Moacyr (Aymoré) do Espirito Santo Nascido a 13 de fevereiro de 1903 (sexta-feira) - Tibagy, Paraná, Brasil Falecido a 24 de dezembro de 1990 (segunda-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 87
anos Contador
Moacyr (Aymoré) do Espírito Santo – Um Homem de Valores, Filho da Terra Paranaense
Por entre as montanhas e vales do interior do Paraná, onde o vento carrega o sussurro dos antigos e o chão guarda as memórias dos pioneiros, nasceu, em 13 de fevereiro de 1903, uma alma forte, sensível e profundamente enraizada na família: Moacyr do Espírito Santo, mais tarde conhecido por seu nome indígena espiritual, Aymoré — “o grande guerreiro” em língua tupi-guarani. Sua vida, de quase nove décadas, foi entrelaçada por perdas precoces, responsabilidades familiares, dedicação profissional e laços afetivos que marcaram gerações.
Raízes e Infância em Tibagy
Moacyr veio ao mundo numa sexta-feira, sob o céu de Tibagy, município ainda incipiente nas primeiras décadas do século XX. Filho de Joaquim Floriano do Espírito Santo (1866–1907) e Julianna Grein (1877–1928), herdou do pai o senso de justiça e da mãe a ternura e a força silenciosa típica das mulheres da região Sul.
Sua infância foi marcada pela simplicidade rural, mas também por uma tragédia que marcaria para sempre a família: aos apenas quatro anos de idade, Moacyr testemunhou a morte violenta de seu pai, Joaquim Floriano, assassinado em 21 de julho de 1907 na própria casa do capitão Pedro Taques, em Tibagy. O crime, cercado de mistérios e rivalidades da época, deixou Julianna viúva com seis filhos — três meninas e três meninos — e uma gravidez em curso, que resultaria no nascimento de Justa Zoé Taques, filha póstuma de Joaquim com outra mulher, Izaura Taques.
Apesar do luto precoce, a família permaneceu unida. Julianna, então com 30 anos, assumiu o papel de provedora e baluarte moral, educando seus filhos com rigor e amor. Moacyr cresceu cercado por irmãs mais velhas — Iracema e Jacy Grein — e irmãos — Kannitar (Ubirajara), Lyguaru (Tupinambá) e o caçula José (Manoel Tarajahy), que, infelizmente, faleceu com apenas um ano de idade, em 1905, vítima de bronquite aguda, durante uma breve estadia em Castro.
Uma Juventude Entre Perdas e Esperanças
A adolescência de Moacyr foi pontuada por mais uma dor: em 1917, com apenas 14 anos, perdeu sua irmã Jacy Grein, com quem provavelmente compartilhava brincadeiras e confidências. A moça, casada ainda jovem com Gastão Pereira Marques, faleceu em Curitiba, deixando um vácuo na casa que já sentia o peso da ausência paterna.
Apesar das adversidades, Moacyr demonstrou desde cedo aptidão para os estudos e inclinação para a ordem e a exatidão — qualidades que o guiariam até a profissão de contador, uma das mais respeitadas e fundamentais naquele período de formação do Brasil moderno.
Casamentos, Família e Vida Afetiva
Moacyr escolheu Curitiba como lar definitivo. Foi lá que, em 9 de junho de 1925, aos 22 anos, contraiu matrimônio com Rosa Gomes de Sá, uma jovem de 18 anos, nascida em 1907. O casal construiu juntos uma vida sólida e frutífera, tendo duas filhas:
- Jacy Therezinha do Espírito Santo
- Rachel do Espírito Santo
As meninas cresceram em um ambiente marcado por valores tradicionais, disciplina, mas também por afeto. Moacyr, mesmo dedicado à carreira, era um pai presente, preocupado com a educação e o futuro das filhas.
Contudo, como muitos relacionamentos da época, o casamento enfrentou dificuldades. Em 19 de setembro de 1950, após 25 anos de união, Moacyr e Rosa optaram pelo desquite, uma separação reconhecida legalmente na época, embora o divórcio só fosse formalmente registrado três décadas depois, em 3 de julho de 1980, já sob a nova legislação brasileira que permitia o divórcio civil.
Após o fim do matrimônio com Rosa, Moacyr seguiu sua vida ao lado de Nair Loyola de Camargo, com quem manteve uma união duradoura, ainda que os registros oficiais não detalhem a data exata do casamento. Nair, nascida em 1904, foi sua companheira nos últimos anos, oferecendo-lhe apoio e companhia em sua velhice.
Rosa Gomes de Sá faleceu em 11 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro, aos 80 anos. Moacyr sobreviveu à ex-esposa por pouco mais de três anos.
Irmãos: Laços de Sangue e Histórias Paralelas
Moacyr cresceu em meio a uma irmandade numerosa, cada um com seu caminho, mas todos unidos pelas raízes:
- Iracema do Espírito Santo (1893–1985): a mais velha, viveu até os 92 anos, testemunhando quase todo o século XX. Morreu em Curitiba, onde passou grande parte da vida.
- Jacy Grein do Espírito Santo (1896–1917): faleceu jovem, deixando um legado breve, mas doloroso para a família.
