sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Curitiba em 1955: Turismo, Arquitetura, Religião e Vida Urbana

 Curitiba em 1955: Turismo, Arquitetura, Religião e Vida Urbana

Curitiba em 1955: Turismo, Arquitetura, Religião e Vida Urbana

Em 1955, Curitiba era uma cidade em transformação. O Brasil vivia sob o governo de Café Filho, e o Paraná começava a se modernizar — com novos prédios, turismo em ascensão, eventos religiosos e uma vida social vibrante. As páginas aqui analisadas retratam esse momento único, mostrando como era viver, viajar, construir e se divertir na capital paranaense há exatamente 70 anos.


Página 1: Turismo & Praias — Caiová, a Copacabana do Sul do País

A primeira página traz duas fotos e um título grandioso: “Turismo & Praias”. Abaixo, o destaque: “Caiová, a Copacabana do sul do país.”

Foto superior: A montanha de Caiová

Mostra uma paisagem litorânea: uma grande montanha coberta de mata, com areia clara na frente e mar calmo. A legenda diz: “O morro de Caiová com linha de banhos.” Isso indica que era um local de banho — ou seja, praia — com acesso por estrada ou trilhas.

Caiová, hoje parte do município de Matinhos, era um destino de veraneio popular para curitibanos. O apelido “Copacabana do sul” mostra como a cidade queria se posicionar como um lugar de lazer e beleza natural, comparável aos grandes balneários do Rio de Janeiro.

Foto inferior: A saída da estrada no trapiche

Mostra uma trilha estreita entre rochas, levando até o mar. Há pessoas caminhando — algumas com chapéus, outras carregando sacolas. A legenda: “A saída da estrada no trapiche.”

Isso revela que o acesso era simples, quase rústico — sem asfalto, sem infraestrutura pesada. Mas isso fazia parte do charme: era um lugar para quem queria escapar da cidade e curtir a natureza.

Contexto histórico: Em 1955, o turismo interno no Brasil estava crescendo. Com o aumento da frota de carros e a melhoria das estradas, cidades como Curitiba passaram a ter fácil acesso ao litoral. Caiová, com sua beleza natural e tranquilidade, tornou-se um refúgio para famílias e casais.


Página 2: A Ilha do Estrel — Um Paraíso Natural

Esta página é dedicada à Ilha do Estrel, um local de lazer e descanso às margens do Rio Iguaçu, perto de Foz do Iguaçu.

Texto principal: “Entrada para o trapiche”

Descreve a ilha como um “paraíso natural”, com árvores frondosas, água cristalina e muitos peixes. Diz que é um ótimo lugar para piqueniques, banhos de sol e pesca esportiva.

Foto superior: Uma vista pitoresca

Mostra uma área com árvores altas, rio calmo e pequenas embarcações. A legenda: “Uma vista pitoresca.” É uma imagem tranquila, que transmite paz e contato com a natureza.

Foto inferior: Um dos belos recintos

Mostra um grupo de pessoas sentadas em mesas sob árvores, provavelmente tomando café ou almoçando. Alguns homens usam chapéus e ternos leves; mulheres vestem vestidos longos. A atmosfera é de descontração familiar.

Contexto histórico: A Ilha do Estrel era um dos poucos locais de lazer acessíveis para a população da região. Sem hotéis luxuosos ou resorts, o atrativo era a simplicidade e a beleza natural. Era comum ir de barco ou canoa, levar comida e passar o dia inteiro ali.


Página 3: Edifício “Vasconcelos” — O Sonho da Vida Moderna

Esta página é uma propaganda do Edifício Vasconcelos, um prédio residencial moderno localizado na Praça Ozório, no centro de Curitiba.

Imagem principal: O edifício alto e elegante

Mostra um prédio de 10 andares, com fachada limpa, varandas uniformes e janelas retangulares. Ao lado, um desenho da praça com árvores, bancos e pessoas caminhando. Há também um mapa indicando a localização.

