quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

CONHECENDO A CASA DO 1° PREFEITO DE CURITIBA

 CONHECENDO A CASA DO 1° PREFEITO DE CURITIBA

Na então rua Ratclif n° 15 (hoje Desembargador Westphalen), na esquina com frente para o Largo da Ponte (hoje Praça Zacarias), José Borges de Macedo, 1º prefeito de Curitiba, construiu sua casa, provavelmente no início dos anos1830.
A casa foi construída em piso térreo, coberta com telhas goivas de barro, levantada com grossas paredes de pedra e estuque, belas janelas envidraçadas e em seus cantos acabada com grossas colunas, em fiel estilo colonial.
Passam-se os anos e, em 1904, um grupo de italianos cria em Curitiba a Sociedade Dante Alighieri instalando sua sede nesse casarão, o qual ainda mantinha sua estrutura original.
A Sociedade Dante Alighieri, de Curitiba, passou a funcionar segundo os princípios estabelecidos pela Sociedade Dante Alighieri fundada na Itália, em Roma, em 1889, por um grupo de intelectuais liderados por Giosuè Carducci. O seu principal objetivo, como se afirma no artigo 1° do Estatuto Social, é "tutelar e difundir a língua e a cultura italiana no mundo, reavivando as ligações espirituais dos compatriotas no exterior com a pátria mãe e alimentando entre os estrangeiros o amor e o culto à civilização italiana".
A casa permaneceu inalterada até 1945, quando foi demolida e, mais tarde, em 1952, foi construído no mesmo local, o Edifício Dante Alighieri.
A casa foi construída em piso térreo, coberta com telhas goivas de barro, levantada com grossas paredes de pedra e estuque, belas janelas envidraçadas e em seus cantos acabada com grossas colunas, em fiel estilo colonial.
(Foto: Acervo família Heitor Borges de Macedo)
Com o realinhamento das ruas Desembargador Westphalen e da Rua Emiliano Perneta, o casarão ficou entravando o crescimento da cidade, motivo pelo qual foi demolido em 1945.
(Foto: internet/pinterest)
Em 05/01/1945, resta apenas o muro na esquina da Rua Desembargador Westphalen com Rua Emiliano Perneta.
(Foto: internet/pinterest)






O Barracão de Lourenço Zanello: Uma Pequena Arquitetura de Esperança na Curitiba dos Anos 1920

 Denominação inicial: Projecto para barracão de madeira do Snr. Lourenço Zanello

Denominação atual:

Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria: Barracão

Endereço: Rua Ivahy entre as Ruas 24 de Maio e Alferes Poli.

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 24,00 m²
Área Total: 24,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Madeira

Data do Projeto Arquitetônico: 12/07/1928

Alvará de Construção: N° 3013/1928

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de barracão.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto para barracão de madeira do Snr. Lourenço Zanello, à Rua Ivahy entre as ruas 24 de Maio e Alferes Poli. Planta do pavimento térreo e de implantação, corte e fachadas frontal e lateral apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

O Barracão de Lourenço Zanello: Uma Pequena Arquitetura de Esperança na Curitiba dos Anos 1920

No coração do centro histórico de Curitiba, entre as ruas que guardam séculos de memória urbana, ergueu-se, por breve tempo, uma modesta estrutura de madeira — pequena em dimensão, mas rica em significado. Tratava-se do barracão projetado para o senhor Lourenço Zanello, aprovado em 12 de julho de 1928 pela renomada firma Gastão Chaves & Cia. Embora hoje desaparecido, seu projeto arquitetônico, preservado em microfilme, resgata não apenas uma construção, mas um modo de vida: o do trabalhador comum que, com mãos calejadas e espírito empreendedor, ajudou a tecer a cidade que hoje conhecemos.


Um Espaço de Apenas 24 m²: Grandeza na Simplicidade

Com apenas 24,00 metros quadrados, o barracão de Lourenço Zanello era uma das menores estruturas registradas entre os projetos comerciais da época. Localizado na Rua Ivahy, entre as importantes vias 24 de Maio e Alferes Poli — eixo dinâmico do comércio, da indústria leve e do artesanato curitibano —, o barracão ocupava um terreno estratégico, mesmo que diminuto.

Construído inteiramente em madeira, material emblemático da arquitetura popular do início do século XX, o edifício refletia a lógica de custo-benefício, rapidez e adaptabilidade. Nesses pequenos espaços, floresciam oficinas de marcenaria, consertos de bicicletas, depósitos de ferragens, armazéns de produtos agrícolas ou simples abrigos para ferramentas e mercadorias. Cada metro quadrado era sagrado — e Lourenço, com certeza, sabia disso.