- Kannitar (Ubirajara) do Espírito Santo (1898–1994): viveu até os 96 anos, casou-se duas vezes e teve uma longa trajetória, inclusive em Porto Alegre.
- Lyguaru (Tupinambá) do Espírito Santo (1900–1985): casou-se com Alzira Langer Rodrigues em 1925 e faleceu em Curitiba, poucos meses antes de Iracema.
- José (Manoel Tarajahy) do Espírito Santo (1904–1905): o irmão caçula, cuja vida foi interrompida antes mesmo de aprender a andar.
Além deles, Moacyr teve uma meia-irmã, Justa Zoé Taques, nascida em setembro de 1907, fruto do relacionamento de seu pai com Izaura Taques. Embora nascida após a morte de Joaquim, Justa foi integrada à narrativa familiar, representando a complexidade das relações humanas naquele tempo.
Últimos Anos e Legado
Moacyr viveu com dignidade até o fim. Aos 87 anos, em 24 de dezembro de 1990 — véspera de Natal, data simbólica de renovação e recomeço — faleceu em Curitiba, encerrando uma jornada que atravessou dois séculos, guerras mundiais, transformações sociais e profundas mudanças no Brasil.
Seu nome, Moacyr, é de origem tupi e significa “aquele que é amado”. Já Aymoré, nome que adotou espiritual ou simbolicamente, remete ao povo Aimoré, conhecido pela bravura e ligação com a terra. Talvez Moacyr tenha escolhido esse apelido como forma de afirmar sua identidade paranaense, sua coragem diante das perdas e seu amor pela família.
Como contador, foi um homem de precisão, mas como pai, irmão e filho, foi um homem de coração. Sua história não está nos livros de história oficial, mas vive nas memórias de netos, sobrinhos e descendentes que carregam seu nome, seus ensinamentos e, sobretudo, o exemplo de resiliência.
Em Memória
Moacyr (Aymoré) do Espírito Santo foi mais do que um contador. Foi um guardião da memória familiar, um filho do Paraná e um homem que, mesmo diante das tempestades da vida, manteve a compostura, o amor e a esperança.
Seu túmulo repousa em Curitiba, ao lado de tantos que amou e perdeu — mas seu legado permanece vivo, ecoando nas raízes de uma árvore genealógica que continua a florescer.
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- Nascido a 13 de fevereiro de 1903 (sexta-feira) - Tibagy, Paraná, Brasil
- Falecido a 24 de dezembro de 1990 (segunda-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 87 anos
- Contador
Pais
Joaquim Floriano do Espirito Santo 1866-1907
Julianna Grein 1877-1928
Casamento(s) e filho(s)
- Casado a 9 de junho de 1925 (terça-feira), Curitiba, Paraná, Brasil, com Rosa Gomes de Sá 1907-1987 tiveram
- Casado, Curitiba, Paraná, Brasil, com Nair Loyola de Camargo 1904-
Irmãos
Iracema do Espirito Santo 1893-1985
Jacy Grein do Espirito Santo 1896-1917
Kannitar (Ubirajara) Do Espirito Santo 1898-1994
Lyguaru (Tupinambá) Do Espirito Santo 1900-1985
Moacyr (Aymoré) do Espirito Santo 1903-1990
José (Manoel Tarajahy) do Espirito Santo 1904-1905
Meios irmãos e meias irmãs
Pelo lado de Joaquim Floriano do Espirito Santo 1866-1907 |
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Notas de casamento
União com Rosa Gomes de Sá
Fontes
- Pessoa: Árvore Genealógica do FamilySearch - <p><p>Moacyr Aymoré do Espírito Santo<br />Gênero: Masculino<br />Nascimento: 13 de fev de 1903 - Tibagi, Paraná, Brasil<br />Casamento: Cônjuge: Rosa Gomes de Sá - 9 de jun de 1925 - Curitiba, Paraná, Brasil<br />Morte: 24 de dez de 1990 - Curitiba, Paraná, Brasil<br />Pais: Joaquim Floriano do Espirito Santo, Juliana do Espirito Santo (nascida Grein)<br />Cônjuges: Rosa do Espírito Santo (nascida Gomes de Sá), Nair do Espírito Santo (nascida Camargo)<br />Filha: Jacy Therezinha do Espírito Santo<br />Irmãos: Iracema do Espirito Santo, Jacy Pereira Marques (nascida do Espirito Santo), Kannitar Ubirajara do Espirito Santo, Liguarú Espírito Santo, José (Tarajahy) do Espirito Santo, Nelson do Espirito Santo</p></p> - Record - 40001:1426997206:
Árvore genealógica (visão geral)
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Nascimento
Nascimento de um irmão
Morte de um irmão
Morte do pai
Cause: Assassinado
Nascimento de uma meia-irmã
Morte do avô materno
Casamento de uma irmã
Morte de uma irmã
Casamento de um irmão
Casamento de um irmão
Casamento
Desquite em 19 de Setembro de 1.950 - Divórcio em 03 de Julho de 1.980 (Tudo em Curitiba, Paraná. Brasil).
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