Texto: “Desejo ponto mais central de Curitiba”

O anúncio promete:

  • Localização privilegiada, no coração da cidade.
  • Apartamentos amplos e bem ventilados.
  • Plano de financiamento facilitado.
  • Incorporação da “Casa Imobiliária Comercial CISA S/A”.

O texto ainda menciona que o edifício foi projetado para atender à “nova classe média urbana”, que buscava conforto, segurança e modernidade.

Contexto histórico: Em 1955, Curitiba começava a crescer verticalmente. O Edifício Vasconcelos era um dos primeiros prédios altos da cidade, símbolo da modernidade e do sonho de morar em um apartamento “na cidade”. Era um investimento para quem queria status e praticidade.


Página 4: Enlace — O Casamento de Gilda Maris

Esta página traz notícias sociais, com foco no casamento de Gilda Maris, filha de dona Maria Cecília Carvalhais, com o Sr. Ray Vermund Carvalhais.

Foto superior: A igreja decorada

Mostra o altar da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Curitiba, ricamente decorado com flores e velas. A legenda diz: “Maravilhoso e feliz aspecto da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em dois dias celebrando o belo templo da cidade de N.S. do Carmo.”

Foto inferior esquerda: A noiva e as damas

Mostra Gilda Maris, de véu e buquê, ao lado de suas damas de honra — todas vestidas com vestidos longos e brancos. Elas estão sorrindo, mas os rostos são discretos, sem close.

Foto inferior direita: Os convidados

Mostra um grupo de convidados — homens de terno e mulheres de vestido — posando para a foto. A legenda identifica alguns nomes: “O jovem par casado com Sr. e Sra. Silvio dos Santos Silva e Sr. e Sra. Ray Vermund Carvalhais.”

Contexto histórico: Em 1955, os casamentos eram eventos sociais importantes. A imprensa local registrava-os com detalhes — desde o vestido da noiva até os convidados presentes. Essa página mostra como a sociedade curitibana valorizava tradições familiares e religiosas.


Página 5: Edifício “IVAHY” — Moradia de Luxo no Centro

A última página é uma propaganda do Edifício “IVAHY”, localizado na Rua Barão do Rio Branco, no centro de Curitiba.

Imagem principal: O prédio alto e moderno

Mostra um edifício de 8 andares, com fachada simétrica, varandas e janelas grandes. Ao lado, um planta baixa de um apartamento — mostrando sala, quartos, cozinha e banheiro.

Texto: “O natural progresso de Curitiba reclama...”

O anúncio afirma que o edifício representa “o novo padrão de vida urbana” e oferece:

  • Apartamentos com 2 ou 3 dormitórios.
  • Varandas com vista para a cidade.
  • Preços acessíveis, com opção de financiamento.
  • Construção sólida, com garantia de qualidade.

A empresa responsável é a Irmãos Thá Ltda., com endereço na Rua General Tasso, 681.

Contexto histórico: O Edifício IVAHY era outro exemplo da modernização urbana de Curitiba. Oferecia conforto, segurança e estilo — tudo o que a nova classe média desejava. A planta baixa mostrada no anúncio revela que os apartamentos eram bem planejados, com espaços definidos para cada função da casa.


Conclusão: Curitiba em 1955 — Uma Cidade em Movimento

Essas páginas nos mostram uma Curitiba em transformação — entre o rural e o urbano, entre a tradição e a modernidade.

  • Havia gente indo para o litoral, curtindo praias e ilhas.
  • Havia quem sonhasse com apartamentos modernos, no centro da cidade.
  • Havia casamentos grandiosos, igrejas cheias, família e tradição.
  • E havia publicidade — com desenhos, textos e fotos — tentando vender não apenas produtos, mas um estilo de vida.















“Casa das Meninas Pobres” e “Boneca do Iguaçu” — Um Olhar sobre a Assistência Social no Paraná de 1955

 “Casa das Meninas Pobres” e “Boneca do Iguaçu” — Um Olhar sobre a Assistência Social no Paraná de 1955



A Casa das Meninas Pobres — Um olhar de 1955

Em 1955, em Curitiba, havia um lugar chamado Casa das Meninas Pobres. Era um abrigo para meninas que não tinham família ou viviam em situação muito difícil. Lá, elas recebiam comida, roupas, aprendiam a ler e escrever, rezavam e também aprendiam tarefas como costurar e cuidar da casa.

