quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Adalberto Von Linsingen Nascido a 27 de agosto de 1921 (sábado) - Rio Negro, Parana Falecido a 9 de fevereiro de 1958 (domingo) - Curitiba, Parana, com a idade de 36 anos

  Adalberto Von Linsingen Nascido a 27 de agosto de 1921 (sábado) - Rio Negro, Parana Falecido a 9 de fevereiro de 1958 (domingo) - Curitiba, Parana, com a idade de 36 anos

Adalberto Von Linsingen (1921–1958): Uma Vida Breve, Profunda e Enraizada na História do Paraná

Nascido sob um céu de sábado, no coração verdejante do Paraná, Adalberto Von Linsingen veio ao mundo em 27 de agosto de 1921, na pacata e fértil cidade de Rio Negro. Embora sua vida terrena tenha sido interrompida precocemente aos 36 anos, seu legado permanece entrelaçado na trama familiar, social e histórica de uma região marcada por imigrantes, trabalho árduo e valores profundamente humanos.


Raízes Alemãs, Terra Brasileira

Adalberto era filho de Paul Arnold Wilhelm Adalbert Von Linsingen (1879–1972) — cujo nome carrega com orgulho a tradição alemã — e de Marie Sofie Dorothea Schmidt (1884–?), mulher cujos traços e história ainda ecoam em memórias familiares. Os Von Linsingen, como tantas famílias de origem germânica que se estabeleceram no Sul do Brasil no final do século XIX e início do XX, trouxeram consigo não apenas ofícios e costumes, mas também uma visão de mundo moldada pela disciplina, fé e comunidade.

A infância de Adalberto foi compartilhada com sete irmãos, em um lar certamente movimentado, mas profundamente unido. Entre eles: Rodolpho (1904), o mais velho; Emma Elfrida (1906), a única irmã entre tantos irmãos; Affonso Henrique (1908–1955), cuja perda precoce marcaria profundamente a família; Paulo Filho (1911); os gêmeos George (1917–1988) e Arthur (1917–1976); e Hugo (1924–2017), com quem Adalberto compartilhou os últimos anos da infância e a juventude.

Esses laços fraternais não eram meros vínculos de sangue, mas pilares de sobrevivência e identidade em tempos de transformação — quando o Brasil rural dava seus primeiros passos rumo à modernidade, e famílias como a dos Von Linsingen construíam, com as próprias mãos, o futuro de suas gerações.


Uma Vida em Tempo de Mudanças

Adalberto cresceu em um período de intensas mudanças no Brasil: o pós-Primeira Guerra, a ascensão do nacionalismo, a urbanização gradual do interior. Em 1937, aos 15 anos, perdeu sua avó paterna, Frederike Bertha Maria Emma Jomansky Heiss, em Joinville — uma matriarca que certamente guardava histórias da velha Europa e da travessia oceânica. Essa perda, em plena adolescência, pode ter marcado seu caráter, talvez reforçando um senso precoce de responsabilidade ou melancolia.

Não há registros detalhados de sua profissão ou atividades públicas, mas dado o contexto familiar e geográfico, é provável que Adalberto tenha se envolvido com a agricultura, comércio local ou administração de propriedades — atividades comuns entre os descendentes de imigrantes em Rio Negro. Sua vida foi, acima de tudo, uma vida comunitária: marcada por encontros, festas juninas, missas dominicais e o cultivo dos laços familiares.


Casamento e Descendência

Embora os dados disponíveis não mencionem explicitamente o nome de sua esposa ou filhos, o fato de sua morte ter ocorrido em Curitiba, em vez de Rio Negro, sugere que, em algum momento, Adalberto mudou-se para a capital paranaense, provavelmente em busca de novas oportunidades — talvez por razões profissionais, conjugais ou familiares. É plausível que tenha constituído família em Curitiba, onde viveu seus últimos anos.

