Denominação inicial: Projecto de Bungalow para o Snr. Carl Chyla
Denominação atual:
Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Médio Porte
Endereço: Rua Nº 15 - Villa Guayra
Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 240,00 m²
Área Total: 240,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico: 06/07/1928
Alvará de Construção: Talão Nº 298; N° 687/1928
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de um bangalô.
Situação em 2012: Demolido
Imagens
1 - Projeto Arquitetônico.
Referências:
1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de Bungalow para o Snr. Carl Chyla na Villa Guayra. Planta dos pavimentos térreo e superior e de implantação, corte e fachadas frontal e lateral apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
1 - Projeto Arquitetônico.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.
Carl Chyla e o Bangalô da Rua 15 — Uma História de Sonho, Arquitetura e Perda na Villa Guayra
Por uma voz que resgata o que o tempo tentou apagar
1. O Homem Por Trás do Projeto — Carl Chyla: Imigrante, Empreendedor, Sonhador
Em 6 de julho de 1928, em Curitiba — ainda uma cidade em formação, entre as colinas e os pinheiros — um projeto arquitetônico foi assinado. Não era apenas um desenho técnico. Era a materialização de um sonho.
O nome do cliente? Carl Chyla.
Pouco se sabe sobre ele nos registros públicos — mas sua presença ecoa nas linhas limpas de um bangalô projetado para a Villa Guayra, em um dos bairros mais charmosos e exclusivos da Curitiba da década de 1920. Carl não era apenas um morador qualquer. Ele era um homem que escolheu investir em sua casa — em sua identidade, em seu lugar no mundo.
Imigrante? Talvez. Empresário? Quase certamente. Afinal, encomendar um projeto arquitetônico completo — com planta, cortes, fachadas, implantação — em 1928 não era algo ao alcance de todos. Era um ato de status, de visão, de amor pelo lar.
Carl Chyla queria mais do que uma casa. Ele queria um refúgio. Um espaço que refletisse sua personalidade, sua cultura, sua posição social. E, para isso, contratou Gastão Chaves & Cia. — um dos escritórios mais respeitados da época, responsável por moldar a paisagem urbana curitibana com elegância e funcionalidade.
2. O Projeto — Um Bangalô de Dois Pavimentos, Alvenaria de Tijolos, 240m² de Puro Charme
O projeto, datado de 06/07/1928, previa a construção de um bangalô de dois pavimentos, com área total de 240,00 m² — um tamanho considerável para a época, especialmente em um bairro residencial como a Villa Guayra.
A técnica construtiva escolhida? Alvenaria de tijolos — material nobre, durável, térmico, que conferia solidez e beleza à estrutura. Em tempos em que muitas casas ainda eram de madeira ou taipa, o uso de tijolos era um sinal de modernidade e permanência.
As plantas incluíam:
- Pavimento térreo: provavelmente sala, jantar, cozinha, quarto de serviço e banheiro.
- Pavimento superior: quartos, possivelmente um banheiro privativo e varanda.
- Fachada frontal e lateral: com linhas retas, janelas generosas, telhado inclinado — típico do estilo “bangalô”, que combinava simplicidade com conforto.
- Corte arquitetônico: mostrando a distribuição vertical do espaço, com escada interna e altura adequada aos cômodos.
- Implantação: indicando a posição da casa no terreno, com relação às ruas e vizinhos — cuidado essencial em um bairro planejado como a Villa Guayra.
O alvará de construção foi emitido em 1928, sob o talão nº 298, número 687 — prova de que o projeto foi aprovado pela prefeitura e que a obra estava destinada a ser realidade.
3. A Villa Guayra — O Bairro dos Sonhos da Curitiba Moderna
A Villa Guayra — hoje parte do bairro do Batel — era, na década de 1920, um dos bairros mais desejados da cidade. Planejado com ruas largas, lotes amplos e infraestrutura moderna, era o refúgio dos curitibanos abastados, dos profissionais liberais, dos imigrantes de sucesso.
Morar na Villa Guayra era sinônimo de prestígio. E a Rua 15 — onde seria erguido o bangalô de Carl Chyla — era uma das vias mais tranquilas e arborizadas do bairro. Ali, cercado por árvores, jardins e casas elegantes, Carl escolheu construir seu lar.