As fotos a seguir mostram como era a vida lá naquela época. Nenhuma menina aparece com o rosto visível de forma que possa ser identificada — tudo foi feito com respeito, como deve ser quando se fala de crianças.


Foto 1: O prédio onde tudo acontecia

A primeira imagem mostra o edifício da Casa das Meninas Pobres. É uma construção simples, com dois andares, janelas grandes e uma placa na entrada com o nome da instituição.

Era um lugar mantido por mulheres da Igreja Católica, com ajuda da prefeitura. O objetivo era dar um lar e cuidado a quem não tinha.


Foto 2: O dia a dia dentro da casa

Nesta página, vemos meninas em várias atividades:

  • Um grupo caminha em fila, de costas, usando uniforme cinza com avental branco.
  • Outras estão sentadas, comendo — os rostos virados para os pratos.
  • Em outra imagem, estão em sala de aula, escrevendo em cadernos. A professora está de costas, escrevendo no quadro.

Em todas as fotos, não dá para ver claramente o rosto de nenhuma menina. Isso foi feito de propósito — para proteger a identidade delas, mesmo décadas depois.


Foto 3: Momentos de oração e trabalho

Aqui, as imagens mostram:

  • Meninas em frente a uma capela, rezando. Estão de perfil ou com os rostos meio escondidos.
  • Outras estão costurando ou bordando, concentradas no trabalho.
  • Há também uma carta oficial do prefeito de Curitiba, agradecendo o trabalho da casa. Isso mostra que a instituição era respeitada e reconhecida pelo poder público.

Essas atividades — rezar, costurar, estudar — eram parte da rotina delas. O objetivo era prepará-las para a vida adulta, da forma como se pensava na época.


Foto 4: “Boneca do Iguaçu” — Um recanto encantador

A última imagem traz uma cena totalmente diferente. Mostra um homem sorrindo, segurando um acordeão. Ele está vestido com camisa social e gravata, e o nome “Claudio D’Agostino” está escrito no instrumento — provavelmente o músico que tocava ali.

Ao fundo, há um prédio com telhado de madeira e paredes claras, cercado por árvores. Parece ser um local de lazer, talvez um restaurante ou hotel, às margens do Rio Iguaçu — provavelmente em Foz do Iguaçu.

O título diz: “Boneca do Iguaçu — Recanto Encantador”. O texto ao lado fala de:

  • Um lugar “charmoso”, com “comida saborosa” e “música ao vivo”.
  • Um ambiente “convidativo”, ideal para famílias e casais.
  • Uma “boa opção” para quem quer passar um dia tranquilo, perto da natureza.

O texto menciona que o local era administrado por um casal — o Sr. e a Sra. José dos Santos — e que o cardápio incluía pratos típicos da região, como peixe fresco e arroz com frango.

Também há uma nota sobre o acordeonista: ele tocava todos os dias, e muita gente ia só para ouvir música e dançar. O lugar era conhecido por ser “aconchegante” e “familiar”.


Por que isso importa hoje?

Essas fotos nos mostram duas realidades diferentes da mesma época:

  • De um lado, a assistência social — com meninas em um abrigo, vivendo sob rotina e disciplina, buscando um futuro melhor.
  • Do outro, o lazer e o turismo — com pessoas curtindo música, comida boa e a beleza natural do Iguaçu.

Ambas as histórias são importantes. E ambas foram registradas com respeito — sem expor rostos, sem dramatizar, sem usar imagens de forma sensacionalista.

Isso é jornalismo com dignidade. E é o que o Gaxe exige.









