Mostrando postagens com marcador seculo-xviii. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador seculo-xviii. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de junho de 2026

Antigo farolete da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, sem data.

 Antigo farolete da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, sem data.



"Em 1874, atendendo a um pedido do Presidente da Província do Paraná que fora feito em 1854, a Marinha do Brasil instala uma coluna de ferro com 6,27 metros de altura (e 14,20 metros de altitude focal) para sustentar um pequeno aparelho catóptrico de luz formado por três lampiões que queimavam querosene para produzir luz branca fixa com alcance de 6 milhas em tempo claro, que foi inaugurado em 29 de julho de 1874 com o nome de Farolete da Fortaleza."

Fonte: CORRÊA, Sandra Rafaela Magalhães; MÜLHBAUER, Clarice Futuro. Planos de Conservação Número 1 - Conjunto da Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres e do Morro da Baleia - Ilha do Mel - Paranaguá - PR. Brasília, IPHAN, 2021, página 37.

#ilhadomel #ilhadomelpr #fortalezanossasenhoradosprazeres 

sábado, 30 de maio de 2026

Duas notícias de capa do jornal Correio Mercantil de 19 de março de 1865, portanto, há mais de 161 anos.

 Duas notícias de capa do jornal Correio Mercantil de 19 de março de 1865, portanto, há mais de 161 anos.



Obs. Clique na imagem para visualizar o texto completo, que é o seguinte:

No dia 26 do (mês) passado, dois meninos, filhos de Francisco Gonçalves de Gouvêa, morador da Ilha do Mel, indo banhar-se no mar, como de costume, foram envolvidos pelas ondas que arrebentavam com fúria e desapareceram. No dia seguinte, os cadáveres dos dois meninos foram arrojados à praia, porém, já bastante maltratados pelo choque das ondas.

De Cananéia escrevem para Paranaguá, em data de 28 do (mês) passado: Ontem à tarde, ouviu-se na direção de leste uma forte detonação, parecendo tiros de peças de grossos calibres, que durou até umas 10 horas da noite, prolongando-se até às 6 horas da manhã.

Não há probabilidade que sejam salvas de divertimentos por qualquer festividade, porque naquela direção ninguém pode habitar.

Na época melindrosa em que nos achamos, pode facilmente ser atacado algum vapor brasileiro que faz comunicação com Montevidéu e a corte.

Última hora — São 10 horas da manhã e ainda se houve o fogo na mesma direção; parece, porém, um pouco mais longe.

Bom será que não tenhamos que lamentar algum triste sucesso.

Fonte: Fonte: Correio Mercantil, e Instructivo, Politico, Universal - Rio de Janeiro/RJ, Domingo, 19 de março de 1865, Ano XXII, ed.78, capa.

#ilhadomel #ilhadomelpr #fortalezanossasenhoradosprazeres 

terça-feira, 26 de maio de 2026

Publicado em 27 de novembro de 1971: Há 240 anos se procura uma fortuna submersa no porto de Paranaguá, no Paraná.

 Publicado em 27 de novembro de 1971:


Há 240 anos se procura uma fortuna submersa no porto de Paranaguá, no Paraná.











AQUI ESTÁ O OURO DOS PIRATAS

Na Ponta da Cruz, a poucos metros da ilha da Cotinga, e de onde se avista a cidade e o porto de Paranaguá, cinco homens vivem sobre uma draga há dois meses. Eles procuram um tesouro. Duzentos mil cruzados, o que representa uma tonelada de ouro, e objetos de valor histórico.

Revivem assim uma aventura iniciada em 1731 quando escravos búzios mergulhavam até a morte à procura do mesmo tesouro. Os escravos foram mais felizes e sem os modernos equipamentos de mergulho conseguiram tirar do fundo do mar peças de artilharia e um cofre com 14 mil cruzados.

A mesma aventura, o sonho de riquezas, teve início e fim no dia 9 de março de 1718 quando um corsário francês, conhecido nos mares do Sul pela sua atrocidade, perseguição a um galeão espanhol que vinha de Valparaíso, no Chile, carregado de prata e que fazia escala em Paranaguá para reabastecimento. O pirata francês, cujo nome os historiadores não guardaram, vinha num grande navio — de cerca de 50 a 80 metros de comprimento — dezenas de canhões (já foram retirados 30 do fundo do mar) e uma tripulação de 200 homens. O barco corsário já vinha com considerável carga: além dos 14 mil cruzados retirados de um cofre, levava perfume, cachimbos, mantimento de rum e outras mercadorias conseguidas em saques de navios da época. Mas uma revelação mais preciosa foi descoberta recentemente e inspirou, há dois meses, um homem, Roberto de Aquino Lordy, a reiniciar as buscas, iniciadas em 1963. Lordy, nascido em 1923, é filho de um catedrático de Medicina da Universidade de São Paulo, bisneto de um conselheiro de D. Pedro II e teve uma vida cheia de aventuras: garimpou em Goiás, procurou tesouros em Minas e no interior da Bahia. Estudou mineralogia mas não terminou o curso em Belo Horizonte. Depois de pesquisar o fundo do mar da baía de Paranaguá, Lordy quando estudava documentos do século XVIII, no Museu Ultramarino, do Porto, em Portugal, encontrou cartas revelando que o corsário francês carregava duzentos mil cruzados, além do pequeno cofre retirado pelos búzios há dois séculos e meio.