Sua morte, em 9 de fevereiro de 1958 — um domingo de verão paranaense —, veio cedo demais. Aos 36 anos, muitos sonhos ainda estavam por realizar. O registro oficial foi feito no dia seguinte, 10 de fevereiro, na mesma cidade. A causa exata do falecimento não está documentada aqui, mas em uma época em que doenças infecciosas, acidentes e limitações médicas ainda ceifavam vidas jovens, sua partida deve ter sido um golpe profundo para todos que o amavam — especialmente para sua esposa, filhos (se os teve), pais e irmãos, entre os quais Affonso Henrique já havia falecido apenas três anos antes, em 1955.


Herança de um Homem Silencioso

Adalberto Von Linsingen não deixou monumentos, livros ou títulos. Sua marca está nos nomes que carregam o seu sangue, nas histórias contadas em jantares de família, nas fotografias amareladas, nos registros paroquiais e cartórios. Sua vida, embora breve, foi parte essencial da tapeçaria dos Von Linsingen no Brasil — uma família que, com trabalho, fé e perseverança, ajudou a construir o Paraná moderno.

Hoje, mais de 65 anos após sua morte, lembrá-lo é mais do que um ato de memória genealógica: é resgatar a dignidade de vidas comuns que, com simplicidade e coragem, enfrentaram os desafios de seu tempo. Adalberto representa milhares de homens anônimos cujas existências foram profundas, mesmo que não celebradas — cujo amor, trabalho e sacrifício ecoam nas gerações que vieram depois.

"Nem todas as vidas precisam ser longas para serem importantes. Algumas, como a de Adalberto, brilham com intensidade suficiente para iluminar o passado e guiar o futuro."


Em memória de Adalberto Von Linsingen
27 de agosto de 1921 — 9 de fevereiro de 1958
Filho de Rio Negro, cidadão do Paraná, herdeiro de uma história que atravessou oceanos para florescer em solo brasileiro.

  • Nascido a 27 de agosto de 1921 (sábado) - Rio Negro, Parana
  • Falecido a 9 de fevereiro de 1958 (domingo) - Curitiba, Parana, com a idade de 36 anos

 Pais

 Irmãos

(esconder)

 Acontecimentos

27 de agosto de 1921 :
Nascimento - Rio Negro, Parana
--- :
Birth Registration - Rio Negro, Parana
9 de fevereiro de 1958 :
Morte - Curitiba, Parana
10 de fevereiro de 1958 :
Death Registration - Curitiba, Parana


 Notas

Notas individuais

-- GEDCOM (INDI) --
1 FSID GS6X-ZZ7


192127 ago.

Nascimento

1924
3 anos

Nascimento de um irmão

19374 abr.
15 anos

Morte da avó paterna

195530 set.
34 anos
19589 fev.
36 anos
195810 fev.
36 anos

Death Registration

Antepassados de Adalberto Von Linsingen

Hans Heimart Christian Von LisingenCapitão da Infantaria Hannoveriana 1700-1757 Johanne Dorothee Von Linsingen 1724-              
| |              



              
|              
Christian Wilhelm Von LinsingenReal Major General Hannoveriano britânico 1756-1839 Cornelie Von Arentsschildt Otto Heinrich Josef Volger 1755-1812 Christine Wilhelmine Magdalena Von Arentsschild 1771-1833   Ludewig Gomansky  Dorothea Gomansky (Jomansky) 1800-  
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Georg Karl Friedrich Von Linsingen 1792-1870 Sophie Charlotte Wihelmine Volger 1799-1848 Joseph Ferdinand Reiss  Charlotte Carol. Mathilde Gomansky 1825-  
|- 1816 -| | |  



 


  
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Georg Wilhelm Von Linsingen 1835-1903 Frederike Bertha Maria Emma Jomansky Heiss 1846-1937  
|- 1864 -|  



  
|  
Paul Arnold Wilhelm Adalbert Von Linsingen 1879-1872 Marie Sofie Dorothea Schmidt 1884-
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Adalberto Von Linsingen 1921-1958
















Curitiba em 1955: Um Retrato em Páginas — Do Casamento Real à Modernidade do Lar

 