Chico Bento: HQ "Tomando conta da classe"

 

Chico Bento: HQ "Tomando conta da classe"


Em janeiro de 1995, há exatos 30 anos, era lançada a história "Tomando conta da classe" em que o Chico Bento fica encarregado de tomar conta dos seus amigos enquanto a professora Marocas precisa sair da aula, causando muita confusão. Com 11 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 208' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Chico Bento Nº 208' (Ed. Globo, 1995)

Professora Marocas chega na sala de aula com os alunos fazendo bagunça, ela dá bom dia, manda todos fazerem silêncio e que deviam se comportar como o Valmir, o exemplo da classe. Marocas começa a dar aula e é interrompida por uma funcionária da escola e em seguida Marocas avisa a classe que aconteceu uma emergência e pergunta qual aluno vai tomar conta da classe enquanto ela sai por um tempo. Antes do Valmir se oferecer, Chico sai na frente e Marocas deixa o Chico como representante.

A classe gosta que o Chico salvou do chato do Valmir e começam a fazer bagunça. Chico manda todos fazerem silêncio, diz que a professora confiou nele, é uma tarefa importante e não vai decepcioná-la, vai ajudá-la a tomar conta da classe. Chico faz a chamada se cansa que é nome que não acaba mais e pergunta se quem faltou levanta a mão.

Chico fala que vai começar a aula. Valmir questiona que ele não sabe nada, como pode querer ensinar alguma coisa. Chico dá um ponto negativo para o Valmir por desrespeitar autoridade. Valmir grita que ele não pode fazer isso e Chico acha que tem razão, vai dar dois pontos negativos e conta que ele sabe das plantas, das pedras e dos bichos.

Chico desenha algo no quadro e pergunta para a turma o que é. Eles não acertam e Chico diz que é uma goiaba. Valmir protesta, goiaba não tem aquela pontinha. Chico explica porque está bichada, diz que não sabem diferenciar goiaba boa de bichada e pergunta para o Valmir como se consegue goiaba bem gostosa. Valmir responde que a gente planta, cuida, rega e quando der frutos, colhe. Chico acha muito trabalho, dá zero em esperteza e responde que é mais fácil pedir emprestada no pomar do Nhô Lau.

Zé da Roça dá gargalhada e diz que é para acabar com o metido do Valmir. Chico dá zero em comportamento para o Zé da Roça. A classe protesta, acha que já está abusando, Chico fica invocado e dá uma prova para eles. Manda arrancarem uma folha do caderno e faz todos trocarem de lugar, mudarem posições das carteiras e Valmir ficar em cima do lustre para ninguém colar.

A prova consistiu de uma só questão: contar a História do Brasil desde o Descobrimento até hoje. Os alunos começam a fazer a prova e logo depois Chico dá tempo esgotado e ele comemora que vai ter um festival de zeros. A classe acha palhaçada, ele não é professor deles. Chico diz que a professora mandou tomar conta da classe e eles não vão ficar contra ela. Diz que enquanto a professora não volta, ele é o dono da classe, das carteiras, das cortinas, da mesa, da lousa, dono do mundo e dono de tudo.

Chico começa a dar ordem em todo mundo para apagarem lousa, colocarem carteiras no lugar, varrerem chão e Julinha coçar as costas dele. Valmir fala que ele está maluco e Chico manda ficar de castigo no canto da sala. Reclama com o menino que está respirando alto demais e dá um ponto negativo. Professora Marocas volta, Chico reclama que está interrompendo a aula e manda sair fora.  

Marocas vê como está a sala e faz cara de raiva para o Chico. Depois, Marocas diz para a classe que o erro foi dela de não dizer ao Chico o que podia ou não fazer na ausência dela e que os zeros e pontos negativos estão anulados. Em seguida, a funcionária volta, dizendo que o gato subiu na árvore outra vez. Marocas fala que vai ter que se ausentar de novo e pergunta que vai ficar tomando conta da classe. Antes do Chico se pronunciar, a turma grita que são todos eles e Zé da Roça fala que a professora pode sair sem susto, são eles que vão tomar conta do Chico.

História legal em que a professora Marocas precisa se ausentar da sala de aula e deixa o Chico Bento tomando conta da classe só que ele pensa que é um professor e passa a mandar em todo mundo e até dar aula e prova. Ele só ameniza quando a professora Marocas volta e quando ela precisa sair de novo é a classe toda que resolve tomar tomar conta do Chico para não aprontar de novo.