Lourenço Zanello: Um Nome Italiano na Trama Paranaense

O sobrenome Zanello aponta claramente para origem italiana, provavelmente vindo de imigrantes que se instalaram no Paraná nas últimas décadas do século XIX ou início do XX. Muitos desses imigrantes dedicaram-se a ofícios manuais, comércio de bairro ou pequenas indústrias familiares. Lourenço, provavelmente filho ou neto de imigrantes, seguia essa tradição — e ao encomendar um projeto arquitetônico, mesmo para um barracão, demonstrava respeito pelas leis urbanas e ambição de legitimar seu espaço na cidade.

Seu nome, gravado em tinta sépia nos arquivos municipais, é um eco da multiculturalidade que forjou a identidade curitibana: poloneses, italianos, ucranianos, sírio-libaneses — todos contribuíram, cada um com seu tijolo, sua madeira, seu suor.


O Projeto de Gastão Chaves & Cia.: Profissionalismo até nas Pequenas Obras

Apesar da simplicidade da encomenda, a firma Gastão Chaves & Cia. — responsável por edifícios públicos, residências burguesas e infraestruturas urbanas — dedicou ao projeto o mesmo rigor técnico aplicado a obras maiores. A prancha original, hoje digitalizada em microfilme, apresenta:

  • Planta do pavimento térreo
  • Planta de implantação no terreno
  • Corte construtivo
  • Fachadas frontal e lateral

Esses desenhos, feitos à mão com precisão milimétrica, revelam um compromisso com a clareza funcional e a integração urbana. Mesmo um barracão precisava dialogar com a rua, respeitar alinhamentos e garantir ventilação e acesso. Era arquitetura ao serviço da vida real, não da vaidade.

O projeto foi oficialmente autorizado pelo Alvará de Construção nº 3013/1928, emitido pela prefeitura de Curitiba — sinal de que, já na década de 1920, a cidade caminhava para um modelo de urbanismo regulado, onde até as construções mais humildes exigiam planejamento.


Desaparecimento e Memória Ativa

Em 2012, o barracão de Lourenço Zanello já havia sido demolido, provavelmente cedendo lugar a novas edificações ou ao esquecimento. Nenhuma fotografia do edifício erguido sobreviveu — apenas o desenho idealizado, que hoje habita os arquivos históricos como relíquia silenciosa.

Mas sua ausência não diminui seu valor. Pelo contrário: estruturas como essa são peças essenciais do mosaico urbano cotidiano. Elas não aparecem em postais, mas sustentavam a economia local. Não eram monumentos, mas eram abrigo do trabalho, da dignidade e da sobrevivência.


Legado de uma Pequena Grande Estrutura

O barracão de Lourenço Zanello ensina que:

  • A história urbana não se escreve apenas com palácios, mas com 24 m² de madeira bem usados;
  • A arquitetura popular é tão digna de preservação quanto a monumental;
  • E que, por trás de cada nome em um alvará antigo, há uma vida inteira de esforço e esperança.

Hoje, ao caminhar pela Rua Ivahy, entre as sombras das construções modernas, talvez passe despercebido o ponto exato onde, um dia, um homem chamado Lourenço Zanello viu seu pequeno sonho tomar forma — tábua por tábua, prego por prego.

Seu nome, graças a um projeto arquitetônico cuidadosamente arquivado, não se perdeu por completo. E é nisso que reside sua eternidade.


Ficha Técnica Resumida

  • Denominação inicial: Projecto para barracão de madeira do Snr. Lourenço Zanello
  • Localização: Rua Ivahy, entre as ruas 24 de Maio e Alferes Poli, Curitiba – PR
  • Data do projeto: 12 de julho de 1928
  • Arquitetura/Engenharia: Gastão Chaves & Cia.
  • Área total: 24,00 m² (1 pavimento)
  • Material construtivo: Madeira
  • Alvará de construção: nº 3013/1928
  • Situação em 2012: Demolido
  • Documentação existente: Projeto arquitetônico (planta, implantação, corte, fachadas frontal e lateral) em microfilme

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O Barracão de Madeira de João Szuberski: Um Fragmento da Curitiba Efêmera dos Anos 1920

 Denominação inicial: Projecto de barracão de madeira para o Snr. João Szubersk

Denominação atual:

Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria: Barracão

Endereço: Rua Visconde de Nacar

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 44,00 m²
Área Total: 44,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Madeira

Data do Projeto Arquitetônico: 22/10/1926

Alvará de Construção: Talão N° 511; N° 4385/1926

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de barracão.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de barracão de madeira para o Snr. João Szuberski. Plantas do pavimento térreo e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

O Barracão de Madeira de João Szuberski: Um Fragmento da Curitiba Efêmera dos Anos 1920

Numa época em que Curitiba ainda se construía com as mãos — madeira, tijolo e cal —, pequenas estruturas erguiam-se como testemunhas silenciosas da vida cotidiana, do comércio incipiente e da inventividade dos seus habitantes. Entre elas, destaca-se, mesmo em sua ausência, o barracão de madeira projetado para o senhor João Szuberski, aprovado em outubro de 1926 por uma das mais respeitadas firmas de engenharia da capital: Gastão Chaves & Cia. Embora demolido décadas depois, seu projeto permanece como documento íntimo da cidade que já foi — efêmera, funcional e profundamente humana.


