Rachele (Raquel) Tanadini Raquel (Rachele (Raquel) Tanadini) Nascida a 28 de março de 1877 (quarta-feira) - Acquanegra sul Chiese, Mantova, Lombardia, Itália Falecida a 10 de março de 1965 (quarta-feira) - Rua Carlos Pradi, 586, Jardim das Américas, Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 87 anos Enterrada a 11 de março de 1965 (quinta-feira) - Cemitério São Francisco de Paula, Curitiba, Paraná, Brasil
Rachele (Raquel) Tanadini: Uma Vida de Raízes Italianas, Lutas Brasileiras e Legado de Família
Por entre os campos de trigo da Lombardia e as ruas de pedra de Curitiba, uma mulher escreveu sua história com coragem, fé e amor incondicional à família.
Nascimento nas Terras da Esperança
No dia 28 de março de 1877, uma quarta-feira ainda fria do final do inverno europeu, Rachele Tanadini — mais tarde conhecida como Raquel — veio ao mundo em Acquanegra sul Chiese, uma pequena comuna da província de Mântua, na região da Lombardia, no norte da Itália. Filha de Luigi (Luiz) Tanadini, nascido em 1841, e Tersilla Cecilia Tomaselli, nascida em 1849, Rachele era a quarta filha de uma numerosa prole que, ao longo das décadas, se espalharia por continentes.
Seu nome — Rachele — evoca a personagem bíblica Raquel, símbolo de beleza, dor e maternidade longamente esperada. E talvez tenha sido um presságio: sua vida seria marcada por grandes perdas, renovações e uma maternidade que se estenderia por décadas.
Durante muito tempo, a família acreditou no encanto de uma lenda contada por ela mesma: que havia nascido no mar, entre as ondas do Atlântico, quando sua família emigrava para o Brasil. Era uma história poética, cheia de simbolismo — como se já tivesse sido marcada desde o berço pela travessia, pela busca por um novo lar. Contudo, em agosto de 2015, documentos do Arquivo do Estado de Mântua, no Comune di Acquanegra sul Chiese, confirmaram que seu nascimento ocorreu em solo italiano. Mesmo assim, a história do nascimento “no navio” permanece como um testemunho simbólico: Rachele era, desde o princípio, uma filha da travessia.
Infância em Movimento: Da Lombardia ao Paraná
A família Tanadini, como tantas outras italianas do final do século XIX, embarcou em busca de uma vida melhor nas terras do sul do Brasil. Ainda menina — aos dois anos de idade —, Rachele cruzou o oceano com seus pais e irmãos, desembarcando em Paranaguá, no litoral do Paraná, e instalando-se inicialmente em Morretes, onde nasceu seu irmão Manoel Maneco Tanadini em 1879.
A infância de Rachele foi moldada pela dureza do pioneirismo, mas também pela solidez de laços familiares profundos. Cresceu em meio a irmãos — Palmira, Alberto Luiz, Maneco, Ernesto, Maria Rosa, Luiza, e os pequenos Francisco, cuja vida foi breve — testemunhando tanto a alegria do crescimento quanto a dor precoce da perda. Aos 11 anos, viu morrer seu irmãozinho Francisco, recém-nascido em 1888, deixando uma marca silenciosa em seu coração de criança.
A família, profundamente católica, batizava todos os filhos na Catedral de Curitiba ou em igrejas locais, mantendo viva a fé trazida da Itália. Os registros paroquiais de Curitiba guardam as assinaturas de seus batismos — inclusive o de Rachele, embora tardio —, como que selando sua pertença a uma comunidade em formação.
Casamentos, Escolhas e Maternidade
Aos 19 anos, em 1º de agosto de 1896, Rachele contraiu núpcias com Moyses Pereira Ferraz, um homem de origem brasileira, em Curitiba. Pouco se sabe sobre esse casamento, exceto que não prosperou. Em 1904, separaram-se, e Rachele seguiu seu caminho com dignidade, em uma época em que a separação era rara e muitas vezes estigmatizada.
