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sábado, 22 de agosto de 2026

Pascoal Moreira Cabral Leme: O Pioneiro da Descoberta do Ouro no Mato Grosso

 

Pascoal Moreira Cabral
Nome completoPascoal Moreira Cabral Leme
Nascimento
Morte
10 de novembro de 1724 (70 anos)

ProgenitoresMãe: Mariana Leme
Pai: Pascoal Moreira Cabral
CônjugeIsabel de Siqueira Cortes
OcupaçãoBandeirante
ReligiãoCatólica

Pascoal Moreira Cabral Leme (Vila de Sorocaba, 1654Cuiabá, 1724) foi um bandeirante paulista.

Família

Filho do coronel Pascoal Moreira Cabral e Mariana Leme, seu pai dedicava-se aos trabalhos mineralógicos de ferro no morro de Araçoiaba, com Afonso Sardinha, que começara ainda no século XVI. No final do século XIX tornaria a Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema.[1]

Contexto histórico

Desde muito jovem dedicou-se ao sertanismo e suas andanças concentrava-se no território sul e sudoeste da Capitania de São Vicente que em 1709, comprada pela coroa portuguesa, faria parte da Capitania de São Paulo.[2] Em 1682 foi a primeira vez que o sertanista adentrou em território sul-mato-grossense, na região de Miranda, atual Mato Grosso do Sul, em uma expedição que duraria cerca de três anos em operações contra índios. [1]

Em 1692, casou-se na Vila de Itu, Capitania de São Vicente, com Isabel de Siqueira Cortes, filha de Manuel de Siqueira Cortes e Ana Moreira de Alvarenga. Em 1699, antes de retornar para a região centro-oeste, faz parte de uma bandeira para a região de Curitiba com os bandeirantes Salvador Jorge Velho, Manuel Correia Lopes, Miguel Sutil de Oliveira e outros.[1]

Em 1718, Pascoal Moreira Cabral organiza uma expedição e retorna a região centro-oeste, dessa vez no Mato Grosso em busca de índios coxiponés.[3] A chegada se deu pelo Rio Coxipó-Mirim, mais conhecido por Rio Coxipó,[4] encontra uma aldeia de índios já destruída. Pascoal Moreira Cabral fazendo pouso logo acima encontra ouro em granetes cravados pelos barrancos, alterando assim o objetivo da expedição.[3] Deixou sua bagagem e subiu rio acima numa localidade chamada Aldeia Velha, onde o rio Coxipó Mirim deságua no rio Cuiabá, formando a figura de uma forquilha, na qual deu origem ao nome de Arraial da Forquilha, onde deu início a mineração.[5]

No final deste mesmo ano, não tardou que o arraial erguido por Pascoal Moreira Cabral viesse a receber outras bandeiras, entre elas a de Fernando Dias Falcão, com cento e trinta homens para realizar trabalhos de mineração. Decidiram formar um grupo de homens para comunicar ao governador da Capitania de São Paulo sobre o ouro. Foi designado o capitão Antonio Antunes Maciel, entre eles Fernando Dias Falcão e outros. Enquanto isso para garantir a posse de Portugal, ou seja, da Capitania de São Paulo sobre as minas recém descobertas que, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, eram de domínio espanhol, o sertanista Pascoal Moreira Cabral fez uma junta em 8 de abril de 1719, que entraria para a história através da ata da fundação de Cuiabá, que relatava a fundação, por Cabral, do arraial de Cuiabá e ao mesmo tempo dava amplos poderes a Cabral, investido das funções de guarda-mor das minas, com amplos poderes até a resolução do governador, a ata foi assinada por cerca de vinte bandeirantes presentes.[3]

Últimos anos

A chegada a São Paulo e o regresso de Fernando Dias Falcão ao arraial demorou vários meses já que a viagem era longa e dura, feita totalmente por rios. Fernando Dias Falcão trouxe vários homens, brancos e negros, de várias profissões, muito alimento e equipamentos de guerra e pessoas que ambicionassem acompanhá-lo naquela monção. Trouxe também uma noticia que veio a desagradar Pascoal Moreira Cabral. O governador e vários bandeirantes decidiram que o posto de Pascoal Moreira Cabral de guarda-mor seria apenas tão somente dos descobrimentos que fizera, dando o poder a Fernando Dias Falcão como guarda-mor regente das minas de ouro de Cuiabá. Pelo descontentamento, Pascoal Moreira Cabral chegou a mandar carta ao Rei de Portugal em 1722 solicitando que fosse o capitão-mor regente das minas de Cuiabá. Sem sucesso devido a sua idade avançada, amargurado pela decisão, veio a falecer em 10 de novembro de 1724 com setenta anos de idade, sendo sepultado na igreja matriz de Cuiabá,[3] enquanto outros historiadores informam que Pascoal Moreira Cabral provavelmente falecera no ano de 1730, aos setenta e seis anos.[1]

