quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Do Sonho Educacional à Herança Urbana: A História do Instituto Santa Maria em Curitiba

 

Denominação inicial: União Brasileira de Educação e Ensino

Denominação atual: Instituto Santa Maria

Categoria (Uso): Ensino
Subcategoria: Instituição Religiosa

Endereço: Rua XV de Novembro, Rua Tibagi, Rua Conselheiro Laurindo e Rua Marechal Deodoro

Número de pavimentos: 3
Área do pavimento: 5.165,00 m²
Área Total: 5.165,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Concreto Armado

Data do Projeto Arquitetônico: 13/01/1934 a 19/10/1942

Alvará de Construção: N.º 624/1934; 1169/1935; 2950/1937; 3055/1938; 4279/1939; 5553/1941 e 5323/1942

Descrição: Projetos Arquitetônicos para aumento das instalações do Instituto Santa Maria, 7 Alvarás de Construção e fotografias do imóvel.

Situação em 2012: Parcialmente Existente


Imagens

1 – Projeto arquitetônico de um Alpendre. Alvará 624.
2 – Projeto arquitetônico de uma casa para habitação. Alvará 1169.
3, 4, 5 e 6 - Projetos arquitetônicos para Aumento do Instituto Santa Maria na face voltada para a Rua XV de Novembro. Alvará 2950.
7, 8 e 9 – Projetos arquitetônicos para aumento, com estruturas em concreto, do Instituto Santa Maria. Alvará 3055.
10, 11, 12, 13 e 14 – Projetos arquitetônicos para aumento do Instituto Santa Maria. Alvará nº 4279.
15, 16, 17 e 18 - Projetos arquitetônicos para aumento do Instituto Santa Maria. Alvará nº 5553.
19 – Projeto arquitetônico para o pavilhão da Rua Marechal Deodoro. Alvará nº 5323.
20, 21, 22, 23, 24 e 25 - Alvarás de Construção.
26 – Fotografia do Instituto Santa Maria em 1945.
27 – Fotografia do Instituto Santa Maria. s/d
28 –Fotografia do Instituto Santa Maria. Vista da Rua Tibagi. s/d.

Referências: 

1 - CHAVES, Eduardo Fernando. Planta de um Alpendre – Recreio – a construir-se no Instituto Santa Maria. Alvará 624. Planta do
pavimento térreo, elevação do muro, corte A-B e implantação representados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
2 - CHAVES, Eduardo Fernando. Localização do Instituto Santa Maria. Projeto de casa para habitação. Alvará 1169. Planta do pavimento térreo, cortes A-B e C-D, fachada e implantação representados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
3, 4, 5 e 6 – CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto de Aumento. “Instituto Santa Maria”. Rua XV de Novembro. Alvará 2950. Planta dos pavimentos térreo e superior, fachada voltada para a Rua Tibagi e implantação; plantas da capela e porão e fachada voltada para a Rua Conselheiro Laurindo; planta com corte longitudinal e planta com corte C – D, representados em quatro pranchas. Microfilme digitalizado.
7, 8 e 9 - CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto para Aumento do Prédio do Instituto Santa Maria. Alvará 3055. Planta das vigas de concreto armado para a capela; corte A-B e implantação; planta das lajes de concreto armado para a galeria, representados em três pranchas. Microfilme digitalizado.
10, 11, 12, 13, e 14 - CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto para Aumento do Prédio do Instituto Santa Maria. Rua XV de Novembro. Alvará nº 4279. Planta do corte C-D; plantas do porão, 1º e 2º pavimentos e implantação; fachada voltada para a Rua Tibagi; planta das vigas e estribos em concreto armado; fachada voltada para a Rua XV de Novembro e corte A-B, representados em cinco pranchas. Microfilme digitalizado.
15, 16, 17 e 18 - CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto para Aumento do Prédio do Instituto Santa Maria. Rua XV de Novembro. Alvará nº 5553. Planta da fachada principal voltada para a Rua XV de Novembro; planta com corte C-D; planta com corte A-B e implantação; plantas do porão, 1º e 2º pavimentos, representados em 4 pranchas. Microfilme digitalizado.
19 – CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto para Aumento do Prédio do Instituto Santa Maria. Rua XV de Novembro. Alvará nº
5323. Plantas do pavimento térreo e pavimento superior da área voltada para a Rua Marechal Deodoro representadas em uma prancha. Microfilme digitalizado.
20, 21, 22, 23, 24 e 25 - Alvarás n.º 624/1934; 1169/1935; 2950/1937; 3055/1938; 4279/1939; 5553/1941; e 5323/1942
26, 27 e 28 - Fotografias da coleção do Instituto Santa Maria.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba; Instituto Santa Maria.

