sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

CACHECOL ESPECIAL EM CROCHÊ

 

CACHECOL ESPECIAL EM CROCHÊ




AFUNDAMENTO DA ORLA DE GUARATUBA

 AFUNDAMENTO DA ORLA DE GUARATUBA

Passados 55 anos ainda lembro daquele trágico acontecimento ocorrido em 22/09/1968, em Guaratuba. Morava em Paranaguá, cidade próxima de Guaratuba e, na manhã seguinte, o boato corria solto pelas ruas e a Radio Difusora também anunciava que havia afundado parte da praia de Guaratuba.
Apesar do susto, ninguém ficou ferido ou morreu, na noite daquele dia em Guaratuba.
Como o Cine Media Luz, na Rua da Praia, ficou sem luz‪, o ‬público foi forçado a sair do cinema. Naquele momento as pessoas viram o que parecia ser o fim do mundo: O mar tinha derrubado o muro de arrimo da rua principal e avançava pela cidade.
Todos saíram correndo, batendo de porta em porta, acordando os que já estavam deitados, gritando pra que fugissem dali.
A erosão vinha silenciosamente, há muito tempo, agindo naquela parte da cidade. Os problemas foram se agravando com a construção de um trapiche e do tal muro de arrimo.
A água foi entrando por debaixo e não saía mais. Com o desmoronamento, uma cratera se formou e tudo em volta foi sendo engolido: Prefeitura, que era instalada na antiga Casa de Câmara e Cadeia de 1771, o Cartório Eleitoral, a Câmara de Vereadores, vários imóveis comerciais como bar, barbearia, restaurante, a casa de um ex-prefeito e outras residências. Um grande susto.
"Na noite de 22 para 23/09/1968, durante a baixa-mar de sizígia, rompeu-se um grande trato de terra que bordejava a Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná levando consigo, entre outras benfeitorias, um muro de proteção e a metade da Prefeitura da cidade que ficava atrás desse muro. Não houve vítimas porque a ruptura foi lenta e constituída por eventos sucessivos.
No local da ruptura havia um trapiche que adentrava a baía, cuja extremidade foi a primeira a afundar, seguindo-se o muro de contenção e, em sequência, porções cada vez maiores de terra.
As investigações efetuadas na ocasião e posteriormente, mostraram que todo o
processo que culminou nessa ruptura iniciou-se pela construção, no início do século 20, de um trapiche de madeira que unia a então praia de Guaratuba, a uma ilha barreira, paralela à praia, executado para permitir o desembarque de passageiros, a partir de embarcações que ali aportavam. Em outras palavras, entre o continente e a ilha havia um canal de escoamento de água, paralelo à costa que dava vazão às correntes geradas pelas marés. Durante a preamar (maré enchente), as águas do mar penetram na baía gerando correntezas que se estendem até o fundo da mesma e durante a baixa mar (maré vazante) essas mesmas águas, acrescidas das trazidas para a baía, pelos rios que nela desembocam, geram correntes em sentido contrário: da baía para o mar. Em razão dessa mecânica, obviamente, as correntes oriundas das marés de vazante são muito mais fortes e quanto mais significativas as marés, maiores as correntes delas oriundas. Como o trapiche era de madeira e dava vazão à água que escorria entre a ilha e o continente, sem praticamente afetá-la, nada aconteceu de significativo, no local, nessa época.
Posteriormente, o antigo trapiche de madeira foi substituído por um de alvenaria
que possuía aberturas menores e, em 1954, quando foi construído o muro de contenção, as aberturas originais do trapiche de alvenaria foram substituídas por bueiros de menor vazão. A partir desse ponto, a restrição à vazão das correntes de vazante, provocou deposição de sedimentos a montante do trapiche e erosão na porção da ilha barreira situada a jusante, perfeitamente observáveis em fotos da década de 1950. Esse processo prosseguiu até que toda a porção da ilha barreira voltada para leste fosse consumida e o processo erosivo começasse a corroer a base do trapiche situada ao largo da mesma. Como nenhuma providência foi tomada, as fundações da extremidade do trapiche foram sendo corroídas, seguindo-se as do muro para, finalmente, culminar com o colapso de ambos na maré de sizígia de 22/23 de setembro de 1968, cobrindo um período no entorno de 50 anos entre o início efetivo e a culminação do processo." *
* (Texto escrito pelo Geólogo José Antônio Urroz Lopes, extraido do site: mw.eco.br/zig/hp.htm).
(Fotos: Acervo da Biblioteca Pública de Guaratuba)
Paulo Grani














quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Bairro Ahú➤Final dos anos 50 ➤Em 1º plano, a Rua Brasilino Moura. Ao fundo, a Rua Mateus Leme➤ Avista-se também, o Curtume, hoje Res Camões. Podemos observar o percurso original do Rio Belém.

 Bairro Ahú➤Final dos anos 50 ➤Em 1º plano, a Rua Brasilino Moura. Ao fundo, a Rua Mateus Leme➤ Avista-se também, o Curtume, hoje Res Camões. Podemos observar o percurso original do Rio Belém.



Colégio Sagrado Coração de Jesus: Um Legado de Fé, Educação e Arquitetura no Coração de Curitiba

 

Denominação inicial: Projéto de aumento do Colégio Sagrado Coração de Jesus

Denominação atual: Colégio Sagrado Coração de Jesus

Categoria (Uso): Ensino
Subcategoria: Instituição Religiosa

Endereço: Avenida Iguassú

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 1.000,00 m²
Área Total: 1.000,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 20/10/1941

Alvará de Construção: Nº 5658/1941

Descrição: Projeto Arquitetônico para aumento do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Alvará de Construção e fotografia do imóvel.

Situação em 2012: Existente


Imagens

1 - Plantas dos cortes A-B, C-D e E-F.
2 – Plantas dos cortes G-H, J-K e L-M.
3 – Fachadas voltadas para as ruas Iguassú e Buenos Aires.
4 – Fachada para a Rua Dezembargador Mota.
5 – Plantas dos 2º e 3º pavimentos.
6 – Plantas do 1º pavimento, galeria, implantação e perfil do terreno.
7 – Alvará de Construção.
8 – Fotografia da fachada da escola em 1941.
9 - Fotografia da escola em 1944.

Referências: 

1, 2, 3, 4, 5 e 6 - CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto de aumento do Colégio Sagrado Coração de Jesus. Avenida Iguassú. Plantas dos cortes A-B, C-D, E-F, G-H, J-K e L-M; desenhos das fachadas voltadas para as ruas Iguassú, e Buenos Aires e Dezembargador Mota; plantas do 1º, 2º e 3º pavimentos, galeria, implantação e perfil do terreno, representados em seis pranchas. Microfilme digitalizado.
7 - Alvará n.º 5658
8 e 9 – Fotografias cedidas pelo Instituto Schulman.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba; Instituto Schulman.

Colégio Sagrado Coração de Jesus: Um Legado de Fé, Educação e Arquitetura no Coração de Curitiba

Na confluência das ruas Iguassú, Buenos Aires e Desembargador Mota — artérias pulsantes do bairro São Francisco, em Curitiba — ergue-se um edifício que, desde a primeira metade do século XX, tem sido mais do que uma escola: é um santuário de sabedoria, disciplina e devoção. O Colégio Sagrado Coração de Jesus, cujo projeto de ampliação foi assinado em outubro de 1941 pelo engenheiro Eduardo Fernando Chaves, permanece até hoje como testemunho vivo da vocação educacional católica no Paraná.


Raízes de uma Missão Pedagógica

Embora os registros não detalhem a data exata da fundação original do colégio, sabe-se que, até 1941, a instituição já funcionava e necessitava de expansão para atender à crescente demanda por ensino de qualidade em Curitiba. Foi nesse contexto que surgiu o “Projeto de aumento do Colégio Sagrado Coração de Jesus”, um plano arquitetônico ambicioso para sua época, visando não apenas ampliar o espaço físico, mas reafirmar seu compromisso com a formação integral dos alunos — intelectual, moral e espiritual.

O nome “Sagrado Coração de Jesus” revela sua filiação à tradição devocional católica que enfatiza o amor misericordioso de Cristo — um ideal que se traduzia, na prática pedagógica, em rigor acadêmico aliado à compaixão, à justiça e à ética.

