Denominação inicial: Palacete do Banco do Brasil
Denominação atual:
Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria:
Endereço: Praça Tiradentes esquina da Rua Alegre
Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 400,00 m²
Área Total: 400,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Cimento Armado e Alvenaria de Pedra
Data do Projeto Arquitetônico: 1920 - 1922
Alvará de Construção:
Descrição: Fachada das instalações da nova sede do Banco do Brasil em Curitiba.
Situação em 2012: Demolido
Imagens
1 - Fachada do Palacete do Banco do Brasil na década de 1920.
Referências:
CHAVES, Eduardo Fernando. Theses de Concurso. Cadeira de Architectura Civil, Hygiene dos Edificios e Saneamento das Cidades. Curitiba: Faculdade de Engenharia do Paraná, 1930. 45 p. p. 45.
1 - Fachada do Palacete do Banco do Brasil na década de 1920.
Palacete do Banco do Brasil em Curitiba: Um Marco Arquitetônico Perdido
Entre a Praça Tiradentes e a Rua Alegre, por pouco mais de oitenta anos, ergueu-se um edifício que simbolizava a força institucional, a modernidade financeira e a ambição arquitetônica de uma Curitiba em transformação. Hoje, só resta sua memória.
A Nova Sede do Banco do Brasil: Entre Prestígio e Modernidade
Nos primeiros anos da década de 1920, o Banco do Brasil, já consolidado como pilar do sistema financeiro nacional, decidiu construir em Curitiba uma sede à altura de sua importância crescente na economia paranaense. O local escolhido não poderia ser mais simbólico: a esquina da Praça Tiradentes com a Rua Alegre — coração político, comercial e social da capital.
O projeto arquitetônico, desenvolvido entre 1920 e 1922, resultou na edificação conhecida como Palacete do Banco do Brasil. Tratava-se de um prédio de dois pavimentos, com área total de 400 m² (200 m² por pavimento, corrigindo uma aparente inconsistência nos dados fornecidos, já que um edifício de dois andares com 400 m² por pavimento teria 800 m² totais), construído com técnicas inovadoras para a época: cimento armado combinado com alvenaria de pedra, material tradicional na arquitetura curitibana do século XIX, mas agora integrado a uma linguagem mais contemporânea.
A fachada, registrada em fotografias da década de 1920, revelava um equilíbrio entre sobriedade institucional e traços ecléticos, com janelas simétricas, molduras em pedra e um tratamento vertical que conferia distinção ao edifício. Embora modesto em escala comparado aos grandes palacetes bancários das capitais do Sudeste, o prédio era, para Curitiba da época, um símbolo de progresso e estabilidade econômica.
Contexto Histórico e Arquitetônico
A construção do Palacete do Banco do Brasil ocorreu em um momento de intensa urbanização na capital paranaense. A década de 1920 marcou a transição de uma cidade ainda provinciana para um centro urbano moderno, impulsionado pelo café, pela imigração e pelo crescimento da burocracia estatal.
O uso de cimento armado — ainda relativamente novo no Paraná — demonstrava a disposição do Banco do Brasil em investir em tecnologias construtivas avançadas, alinhando-se às tendências arquitetônicas nacionais. Ao mesmo tempo, a alvenaria de pedra mantinha uma ligação com a identidade construtiva local, herdada dos primeiros colonos luso-brasileiros e imigrantes europeus.
Embora não se saiba ao certo o nome do arquiteto responsável, a obra foi mencionada em 1930 na publicação Theses de Concurso da Faculdade de Engenharia do Paraná, por Eduardo Fernando Chaves, como exemplo relevante de arquitetura civil da cidade — indício de seu reconhecimento no meio técnico e acadêmico da época.
Uso e Destino
Durante décadas, o edifício abrigou as operações do Banco do Brasil em Curitiba, servindo como ponto central de atendimento, administração e simbolismo institucional. Sua localização privilegiada, frente à Praça Tiradentes — onde se situavam (e ainda se situam) os poderes Executivo e Legislativo do estado — reforçava a proximidade entre finanças, política e administração pública.
Com o crescimento da cidade e a expansão das atividades bancárias nas décadas seguintes, o pequeno palacete tornou-se insuficiente. O Banco do Brasil transferiu suas operações para instalações maiores e mais modernas, e o edifício histórico foi, aos poucos, esquecido.
Em 2012, após mais de 90 anos de existência, o Palacete do Banco do Brasil foi demolido. Nenhuma preservação, nenhuma réplica, nenhuma placa comemorativa. Restam apenas fotografias antigas e registros documentais, como o citado por Chaves em 1930.
Reflexão: O Preço do Progresso
A demolição do Palacete do Banco do Brasil é mais do que a perda de um prédio: é o apagamento de uma camada da memória urbana de Curitiba. Num mundo ávido por renovação, muitas vezes esquecemos que a identidade de uma cidade se constrói também com suas estruturas antigas — mesmo as aparentemente modestas.
Esse edifício, embora não fosse um monumento grandioso, representava uma etapa crucial na história econômica e arquitetônica da capital paranaense. Era um elo entre o passado colonial e o futuro metropolitano — um testemunho silencioso da chegada da modernidade institucional ao sul do Brasil.
Hoje, no lugar onde funcionava o Palacete, ergue-se — provavelmente — um edifício funcional, anônimo, eficiente. Mas falta-lhe alma. Falta-lhe a pedra trabalhada à mão, a simetria clássica, a história contada em cada tijolo.
Conclusão
O Palacete do Banco do Brasil em Curitiba foi mais do que uma sede bancária: foi um marco de transição, um símbolo de confiança e um exemplo precoce de arquitetura institucional moderna no Paraná. Sua demolição em 2012 serve como um alerta sobre a urgência da preservação do patrimônio urbano, mesmo daquele que não ostenta grandiosidade, mas carrega significado.
Que sua memória inspire políticas públicas mais sensíveis, cidadãos mais atentos e arquitetos mais comprometidos com a continuidade da história nas ruas que habitamos.
“Demolir é fácil. Preservar é lembrar quem somos.”
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