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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O Esplendor de Amber: A Joia Rajapute nas Colinas do Rajastão

 


Amber Fort
Apresentação
Tipopalácio
fortaleza
Parte deFortes nas Colinas do Rajastão
Fundação
Material
Estatuto patrimonialState Protected Monument (d)
parte do Património Mundial (d) ()Visualizar e editar dados no Wikidata
Websitewww.tourism.rajasthan.gov.in/amber-palace.html
Logotipo do Patrimônio Mundial Património mundial
Identificador247rev-005
Localização
LocalizaçãoRajastão
 Índia
Banhado porMaota Lake (en)
Coordenadas

O Forte de Amber, também conhecido como Forte de Amer, é uma fortaleza histórica localizada na cidade de Amber, Índia. Localizado 7 km ao norte de Jaipur, no estado do Rajastão, é conhecido por seu estilo único, misturando a cultura muçulmana com a hindu. Foi declarado como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), no ano de 2013, inserido no conjunto de Fortes nas Colinas do Rajastão.[1][2][3]

História

No século XI, Kakildev, governante Kachchwaha, começou a construção das muralhas para a proteção da cidade de Amber. Entre 1179 e 1216, o governante Rajdev, descendente de Kakildev, transformou a cidade em capital do Reino de Kachchwaha.[2]

Por volta de 1592, o governante Raja Bharmal deu início à construção dos palácios residenciais. Devido à aliança política entre os Kachchwaha Rajapute e o Império Mogol, os palácios de Amber seguiram os moldes de palácios e fortes Mogol, com algumas adaptações.[2]

Com a mudança da capital para Jaipur em 1728, a fortaleza ficou quase deserta, servindo de estadia para os governantes durante o festival religioso de Navaratri. Durante o reinado de Raja Madho Singh II, em 1818, a estadia nos palácios de Amber foi descontinuada.[2]

Em 1968, a fortaleza foi declarada monumento protegido pelo Departamento de Estado de Museus e Arqueologia do Rajastão. Em 2005, o complexo passou por obras de conservação e adaptação para visitas turísticas pela Autoridade de Gestão e Desenvolvimento de Amber.[2]

Arquitetura

O forte foi construído baseado no estilo Mogol, sendo o eixo norte-sul o principal. Também foi dividido por setores; o Jaleb Chowk foi destinado para a entrada e funções públicas, o Diwan-i-Am para audiências públicas, o Diwan-i-Khas para as principais funções administrativas e o Man Singh Mahal para residência. O sítio possui uma área de 30 hectares e está localizado no topo da colina Kalikho. O local foi estrategicamente escolhido por fornecer uma proteção natural à fortificação, e a aproximação com o lago Maota facilitou o abastecimento de água através de uma série de elevadores e canais. Há um túnel fortificado que interliga o Forte de Amber com o Forte Jaigarh, que era utilizado para a fuga da família real em períodos de guerra.[2][3][4]

Forte de Amber, Jaipur, c. 1858

Muralha e bastiões

Foram construídos a partir do século XI, pelos Kacchwahas, e envolvem todo o complexo da fortaleza. Como material de construção, foram utilizadas pedras brutas, pedras trabalhadas e cal.[2]

Suraj Pol

O seu nome significa Portão do Sol, e é a entrada principal da fortaleza, levando ao setor Jaleb Chowk. Foi construída entre os anos de 1622 e 1677, pelo Mirza Raja Jai Singh I e ampliada entre 1699 e 1743 por Jai Singh II. Consiste em um arco monumental pontiagudo, em estilo islâmico, com uma sala de guarda e outras câmaras. Para a construção, foi utilizada pedra assentada em argamassa de cal, rebocada e lavada com cal, e elementos decorativos em estuque e pedra.[2][4]

Jaleb Chowk

É o pátio principal. Possui 64 metros por 92 metros, ladeado por escritórios e alojamentos. Além da entrada principal (Suraj Pol), há o portão Sinh Pol, que leva ao Templo Shila Devi, dedicado a deusa Cáli, e o portão Chand Pol (Portão da Lua), que é uma entrada secundária. O Templo Shila Devi possui portas de prata trabalhada em técnica repoussé.[2][4]

Diwan–i-Am

O pátio é ladeado, ao norte, por um baradari, ao leste e oeste por conjuntos de salas, ao sul pelo Bhojanshala, que era a sala de jantar do governante e pelo portão Ganesh Pol, que dá acesso ao Diwan-i-Khas.[2]

