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domingo, 28 de junho de 2026

O MAUSOLÉU DE SAIF ED-DIN BOKHARZI: Santuário Sufi e Marco Arquitetônico de Bucara

 


Mausoléu de Saif ed-Din Bokharzi
Mausoléu de Saif ed-Din Boharzi
Mausoléu de Sayfiddin Boharziy
Mausoléu de Sayfutdin Bokharzi
Informações gerais
TipoMausoléu
Construção2.ª metade do século XIV
Geografia
PaísUsbequistão
CidadeBucara
Coordenadas39° 46′ 00″ N, 64° 26′ 41″ L
Localização em mapa dinâmico

O Mausoléu de Saif ed-Din Bokharzi (em usbeque: Sayfiddin Boharziy maqbarasi) é um túmulo monumental do século XIV situado na parte oriental da cidade de Bucara, no Usbequistão, onde está sepultado o xeique sufi Saif ed-Din Bokharzi. Junto a ele encontra-se o Mausoléu de Baiã Culi Cã, monarca mongol do Canato de Chagatai entre 1348 e 1358.[1]

História

Saif ed-Din Bokharzi (ou al-Boharsi) nasceu em 1190 algures em Coração e morreu em 1260 ou 1261 em Bucara, onde viveu 40 anos como líder da tariqa (confraria sufi) Kubrawiya e foi muito reverenciado pela elite governante. Berque, cã da Horda Azul e neto de Gêngis ter-se-á convertido ao islão após ter visitado al-Bokharzi. Além de xeique, al-Boharsi foi um poeta e teólogo.[2]

O mausoléu encontra-se na área de Fathabad, uma antiga zona industrial no período soviético[1] que na altura da construção dos mausoléus era um arrabalde (rabad) de Bucara, que só depois viria a integrar a cidade.[2] O edifício atual data da segunda metade ou do final do século XIV e o portal é ainda mais recente.[2] Foi construído depois do seu mausoléu vizinho de menores dimensões onde está sepultado o cã Baiã Culi. Acredita-se que família do cã quis sepultá-lo junto ao túmulo do santo al-Bokharzi, que possivelmente teria um memorial que depois deu lugar ao atual mausoléu.[1] Outros autores afirmam que o mausoléu atual substitui um outro, que foi construído no início do século XIV sobre um túmulo do santo.[2]

Durante o período em que al-Bokharzi viveu e nos anos seguintes, a área onde se encontra o mausoléu tornou-se um vasto complexo religioso sufi, onde havia vários khanqahs (ou khanakas; locais de reunião e pousada de sufis) onde dervixes viviam dos donativos dos membros da confraria Kubrawiya. Depois da morte de al-Bokharzi, o khanqah que se erguia junto ao túmulo do santo tornou-se o centro da confraria Kubrawiya, onde dervixes e peregrinos encontravam abrigo, comida, roupa, calçado, etc. Em algumas ocasiões chegavam a juntar-se mais de cem dervixes às refeições. Além dos donativos, o financiamento dos khanqahs provinha de cerca de 10 000 hectares de terras situadas a sul das Portas de Carxi de Bucara, que pertenciam à confraria.[2]

Arquitetura

O edifício é uma estrutura cúbica com uma área útil de cerca de 30 × 15 metros, que é flanqueada no lado estreito leste por duas torres redondas estreitas. Tem duas divisões, cada uma delas coberta por uma cúpula. A entrada é feita por um ivã com pishtaq.[3]

Embora seja despojado de quaisquer elementos decorativos, há vários aspetos no mausoléu que suscitam o interesse dos estudiosos, nomeadamente as suas formas poderosas, simplicidade e iluminação interior. O monumento é também importante para perceber a evolução da arquitetura em Bucara e é apontado como uma ilustração de inovações nos trabalhos de construção e de experimentação de novas ideias. Ao contrário do Mausoléu Samânida, do século X, que tem apenas uma câmara, o Mausoléu de al-Bokharzi tem duas câmaras.[2] A ziarathona ou ziyarat-khana, situada a seguir à entrada, serve como local de oração e reunião de peregrinos e de fiéis que vão homenagear o morto. A câmara funerária do xeique (gurhana) situa-se na parte traseira e não está aberta ao público. Na gurhana, o túmulo é considerado uma obra-prima de talha medieval em madeira, com uma intrincada decoração com um entrelaçado de cogoilos e caligrafia árabe.[1]

Um dos aspetos mais interessantes do edifício é o facto da formas cúbica das fundações da ziarathona se converterem em octaédricas que por sua vez suportam um clerestório hexaédrico, usando muqarnas (conjuntos de "estalactites").[2] A cúpula interna, que assenta sobre o clerestório, deixa entrar muita luz, um efeito que é amplificado pelas paredes interiores caiadas de branco.[1]

Referências

  1.  «Saif ed-Din Bokharzi & Bayan-Quli Khan Tombs, Bukhara, Uzbekistan» (em inglês). Asian Historical Architecture. www.orientalarchitecture.com. Consultado em 21 de janeiro de 2021
  2.  Page, Dmitriy (2008). «Saif ed-Din Bokharzi & Bayan-Quli Khan Mausoleums» (em inglês). pagetour.org. Consultado em 21 de janeiro de 2021
  3. Pander, Klaus (1996), «Buchara», Zentralasien, ISBN 9783770136803 (em alemão), Ostfildern: DuMont Reiseverlag

O MAUSOLÉU DE SAIF ED-DIN BOKHARZI: Santuário Sufi e Marco Arquitetônico de Bucara

Situado na parte oriental da cidade de Bucara, no Usbequistão, o Mausoléu de Saif ed-Din Bokharzi (em usbeque: Sayfiddin Boharziy maqbarasi) é uma importante construção monumental do século XIV. Ele abriga os restos mortais do renomado xeique sufi Saif ed-Din Bokharzi, uma das figuras espirituais mais influentes da Ásia Central medieval. Bem ao lado dele ergue-se o Mausoléu de Baiã Culi Cã, monarca mongol que governou o Canato de Chagatai entre 1348 e 1358, reforçando o caráter sagrado e simbólico desse espaço.

