CONHECENDO A CASA DO 1° PREFEITO DE CURITIBA
(Foto: Acervo família Heitor Borges de Macedo)
(Foto: internet/pinterest)
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fotos fatos e curiosidades antigamente O passado, o legado de um homem pode até ser momentaneamente esquecido, nunca apagado
CONHECENDO A CASA DO 1° PREFEITO DE CURITIBA
Denominação inicial: Projecto para barracão de madeira do Snr. Lourenço Zanello
Denominação atual:
Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria: Barracão
Endereço: Rua Ivahy entre as Ruas 24 de Maio e Alferes Poli.
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 24,00 m²
Área Total: 24,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Madeira
Data do Projeto Arquitetônico: 12/07/1928
Alvará de Construção: N° 3013/1928
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de barracão.
Situação em 2012: Demolido
1 - Projeto Arquitetônico.
Referências:
1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto para barracão de madeira do Snr. Lourenço Zanello, à Rua Ivahy entre as ruas 24 de Maio e Alferes Poli. Planta do pavimento térreo e de implantação, corte e fachadas frontal e lateral apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.
O Barracão de Lourenço Zanello: Uma Pequena Arquitetura de Esperança na Curitiba dos Anos 1920
No coração do centro histórico de Curitiba, entre as ruas que guardam séculos de memória urbana, ergueu-se, por breve tempo, uma modesta estrutura de madeira — pequena em dimensão, mas rica em significado. Tratava-se do barracão projetado para o senhor Lourenço Zanello, aprovado em 12 de julho de 1928 pela renomada firma Gastão Chaves & Cia. Embora hoje desaparecido, seu projeto arquitetônico, preservado em microfilme, resgata não apenas uma construção, mas um modo de vida: o do trabalhador comum que, com mãos calejadas e espírito empreendedor, ajudou a tecer a cidade que hoje conhecemos.
Com apenas 24,00 metros quadrados, o barracão de Lourenço Zanello era uma das menores estruturas registradas entre os projetos comerciais da época. Localizado na Rua Ivahy, entre as importantes vias 24 de Maio e Alferes Poli — eixo dinâmico do comércio, da indústria leve e do artesanato curitibano —, o barracão ocupava um terreno estratégico, mesmo que diminuto.
Construído inteiramente em madeira, material emblemático da arquitetura popular do início do século XX, o edifício refletia a lógica de custo-benefício, rapidez e adaptabilidade. Nesses pequenos espaços, floresciam oficinas de marcenaria, consertos de bicicletas, depósitos de ferragens, armazéns de produtos agrícolas ou simples abrigos para ferramentas e mercadorias. Cada metro quadrado era sagrado — e Lourenço, com certeza, sabia disso.
O sobrenome Zanello aponta claramente para origem italiana, provavelmente vindo de imigrantes que se instalaram no Paraná nas últimas décadas do século XIX ou início do XX. Muitos desses imigrantes dedicaram-se a ofícios manuais, comércio de bairro ou pequenas indústrias familiares. Lourenço, provavelmente filho ou neto de imigrantes, seguia essa tradição — e ao encomendar um projeto arquitetônico, mesmo para um barracão, demonstrava respeito pelas leis urbanas e ambição de legitimar seu espaço na cidade.
Seu nome, gravado em tinta sépia nos arquivos municipais, é um eco da multiculturalidade que forjou a identidade curitibana: poloneses, italianos, ucranianos, sírio-libaneses — todos contribuíram, cada um com seu tijolo, sua madeira, seu suor.
Apesar da simplicidade da encomenda, a firma Gastão Chaves & Cia. — responsável por edifícios públicos, residências burguesas e infraestruturas urbanas — dedicou ao projeto o mesmo rigor técnico aplicado a obras maiores. A prancha original, hoje digitalizada em microfilme, apresenta:
Esses desenhos, feitos à mão com precisão milimétrica, revelam um compromisso com a clareza funcional e a integração urbana. Mesmo um barracão precisava dialogar com a rua, respeitar alinhamentos e garantir ventilação e acesso. Era arquitetura ao serviço da vida real, não da vaidade.
O projeto foi oficialmente autorizado pelo Alvará de Construção nº 3013/1928, emitido pela prefeitura de Curitiba — sinal de que, já na década de 1920, a cidade caminhava para um modelo de urbanismo regulado, onde até as construções mais humildes exigiam planejamento.
Em 2012, o barracão de Lourenço Zanello já havia sido demolido, provavelmente cedendo lugar a novas edificações ou ao esquecimento. Nenhuma fotografia do edifício erguido sobreviveu — apenas o desenho idealizado, que hoje habita os arquivos históricos como relíquia silenciosa.
Mas sua ausência não diminui seu valor. Pelo contrário: estruturas como essa são peças essenciais do mosaico urbano cotidiano. Elas não aparecem em postais, mas sustentavam a economia local. Não eram monumentos, mas eram abrigo do trabalho, da dignidade e da sobrevivência.