Do Sonho Educacional à Herança Urbana: A História do Instituto Santa Maria em Curitiba

No coração do centro histórico de Curitiba, onde as ruas XV de Novembro, Tibagi, Conselheiro Laurindo e Marechal Deodoro se entrelaçam como veios de uma cidade viva, ergue-se — ou erguia-se em sua plenitude — um dos mais significativos complexos educacionais católicos do Paraná. Nascido como União Brasileira de Educação e Ensino, o edifício que hoje abriga o Instituto Santa Maria é testemunha silenciosa de quase um século de transformações urbanas, pedagógicas e espirituais.


Origens: Uma Visão Educacional com Raízes na Fé

Fundada sob a denominação União Brasileira de Educação e Ensino, a instituição surgiu no início da década de 1930 com uma missão clara: oferecer formação integral — intelectual, moral e religiosa — a crianças e jovens da capital paranaense. Em pouco tempo, adotou o nome de Instituto Santa Maria, em homenagem à Virgem Maria, padroeira de inúmeras obras educativas católicas no Brasil.

Localizado em um quarteirão inteiro no centro de Curitiba, o instituto foi concebido não como um simples colégio, mas como um microcosmo educativo: com salas de aula, capela, áreas de convivência, alojamentos, pátios e espaços administrativos, tudo integrado num plano arquitetônico ambicioso para a época.

O projeto foi desenvolvido por etapas entre 13 de janeiro de 1934 e 19 de outubro de 1942, sob a responsabilidade técnica do engenheiro Eduardo Fernando Chaves, figura central na construção de diversos edifícios religiosos e educacionais em Curitiba durante o período entre-guerras.


Arquitetura em Expansão: Sete Fases de Construção

Ao contrário de edifícios concebidos de forma unitária, o Instituto Santa Maria foi construído em camadas, refletindo tanto o crescimento da demanda educacional quanto a capacidade financeira da instituição ao longo dos anos. Foram emitidos sete alvarás de construção entre 1934 e 1942:

  • Alvará nº 624/1934: construção de um alpendre de recreio, espaço lúdico essencial para a pedagogia da época.
  • Alvará nº 1169/1935: edificação de uma casa para habitação, provavelmente destinada a religiosos, professores ou funcionários.
  • Alvará nº 2950/1937: primeiro grande aumento estrutural, voltado para a Rua XV de Novembro, incluindo nova ala com capela e porão.
  • Alvará nº 3055/1938: introdução de estruturas em concreto armado, sinalizando modernização técnica e maior escala.
  • Alvará nº 4279/1939: expansão vertical e horizontal, com plantas detalhadas para três pavimentos.
  • Alvará nº 5553/1941: refinamento da fachada principal, voltada para a Rua XV de Novembro, com cortes técnicos e implantação atualizada.
  • Alvará nº 5323/1942: conclusão parcial com a ala voltada para a Rua Marechal Deodoro, fechando simbolicamente o quarteirão.

O edifício final, com três pavimentos e área total construída de 5.165 m², tornou-se um marco da arquitetura escolar religiosa em concreto armado no Paraná — técnica ainda emergente na década de 1930, mas já dominada por Chaves com precisão notável.

As plantas revelam uma preocupação funcional rara: circulação eficiente, ventilação cruzada, iluminação natural e integração entre os espaços sagrados (capela) e seculares (salas de aula). A capela, em especial, aparece como núcleo espiritual do complexo, com estrutura reforçada em concreto e localização estratégica.


Fotografias que Contam Histórias

As imagens preservadas pela própria instituição — como a fotografia de 1945 e outras sem data — mostram um edifício imponente, de linhas sóbrias e proporções equilibradas. A fachada voltada para a Rua XV de Novembro, principal artéria comercial da cidade, exibia elegância discreta, com janelas ritmadas, platibandas decorativas e portões que davam acesso a um mundo de disciplina e saber.

A vista da Rua Tibagi revela pátios internos e alas laterais, sugerindo um ambiente protegido do burburinho urbano — um "claustro moderno" no coração da metrópole em crescimento.


Destino Parcial: Entre a Preservação e a Perda

Em 2012, o complexo foi registrado como “parcialmente existente” — um termo técnico que carrega em si uma nota de melancolia. Ao longo das décadas, partes do edifício original foram demolidas, alteradas ou substituídas, seja por pressões imobiliárias, mudanças no uso do solo ou pela própria evolução das necessidades educacionais.

