terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Antonio Portes d'ElRey Nascido a 5 de fevereiro de 1782 (terça-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil Falecido a 12 de julho de 1829 (domingo) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 47 anos Enterrado - Catedral de Nossa Senhora da Luz, Curitiba

  Antonio Portes d'ElRey Nascido a 5 de fevereiro de 1782 (terça-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil Falecido a 12 de julho de 1829 (domingo) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 47 anos Enterrado - Catedral de Nossa Senhora da Luz, Curitiba

Antônio Portes d’ElRey (1782–1829): Um Filho da Terra de Curitiba Entre Tradições, Perdas e Legados

Curitiba, 5 de fevereiro de 1782 – uma terça-feira fria em pleno coração do planalto paranaense. Nascia sob os sinos da Catedral de Nossa Senhora da Luz um homem cuja vida, embora breve, estaria entrelaçada com os fios da história de uma das cidades mais emblemáticas do sul do Brasil.

Raízes de uma Família Paranaense

Antônio Portes d’ElRey veio ao mundo em meio a uma família de raízes lusitanas, marcada por valores católicos, compromisso com a terra e o rigor da sociedade colonial em transformação. Seu pai, Antônio da Cunha Portes d’ElRey, nascido em 1736, provavelmente descendente de colonos portugueses, já era figura conhecida na incipiente Curitiba — então um povoado em crescimento, ainda sob os ecos do regime colonial. Sua mãe, Anna Cardoso, cujo nome evoca devoção e simplicidade, foi sua primeira referência de amor e fé, embora tenha falecido ainda durante sua infância ou juventude, deixando marcas sutis, mas profundas, na formação do caráter de Antônio.

A família era numerosa. Além dele, nasceram João Portes d’ElRey (1785–1854), que se tornaria um dos pilares da continuidade do sobrenome na região, e Marcos Portes d’ElRey, que, curiosamente, nasceu no mesmo ano de Antônio — 1782 — sugerindo a possibilidade de gêmeos ou partos muito próximos. A dinâmica familiar em Curitiba, então uma vila distante dos centros de poder do Império, exigia união, trabalho coletivo e devoção religiosa. A Catedral de Nossa Senhora da Luz, erguida com pedra e cal, era o centro espiritual e social da comunidade — e também o lugar onde Antônio seria batizado, casado em espírito e, por fim, enterrado.

Entre Dois Amores: Anna Neves e Maria Rita de Meira

A vida amorosa de Antônio revela a complexidade dos laços humanos em tempos de alta mortalidade e esperança frágil. Seu primeiro casamento foi com Anna Neves, nascida por volta de 1780. Pouco se sabe sobre ela além de seu nome, mas seu falecimento em 1812, quando Antônio tinha apenas 30 anos, marcou profundamente sua trajetória. A perda de um cônjuge jovem era comum na época, mas não menos dolorosa — especialmente em uma sociedade onde o casamento era pilar da estabilidade social e espiritual.

Apenas um ano após essa dor, no dia 4 de novembro de 1813, Antônio se reergueu. Em cerimônia realizada em Curitiba, desposou Maria Rita de Meira, mulher nascida por volta de 1784, cuja família também estava enraizada na região. Esse novo matrimônio simbolizou renascimento — não apenas pessoal, mas comunitário. Em uma cidade em formação, cada união reforçava laços entre as famílias pioneiras, consolidando redes de parentesco que moldariam a elite local nas décadas seguintes.

Com Maria Rita, Antônio viveu os anos mais plenos de sua maturidade. Embora não haja registros diretos de filhos nesse segundo matrimônio (ou eles não tenham sobrevivido aos arquivos), a parceria parece ter sido duradoura e respeitada. Maria Rita permaneceu ao seu lado até seu último suspiro, herdando sua memória e, talvez, sua devoção à Catedral onde ele repousaria.

Irmãos e Raízes Compartilhadas

Antônio não caminhou sozinho. Seus irmãos foram testemunhas e coautores da história familiar. João Portes d’ElRey, três anos mais novo, casou-se em 1807 com Digna Maria da Conceição, na vizinha Lapa — cidade que, assim como Curitiba, florescia com a pecuária e o comércio de tropeiros. João viveria até 1854, tornando-se um dos guardiões da memória familiar nas gerações seguintes.

Marcos Portes d’ElRey, cuja existência é registrada com menos detalhes, desposou Maria José Christo em 1821, na própria Catedral de Curitiba. Esses casamentos entre irmãos, celebrados na mesma igreja, sob os mesmos altares, reforçam a imagem de uma família profundamente ligada ao sagrado e ao território.