Seis anos depois, em 1912, aos 35 anos, decidiu recomeçar. Casou-se com José Peixoto de Mattos, um homem de Curitiba, com quem teria cinco filhos:
- José Domingos Peixoto (1905–1963) — nascido antes do casamento, mas acolhido como filho legítimo no lar dos Peixoto;
- Napoleão Peixoto de Mattos;
- Ervaldo Peixoto de Mattos;
- Oscar Peixoto de Mattos;
- e um filho natimorto, cujo nome não foi registrado, mas cuja ausência permaneceu como uma cicatriz silenciosa.
José Peixoto de Mattos faleceu em 1929, aos 54 anos, vítima de uma “enfermidade” — provavelmente tuberculose ou alguma das doenças comuns à época. Viúva aos 52 anos, Rachele assumiu sozinha a criação dos filhos, mantendo a casa, os valores e a memória do marido.
Lutos e Resistência
A vida de Rachele foi marcada por lutos sucessivos, como se o destino a testasse constantemente:
- Em 1910, perdeu seu pai, Luigi Tanadini, vítima de um derrame em Curitiba.
- Em 1924, seu irmão Ernesto faleceu de alcoolismo crônico — uma tragédia comum em tempos de solidão e adaptação.
- Em 1927, outro irmão, Francisco, morreu em Rio Negro, no interior do Paraná.
- Em 1932, sua mãe Tersilla, com 83 anos, partiu em Piraquara, encerrando a geração imigrante da família.
- Em 1946, faleceu Alberto Luiz, seu irmão mais próximo em idade.
- Em 1962, em rápida sucessão, perdeu Palmira, sua irmã mais velha, e Maneco, seu querido irmão de infância em Morretes.
- Em 1963, seu filho mais velho, José Domingos, partiu — um golpe duro para uma mãe de 86 anos.
Mesmo assim, Rachele permaneceu de pé. Sua casa, na Rua Carlos Pradi, 586, no Jardim das Américas, em Curitiba, era um ponto de encontro, um refúgio, um santuário de memórias. Ali, ela acolhia netos, sobrinhos, vizinhos. Ali, contava histórias — sobre a Itália, sobre o navio, sobre os irmãos que nunca voltaram.
Últimos Anos e Legado Eterno
Rachele Tanadini viveu até os 87 anos, falecendo em 10 de março de 1965, uma quarta-feira — exatamente como nascera, 88 anos antes. A causa foi câncer, mas quem a conhecia sabia: seu corpo cansou, mas seu espírito jamais se rendeu.
Foi sepultada no dia seguinte, 11 de março, no Cemitério São Francisco de Paula, em Curitiba, no Lote 103A, Quadra 0010, Quarto 3 — um local simples, como sua vida, mas carregado de significado para quem a amou.
Sua neta Líbia, filha de um de seus filhos, cresceu ouvindo suas histórias. Foi por meio dela que a memória de Rachele foi preservada — não apenas em árvores genealógicas ou certidões, mas em vozes, ensinamentos, gestos de carinho e valores transmitidos de geração em geração.
Conclusão: A Força Silenciosa de uma Matriarca
Rachele (Raquel) Tanadini não foi uma figura pública. Nunca ocupou cargos, não escreveu livros, não deu discursos. Mas foi uma das verdadeiras construtoras do Paraná — uma imigrante que plantou raízes profundas em terra estrangeira, que soube amar mesmo diante da dor, que criou, perdoou e seguiu em frente.
Sua vida é um testemunho da imigração italiana no Brasil, da força das mulheres do século XX, da beleza silenciosa da maternidade em tempos difíceis. É uma história que não termina com sua morte — ela vive nos olhos dos netos, nas ruas de Curitiba, nos nomes que carregam “Tanadini” e “Peixoto”, e na memória coletiva de uma família que, graças a ela, permanece unida.
“Nasci na Itália, mas minha alma floresceu no Brasil.”