História e Contexto Espiritual

Saif ed-Din Bokharzi — também conhecido como al-Boharsi — nasceu por volta de 1190, na região de Coração, e viveu seus últimos 40 anos em Bucara, onde faleceu em 1260 ou 1261. Líder da tariqa (confraria espiritual) Kubrawiya, ele foi respeitado não apenas como teólogo e poeta, mas também como uma autoridade capaz de influenciar até mesmo governantes. Há registros de que Berque, cã da Horda Azul e neto de Gêngis Cã, teria se convertido ao islã após visitar o xeique e receber seus ensinamentos.
Na época em que foi construído, o mausoléu ficava em Fathabad, um arrabalde conhecido como rabad, que só mais tarde foi incorporado à área urbana de Bucara. Durante o período soviético, essa região chegou a ser uma zona industrial, mas o santuário permaneceu preservado. O edifício atual data da segunda metade ou final do século XIV, embora sua porta principal seja uma adição posterior. Existem duas versões sobre sua origem: alguns estudiosos afirmam que ele substituiu uma estrutura mais antiga, erguida no início do século XIV sobre o túmulo original do santo; outros indicam que foi construído logo após o túmulo vizinho de Baiã Culi Cã, cuja família teria decidido sepultá-lo próximo ao local considerado sagrado por ser associado a Saif ed-Din Bokharzi.
Ao longo dos séculos, o espaço ao redor do túmulo transformou-se em um vasto complexo religioso sufi. Ali funcionavam vários khanqahs — locais de reunião, ensino e pousada para dervixes e peregrinos. Após a morte do xeique, o principal desses centros tornou-se a sede da confraria Kubrawiya, onde até mais de cem pessoas se reuniam diariamente para orar e receber abrigo, alimentação e roupas. A manutenção do complexo vinha tanto de doações quanto da renda de cerca de 10 mil hectares de terras pertencentes à ordem, situadas ao sul das antigas Portas de Carxi de Bucara.

Arquitetura: Simplicidade, Função e Inovação

Diferente de muitos monumentos da região, o Mausoléu de Saif ed-Din Bokharzi não se destaca por uma decoração exuberante, mas sim pela força de suas formas, pela funcionalidade e pelas soluções estruturais inovadoras.

Estrutura Geral

O edifício tem formato cúbico, com cerca de 30 metros de comprimento por 15 metros de largura. No lado leste, suas extremidades são marcadas por duas torres estreitas e arredondadas. Ele é dividido em dois ambientes principais, cada um coberto por sua própria cúpula, e a entrada principal é feita por meio de um ivã — um salão aberto em arco — com um pishtaq, ou seja, um portal alto e imponente que destaca a passagem.

Divisões Internas

  • Ziarathona: É a primeira sala, logo após a entrada, destinada às orações, reuniões e às visitas dos peregrinos que vêm prestar homenagem ao xeique. Sua estrutura é especialmente interessante: a base quadrada transforma-se em uma forma octogonal, que sustenta uma estrutura superior com seis lados, usando a técnica dos muqarnas — elementos em forma de estalactites que distribuem o peso e criam efeitos de profundidade.
  • Gurhana: Fica na parte traseira e é a câmara funerária propriamente dita, não aberta ao público. Nela, o destaque é o túmulo de Saif ed-Din Bokharzi, considerado uma obra-prima da arte medieval em madeira, com entalhes detalhados que misturam desenhos geométricos, motivos de conchas e caligrafia árabe com inscrições religiosas.

Luz e Estilo

Uma das características mais marcantes é a iluminação natural. A cúpula interna, apoiada sobre a estrutura superior, permite a entrada de muita luz, e esse efeito é ainda mais acentuado pelas paredes caiadas de branco, que refletem a claridade e criam uma atmosfera serena e espiritual.
Em comparação com o Mausoléu Samânida — construído no século X, com apenas uma única câmara —, esse monumento representa uma evolução: a divisão em dois espaços distintos mostra o desenvolvimento de novas necessidades litúrgicas e espaciais. Mesmo sem ornamentos vistosos, sua arquitetura demonstra domínio técnico e uma busca constante por soluções novas, tornando-o uma referência importante para entender a história da construção em Bucara.

Conclusão

O Mausoléu de Saif ed-Din Bokharzi é muito mais do que um túmulo: ele é um símbolo da influência do sufismo na Ásia Central e um exemplo de como a arquitetura pode expressar valores espirituais com simplicidade e sabedoria. Ao abrigar tanto um santo venerado quanto um governante, ele também representa a forte ligação entre o poder político e a fé religiosa que marcou a história da região por séculos. Preservado até hoje, continua sendo um ponto de referência cultural e espiritual em Bucara.