O barracão de Lourenço Zanello ensina que:
Hoje, ao caminhar pela Rua Ivahy, entre as sombras das construções modernas, talvez passe despercebido o ponto exato onde, um dia, um homem chamado Lourenço Zanello viu seu pequeno sonho tomar forma — tábua por tábua, prego por prego.
Seu nome, graças a um projeto arquitetônico cuidadosamente arquivado, não se perdeu por completo. E é nisso que reside sua eternidade.
Ficha Técnica Resumida
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Denominação inicial: Projecto de barracão de madeira para o Snr. João Szubersk
Denominação atual:
Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria: Barracão
Endereço: Rua Visconde de Nacar
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 44,00 m²
Área Total: 44,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Madeira
Data do Projeto Arquitetônico: 22/10/1926
Alvará de Construção: Talão N° 511; N° 4385/1926
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de barracão.
Situação em 2012: Demolido
1 - Projeto Arquitetônico.
Referências:
1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de barracão de madeira para o Snr. João Szuberski. Plantas do pavimento térreo e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.
O Barracão de Madeira de João Szuberski: Um Fragmento da Curitiba Efêmera dos Anos 1920
Numa época em que Curitiba ainda se construía com as mãos — madeira, tijolo e cal —, pequenas estruturas erguiam-se como testemunhas silenciosas da vida cotidiana, do comércio incipiente e da inventividade dos seus habitantes. Entre elas, destaca-se, mesmo em sua ausência, o barracão de madeira projetado para o senhor João Szuberski, aprovado em outubro de 1926 por uma das mais respeitadas firmas de engenharia da capital: Gastão Chaves & Cia. Embora demolido décadas depois, seu projeto permanece como documento íntimo da cidade que já foi — efêmera, funcional e profundamente humana.
Concebido como barracão, o edifício destinava-se a usos diversos — provavelmente armazenagem, oficina ou suporte a atividades comerciais ou artesanais. Localizado na Rua Visconde de Nacar, uma via de configuração residencial e comercial no centro histórico de Curitiba, o barracão ocupava uma área modesta de 44,00 m², em único pavimento, construído inteiramente em madeira, material abundante, acessível e versátil na primeira metade do século XX.
A escolha da madeira refletia não apenas questões econômicas, mas também uma lógica construtiva típica da época: rapidez de execução, facilidade de montagem e adaptabilidade. Nesses pequenos galpões, sapateiros consertavam calçados, ferreiros forjavam ferramentas, comerciantes guardavam encomendas e imigrantes armazenavam sonhos.
Embora os registros históricos não revelem muito sobre João Szuberski, seu sobrenome sugere origem polonesa ou eslava, comum entre os imigrantes que chegaram ao Paraná no final do século XIX e início do XX. Muitos desses novos cidadãos instalaram-se em Curitiba com ofícios manuais, comércio de bairro ou pequenas indústrias familiares — e é provável que Szuberski seguisse caminho semelhante.
Ao encomendar um projeto arquitetônico — mesmo que para uma estrutura simples —, Szuberski demonstrou respeito pelas normas urbanas e compromisso com a ordem da cidade em crescimento. Não se tratava de uma construção improvisada, mas de uma edificação regularizada, projetada e autorizada.
Assinado em 22 de outubro de 1926, o projeto foi submetido ao poder municipal e aprovado por meio do Alvará de Construção nº 4385/1926, emitido pelo Talão nº 511 — prova de que, mesmo para estruturas modestas, a prefeitura exigia planejamento.
A prancha original, preservada em microfilme digitalizado, contém planta do pavimento térreo, implantação no terreno, corte e fachada frontal — desenhos à mão, com traços precisos e anotações técnicas que revelam o cuidado da firma Gastão Chaves & Cia., responsável por inúmeras obras públicas e privadas que marcaram a paisagem curitibana do período.
A Rua Visconde de Nacar, embora menos movimentada que a XV de Novembro ou a Marechal Deodoro, era parte do entrelaçado urbano que dava suporte à vida econômica da cidade. Ali, pequenos proprietários como Szuberski encontravam espaço para exercer seu ofício e garantir o sustento da família.
Em 2012, o barracão de João Szuberski já não existia mais. Demolido, esquecido ou substituído por construções mais densas, seu lugar na paisagem física foi apagado. Contudo, sua presença persiste nos arquivos — não como monumento, mas como fragmento de uma história coletiva.
Estruturas como essa raramente entram nos livros de história oficial. No entanto, são elas que compõem o esqueleto cotidiano de uma cidade: os galpões, as oficinas, os depósitos, os barracões de madeira que, embora efêmeros, sustentaram vidas, negócios e comunidades.
O barracão de João Szuberski ensina que nem todo patrimônio precisa ser grandioso para ser valioso. Sua importância reside em:
Hoje, ao passar pela Rua Visconde de Nacar, talvez sob um prédio moderno ou um estacionamento, há um ponto invisível onde, um dia, uma estrutura de madeira abrigou o trabalho e a esperança de um homem chamado João Szuberski — cujo nome, graças a um projeto preservado, não se dissolveu inteiramente no esquecimento.
Ficha Técnica Resumida
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