alterações estruturais — como adaptações para acessibilidade, modernização de instalações e inclusão de novos equipamentos —, o edifício conserva sua planta original em “U”, fachadas características e grande parte de sua identidade arquitetônica. Hoje, continua funcionando como edifício escolar, abrigando turmas do ensino fundamental e médio, além de atividades culturais e pedagógicas.
Conclusão
A Escola Normal de Curitiba é muito mais que um prédio antigo: é memória viva da educação paranaense. Em suas salas, formaram-se milhares de professores que levaram o alfabeto, a cidadania e a esperança a vilarejos, bairros operários e cidades do interior. Sua existência contínua é um testemunho raro de respeito pelo passado — e um lembrete de que toda sociedade avança quando investe naqueles que ensinam.
“Ali se aprendeu a ler o mundo — para depois ensiná-lo a outros.”
— Em homenagem ao Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto, herdeiro da Escola Normal de Curitiba (1922–presente).

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