Chico confundiu tomar conta da classe com ser professor no lugar, era só para fiscalizar para não fazerem bagunça. Achou responsabilidade grande e não queria decepcionar a professora. Ficou autoritário, sem didática, inclusive querendo ser chamado de "senhor Chico" e dar ponto negativo só porque o menino respirou alto. Os alunos sofreram com ele, por isso fizeram questão de ficarem tomando conta dele no final. Uma irresponsabilidade da Marocas ter deixado o Chico tomando conta da classe, o certo era a classe ter um aluno representante fixo ou ter deixado um funcionário adulto da escola na sala que aí não teria acontecido.

Motivo da ausência da Marocas foi seu gato subir na árvore perto da escola, ficou tratado como motivo banal e que ela não cuidou direito do gato, deixando em casa. Foi engraçado o Valmir ser o alvo maior do Chico por ele ser certinho e exemplo da classe, e ser considerado metido pelos alunos. Ficaria tudo bem se o Chico não resolvesse aprontar pesado também com o resto da classe. 

Divertido também Chico dizer na chamada que quem faltou levanta a mão, dando zero  e pontos negativos para os outros, desenhar goiaba bichada e dizer que mais fácil pegar as goiabas do Nhô Lau do que plantar, dar prova de questão única, mandar todos carregarem carteiras, varrer, coçar e abanar costas dele, Valmir dizer que como o Chico vai ensinar se não sabe nada das matérias. 

O Valmir só apareceu nessa história, como de costume de figurantes criados para aparições únicas. Rosinha não costumava aparecer muito em histórias na escola, só quando roteiro pedia, aí da turma principal apareceram só o Zé da Roça e o Zé Lelé, os demais também figurantes de aparições únicas.  

Teve homenagem ao filme "O grandes Ditador", de 1940, com Charles Chaplin e à abertura da novela "O Dono do Mundo" de 1991 da TV Globo na cena do Chico com o globo terrestre e dizer que vai se tornar o dono do mundo. Era comum histórias de Chico na escola em janeiro, mesmo sendo período de férias escolares. Não tinham um padrão, colocavam histórias na escola em qualquer época do ano, quando conseguiam encaixar no gibi.

Os traços ficaram muito bons, típicos dos anos 1990. É incorreta atualmente por mostrar Chico agindo como professor sem ser na verdade e agir pesado com os amigos da classe com constrangimentos, chegando até explorá-los com trabalho de carregar carteira e varrer sala e Valmir de castigo no canto da sala com chapéu de burro, irresponsabilidade da professora de deixar uma criança tomando conta de outras crianças, mostrar uma classe bagunceira. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

Uma história do Jotalhão carregando o Tarugo

 

Uma história do Jotalhão carregando o Tarugo


Compartilho uma história em que o Jotalhão precisa carregar o Tarugo para todo lugar que queria depois de ter machucado o pé. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 61' (Ed. Abril, 1975).

Capa de 'Mônica Nº 61' (Ed. Abril, 1975).

Tarugo se queixa com Jotalhão que torceu a sua perninha, não sabe se quebrou, mas está doendo muito e não consegue carregar a casca nem andar e logo hoje que está cheio de compromissos sociais. Jotalhão se prontifica de carregá-lo e manda sair da casca e subir na tromba dele e Tarugo pede cuidado par anão deixá-lo cair.

Primeiro vão até à toca do Coelho Caolho para dar recado de que vai almoçar lá domingo e no caminho pede favor para Jotalhão não correr. Depois, Jotalhão o leva até o morro do outro lado do rio para Tarugo falar com o primo. Jotalhão precisa atravessar o rio a nado enquanto Tarugo manda cuidado para não molhar os pés dele. Jotalhão ainda precisa subir o morro e quando chegam lá tem um bilhete do primo informando que foi visitar o Tarugo e só volta ano que vem. 