Uma Estrutura de Madeira, Um Espaço de Possibilidades

Concebido como barracão, o edifício destinava-se a usos diversos — provavelmente armazenagem, oficina ou suporte a atividades comerciais ou artesanais. Localizado na Rua Visconde de Nacar, uma via de configuração residencial e comercial no centro histórico de Curitiba, o barracão ocupava uma área modesta de 44,00 m², em único pavimento, construído inteiramente em madeira, material abundante, acessível e versátil na primeira metade do século XX.

A escolha da madeira refletia não apenas questões econômicas, mas também uma lógica construtiva típica da época: rapidez de execução, facilidade de montagem e adaptabilidade. Nesses pequenos galpões, sapateiros consertavam calçados, ferreiros forjavam ferramentas, comerciantes guardavam encomendas e imigrantes armazenavam sonhos.


João Szuberski: O Homem por Trás do Nome

Embora os registros históricos não revelem muito sobre João Szuberski, seu sobrenome sugere origem polonesa ou eslava, comum entre os imigrantes que chegaram ao Paraná no final do século XIX e início do XX. Muitos desses novos cidadãos instalaram-se em Curitiba com ofícios manuais, comércio de bairro ou pequenas indústrias familiares — e é provável que Szuberski seguisse caminho semelhante.

Ao encomendar um projeto arquitetônico — mesmo que para uma estrutura simples —, Szuberski demonstrou respeito pelas normas urbanas e compromisso com a ordem da cidade em crescimento. Não se tratava de uma construção improvisada, mas de uma edificação regularizada, projetada e autorizada.


O Projeto e o Contexto Urbano de 1926

Assinado em 22 de outubro de 1926, o projeto foi submetido ao poder municipal e aprovado por meio do Alvará de Construção nº 4385/1926, emitido pelo Talão nº 511 — prova de que, mesmo para estruturas modestas, a prefeitura exigia planejamento.

A prancha original, preservada em microfilme digitalizado, contém planta do pavimento térreo, implantação no terreno, corte e fachada frontal — desenhos à mão, com traços precisos e anotações técnicas que revelam o cuidado da firma Gastão Chaves & Cia., responsável por inúmeras obras públicas e privadas que marcaram a paisagem curitibana do período.

A Rua Visconde de Nacar, embora menos movimentada que a XV de Novembro ou a Marechal Deodoro, era parte do entrelaçado urbano que dava suporte à vida econômica da cidade. Ali, pequenos proprietários como Szuberski encontravam espaço para exercer seu ofício e garantir o sustento da família.


Desaparecimento e Significado

Em 2012, o barracão de João Szuberski já não existia mais. Demolido, esquecido ou substituído por construções mais densas, seu lugar na paisagem física foi apagado. Contudo, sua presença persiste nos arquivos — não como monumento, mas como fragmento de uma história coletiva.

Estruturas como essa raramente entram nos livros de história oficial. No entanto, são elas que compõem o esqueleto cotidiano de uma cidade: os galpões, as oficinas, os depósitos, os barracões de madeira que, embora efêmeros, sustentaram vidas, negócios e comunidades.


Um Patrimônio da Simplicidade

O barracão de João Szuberski ensina que nem todo patrimônio precisa ser grandioso para ser valioso. Sua importância reside em:

  • Representar a arquitetura vernácula funcional do início do século XX;
  • Ilustrar a presença de imigrantes europeus na economia local;
  • Demonstrar a profissionalização do projeto arquitetônico, mesmo para usos secundários;
  • E, acima de tudo, humanizar a história urbana, lembrando que cidades são feitas não só de palácios, mas de pequenos espaços habitados com dignidade.

Hoje, ao passar pela Rua Visconde de Nacar, talvez sob um prédio moderno ou um estacionamento, há um ponto invisível onde, um dia, uma estrutura de madeira abrigou o trabalho e a esperança de um homem chamado João Szuberski — cujo nome, graças a um projeto preservado, não se dissolveu inteiramente no esquecimento.


Ficha Técnica Resumida

  • Denominação inicial: Projecto de barracão de madeira para o Snr. João Szuberski
  • Localização: Rua Visconde de Nacar, Curitiba – PR
  • Data do projeto: 22 de outubro de 1926
  • Arquitetura/Engenharia: Gastão Chaves & Cia.
  • Área total: 44,00 m² (1 pavimento)
  • Material construtivo: Madeira
  • Alvará de construção: Talão nº 511; nº 4385/1926
  • Situação em 2012: Demolido
  • Documentação existente: Projeto arquitetônico (planta, corte, fachada, implantação) em microfilme

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