sábado, 19 de setembro de 2026

Um carreteiro é, originalmente, a pessoa que transporta produtos, mantimentos e artigos variados valendo-se de carreta de bois. Domina o manejo dos animais — como cangá-los ao veículo —, a manutenção da carreta, a condução nos mais variados terrenos e o acondicionamento da carga para que não se estrague nem se perca.



 

Única imagem existente de Cândido da Veiga, também conhecido como Candinho da Veiga, O Carreteiro.
Carreteiros descansando no Rio Grande do Sul, no início do século XX.
Carreteiros em 1919

Um carreteiro é uma pessoa (geralmente homem) que transporta produtos, mantimentos e artigos variados se valendo de carreta de bois. Ele sabe como lidar com os bois, como cangá-los ao carro, como manter a carreta, como guia-la nos diferentes terrenos e bem acomodar a carga para que não se estrague e nem se perca.

A carreta, associada aos animais, aos produtos, ao mercado e aos seus condutores foi, por mais de meio século, o veículo responsável por fazer a ligação em diversas regiões.[1] No passado, a carreta de bois foi utilizada normalmente para o transporte, até mesmo de pessoas. Todavia, para passeio e outros compromissos, que não requeressem transporte de cargas, as pessoa preferiam veículos mais leves, infinitamente mais rápidos e muito mais confortáveis. Veículos como a carroça, a carruagem e a charrete eram suspensas sobre molas, podiam ter bancos com acentos estofados, sendo puxadas por cavalo. Diferente destas, a carreta de bois era como uma caixa em forma trapezoidal de madeira montada sobre uma base formada por uma grossa viga longitudinal cruzada por outras duas menores postas na altura dos eixos, sendo o traseiro fixo e o dianteiro articulado fazendo a vez de barra de direção. Tudo isto ficava sobre os eixos sem nenhuma mola.

Atualmente a carreta de bois ainda é utilizada em pequenas lidas campeiras e pode ser vista em lugarejos do interior do Brasil.

Em raros casos, a carreta era utilizada para a prática de varejo de pronta-entrega. Ao vendedor ambulante, mesmo quando se valia de carro de boi, era mais comum atribuir a expressão mascate ou caixeiro-viajante.

Carreteiro famoso pela valentia e força foi Candinho da Veiga, que viveu na região entre Santo Antônio da Patrulha e Taquara do Mundo Novo, no Estado do Rio Grande do Sul, no início do século XX. Era de uma força e valentia notáveis. Costumava transportar sacas de farinha, bem como outros produtos, sempre sobrecarregando sua carreta de tal maneira que as rodas afundavam nos terrenos mais macios e encharcados, danificando as trilhas que serviam também a outros carreteiros e pessoas montadas. Por isto, muitas vezes foi multado e arranjou problemas com a polícia. Conta que quando a carreta atolava, solitário, ele erguia a traseira com os braços ajudando os bois a tracionar.

Atualmente, chama-se de carreteiro o motorista da moderna carreta tracionada por cavalo mecânico – caminhão potente com um carroceria engatada e articulada. Dessas carretas se podem ver muitas rodando pelas estradas.

Os carreteiros antigos foram os inventores do "arroz de carreteiro", mais conhecido no Rio Grande do Sul como "carreteiro", feito do charque – carne salgada e seca ao sol para não estragar. Dificilmente um viajante poderia comer um churrasco pelo caminho, a não ser em alguma fazendoa ou paradouro, pois o churrasco é feito da carne fresca e o homem solitário não poderia carnear para uma refeição, sendo que não consumiria tudo e não teria como transportar. Dificilmente poderia preparar qualquer outro alimento no caminho, dado ao fato de dispor de poucos apetrechos (utensílios e proventos). Por isto adquiria um bocado de charque para a viagem, restando-lhes a alternativa de prepará-lo em porções com arroz, produzindo um prato prático, rápido e saboroso.

Referências

  1. «Colonos, carreteiros e comerciantes. A região do Alto Taquari no início do século XX». Est Editora. Consultado em 30 de maio de 2021

Carreteiro

Um carreteiro é, originalmente, a pessoa que transporta produtos, mantimentos e artigos variados valendo-se de carreta de bois. Domina o manejo dos animais — como cangá-los ao veículo —, a manutenção da carreta, a condução nos mais variados terrenos e o acondicionamento da carga para que não se estrague nem se perca.
A carreta, associada aos bois, às mercadorias, ao comércio e aos seus condutores, foi por mais de meio século o principal meio de ligação entre regiões<sup>:1</sup>. No passado, servia também ao transporte de pessoas. Para passeios e deslocamentos sem carga, preferiam-se veículos mais leves, rápidos e confortáveis — a carroça, a carruagem e a charrete, suspensas sobre molas, com assentos estofados e puxadas por cavalos. A carreta de bois distinguia-se por sua estrutura rústica: caixa trapezoidal de madeira sobre uma viga longitudinal reforçada, sem molas, com eixo traseiro fixo e dianteiro articulado que funcionava como barra de direção.
Atualmente, a carreta de bois persiste em pequenas lidas campeiras e pode ser vista em povoados do interior do Brasil. Em raros casos, serviu também ao comércio ambulante; ao vendedor que percorria estradas de porta em porta, no entanto, atribuía-se mais comumente o nome de mascate ou caixeiro-viajante.

Figura notável

Candinho da Veiga (Cândido da Veiga) foi um carreteiro célebre da região entre Santo Antônio da Patrulha e Taquara do Mundo Novo, no Rio Grande do Sul, no início do século XX. Notabilizou-se por força e valentia excepcionais: costumava sobrecarregar tanto sua carreta de sacas de farinha e outros produtos que as rodas afundavam em terrenos úmidos, danificando as trilhas e gerando multas e atritos com a autoridade. Conta a tradição que, quando a carreta atolava, ele sozinho erguia a traseira com os próprios braços para auxiliar os bois na tração.

Evolução do termo

Com o advento do transporte rodoviário, o vocábulo estendeu-se ao motorista da carreta moderna — o chamado cavalo mecânico, caminhão potente que reboca uma semirreboque articulada. São inúmeras as carretas desse tipo que circulam pelas rodovias do país.

Cultura e culinária

Os carreteiros foram os criadores do arroz carreteiro, prato que no Rio Grande do Sul recebe simplesmente o nome de "carreteiro". Preparavam-no com charque — carne bovina salgada e seca ao sol, de longa conservação — refogada e cozida juntamente com arroz. A origem do prato ligava-se à própria condição de viagem: sem geladeira e sem possibilidade de preparar churrasco (que exige carne fresca e quantidade maior do que uma pessoa solitária consumiria), o carreteiro levava consigo a charque, prática e duradoura, misturando-a ao arroz em panela de ferro para uma refeição rápida, saborosa e nutritiva.

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