Elizabeth Feodorovna: A Grã-Duquesa que se tornou Santa Mártir
Elizabeth Feodorovna: A Grã-Duquesa que se tornou Santa Mártir
Data do registro: 20 de maio de 2026
Das janelas do Convento que ela própria fundou, Elizabeth Feodorovna testemunhou o colapso de todo um mundo: assistiu à queda da autocracia russa, ao exílio de sua irmã, do marido e dos sobrinhos para a Sibéria, e à tomada do poder pelos bolcheviques em outubro de 1917. Com a revolução, iniciou-se uma perseguição sistemática a todos os membros da família Romanov que ainda permaneciam na Rússia.
Mesmo diante do perigo iminente, Elizabeth recusou todas as ofertas de refúgio e fuga que recebeu de seu primo, o kaiser Guilherme II da Alemanha — que, na juventude, havia sido apaixonado por ela. Preferiu ficar ao lado do seu povo e de sua fé. Em 1918, foi retirada à força da Irmandade de Maria e Marta, instituição religiosa que criara para cuidar dos pobres e doentes, e enviada para uma sucessão de prisões nas cidades de Perm, Ecaterimburgo e Alapayevsk. Presos com ela estavam o grão-duque Sergei Mikhailovich, três filhos do grão-duque Constantino e um filho do grão-duque Paulo.
Em 18 de julho de 1918 — apenas um dia depois do assassinato da família imperial russa —, o grupo foi levado em carroças até uma mina de carvão abandonada, em uma região isolada. Um por um, foram lançados vivos dentro da vala profunda. Em seguida, os algozes atiraram toras de madeira e granadas, provocando o desabamento do local para ocultar os corpos.
Mas nem todos morreram imediatamente. Pouco depois, quando os bolcheviques já haviam partido, um camponês que passava nas redondezas aproximou-se e ouviu, vindo das profundezas, vozes que entoavam hinos religiosos. Uma voz feminina se destacava entre elas. Quando os restos mortais foram recuperados meses depois, em outubro, pelo Exército Branco, uma cena comovente foi encontrada: o ferimento na cabeça de um dos jovens prisioneiros havia sido cuidadosamente estancado e enfaixado com um lenço que pertencia a Elizabeth.
Tudo indica que ela sobreviveu à queda e aos ferimentos por tempo suficiente para prestar os primeiros socorros e confortar os companheiros de infortúnio. A morte chegou depois, levada pela fome, pela sede e pelas condições insalubres do local. Tinha 53 anos. Até o último instante, manteve-se fiel aos votos que fizera como freira: servir e socorrer os mais fracos.
Seus restos foram levados e sepultados na Catedral de Santa Maria Madalena, em Jerusalém. Hoje, a mulher que foi princesa, grã-duquesa e freira é reconhecida e venerada pela Igreja Cristã Ortodoxa como Santa Mártir Elizabetha Feodorovna.
Texto original: @renatotapioca | Imagem: fotografia de Elizabeth Feodorovna, colorida digitalmente por Klimbim