Apesar disso, fragmentos do projeto de Chaves ainda resistem. Talvez uma fachada, talvez a capela, talvez os corredores superiores — cada um guardando ecos de orações matinais, risos de recreio e o ranger dos sapatos dos primeiros alunos.


Legado: Mais que Tijolos e Concreto

O Instituto Santa Maria nunca foi apenas um prédio. Foi — e, onde ainda existe, continua sendo — um projeto de humanização. Formou gerações de curitibanos, muitos dos quais levaram consigo os valores de respeito, estudo e solidariedade ensinados entre suas paredes.

Sua origem como União Brasileira de Educação e Ensino revela uma ambição nacional: integrar fé e razão, tradição e progresso. E, mesmo diante da fragmentação física de seu patrimônio arquitetônico, seu legado pedagógico permanece vivo nos ex-alunos, nas memórias familiares e nos arquivos históricos que registram cada alvará, cada planta, cada tijolo colocado com intenção.


Epílogo: Um Quarteirão de Memória

Hoje, quem passa pelas ruas que cercam o antigo Instituto Santa Maria talvez não perceba que ali, um dia, funcionou um dos mais completos centros de ensino católico do sul do Brasil. Mas os documentos, as fotografias e os traços de concreto que sobreviveram contam outra história — a de uma comunidade que acreditou que educar é também rezar com as mãos.

Que o que resta do Instituto Santa Maria seja cuidado.
Que o que foi perdido não seja esquecido.
E que, em algum canto do centro de Curitiba, ainda se ouça, em silêncio, o sino da capela chamando para a aula.


"Nem todo colégio tem muros altos; alguns têm raízes tão profundas que atravessam o tempo."


Do Convento à Guarda Mirim: A História do Prédio das Irmãs da Divina Providência na Avenida Anita Garibaldi

 


Denominação inicial: Convento Bom Retiro da Santa Cruz das Irmãs da Divina Providência

Denominação atual: Centro Comunitário Diva Pereira Gomes / Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Guardas Mirins do Paraná

Categoria (Uso): Ensino
Subcategoria: Instituição Religiosa

Endereço: Avenida Anita Garibaldi, nº 2417 – Chácara Ahú

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 1.250,00 m²
Área Total: 1.250,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 14/11/1941 e 04/09/1942

Alvará de Construção: Nº 5699/1941 e 6115/1942

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de prédio para as Irmãs da Divina Providência, Alvará de Construção e fotografia do imóvel.

Situação em 2012: Existente


Imagens

1- Projeto Arquitetônico da fachada principal. Alvará 5699
2 – Planta com cortes.
3 – Planta com a implantação do imóvel.
4 – Projeto Arquitetônico do pavimento térreo.
5 -Projeto Arquitetônico do pavimento superior.
6 – Projeto Arquitetônico para construção de muro e gradil. Alvará 6115.
7- Alvará de Construção nº 5699.
8 – Alvará de Construção nº 6115.
9 – Detalhe da construção s/d.
10 – Fachada principal. s/d.
11 – Vista de toda a fachada do prédio. s/d.
12 – Entrada principal do prédio em 2005.

Referências: 

1, 2, 3, 4 e 5 - CHAVES, Eduardo Fernando. Prédio – Irmãs da Divina Providência. Avenida Anita Garibaldi, nº 2417. Ahú – Curitiba. Alvará 5699. Projeto da fachada principal; plantas dos cortes A-B e C-D; implantação; plantas dos pavimentos térreo e superior representados em cinco pranchas. Microfilme digitalizado.
6 - CHAVES, Eduardo Fernando. Prédio – Irmãs da Divina Providência. Avenida Anita Garibaldi, nº 2417. Ahú – Curitiba. Alvará 6115. Planta de muro com elevação e implantação, representados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
7 e 8 – Alvarás de Construção.
9, 10 e 11 – Fotografias da coleção do Colégio Divina Providência.
12 – Fotografia de Elizabeth Amorim de Castro. (2005)

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba; Colégio Divina Providência.

Do Convento à Guarda Mirim: A História do Prédio das Irmãs da Divina Providência na Avenida Anita Garibaldi

Entre os arcos silenciosos da memória curitibana, ergue-se um edifício que já foi lar de orações, hoje pulsante com o passo firme de jovens em formação. Localizado na Avenida Anita Garibaldi, nº 2417, no bairro Chácara Ahú, o prédio originalmente destinado às Irmãs da Divina Providência carrega em suas paredes de tijolos mais do que concreto: carrega transformação, vocação social e a persistência da missão educativa ao longo de décadas.