Referências

    • Prefeitura de Cuiabá. «DA CHEGADA». Consultado em 2 de abril de 2020

Bibliografia

  • LEME, Luís Gonzaga da Silva (1903–1905). Genealogia Paulistana. São Paulo: [s.n.]
  • SILVA, Paulo Pitaluga Costa e (1995). Ata de fundação de Cuiabá. uma análise crítica. Cuiabá: Editora do IHGMT
  • SIQUEIRA, Elizabeth Madureira (2002). História de Mato Grosso. da ancestralidade aos dias atuais. Cuiabá: Entrelinhas. ISBN 85-87226-14-2

Pascoal Moreira Cabral Leme: O Pioneiro da Descoberta do Ouro no Mato Grosso

Pascoal Moreira Cabral Leme (Vila de Sorocaba, 1654 — Cuiabá, 1724) foi um dos mais importantes bandeirantes paulistas da história colonial brasileira. Seu nome está imortalizado na historiografia por ter liderado a expedição que resultou na descoberta de ouro no Mato Grosso e na fundação histórica do arraial que daria origem à cidade de Cuiabá.

🌳 Origens e Primeiras Expedições

  • Herança Familiar: Filho do coronel Pascoal Moreira Cabral e de Mariana Leme, cresceu em meio a uma família ligada à metalurgia e à exploração de recursos minerais (seu pai já se dedicava aos trabalhos de ferro no morro de Araçoiaba ao lado de Afonso Sardinha).

  • Incursões ao Sul e Sudoeste: Desde a juventude, dedicou-se ao sertanismo. Em 1682, realizou sua primeira grande entrada em território sul-mato-grossense (na região de Miranda), liderando operações que duraram cerca de três anos. Em 1699, integrou também uma bandeira rumo à região de Curitiba ao lado de nomes como Salvador Jorge Velho e Miguel Sutil de Oliveira.

🪙 A Descoberta do Ouro e a Fundação de Cuiabá (1718–1719)

  • A Expedição aos Coxiponés: Em 1718, Pascoal Moreira Cabral partiu com uma expedição ao Centro-Oeste com o objetivo inicial de capturar índios rebeldes (os coxiponés) no Mato Grosso.

  • A Virada Ouro: Ao chegar ao rio Coxipó-Mirim e encontrar uma aldeia já destruída, o bandeirante deparou-se com ouro incrustado nos barrancos. O objetivo da viagem mudou imediatamente. Ele estabeleceu um pouso na chamada Aldeia Velha, na confluência com o rio Cuiabá (formando o formato de uma forquilha), dando origem ao primitivo Arraial da Forquilha e inaugurando a mineração na região.

  • A Ata de Fundação (1719): Para garantir o domínio português sobre as terras recém-descobertas (que teoricamente caíam sob a jurisdição espanhola pelo Tratado de Tordesilhas), Cabral convocou uma junta em 8 de abril de 1719. Assinada por cerca de vinte bandeirantes, a ata oficializou a fundação de Cuiabá e investiu Cabral nas funções de guarda-mor das minas.

📉 Últimos Anos e Conflitos de Poder

  • A Disputa com Fernando Dias Falcão: Com a chegada de novas bandeiras lideradas por Fernando Dias Falcão — que retornou de São Paulo trazendo reforços, mantimentos e ordens do governador — a autoridade de Pascoal foi contestada. O governo da capitania decidiu que o posto de guarda-mor geral recairia sobre Falcão, limitando a jurisdição de Cabral apenas aos seus próprios descobrimentos.

  • O Fim da Vida: Insatisfeito com a decisão, Cabral chegou a apelar diretamente ao Rei de Portugal em 1722, mas sem sucesso devido à sua idade avançada. Amargurado pelos rumos políticos da capitania, faleceu por volta de 10 de novembro de 1724 (embora algumas fontes apontem 1730), aos 70 anos, sendo sepultado na igreja matriz de Cuiabá.