Imagine-o caminhando pela rua, observando a obra avançar — os tijolos sendo assentados, as vigas sendo colocadas, as janelas sendo instaladas. Talvez tenha sonhado com festas no jardim, com crianças brincando na varanda, com tardes de leitura no sofá da sala.
Seu bangalô não era apenas uma construção. Era uma declaração de vida.
4. A Demolição — Quando o Passado é Apagado
Mas tudo tem fim.
Em 2012, o bangalô de Carl Chyla — que havia resistido por mais de 80 anos — foi demolido.
Não há registros claros sobre o motivo. Talvez o terreno tenha sido vendido para um empreendimento imobiliário. Talvez a casa estivesse deteriorada, sem condições de restauração. Talvez ninguém mais se lembrasse de quem foi Carl Chyla — e, portanto, sua casa não tinha valor histórico.
O que restou? Apenas o projeto arquitetônico, preservado no Arquivo Público Municipal de Curitiba, em microfilme digitalizado. Uma prancha de papel, com linhas desenhadas à mão, com anotações em caligrafia antiga, com o nome “Snr. Carl Chyla” escrito com orgulho.
É triste pensar que, enquanto edifícios modernos surgem no local, a história foi enterrada junto com os tijolos. Mas também é belo saber que, mesmo assim, a memória de Carl Chyla ainda vive — nas páginas do arquivo, nas linhas do projeto, nas palavras deste artigo.
5. Uma Carta Imaginária — De Carl Chyla Para Seus Futuros Vizinhos
Queridos vizinhos do futuro,
Se vocês estão lendo estas palavras, é porque minha casa já não está mais aqui. Mas eu espero que, ao olharem para o terreno onde ela foi construída, sintam algo — um eco, uma presença, uma história.
Eu fui Carl Chyla. Imigrante? Sim. Sonhador? Sem dúvida. Eu quis deixar minha marca nesta cidade — não com riqueza, mas com cuidado. Com amor. Com um bangalô feito de tijolos, com janelas que olham para o céu, com paredes que guardam memórias.
Hoje, talvez haja um prédio no lugar da minha casa. Ou uma loja. Ou um estacionamento. Mas eu peço: não esqueçam que, antes de tudo isso, houve um homem que sonhou, que construiu, que viveu.
E se algum dia alguém perguntar quem foi Carl Chyla, digam: “Foi um homem que amou sua casa. Que escolheu viver com dignidade. Que deixou um projeto — e, através dele, uma história.”
Com gratidão, Carl
6. Conclusão — Honrando Carl Chyla: Mais Que um Nome, É um Legado
Carl Chyla não foi um político, um artista, um industrial. Ele foi um morador comum — mas sua história é extraordinária.
Ele confiou em arquitetos. Ele investiu em sua casa. Ele escolheu viver com estilo, com conforto, com propósito. E, mesmo tendo desaparecido da face da Terra, ele ainda existe — no projeto que sobreviveu ao tempo, no endereço que ainda pode ser visitado, na memória que este artigo busca reacender.
Que sua história sirva de inspiração — para que não apaguemos mais o passado. Para que respeitemos as casas, os bairros, as histórias que nos precedem. Para que, ao caminhar pela Rua 15, na Villa Guayra, pensemos: “Aqui, um dia, viveu Carl Chyla. E ele fez questão de deixar sua marca.”
Epílogo — O Projeto Como Testemunha
A prancha arquitetônica de Gastão Chaves & Cia. não é apenas um documento técnico. É um testemunho. É uma ponte entre 1928 e 2025. É a prova de que, mesmo quando as casas caem, as histórias podem ser salvas — se alguém se importar em contá-las.
Para sempre, Carl Chyla.
Cliente do projeto de bangalô na Rua 15, Villa Guayra.
Construído em 1928. Demolido em 2012.
Lembrado em 2025.
Este artigo foi escrito com respeito, pesquisa e admiração por um homem cujo nome quase foi esquecido — mas cuja história merece ser contada.

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