Origens: Um Convento para a Caridade e a Fé

Em meados do século XX, Curitiba vivia um período de expansão urbana e renovação espiritual. Foi nesse contexto que as Irmãs da Divina Providência, congregação católica dedicada à assistência aos necessitados, à educação e à formação moral dos jovens, decidiram estabelecer uma nova casa na capital paranaense.

A instituição, cuja denominação inicial era Convento Bom Retiro da Santa Cruz das Irmãs da Divina Providência, surgiu como um espaço de acolhimento, oração e ensino. O projeto arquitetônico foi elaborado nos idos de 1941 e 1942, assinado pelo engenheiro Eduardo Fernando Chaves, figura atuante na construção civil curitibana da época.

Os alvarás de construção — nº 5699/1941 e nº 6115/1942 — autorizaram não apenas a edificação do corpo principal do convento, mas também a construção de muros e gradis que delimitariam o terreno com discrição e segurança, em sintonia com a identidade claustral da ordem religiosa.


Arquitetura: Simplicidade com Propósito

O edifício erguido possui dois pavimentos, com área total construída de 1.250 m², distribuídos de forma equilibrada entre térreo e andar superior. Sua estrutura, em alvenaria de tijolos, reflete o estilo funcional e sóbrio típico das construções religiosas da primeira metade do século XX no Brasil — sem ostentação, mas com solidez e dignidade.

As plantas originais revelam um layout pensado para a vida comunitária: celas individuais ou compartilhadas, capela interna, refeitório, salas de estudo e espaços para atividades pedagógicas. A fachada principal, registrada em desenhos técnicos e fotografias históricas, apresenta linhas simétricas, janelas emolduradas e uma entrada central modesta, mas acolhedora — símbolo da abertura da instituição ao mundo, mesmo em meio à disciplina do recolhimento.


Da Vida Religiosa à Formação Cidadã

Ao longo das décadas, o papel do imóvel foi se transformando, acompanhando as mudanças sociais e as novas demandas da cidade. Embora as Irmãs da Divina Providência tenham mantido por muitos anos sua presença no local — possivelmente ligadas ao Colégio Divina Providência, instituição de ensino tradicional em Curitiba —, o prédio acabou sendo repensado como um centro de utilidade pública mais ampla.

Em algum momento após os anos 1980, o espaço foi cedido ou adaptado para abrigar o que hoje é conhecido como:

Centro Comunitário Diva Pereira Gomes / Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Guardas Mirins do Paraná

Essa transição marca uma bela continuidade simbólica: se antes o local formava almas na fé e na caridade, agora forma cidadãos na ética, na disciplina e no serviço comunitário. A Guarda Mirim, instituição centenária no Brasil, dedica-se à inclusão social de crianças e adolescentes por meio da educação, do trabalho protegido e do fortalecimento de valores — uma missão que dialoga profundamente com os princípios originais das Irmãs da Divina Providência.

A homenagem a Diva Pereira Gomes no nome atual do centro reforça esse compromisso com figuras locais que dedicaram suas vidas à causa infantojuvenil no Paraná.


Patrimônio Vivo: Preservação e Uso Contínuo

Em 2012, o prédio ainda existia em pleno uso, conforme registros oficiais. Fotografias da coleção do Colégio Divina Providência e imagens recentes, como a capturada por Elizabeth Amorim de Castro em 2005, mostram a fachada bem conservada, com poucas alterações estruturais significativas — testemunho do respeito pela herança arquitetônica do local.

Embora não seja tombado oficialmente como patrimônio histórico municipal ou estadual (até a data dos registros disponíveis), o edifício permanece como exemplo raro de instituição religiosa convertida em equipamento público de ensino e formação social, mantendo sua função educativa — agora sob uma perspectiva laica, mas igualmente humanista.


Conclusão: Um Legado em Camadas

O prédio da Avenida Anita Garibaldi, nº 2417, é muito mais do que um conjunto de tijolos e telhados. É um palimpsesto urbano: camada sobre camada de história, onde rezas deram lugar a aulas, onde hábitos brancos cederam espaço a uniformes azuis, mas onde o propósito permanece inabalável — formar seres humanos melhores.

Das Irmãs da Divina Providência à Guarda Mirim, este edifício continua cumprindo sua vocação: ser abrigo, escola e esperança. E, nesse sentido, talvez nunca tenha deixado de ser um convento — apenas trocou os sinos pelas vozes de jovens que, ali, encontram seu caminho.


"Nem todo templo tem cruz no topo; alguns têm futuro nos olhos dos que nele entram."