Denominação inicial: Arquidiocese de Curityba - Igreja do Cristo Rei
Denominação atual: Igreja do Cristo Rei
Categoria (Uso): Instituição Religiosa
Subcategoria:
Endereço: Rua Goethe esquina Rua Guarany
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 438,00 m²
Área Total: 438,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico: 09/12/1936 e 10/01/1938
Alvará de Construção: N° 2336/1936 e 3076/1938
Descrição: Projetos Arquitetônicos para construção de uma Igreja e um salão de festas, Alvarás de Construção e fotografias do imóvel.
Situação em 2012: Demolido
Imagens
1 - Projeto Arquitetônico da igreja.
2 - Alvará de Construção da igreja.
3 – Projeto Arquitetônico do Salão de Festas.
4 – Alvará de Construção do Salão.
5 – Fotografia da Igreja em construção. s/d.
6 – Fotografia da Igreja construída. s/d.
7 –Fotografia do Interior da igreja em 05-12-1937.
Referências:
1 - CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto para a Igreja Provisória do Christo Rei. Cajurú. Curitiba. Planta - baixa do piso, fachadas principal e lateral esquerda, corte A-B e implantação, representados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
2 - Alvará n.º 2336
3 - CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto para construção de Galpão de Madeira. Salão de Festas. Planta - baixa do piso, fachada voltada para a Rua Guarany, cortes A-B e C-D e implantação, representados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
4 - Alvará nº 3076
5, 6 e 7 - Fotografias da Igreja Cristo Rei. Coleção de Nestor Gastão Poplade.
1 - Projeto Arquitetônico da igreja.
2 - Alvará de Construção da igreja.
2 - Alvará de Construção da igreja.
3 – Projeto Arquitetônico do Salão de Festas.
4 – Alvará de Construção do Salão.
4 – Alvará de Construção do Salão.
5 – Fotografia da Igreja em construção. s/d.
6 – Fotografia da Igreja construída. s/d.
7 –Fotografia do Interior da igreja em 05-12- 1937.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba; Nestor Gastão Poplade.
Igreja do Cristo Rei (1936–2012): Um Legado Efêmero de Fé e Arquitetura em Curitiba
“Nem toda igreja precisa ser catedral para tocar o céu.”
Em um canto discreto do bairro Cajuru, na confluência da Rua Goethe com a Rua Guarany, ergueu-se, por mais de sete décadas, um modesto templo católico que, embora efêmero em sua existência física, marcou profundamente a vida espiritual e comunitária de uma geração curitibana: a Igreja do Cristo Rei — originalmente vinculada à Arquidiocese de Curityba, como era grafada na época.
Origens e Propósito: Uma Igreja Provisória com Missão Permanente
A história da Igreja do Cristo Rei começa em 9 de dezembro de 1936, quando o arquiteto Eduardo Fernando Chaves registrou o projeto arquitetônico de uma “Igreja Provisória do Christo Rei”. Apesar do adjetivo “provisória”, o projeto revelava um cuidado surpreendente: planta baixa clara, fachada principal imponente para os padrões locais, cortes técnicos detalhados e uma implantação pensada para integrar-se ao tecido urbano emergente do Cajuru.
Construída em alvenaria de tijolos, com apenas um pavimento e 438 m² de área total, a igreja era modesta em escala, mas rica em simbolismo. Erguida sob o alvará nº 2336/1936, sua construção foi acompanhada de perto pela comunidade local, ansiosa por um espaço de oração, acolhimento e celebração. Ainda em 5 de dezembro de 1937, menos de um ano após o início das obras, fotografias registravam já o interior consagrado: altares simples, bancos de madeira, vitrais ainda por instalar — mas repleto da presença viva dos fiéis.
Pouco depois, em 10 de janeiro de 1938, Chaves assinaria um segundo projeto: o Salão de Festas, inicialmente concebido como um “galpão de madeira”, mas executado com funcionalidade e carinho. Com alvará nº 3076/1938, o salão tornou-se o coração social da paróquia: local de festas juninas, batizados, reuniões de pastoral, aulas de catecismo e até comemorações de aniversário. Era ali, tanto quanto no templo, que a fé se fazia comunidade.
Arquitetura e Simbolismo: Simplicidade com Dignidade
A Igreja do Cristo Rei não buscava grandiosidade barroca ou modernismo revolucionário. Sua beleza residia na clareza funcional e na intencionalidade espiritual. A fachada voltada para a Rua Goethe trazia os elementos clássicos do imaginário católico: uma torre central modesta (possivelmente para um sino), portal principal em arco, e proporções equilibradas que convidavam ao recolhimento.
Internamente, o espaço único — sem colunas intermediárias — permitia que todos os fiéis vissem o altar, reforçando a ideia de assembleia reunida em torno do Corpo de Cristo. A iluminação natural, filtrada por janelas laterais, criava um jogo de luz e sombra que marcava o ritmo das horas litúrgicas.
Toda a construção — igreja e salão — era fruto de doações, mutirões e trabalho voluntário, típico das comunidades católicas do interior e periferias urbanas do Brasil do século XX. Cada tijolo carregava não apenas argamassa, mas promessas, gratidões e súplicas.
O Desaparecimento: Entre a Memória e o Esquecimento
Apesar de seu papel vital por décadas, a Igreja do Cristo Rei foi demolida em ou antes de 2012. Nenhuma placa, nenhuma réplica, nenhum memorial público marca hoje o local onde ela existiu. As ruas — Goethe e Guarany — seguem seu curso, agora circundadas por edifícios residenciais, comércios e o ritmo acelerado de uma capital em expansão.
Sua ausência física é um silêncio eloquente. Mas não está totalmente perdida. Graças à preservação de documentos no acervo histórico de Curitiba — especialmente nos microfilmes digitalizados e na Coleção de Nestor Gastão Poplade —, ainda é possível contemplar:
- O projeto original da igreja, com suas linhas precisas e alma devota;
- O alvará de construção, testemunho burocrático de uma fé institucionalizada;
- A fotografia do interior em 1937, onde se vê o altar coberto por um véu branco, talvez para uma primeira missa solene;
- E, acima de tudo, o rosto anônimo dos construtores — operários, padres, mães de família — que ergueram não apenas um edifício, mas um abrigo para a esperança.
Legado: O que Resta Quando o Templo Cai?
A Igreja do Cristo Rei nunca foi uma catedral, nem abrigou relíquias milagrosas. Mas foi, por mais de 70 anos, lugar de primeiro choro batismal, de última bênção fúnebre, de casamentos humildes e promessas silenciosas. Sua demolição levanta uma questão urgente: como preservamos a memória dos espaços de fé comunitária, quando não são monumentos, mas simples testemunhos de vida?
Seu nome, felizmente, resiste. E talvez, em algum arquivo, em alguma fotografia amarelada, ou na lembrança de um antigo morador do Cajuru, ainda se ouça o eco do sino que ali tocou — não de metal, mas de oração.
Que a história da Igreja do Cristo Rei sirva como chamado à memória afetiva e à valorização dos pequenos santuários que, embora invisíveis nos guias turísticos, foram — e são — pilares invisíveis da alma de uma cidade.
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