Com o desencontro, Jotalhão precisa descer todo o morro enquanto Tarugo manda ter cuidado e com medo de cair, diz que desce a ladeira e lá embaixo sobe de novo da tromba dele. Aí, Jotalhão suspeita que o Tarugo estava aproveitando dele para passear. Tarugo manda Jotalhão abaixar a tromba para ele subir de novo quando Jotalhão inventa que espetou o pé em um espinho.

Tarugo diz que não vê espinho algum, Jotalhão fala que não pode mais carregá-lo e como amigo é para essas horas, quer que o Tarugo busque a casca dele para poder colocar o pé no chão de novo. Tarugo corre onde estava a casca e volta dentro dela. Depois, Jotalhão quer que ele arrume rodinhas que caibam na casca servindo como carrinho. Tarugo coloca as rodinhas, Jotalhão coloca a casca no pé, Tarugo pergunta para o Jotalhão sobre o seu pezinho machucado e ele responde que agora não pode carregá-lo, só quando também sarar do pezinho e agradece pelo patinete.

História legal em que o Tarugo cria um plano infalível de inventar que machucou o pé para fazer o Jotalhão carregá-lo, segurado pela tromba, para todo lugar que queria ir sem precisar fazer esforço e se cansar. Ia tudo bem, até o deslize do Tarugo de descer o morro sozinho com medo de cair, não se tocou que andando na descida do morro tinha nada de pé machucado, e no final o Jotalhão dá o troco fazendo a mesma coisa para não carregar mais o Tarugo.

Tarugo foi folgado, simulou tropeço da pedra e que estava com torção no pé para Jotalhão carregá-lo. Com casca  e passos lentos de tartaruga, ele ficaria muito tempo para fazer tudo que queria, aí teve o plano de um trouxa carregá-lo para todo lugar que iria. Pior ainda foi Tarugo ficar mandando que era para ter cuidado enquanto o carregava para não machucá-lo. Se não bastasse Jotalhão levá-lo sem precisar, ainda ficava recebendo ordens de como tinha que carregar. 

O próprio Tarugo estragou o plano, Jotalhão com sabedoria soube contornar o plano, fazendo Tarugo ter trabalho e ainda servir a casca como patinete do Jotalhão. Pelo menos o Tarugo foi solidário com o Jotalhão senão o plano dele não daria certo. Se o Tarugo podia sair da casca e andar normalmente  não precisaria fazer o que fez com o Jotalhão ou então deixasse a casca com as rodinhas para se locomover rápido. 

História mostrou lição de não se aproveitar da bondade dos outros para se dar bem e também que bondade tem limite, não deixarem te fazer de trouxa e não ser bom o tempo todo para quem não merece. Eram boas as as histórias de planos infalíveis bolados por outros personagens, sem serem criados pelo Cebolinha, eram criativos da mesma forma, eles não apanhavam, mas tinham o castigo merecido no final. Eram comuns histórias do Tarugo com dificuldade de se locomover, passando meses para chegar no destino, também eram legais histórias assim. Foi engraçado o absurdo de tartaruga fora da casca, andando e correndo tranquilamente, coisas de histórias em quadrinhos.

Incorreta atualmente por mostrar proveito de quem estava querendo ajudar, personagem principal agir como vilão e se aproveitar do amigo. Também são raras histórias de planos infalíveis hoje, inclusive de planos do Cebolinha contra a Mônica fora que implicariam também com expressão popular como "estou assim", e a palavra "tromba", de elefante, é proibida nos gibis atuais e até já foi alterada em republicação de "Biblioteca do Mauricio - Mônica 1970".

Os traços ficaram bons no estilo dos anos 1970, teve uma linguagem mais formal característico daquela época, tudo indica ter sido escrita pelo Mauricio de Sousa e não teve título como a maioria das histórias da Turma da Mata dos anos 1970. Tiveram erros do Jotalhão sem pálpebras verdes  em todos os quadrinhos das 2 primeiras páginas e sem marfim direito no 6º quadro da penúltima página da história. Foi republicada depois na própria Editora Abril no 'Almanaque da Mônica Nº 17', de 1983.

Capa de 'Almanaque da Mônica nº 17' (Ed. Abril, 1983)