— Rachele Tanadini (em espírito)
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Pais
Luigi (Luis) Luiz Tanadini (Tenedini, Tenadini) 1841-1910- Tersilla Cecilia Tomaselli 1849-1932
Casamento(s) e filho(s)
- Casada (1 de ago de 1896), Curitiba, Paraná, Brasil, com Moyses Pereira Ferraz 1868- , separados
- Casada em 1912, Curitiba, Parana, Brasil, com José Peixoto de Mattos 1875-1929 tiveram
Irmãos
Armilia Barbara Palmira Emilia / Palmira Tanadini 1871-1962
Abele Federico (Alberto Luiz) Alberto Luiz Tanadini 1873-1946
Rachele Lucia Tanadini 1874-1876
Rachele (Raquel) Raquel Tanadini 1877-1965
Manoel Maneco Tanadini 1879-1962
Ernesto Tanadini ca 1880-1924
Maria Rosa Rosinha Tanadini 1883-1971
Luiza Pasquina Tanadini 1887-1963
Francisco Tanadini 1888-1888
Francisco Tanadini 1891-1927
| (esconder) |
Acontecimentos
| 28 de março de 1877 : | Nascimento - Acquanegra sul Chiese, Mantova, Lombardia, Itália Conforme documento encontrado no Arquivo do Estado de Mantova. Minha Avó Rachele sempre contava histórias para minha Mãe Libia, e uma dessas histórias era que tinha nascido no Navio quando vinham da Itália. Como não tínhamos nenhum documento dela, não havia como comprovar a veracidade do fato. |
| (1 de ago de 1896) : | Casamento (com Moyses Pereira Ferraz) - Curitiba, Paraná, Brasil |
| 1904 : | Separação (com Moyses Pereira Ferraz) - Curitiba, Paraná |
| 1912 : | Casamento (com José Peixoto de Mattos) - Curitiba, Parana, Brasil |
| 10 de março de 1965 : | Morte - Rua Carlos Pradi, 586, Jardim das Américas, Curitiba, Paraná, Brasil Causa : Câncer |
| 11 de março de 1965 : | Enterro - Cemitério São Francisco de Paula, Curitiba, Paraná, Brasil |
Árvore genealógica (visão geral)
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Nascimento
Conforme documento encontrado no Arquivo do Estado de Mantova.
Minha Avó Rachele sempre contava histórias para minha Mãe Libia, e uma dessas histórias era que tinha nascido no Navio quando vinham da Itália. Como não tínhamos nenhum documento dela, não havia como comprovar a veracidade do fato.
Quando, em Agosto/2015, pesquisando no site do Family Search, encontramos a digitalização do seu Atti Di Nascita, no livro de registros da Provincia de Mantova, Comune de Acquanegra Sul Chiese.
Nascimento de um irmão
Nascimento de um irmão
Morte da avó paterna
Nascimento de uma irmã
Batismo folha 101, livro Suplementar de Batismo. Catedral Metropolitana de Curitiba.
Nascimento de uma irmã
Nascimento de um irmão
Morte de um irmão
Nascimento de um irmão
Morte da avó materna
Separação
Nascimento de um filho
Morte do pai
Causa : Derrame
Certidão de óbito Nº 17109
Casamento
Morte de um irmão
Morte de um irmão
Morte do cônjuge
Morte da mãe
Morte de um irmão
Morte de uma irmã
Morte de um irmão
Morte de uma irmã
Morte de um filho
Morte
Enterro
Antepassados de Rachele (Raquel) Raquel Tanadini
| Antonio Tomaselli | Catterina Pirotti | Antonio Crescini | Cattarina Guarnieri | Federico Bottoli | Innocente Cattani | ||||||||||
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| Giuseppe Tomaselli 1785- | Domenica Crescini 1787- | Andrea Bottoli 1763- | Barbara Cattani | ||||||||||||
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| Francesco Tanadini † | Catterina Andreis ca 1803-1880 | Pietro Antonio Tomaselli 1810-?1874 | Pasqua Bottoli 1815-1899 | ||||||||||||
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| Luigi (Luis) Luiz Tanadini (Tenedini, Tenadini) 1841-1910 | Tersilla Cecilia Tomaselli 1849-1932
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Rachele (Raquel) Raquel Tanadini 1877-1965
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