Quando Roberto de Aquino Lordy começou as pesquisas na Ponta da Cruz, a 29 de junho de 1963, havia apenas algumas esperanças de se encontrar o ouro, com base na data do naufrágio e nas narrativas de escritores paranaenses. Mas documentos valiosos encontrados no Museu Ultramarino deram novas esperanças. Esses documentos, na maior parte cartas escritas pelos administradores de Paranaguá ao capitão-general da Capitania de São Paulo e deste para D. João V, comprovavam a existência de um carregamento de ouro a bordo do navio pirata naufragado.

Em 1731, por ordem do então Capitão-General Antônio da Silva Caldeira Pimentel, administrador da Capitania de São Paulo, foram feitas pesquisas com escravos búzios.

A pesquisa foi chefiada por João de Araújo e Silva, que por ordem da Capitania teria que dividir os achados com a Fazenda Real.

A ordem era de 26 de maio de 1722, mas só em 1731 é que foram começadas as buscas. Depois de um mês, encontrou-se um cofre com moedas de ouro e prata de vários países, no total de quatorze mil cruzados.

Lordy se encheu de entusiasmo ao encontrar a carta que narrava a D. João V que “por informações tiradas de pessoas que tinham andado no próprio barco, concluí que aquele não era o maior cofre, contudo o trabalho dificultado pela profundidade a que o navio se encontra e pelo lodo... têm-se tirado bastante armas e até peças de artilharia. Para a descoberta do cofre maior, estão esperançados nas marés do mês de agosto, por serem mais baixas”. Essa carta era datada de 5 de junho de 1731. Depois a correspondência cessou.

Os documentos da época revelam também o naufrágio do corsário francês. Antônio Vieira dos Santos, em Memórias Históricas da Cidade de Paranaguá e Seu Município, de 1850, descreve o corsário francês como um habitual pirata que sulcava os mares do Sul e foi atraído a Paranaguá à caça de um galeão espanhol.

Sabendo que o galeão espanhol levava considerável carga de prata, o corsário francês fundeou o seu navio na parte de fora da ilha da Cotinga. O galeão espanhol que se achava fundeado no porto da mesma ilha, percebendo a entrada do pirata que o vinha seguindo, a toda pressa levantou ferro e se refugiou no porto de Nossa Senhora, a pouca distância dali. Mas como o vento escasseasse, o navio pirata voltou a fundear na ponta da ilha, na parte de fora. O navio pirata causou pânico também à população de Paranaguá, que foi implorar a proteção da Padroeira, Nossa Senhora do Rocio. Os moradores esperavam que com o primeiro vento os piratas saqueariam a cidade “e como esta vila se achasse sem nenhuma defesa, nem o povo ainda estivesse exercitado em armas, recorreram à proteção de sua padroeira para que os defendesse daqueles piratas”, narra Antônio Vieira dos Santos. O tempo, que estava calmo, de repente escureceu e um furacão, sem dar tempo aos piratas, jogou o navio corsário de encontro a três pedras submersas, próximo do local onde estava fundeado. O navio foi logo a pique rompendo-se o seu casco. Os historiadores não citam o destino dos piratas. Foram encontradas ossadas, mas até agora somente de vacas, que eram transportadas no navio. A população de Paranaguá, cessada a fúria dos ventos, voltou a agradecer a sua santa, considerando o fenômeno como o milagre implorado. Agora, depois de dois meses de pesquisa, já foram encontrados objetos animadores: medidores de ouro em pó e compassos de navegação, dando a entender que os mergulhadores estão chegando perto do compartimento da preciosa carga. Como há muito lodo sobre o casco do navio, o trabalho desses últimos dias consiste em dragar o local.

A draga foi montada por um dos três sócios da empreitada: Hermínio Brunato Filho (proprietário de uma empresa de ônibus em Curitiba), seu cunhado José Luís Franceschi, e Roberto de Aquino Lordy. Os trabalhos estão sendo realizados também com o auxílio de Jaco Goossen, descendente de flamengos, que deixou sua pequena indústria de muros pré-fabricados em Curitiba para viver na draga, e de Bertino Henttemann, um jovem que se aventurou na procura do ouro depois de servir na EOEIG. Os pesquisadores, que se revezam no trabalho de homens-rãs, vivem praticamente na draga e contam com uma lancha e um pequeno iate para transportar a carga que vão retirando. O trabalho agora é romper o casco do navio, a 16 metros de profundidade, tirando grandes pranchas de carvalho, ainda em bom estado. Pela draga estão sendo retirados pequenos objetos como balas e pistola, em grande quantidade, vidros de perfume, pedaços de rarrafas de rum, medidores de ouro em pó, utensílios de cozinha, pedaços de armamentos, etc. Antes foram retirados 30 canhões e uma estátua de Nossa Senhora da Vitória, que foi doada à catedral de Notre Dame, de Paris. Levando vantagem sobre os mergulhadores do século XVIII, com os equipamentos de mergulho e a draga, os pesquisadores esperam em pouco tempo penetrar no navio naufragado e encontrar o cofre com uma tonelada de ouro.

Fonte: Manchete - Rio de Janeiro/RJ, 27 de novembro de 1971, ed. 1.023, páginas 143 à 147.

#ilhadomel #ilhadomelpr #paranagua #tesouro #piratas #caçaaotesouro