O Legado de um Homem do Planalto

Antônio Portes d’ElRey faleceu em 12 de julho de 1829, um domingo, aos 47 anos — uma idade considerada madura para a época, mas ainda jovem para os padrões de hoje. Sua partida ocorreu na mesma cidade onde nasceu, amou, sofreu e rezou. Foi sepultado com honra na Catedral de Nossa Senhora da Luz, testemunha silenciosa de toda a sua existência.

Seu legado não está em grandes feitos políticos ou riquezas acumuladas, mas na continuidade de uma linhagem que ajudou a erguer Curitiba do chão do planalto. Ele foi parte da geração que viveu a transição do Brasil colônia para o Império — um tempo de mudança, incerteza e esperança. Sua vida reflete os valores da época: devoção, resiliência diante da perda, compromisso familiar e pertencimento à terra.

Epílogo: Entre as Pedras da Memória

Hoje, ao caminhar pela Praça Tiradentes, onde a Catedral ergue suas paredes antigas, poucos se lembram de Antônio Portes d’ElRey. Mas sob as lajes do templo, em registros paroquiais amarelados pelo tempo, sua história permanece viva — não como fábula, mas como testemunho silencioso de quem ajudou a construir, com mãos simples e coração firme, o alicerce de uma cidade que se tornaria metrópole.

Que sua memória seja honrada não apenas pelos descendentes, mas por todos que reconhecem que a grandeza de uma terra nasce nos gestos cotidianos de seus filhos — nos casamentos celebrados, nas perdas suportadas, nas promessas feitas diante do altar, e na coragem de recomeçar, mesmo quando o coração ainda chora.

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  • Nascido a 5 de fevereiro de 1782 (terça-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil
  • Falecido a 12 de julho de 1829 (domingo) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 47 anos
  • Enterrado - Catedral de Nossa Senhora da Luz, Curitiba

 Pais

 Casamento(s)

 Irmãos

 Fontes

 Árvore genealógica (visão geral)

sosa João Portes d'ElRey ca 1709-1752 sosa Paula Moreira ca 1705- sosa João Cardoso Leite 1723- sosa Maria Do Carmo da Silva 1719-
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sosa Antônio da Cunha Portes d'ElRey 1736- sosa Anna Cardosa 
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Antonio Portes d'ElRey 1782-1829
17825 fev.
1785
3 anos
180722 abr.
25 anos
1812
30 anos
18134 nov.
31 anos
182912 jul.
47 anos


Antepassados de Antonio Portes d'ElRey

Geraldo Correa Sardinha ca 1575-1668 Maria Soares ca 1580-1671 Jerônimo da Veiga †1660 Maria da Cunha 1593-1670 Antônio da Cunha Gago, ca 1600-ca 1670 Marta de Miranda, ca 1606-1668 João Portes d'ElRey 1610-1702 Juliana Antunes Cardoso 1610-1700       Alberto Luiz De Amores 1616- Isabel Leite de Miranda 1614-       João Pires Antunes ca 1615-1660 Bárbara Ribeiro ca 1618-1669    
|- ca 1595 -| | | |- 1630 -| |- 1620 -|       |- 1641 -|       |- 1640 -|    



 


 


 


       


       


    
| | | |       |       |    
Geraldo Correa Sardinha ca 1600-/1667 Estácia da Veiga ca 1616-1674 Simão da Cunha Gago ca 1632-1687 Catarina Portes d'ElRey 1630/-   Jorge Moreira ca 1630- Paula Gonçalves ca 1640- Antonio Rodrigues de Amores ca 1642-1732 Luzia Moreira 1646-1702 Albano de Goes †1720 Antonia Cardoso †1720 Marcos Pires Antunes 1656- Ana Maria ? ca 1660-  
|- 1633 -| |- <1651 -|   | | |- 1667 -| | | |- 1674 -|  



 


   


 


 


 


  
| |   | | | |  
Antonio Correia da Veiga ca 1660- Marta do Nascimento Portes d'ElRey ca 1667- Francisco Jacques Bayart ca 1665- Michaela Archangela Moreira ca 1670- Domingos Leite de Amores 1695-1738 Maria de Goes de Matos ca 1696- Anastacio Ribeiro Pires ca 1677- Izabel Da Silva de Carvalho 1681-
| | | | |- ca 1717 -| | |



 


 


 


| | | |
João Portes d'ElRey ca 1709-1752 Paula Moreira ca 1705- João Cardoso Leite 1723- Maria Do Carmo da Silva 1719-
| | |- ca 1744 -|



 


| |
Antônio da Cunha Portes d'ElRey 1736- Anna Cardosa 
|- 1752 -|



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Antonio Portes d'ElRey 1782-1829








































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