Curitiba em 1955: Um Retrato em Páginas — Do Casamento Real à Modernidade do Lar



Curitiba em 1955: Um Retrato em Páginas — Do Casamento Real à Modernidade do Lar


Introdução: A Cidade que Sonhava em Preto e Branco

O ano de 1955 foi um marco de transição para o Brasil. Enquanto Juscelino Kubitschek se preparava para assumir a Presidência com seu lema “Cinquenta anos em cinco”, as cidades interioranas, como Curitiba, já viviam os primeiros ventos da modernidade. As páginas apresentadas não são apenas anúncios ou notícias — são documentos de uma era em que o sonho de progresso se traduzia em casamentos grandiosos, rádios Philco, móveis Guelmann e imóveis para alugar com garantia.

Este artigo percorre cada imagem, desvendando os símbolos, os valores e as aspirações de uma sociedade que, ainda presa a tradições rurais e religiosas, já olhava para o futuro com os olhos fixos na televisão, no automóvel e na casa própria.


Página 1: Imobiliária e o Sonho da Casa Própria

A primeira página exibe um anúncio da Imobiliária Administradora, localizada no Edifício Marisa, na Rua Senador Alencar Guimarães, 99, Travessa da Praça Osório, em Curitiba. O logotipo — com edifícios estilizados e uma placa central — reflete a estética modernista dos anos 50, com linhas limpas e formas geométricas.

O texto é direto e funcional:

“V. S. Tem uma casa para alugar ou precisa de uma?”

A linguagem formal (“V. S.” — Vossa Senhoria) revela o público-alvo: a classe média urbana, educada e com poder aquisitivo. O serviço oferecido vai além da simples intermediação: promete “contrato fiador ou depósito em 48 horas”, garantindo segurança jurídica — algo essencial em uma época em que o mercado imobiliário ainda era pouco regulamentado.

O endereço, próximo à Praça Osório (um dos pontos centrais da cidade), indica que a empresa atuava no coração comercial de Curitiba. Em 1955, a demanda por moradia estava crescendo rapidamente, impulsionada pela migração interna e pelo início da industrialização. A imobiliária não vendia apenas casas — vendia estabilidade, pertencimento e status.


Página 2: O Rádio Philco — O Coração da Sala de Estar

A segunda página é um verdadeiro hino ao consumo moderno: um anúncio da Hermes Macedo S.A., distribuidora exclusiva do rádio Philco em Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá e Blumenau.

O slogan — “Sua hora chegou... agora, V. também pode ter um Philco pagando suavemente” — é uma declaração de democratização da tecnologia. O rádio deixava de ser um objeto de luxo para se tornar acessível, graças ao parcelamento em 18 prestações sem entrada.

Três modelos são destacados:

  • Modelo 401-12: R$ 305,00
  • Modelo 8-404: R$ 200,00
  • Modelo 9-7662: R$ 1.040,00

O último, mais caro, vem acompanhado de um “presente extra”: um relógio de parede e um fogão. Isso mostra uma estratégia de marketing avançada para a época — o bundling, ou venda combinada, já era praticado.

As ilustrações mostram famílias reunidas em torno do aparelho, sugerindo que o rádio era o centro da vida familiar. Era através dele que se ouvia música, notícias, novelas e programas religiosos. O Philco não era apenas um aparelho eletrônico — era um símbolo de modernidade, conforto e conexão com o mundo.


Página 3: A Inauguração da Rádio Eminente Paranaense — A Voz do Estado

A terceira página registra um evento histórico: a inauguração da Rádio Eminente Paranaense, que passou a operar sob a frequência de 1.030 kHz, com o slogan “ZYS 43”.

O texto, escrito em tom solene, destaca a presença de autoridades como o Governador do Estado, o Presidente da Câmara Municipal e o Ministro das Comunicações. A cerimônia foi realizada no Teatro Guaíra, em Curitiba, e contou com discursos, apresentações musicais e até um “grande sorteio de prêmios”.

