sábado, 19 de setembro de 2026

As Casas de Fundição eram instituições criadas pela Coroa Portuguesa no Brasil Colônia, onde o ouro e a prata extraídos eram fundidos, purificados e transformados em barras padronizadas. Constituíram o mais antigo mecanismo de controle e arrecadação de tributos sobre a mineração, garantindo à Fazenda Real a cobrança do quinto — 20% do metal extraído destinado ao Reino.


 


Estabelecida em 1653, a Casa de fundição, já serviu como quartel e Casa da Câmara e Cadeia, atualmente abriga o Museu Municipal de Iguape.

As Casas de fundição eram instituições portuguesas onde o ouro e a prata, extraídos do Brasil no período colonial, eram fundidos.

As casas de fundição eram os mais antigos órgãos encarregados da arrecadação dos tributos sobre a mineração, pois dessa forma, o controle do ouro e da prata ficava mais fácil. A primeira casa de fundição foi estabelecida em São Paulo, por volta de 1580, para fundir o ouro extraído das minas do Jaraguá e de outras jazidas nos arredores da vila. As casas de fundição recolhiam o ouro extraído pelos mineiros, purificavam-no e o transformavam em barras, nas quais era aposto um cunho que a identificava como "ouro quintado", isto é, do qual já fora deduzido o tributo do "quinto". Era também expedido um certificado que deveria acompanhá-la daí em diante. Essa medida aumentou a insatisfação das pessoas, que já reclamavam dos altos preços dos alimentos, e acabou ocasionando a Revolta de Vila Rica, em 1720. As principais exigências dos rebeldes eram a redução dos preços dos alimentos e a anulação do decreto que criava as casas de fundição.

História

Mapa de rendimento do ouro nas Reais Casas de Fundição em Minas Gerais, entre julho e setembro de 1767. Arquivo Nacional.

As casas de fundição eram locais em que todo o ouro encontrado nas minas auríferas era transformado em barras para facilitar a cobrança de impostos. Junto com a casa de fundição, geralmente, ficava a casa de quintos, em que a quinta parte do ouro (20%) era retirada para o rei. O restante era devolvido em forma de barras fundidas acompanhadas de um certificado que legitimava sua posse.

A primeira casa de fundição do Brasil foi fundada em 1580, em São Paulo, apesar de alguns historiadores colocarem como sendo a casa da vila de Iguape a primeira, no inicio do século XVII. Após a descoberta do ouro na região das Minas de Taubaté, foram criadas três casas de fundição ao longo da Estrada Real: a Casa de Fundição de Taubaté, a de Guaratinguetá e a de Paraty.

A Casa dos Quintos de Taubaté foi fundada em 1695, sendo a primeira delas. Logo depois, em 1697, foi fundada a casa de fundição, tendo como provedor o homem público e bandeirante Carlos Pedroso da Silveira. Ao ser aberta a casa, o ouro era cunhado com o selo real, depois de frio, com martelo ou marreta e, apesar de ser muito protegido o processo, ainda assim sofria sonegações, como no caso de um civil, Domingos Dias Torres, e dois religiosos, padre José Rodrigues Preto e o frei Roberto, da Ordem de São Bento, que construíram um cunho falso e, usando-o para registrar o ouro, não pagavam o respectivo quinto.

Diante desse fato, em 1702, a Casa Real Portuguesa decidiu enviar a Taubaté uma máquina de cunhar. Porém essa nunca chegou ao destino, pois o caminho entre Paraty e Taubaté, o Caminho do Facão, era muito difícil de se atravessar. Em 1704, El Rei decidiu fechar as casas de fundição de Taubaté e Guaratinguetá, e transferi-las para Paraty.

Em sua primeira arrecadação dos quintos, nos anos de 1696 e 1697, a casa somou a quantia de três arrobas e quatorze arreteis de ouro. Diante da casa alcançar tantas riquezas para Portugal, o próprio rei escrevia do próprio punho ao provedor da casa de Taubaté..

Referências

Bibliográficas

  • ANDRADA, Martim Francisco Ribeiro de. Diário de uma Viagem Mineralógica pela Província de S. Paulo no Anno de 1805. Revista do IHGSP, Tomo IX, 1847, pp. 527–548.
  • YOUNG, Ernesto G. Subsídios para a Historia de Iguapé - Mineração de Ouro. Revista do IHGSP, vol VI, São Paulo, 1902 pp. 400–435.

Ligações externas

Casas de Fundição

As Casas de Fundição eram instituições criadas pela Coroa Portuguesa no Brasil Colônia, onde o ouro e a prata extraídos eram fundidos, purificados e transformados em barras padronizadas. Constituíram o mais antigo mecanismo de controle e arrecadação de tributos sobre a mineração, garantindo à Fazenda Real a cobrança do quinto — 20% do metal extraído destinado ao Reino.

Funcionamento

Todo o ouro trazido pelos mineiros era recolhido, fundido e aferido em barras, nas quais era aposto o cunho real comprovando que o imposto já havia sido pago — o chamado "ouro quintado". A cada barra acompanhava um certificado de legitimidade. Junto à casa de fundição funcionava, normalmente, a Casa dos Quintos, responsável pela separação e arrecadação da parcela devida à Coroa; o restante era devolvido ao minerador em barras certificadas.
Esse sistema, porém, gerou insatisfação: somado aos altos preços dos alimentos, o rigor da cobrança deflagrou a Revolta de Vila Rica, em 1720, cujas reivindicações principais eram a redução do custo de vida e a extinção das próprias Casas de Fundição.

História

A primeira Casa de Fundição do Brasil foi estabelecida em São Paulo, por volta de 1580, para processar o ouro das jazidas de Jaraguá e arredores. Alguns autores apontam a vila de Iguape, no litoral sul paulista, como sede de uma unidade ainda mais antiga, no início do século XVII.
Com a descoberta de jazidas auríferas na região de Taubaté, ao longo da Estrada Real, foram criadas três unidades:
  • Casa de Fundição de Taubaté — a primeira das três, com a Casa dos Quintos instalada em 1695 e a fundição em 1697, sob a provedoria do bandeirante Carlos Pedroso da Silveira;
  • Casa de Fundição de Guaratinguetá;
  • Casa de Fundição de Paraty, no litoral, ponto de escoamento da produção.
A arrecadação inicial da Casa de Taubaté, entre 1696 e 1697, atingiu três arrobas e quatorze arreteis de ouro — quantia tão expressiva que o próprio rei D. Pedro II correspondia pessoalmente com o provedor da casa.

Controles, fraudes e reorganização

Apesar dos procedimentos de selagem e marcação com martelo, ocorreram casos de sonegação. Em Taubaté, foram registradas fraudes com cunhos falsos, envolvendo particulares e até membros da Igreja. Em resposta, a Coroa enviou, em 1702, uma máquina de cunhar mais precisa; o equipamento, contudo, nunca chegou ao destino, pois o Caminho do Facão, entre Paraty e Taubaté, era de travessia extremamente difícil.
Em 1704, D. João V ordenou o fechamento das casas de Taubaté e Guaratinguetá, transferindo suas operações para Paraty, cujo acesso pelo mar facilitava o envio do metal para Portugal.
Posteriormente, com o deslocamento do eixo da mineração para Minas Gerais, novas Casas de Fundição foram instaladas na região, consolidando o sistema de controle metálico e tributário que vigorou até o fim do período colonial.

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