O baradari é a edificação mais antiga do setor. Foi construído entre os anos de 1622 e 1677 por Mirza Raja Jai Singh I. Possui dois pavimentos, sendo o primeiro pavimento composto por 40 colunas com capitéis em forma de elefante. Nas colunas externas da edificação foi utilizado arenito vermelho e nas colunas internas foi utilizado mármore creme. Todas as pedras utilizadas para a construção foram importadas.[2][4]

Diwan-i-Khas

É o setor mais ornamentado da fortaleza. Foi construído entre os anos de 1622 e 1677 por Sawai Jai Singh II. No nível mais baixo e central está um grande jardim com canais e fontes de mármore. Ai leste está o Sheesh Mahal, e em seu topo foi construído o Jai Mandir (Salão da Vitória). O Jai Mandir possui formato oblongo com telhado curvilíneo, ladeado por duas câmaras com cúpulas octogonais. Suas paredes possuem painéis embutidos e o teto recebeu ornamentação espelhada. À oeste está o Sukh Niwas (Salão do Prazer), com portas feitas de sândalo e incrustada em marfim. Ao norte está o portão Ganesh Pol, e ao sul estão as portas que dão acesso ao setor Man Singh Mahal.[2][4]

Man Singh Mahal

Foi construído entre 1589 e 1614 por Raja Man Singh, a princípio para servir como seu palácio principal. No século XVII, passou a servir como zenana (aposento para mulheres). É constituído de um pátio principal, cercado por muros de 3 metros de altura e com um baradari em seu centro, o Palácio Man Singh, que é acessado através de uma rampa sinuosa e quadras ao redor do pátio principal, separados pelo muro.[2]

O palácio possui 2 pavimentos, com câmaras, galerias, varandas, muros altos e torres. Em seu interior, as câmaras foram convertidas em apartamentos para as damas reais e as câmaras menores foram convertidas em apartamentos para os servos. Os apartamentos do primeiro pavimento possuem pátios privativos e os apartamentos do segundo pavimento possuem terraços. Na galeria do pavimento superior, que interliga todos os apartamentos, é intercalada com jharokhas, e em seus cantos há pavilhões com escadas. Em um anexo, ao sul do palácio, se encontra os sanitários e locais de banho.[2]

Turismo

O complexo da fortaleza está aberto para visitação mediante pagamento e com horário restrito. Existe a possibilidade de contratar um guia ou utilizar um audioguia. Durante a noite, há um show de luzes e som. Para chegar até a entrada do forte, é possível ir a pé, em carro privado, alugado, ou com agências de turismo. Existe, também, a possibilidade de chegar ao forte montado em elefantes, mas a prática é duramente criticada devido a acusações de maus tratos aos animais.[1][4][5][6]

Galeria de fotos

Referências

  1.  «Amber Fort». Incredible India (em inglês). Ministry of Tourism. Government of India. Consultado em 6 de janeiro de 2024
  2.  Nomination of Hill Forts of Rajasthan for inclusion on World Heritage List. Archaeological Survey of India Government of India. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). (em inglês).
  3.  «Amber Fort in Jaipur». India.com (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2024
  4.  «Amber Fort». Lonely Planet (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2024
  5. «Forte Amber». Viagem e Turismo. Editora Abril. 4 de janeiro de 2012. Consultado em 6 de janeiro de 2024
  6. «Amer Fort Elephants». World Animal Protection (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2024

Bibliografia

  • Crump, Vivien; Toh, Irene (1996), Rajasthan, ISBN 1-85715-887-3 (hardback), New York: Everyman Guides, p. 400
  • Michell, George, Martinelli, Antonio (2005), The Palaces of Rajasthan, ISBN 978-0711225053, London: Frances Lincoln
  • Tillotson, G.H.R (1987), The Rajput Palaces - The Development of an Architectural Style, ISBN 03000 37384 (Hardback) (em inglês) First ed. , Yale University Press

O Esplendor de Amber: A Joia Rajapute nas Colinas do Rajastão

A apenas 7 quilômetros ao norte da agitada Jaipur, o Forte de Amber ergue-se imponentemente sobre uma colina rochosa, refletindo suas muralhas douradas e rosadas nas águas tranquilas do Lago Maota. Mais do que uma fortaleza, o complexo é uma obra-prima que sintetiza séculos de história, fusão cultural e genialidade arquitetônica, reconhecida mundialmente ao ser declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 2013 como parte do conjunto de Fortes nas Colinas do Rajastão.

