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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Pleurosternon: a tartaruga de água doce do fim do Jurássico e início do Cretáceo

 

Como ler uma infocaixa de taxonomiaPleurosternon
Ocorrência: Tithoniano–Berriasiano
Fóssil de Pleurosternon (ovatum) bullockii
Fóssil de Pleurosternon (ovatum) bullockii
Classificação científica
Reino:Animalia
Filo:Cordados
Clado:Pantestudines [en]
Clado:Testudinata
Clado:Paracryptodira
Classe:Répteis
Família:Pleurosternidae [en]
Género:Pleurosternon
Owen, 1853
Espécies
  • P. bullockii (Owen, 1842) (tipo)
  • P. moncayensis Pérez-Garcia, 2021

Pleurosternon é um gênero extinto de tartaruga pleurosternídea [en] de água doce do final do Jurássico ao início do Cretáceo da Europa.[1] Sua espécie-tipoPleurosternon bullockii, foi descrita pelo paleontólogo Richard Owen (conhecido por cunhar a palavra Dinosauria) em 1853. Desde então, e ao longo do final do século XIX, muitas tartarugas fósseis foram incorretamente atribuídas a este gênero, embora apenas duas sejam atualmente consideradas válidas.

Taxonomia

Os fósseis de Pleurosternon bullockii foram descritos pela primeira vez por Richard Owen em 1841 a partir de espécimes encontrados no Grupo Purbeck [en], do início do Cretáceo (Berriasiano), na ilha de Purbeck [en], em Dorset, no sul da Inglaterra, sob o gênero vivo Platemys.[2] No entanto, foi apenas em 1853 que foi publicado sob o nome Pleurosternon em um artigo que Owen apresentou à Sociedade Paleontográfica [en].[3] Pleurosternon portlandicum, nomeado por Richard Lydekker em 1889 a partir da pedra de Portland [en], do final do Jurássico (Tithoniano), na ilha de Portland [en]Dorset, é agora considerado um sinônimo júnior de Pleurosternon bullockii.[4] Em 2021, uma segunda espécie válida, Pleurosternon moncayensis, foi nomeada da localidade de Ágreda, de Tarazona e el Moncayo, Aragão, Espanha, que abrange a transição Tithoniano-Berriasiano.[5]

Descrição

Crânio de Pleurosternon bullockii

Pleurosternon tem uma carapaça muito deprimida, muito mais plana que a de gêneros semelhantes, como o Glyptops do Jurássico Superior e do Cretáceo Inferior da América do Norte.[6][7] Os adultos mostram pouca ou nenhuma da emarginação nucal que é mais visível nos juvenis.[7] Os xifiplastros também têm um grande entalhe em forma de V perto da parte de trás do osso.[7] O crânio de Pleurosternon bullockii é semelhante ao de outros pleurosternídeos, e é semelhante em alguns aspectos aos dos pleurodiros.[8] Os espécimes de carapaça conhecidos de P. bullockii exibem uma grande quantidade de variabilidade, e também exibem dimorfismo sexual.[9]

Distribuição e habitat

Na Europa, Pleurosternon bullockii é mais conhecido do Grupo Purbeck [en] e da pedra de Portland [en] do sudeste da Inglaterra, com mais de sessenta carapaças conhecidas apenas do Grupo Purbeck.[9][10] Várias áreas dentro da formação tornaram-se notadas por alguns por produzirem fósseis de Pleurosternon. Entre elas estavam Swanage [en]baía de Durlston [en]Langton Matravers [en] e Herston [en].[7] P. bullockii também é conhecido a partir de elementos de carapaça desarticulados encontrados em depósitos de idade Tithoniana perto de Wimille, em Pas-de-Calais, no norte da França.[4] Bem como de numerosos restos encontrados no leito fóssil de idade Berriasiana de Angeac-Charente [en], no oeste da França, onde é a tartaruga mais abundante.[11] O Grupo Purbeck, na época, era uma região costeira com um sistema complexo de lagoas rasas que perderam lentamente sua salinidade ao longo do tempo.[12] A pedra de Portland, no entanto, é um depósito marítimo de idade ligeiramente mais antiga que o Purbeck; a maioria dos ossos encontrados lá é interpretada como tendo sido levada para o mar.