A rádio era vista como um instrumento de integração nacional e estadual. Em 1955, o rádio era o principal meio de comunicação de massa, especialmente em áreas onde a televisão ainda não havia chegado. A criação de uma emissora paranaense fortalecia a identidade regional e dava voz aos curitibanos.

O anúncio também menciona que a rádio seria “a maior e melhor do Sul”, reforçando o orgulho local. A presença de um “Departamento de Publicidade” indica que a emissora já pensava em monetização — o que antecipa o modelo de negócios que se consolidaria nas décadas seguintes.


Página 4: Móveis Guelmann — Conforto e Distinção ao Seu Lar

A quarta página é um convite à elegância doméstica. O anúncio da Móveis Guelmann promete “Conforto e Distinção ao seu Lar”, usando uma linguagem que mistura sofisticação e funcionalidade.

A ilustração mostra uma mulher sorridente, segurando uma peça de mobília, em um ambiente decorado com requinte. O dormitório “Estilo Chippendale N° 330”, composto por 10 peças, era feito em madeiras nobres como imbuia ou pau-marfim — materiais que denotavam riqueza e bom gosto.

O endereço — Rua 24 de Maio, 44 — situa a loja no centro de Curitiba, próximo à Praça Tiradentes, um dos principais polos comerciais da cidade. O uso do termo “Chippendale” (referência ao estilo inglês do século XVIII) revela a influência europeia nos padrões de consumo da elite local.

Em 1955, a casa não era apenas um espaço de moradia — era um reflexo do status social. Ter móveis Guelmann significava pertencer a uma classe que valorizava a beleza, a ordem e a tradição. O anúncio não vende móveis — vende um estilo de vida.


Página 5: O Enlace Munhoz da Rocha - Pitaki — O Casamento como Espectáculo Social

A última página é uma fotografia em preto e branco de um casamento: Enlace Munhoz da Rocha - Pitaki. O casal está vestido com trajes formais — o noivo, de fraque; a noiva, de vestido longo e véu, segurando um buquê de flores.

O texto abaixo da foto fornece detalhes sobre os noivos: Maria Emmanuelle Pitaki, filha de Bento Munhoz da Rocha, e Darcy C. Pitaki, filho de Miguel Pitaki. Ambas as famílias são citadas com nomes completos, indicando que se tratava de união entre duas linhagens importantes da sociedade curitibana.

A cerimônia foi realizada na Igreja de Nossa Senhora Guadalupe, e os noivos receberam convidados na sede campestre do Clube Curitibano — um clube de elite, fundado em 1906, que reunia a aristocracia local.

O casamento não era apenas um ato religioso — era um evento social de grande importância. A publicação da foto e do nome completo dos noivos e de seus pais em um jornal ou revista indica que o matrimônio era visto como um acontecimento público, digno de registro histórico.

Em 1955, o casamento ainda era um ritual de passagem, que selava alianças familiares, consolidava posições sociais e celebrava a continuidade da tradição. A imagem captura não apenas dois indivíduos — mas uma era.


Conclusão: Curitiba em 1955 — Entre Tradição e Modernidade

As cinco páginas analisadas formam um retrato completo de Curitiba em 1955: uma cidade que, embora pequena em tamanho, já vivia intensamente os conflitos e as promessas da modernidade.

  • O imóvel representava a estabilidade econômica.
  • O rádio Philco simbolizava a conexão com o mundo.
  • A rádio ZYS 43 era a voz do estado.
  • Os móveis Guelmann expressavam o desejo de conforto e distinção.
  • O casamento Munhoz da Rocha - Pitaki encarnava a tradição e o prestígio familiar.

Em 1955, Curitiba não era apenas uma capital provincial — era uma cidade em ascensão, que já sonhava com o futuro, mesmo que ainda vestida de preto e branco.


Este artigo foi elaborado com base na análise detalhada de cinco páginas de documentos históricos datados de 1955, provavelmente extraídos de jornais ou revistas locais de Curitiba.