A localização na Avenida Iguassú, então uma das principais vias de ligação entre o centro e os bairros emergentes, era estratégica: colocava a escola ao alcance de famílias da classe média urbana, muitas delas imigrantes ou descendentes de imigrantes europeus, que viam na educação religiosa um pilar para a ascensão social e a preservação de valores.


Arquitetura da Expansão: Tijolos, Cortes e Fachadas com Propósito

O projeto arquitetônico, datado de 20 de outubro de 1941, e autorizado pelo Alvará nº 5658/1941, previu a construção de um novo bloco de dois pavimentos (embora as plantas mencionem também um “3º pavimento”, possivelmente incluindo sobreloja ou mezanino), totalizando 1.000 m² de área construída. A estrutura foi erguida em alvenaria de tijolos, técnica dominante na época, que garantia solidez, isolamento térmico e durabilidade.

As seis pranchas originais, meticulosamente elaboradas por Chaves, revelam um planejamento sofisticado:

  • Plantas detalhadas dos três níveis, com distribuição funcional de salas de aula, corredores amplos, escadarias seguras e áreas de convivência.
  • Seis cortes arquitetônicos (A-B até L-M), que demonstram preocupação com ventilação cruzada, iluminação natural e altura dos pé-direitos — essenciais em ambientes de ensino.
  • Três fachadas distintas, voltadas para as ruas Iguassú, Buenos Aires e Desembargador Mota, cada uma com tratamento estético coerente, mas adaptado à hierarquia urbana da via. A principal, para a Avenida Iguassú, apresenta simetria, janelas ritmadas e um corpo central levemente projetado, conferindo solenidade sem ostentação.
  • Implantação precisa no terreno, respeitando recuos e integrando o novo bloco à estrutura pré-existente.
  • Galerias cobertas, provavelmente destinadas a circulação protegida entre alas ou momentos de recreio.

Tudo indica que o projeto buscava equilibrar modernidade funcional e discrição religiosa — longe do monumentalismo das catedrais, mas próximo da dignidade dos grandes colégios católicos europeus.


Imagens do Passado: Uma Escola em Construção

As fotografias cedidas pelo Instituto Schulman, datadas de 1941 e 1944, capturam momentos cruciais da história do colégio. A imagem de 1941 mostra a fachada ainda em fase final de acabamento — andaimes discretos, paredes frescas, portas recém-instaladas. Já a de 1944 revela o edifício plenamente integrado ao tecido urbano, com alunos talvez já circulando por seus corredores, sob a proteção simbólica do Sagrado Coração.

Essas fotos não são meros registros técnicos; são documentos afetivos. Mostram a concretização de um sonho coletivo: o de oferecer às crianças de Curitiba um lugar onde aprender fosse também rezar, questionar, crescer.


Presença Contínua: Mais de 80 Anos de Atividade

Em 2012, o colégio foi registrado como existente — e, de fato, continua em pleno funcionamento até os dias atuais. Ao longo das décadas, passou por reformas, adaptações tecnológicas e atualizações pedagógicas, mas manteve sua identidade essencial: uma instituição católica comprometida com a excelência educacional.

Muitas gerações de curitibanos passaram por suas salas. Advogados, médicos, professores, artistas e líderes comunitários carregam consigo, ainda que de forma sutil, os ensinamentos recebidos sob o manto do Sagrado Coração.


Legado: Entre o Céu e o Quadro-Negro

O Colégio Sagrado Coração de Jesus não é apenas um prédio de tijolos. É um espaço de encontro: entre fé e razão, tradição e inovação, disciplina e acolhimento. Sua arquitetura, embora modesta em escala, fala alto sobre os valores que guiaram sua construção — e que, felizmente, continuam a orientar sua missão.

Enquanto houver vozes de crianças ecoando em seus corredores, enquanto houver orações antes das provas e sorrisos nos recreios, o coração desse colégio seguirá batendo — sagrado, humano e profundamente curitibano.


"Nem toda herança se mede em metros quadrados; algumas se contam em vidas transformadas."