Referências

  1. E. Schweizerbart. 1994. Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie: Monatshefte, Issues 7-12.
  2. Owen, Richard. Report on British Fossil Reptilia. Report of the British Association for the Advancement of Science. P. p43- 126. 1841
  3. Owen, R. A Monograph of the Fossil Chelonian Reptiles of the Wealden Clays and Purbeck Limestones. Palaeontographical Society, Vol. VII, 1853
  4.  Guerrero, A.; Pérez-García, A. (dezembro de 2020). «On the validity of the British Upper Jurassic turtle "Pleurosternon portlandicum" (Paracryptodira, Pleurosternidae)»Journal of Iberian Geology (em inglês). 46 (4): 419–429. Bibcode:2020JIbG...46..419GISSN 1698-6180doi:10.1007/s41513-020-00136-x
  5. Pérez-García, A.; Martín-Jiménez, M.; Aurell, M.; Canudo, J.I.; Castanera, D. (12 de abril de 2021). «A new Iberian pleurosternid (Jurassic-Cretaceous transition, Spain) and first neuroanatomical study of this clade of stem turtles»Historical Biology (em inglês). 34 (2): 298–311. ISSN 0891-2963doi:10.1080/08912963.2021.1910818
  6. Boule, Marcellin. Priviteau, Jean. Les Fossiles. Éléments De Paléontologie. Libraries de L'académie Médecine. Paris, 1935. P. 433
  7.  Milner, Andrew R. (novembro de 2004). «The turtles of the Purbeck Limestone Group of Dorset, southern England». Palaeontology (em inglês). 47 (6): 1441–1467. Bibcode:2004Palgy..47.1441MISSN 0031-0239doi:10.1111/j.0031-0239.2004.00418.xAcessível livremente
  8. Evers, Serjoscha W.; Rollot, Yann; Joyce, Walter G. (30 de junho de 2020). «Cranial osteology of the Early Cretaceous turtle Pleurosternon bullockii (Paracryptodira: Pleurosternidae)»PeerJ (em inglês). 8: e9454. ISSN 2167-8359PMC 7333654Acessível livrementePMID 32655997doi:10.7717/peerj.9454Acessível livremente
  9.  Guerrero, A.; Pérez-García, A. (1 de setembro de 2021). «Morphological variability and shell characterization of the European uppermost Jurassic to lowermost Cretaceous stem turtle Pleurosternon bullockii (Paracryptodira, Pleurosternidae)»Cretaceous Research (em inglês). 125. 104872 páginas. Bibcode:2021CrRes.12504872GISSN 0195-6671doi:10.1016/j.cretres.2021.104872
  10. Hay, Oliver Perry. 1908. Fossil Turtles of North America. Carnegie Institution of Washington. p. 45
  11. Ronan Allain, Romain Vullo, Lee Rozada, Jérémy Anquetin, Renaud Bourgeais, et al.. Vertebrate paleobiodiversity of the Early Cretaceous (Berriasian) Angeac-Charente Lagerstätte (southwestern France): implications for continental faunal turnover at the J/K boundary. Geodiversitas, Museum National d’Histoire Naturelle Paris, In press. ffhal-03264773f
  12. Radley, Jonathan D. Distribution and Environmental Significance of Molluscs in the Late Jurassic-Early Cretaceous Purbeck Formation of Dorset, Southern England: a Review. Life and Environments in Purbeck Times. (Special Papers in Palaeontology No. 68). p 48.

Pleurosternon: a tartaruga de água doce do fim do Jurássico e início do Cretáceo

Pleurosternon é um gênero extinto de tartarugas pleurosternídeas que habitou a Europa entre o final do Jurássico (período Tithoniano) e o início do Cretáceo (período Berriasiano), há cerca de 150 a 140 milhões de anos. Foi descrito originalmente por Richard Owen — o mesmo pesquisador que criou o termo Dinosauria — e, ao longo da história dos estudos fósseis, muitos exemplares foram atribuídos erroneamente a esse gênero; hoje, apenas duas espécies são reconhecidas como válidas.

Taxonomia

  • Espécie-tipo: Pleurosternon bullockii
    • Os primeiros fósseis foram estudados por Richard Owen em 1841, mas na época foram classificados no gênero atual Platemys. Somente em 1853 o nome Pleurosternon foi formalmente apresentado à comunidade científica.
    • Espécies como Pleurosternon portlandicum, nomeadas posteriormente, foram reavaliadas e consideradas apenas variações da espécie-tipo, tornando-se sinônimos dela.
  • Segunda espécie válida: Pleurosternon moncayensis
    • Definida em 2021, com base em fósseis encontrados em Ágreda, na região de Tarazona e el Moncayo, em Aragão, Espanha. Seus registros abrangem a transição entre o Jurássico e o Cretáceo.
Atualmente, apenas essas duas espécies são aceitas dentro do gênero.

Descrição anatômica

  • Carapaça: É a característica mais marcante: muito achatada e baixa, bem mais plana do que em gêneros parentes, como o Glyptops da América do Norte. Em indivíduos jovens, existe uma pequena reentrância na parte superior da carapaça, que diminui ou desaparece completamente nos adultos. Os ossos da parte inferior da casca (xifiplastros) possuem um entalhe grande em forma de V na região posterior.
  • Variação e dimorfismo: Existe uma variação grande no formato e nas proporções da carapaça entre os espécimes de P. bullockii. Estudos indicam que parte dessa variação corresponde ao dimorfismo sexual — ou seja, diferenças físicas naturais entre machos e fêmeas.
  • Crânio: Semelhante ao de outras tartarugas pleurosternídeas, com características que lembram também os grupos atuais de tartarugas de pescoço lateral (pleurodiros).

Distribuição geográfica e habitat

Os fósseis de Pleurosternon são encontrados apenas na Europa, em depósitos que registram ambientes de água doce ou mistos:

📍 Inglaterra

  • É a região onde mais se encontram exemplares, principalmente no sul, em Dorset:
    • Pedra de Portland: Depósitos mais antigos, originalmente marinhos. Os fósseis encontrados aqui provavelmente foram carregados pela água doce até o mar e lá se fossilizaram.
    • Grupo Purbeck: Local com mais de 60 carapaças já coletadas, em locais como Swanage, baía de Durlston e Langton Matravers. Na época, era uma área costeira com lagoas rasas que passaram gradualmente de água salobra para água doce.

📍 França

  • Pas-de-Calais: Restos desarticulados de carapaças em camadas do Jurássico final.
  • Angeac-Charente: No oeste do país, em depósitos do início do Cretáceo. É a tartaruga fóssil mais abundante desse sítio.

📍 Espanha

  • Aragão: Fósseis da espécie P. moncayensis, em camadas que registram a passagem do Jurássico para o Cretáceo.
Resumo ecológico: Era uma tartaruga de água doce, que vivia em lagoas, pântanos e cursos d'água. Os registros em camadas marinhas indicam apenas transporte de restos mortais, não que o animal vivesse no mar.