Raízes Ancestrais: A Ascensão de Amber

A história de Amber remonta ao século XI, muito antes de sua vizinha moderna, Jaipur, sequer existir. Em 1037, Kakildev, governante do clã Kachchwaha, iniciou a construção das primeiras fortificações e muralhas para proteger o assentamento original, conhecido na época como Dhundhar.

Pouco tempo depois, entre 1179 e 1216, seu descendente Rajdev consolidou o poder da dinastia e transformou Amber na capital oficial do Reino de Kachchwaha. Durante séculos, o local funcionou como o centro político e militar dos marajás locais, expandindo-se gradualmente à medida que a influência do clã crescia na região.

A Aliança Mogol e a Revolução Arquitetônica

Uma grande virada na história construtiva do forte ocorreu por volta de 1592, sob a liderança de Raja Bharmal e, posteriormente, de seus sucessores. Graças a uma hábil aliança política e matrimonial estabelecida entre os rajaputes Kachchwaha e o poderoso Império Mogol, os soberanos de Amber obtiveram estabilidade e prestígio incomparáveis.

Essa proximidade com os imperadores mogóis moldou profundamente a estética do forte. Os palácios residenciais erguidos a partir de então fundiram de maneira harmoniosa a robustez da tradição militar hindu com a elegância geométrica e o refinamento dos jardins e palácios islâmicos. O resultado é um labirinto de pátios simétricos, arcos ogivais e pavilhões arejados que desafiam as convenções arquitetônicas da época.

Tesouros do Complexo Palaciano

Cruzando os portões principais — como o imponente Suraj Pol (Portão do Sol), que dá acesso ao vasto pátio principal (Jaleb Chowk) —, os visitantes deparam-se com uma sucessão de palácios e salões de deslumbrante beleza artística:

  • Sheesh Mahal (Palácio dos Espelhos): Um dos pontos mais famosos do forte. As paredes e tetos são inteiramente incrustados com milhares de pequenos espelhos convexos e vidro colorido importado da Bélgica. A engenharia do local era tão engenhosa que a chama de uma única vela, refletida nos espelhos, iluminava todo o salão simulando um céu estrelado.

  • Diwan-i-Aam (Salão de Audiências Públicas): Caracterizado por suas colunas duplas decoradas com esculturas de elefantes na base, onde o marajá ouvia as petições e queixas do povo.

  • Sukh Niwas (Palácio do Prazer): Um refúgio projetado com paredes de sândalo revestidas de marfim e canais de água corrente que funcionavam como um sistema de ar-condicionado natural para refrescar o ambiente durante o calor escaldante do deserto.

  • Temple de Shila Devi: Um santuário hindu dedicado à deusa Kali (ou Shila Devi), que abriga uma imagem sagrada trazida de Bengal pelos governantes no século XVI e que ainda hoje recebe profundas demonstrações de devoção.

O Declínio e o Renascimento Turístico

Com o crescimento da população e a necessidade de novas fontes de água, a capital do reino foi transferida para a recém-planejada cidade de Jaipur em 1728, sob o comando de Maharaja Sawai Jai Singh II. Com a mudança, o Forte de Amber perdeu seu status de centro administrativo e ficou quase deserto.

Por décadas, a fortaleza só ganhava vida periodicamente durante o festival religioso de Navaratri, quando os governantes retornavam para honrar suas divindades. A estadia regular nos palácios antigos acabou sendo totalmente descontinuada em 1818, durante o reinado de Raja Madho Singh II, mergulhando o monumento em um longo período de silêncio e abandono.

O resgate de sua glória histórica começou no século XX. Em 1968, o governo do Rajastão declarou oficialmente a fortaleza como monumento protegido pelo Departamento de Estado de Museus e Arqueologia. Mais tarde, em 2005, o complexo passou por amplas e rigorosas obras de conservação, restauro e adaptação estrutural lideradas pela Autoridade de Gestão e Desenvolvimento de Amber, preparando o terreno para que milhões de viajantes pudessem testemunhar a imponência duradoura da herança rajapute.