Denominação inicial: Projéto de casa para o Snr. Inácio Szezepanski
Denominação atual:
Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Residência de Pequeno Porte
Endereço: Rua Benjamim Constant esquina com a Rua Mariano Torres
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 102,00 m²
Área Total: 102,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Madeira
Data do Projeto Arquitetônico: 13/09/1934
Alvará de Construção: N° 751/1934
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de casa para residência e comércio e Alvará de Construção.
Situação em 2012: Demolido
Imagens
1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Alvará de Construção.
Referências:
1 - CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto de casa para o Snr. Inácio Szezepanski. Planta do pavimento térreo, fachada frontal , corte,
implantação e fossa séptica apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
2 - Alvará n.º 751
1 – Projeto Arquitetônico.
2 - Alvará de Construção.
2 - Alvará de Construção.
2 - Alvará de Construção.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.
A Casa de Inácio Szezepanski: Um Retrato da Vida Urbana em Curitiba na Década de 1930
Em uma esquina movimentada do centro de Curitiba, ergueu-se por décadas uma modesta casa de madeira que abrigava, sob o mesmo telhado, lar e ofício — um modelo de sobrevivência e dignidade típico da classe média urbana paranaense. Hoje, só restam seu projeto e seu alvará, guardados como testemunhos silenciosos de um tempo que já não existe.
Um Projeto de Vida em Meio à Cidade
No dia 13 de setembro de 1934, foi registrado o projeto arquitetônico de uma casa destinada a Inácio Szezepanski, um cidadão cujo nome sugere raízes polonesas — comum entre os imigrantes que ajudaram a moldar o tecido social de Curitiba nas primeiras décadas do século XX. O edifício, localizado na esquina da Rua Benjamin Constant com a Rua Mariano Torres, zona central da capital paranaense, foi concebido para cumprir dupla função: residência e comércio.
Tratava-se de uma construção térrea (um único pavimento), com 102 m² de área total, erguida inteiramente em madeira — material abundante, acessível e amplamente utilizado na arquitetura popular curitibana até meados do século XX. A planta, conservada em microfilme digitalizado, incluía não apenas o layout do pavimento térreo, mas também fachada frontal, corte arquitetônico, implantação no terreno e até projeto de fossa séptica, demonstrando uma preocupação técnica notável para uma edificação de pequeno porte.
O alvará de construção, de número 751/1934, foi emitido pelas autoridades municipais, autorizando a edificação conforme as normas urbanísticas da época. O documento, hoje raro, é um elo valioso com a burocracia cotidiana que regulava o crescimento da cidade.
Arquitetura do Cotidiano
Diferentemente dos palacetes ou edifícios públicos que costumam atrair a atenção da história oficial, a casa de Inácio Szezepanski representa o que poderíamos chamar de “arquitetura do cotidiano” — aquela que abriga vidas comuns, mas essenciais à formação de uma comunidade.
Sua localização estratégica — em uma esquina de ruas importantes, próximas à Praça Tiradentes e ao comércio central — sugere que o comércio ali instalado (talvez uma mercearia, uma oficina ou um pequeno armazém) era parte fundamental da subsistência da família. Enquanto a frente da casa voltava-se para o público, os fundos certamente abrigavam os espaços íntimos: cozinha, quartos, quintal — o universo doméstico de uma família da classe trabalhadora ou pequeno comércio.
A escolha da madeira como material principal não era apenas econômica. Era também cultural: muitos imigrantes europeus traziam consigo técnicas construtivas em madeira, adaptando-as às condições locais. Esse saber-fazer, transmitido de geração em geração, moldou boa parte da paisagem residencial de Curitiba até as décadas de 1950 e 1960.
O Fim de uma Era
Por mais de setenta anos, a casa de Inácio Szezepanski testemunhou as transformações do centro de Curitiba: a urbanização acelerada, a substituição do bonde pelo ônibus, a verticalização do comércio, a migração das famílias para os bairros periféricos. Em algum momento do século XX, o próprio Inácio ou seus herdeiros deixaram de habitar o local, mas o prédio provavelmente continuou em uso — como depósito, escritório ou pequeno comércio.
Em 2012, a edificação foi demolida. Nenhum registro fotográfico conhecido mostra sua aparência final. Não há placa, memorial ou menção no local. Apenas duas imagens históricas resistem ao tempo: o projeto original e o alvará de construção, atualmente preservados em arquivos técnicos e mencionados por Eduardo Fernando Chaves em seus registros de projetos arquitetônicos da era pré-modernista em Curitiba.
Legado de um Nome Esquecido
Inácio Szezepanski pode ter sido um homem comum, mas sua casa era um microcosmo do desenvolvimento urbano paranaense. Ela representava a mistura entre vida privada e atividade econômica, típica das cidades latino-americanas antes da segregação rígida entre funções urbanas. Era um espaço onde se morava, trabalhava, criava filhos e construía comunidade — valores que, hoje, parecem distantes em meio ao concreto e ao vidro das metrópoles contemporâneas.
A demolição de sua casa não apaga apenas tijolos e tábuas; apaga uma forma de viver a cidade — mais humana, mais integrada, mais orgânica.
Conclusão: Memória em Forma de Planta
Embora o edifício físico não mais exista, seu projeto arquitetônico permanece como um documento de imenso valor histórico. Ele nos permite imaginar não apenas paredes e telhados, mas vidas, rotinas, sonhos e lutas de quem ali habitou.
A casa de Inácio Szezepanski é um lembrete de que nem todo patrimônio precisa ser monumental para ser importante. Às vezes, basta uma planta bem desenhada, um alvará assinado e a vontade de um homem de construir seu canto no mundo.
“Nas ruas de Curitiba, muitas histórias foram escritas em madeira. Algumas, infelizmente, foram apagadas sem sequer serem lidas.”
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