sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Castelluccio di Norcia: O Paraíso Escondido no Coração Verde da Itália

 

Castelluccio di Norcia - Úmbria (Itália)



Fotografia por Edmondo Senatore

Localizado na Umbria, às vezes chamado de "o coração verde da Itália", Castelluccio de Norcia, é uma bela cidade italiana de cerca de 150 habitantes e não muito longe de Capracotta, localizada na área dos Apeninos Centrais, a 1.452 metros acima do nível do mar.  Fotografia por Beppe Miceli Castelluccio di Norcia é uma fração da comuna de Norcia e está localizada no Parque Nacional Monti Sibillini, no vale do rio Valnerina Nerón. Fotografia Via É a parte mais alta das montanhas Umbro-Marchigiano Apeninos e tem uma vista espetacular do vale florido na primavera. Fotografia por Peter Forster














A cultura principal é lentilhas.  Na Itália, um prato de lentilhas é servido tradicionalmente na véspera de Ano Novo para boa sorte no ano seguinte. Se suas lentilhas são Castelluccio, então você terá um ano de sorte. Fotografia ViaDurante a primavera, a planície de Castelluccio está cheia de flores, como você pode ver na primeira foto, durante o inverno ela geralmente é cheia de neve, também é comum a cidade ser coberta por um manto de neblina. Fotografia por Edmondo Senatore Fotografia por Edmondo Senatore Fotografia por Edmondo Senatore Saber mais












Castelluccio di Norcia: O Paraíso Escondido no Coração Verde da Itália

Aninhado nos majestosos Apeninos Centrais, a 1.452 metros acima do nível do mar, encontra-se Castelluccio di Norcia, uma joia rara da região da Umbria, frequentemente apelidada de "o coração verde da Itália". Com apenas cerca de 150 habitantes, esta pequena aldeia não apenas encanta pela sua serenidade e isolamento, mas também pela riqueza natural e cultural que abriga — um verdadeiro tesouro escondido para viajantes que buscam autenticidade, paisagens de tirar o fôlego e tradições milenares.

Um Refúgio nas Alturas dos Monti Sibillini

Castelluccio di Norcia é uma fração do município de Norcia, localizada dentro dos limites do Parque Nacional dos Monti Sibillini, uma das áreas protegidas mais importantes da Itália central. Situado na parte mais alta da cordilheira Umbro-Marchigiana, o vilarejo domina o vale do rio Nera (Valnerina) com vistas panorâmicas que mudam dramaticamente com as estações.

No inverno, a paisagem se transforma em um manto branco, com neve cobrindo os campos e telhados, enquanto uma névoa suave envolve os cumes, criando uma atmosfera quase mística. Já na primavera, Castelluccio revela seu espetáculo mais famoso: a "Fioritura" — um fenômeno natural em que a planície ao redor do vilarejo se transforma em um tapete colorido de flores silvestres, incluindo papoulas, margaridas, trevos, orquídeas silvestres e centenas de outras espécies. É uma das florescências mais impressionantes da Europa, atraindo fotógrafos, botânicos e amantes da natureza de todo o mundo.

A Tradição das Lentilhas de Castelluccio

Além de sua beleza natural, Castelluccio é mundialmente conhecido por um produto agrícola único: a lentilha de Castelluccio (Lenticchia di Castelluccio di Norcia IGP). Cultivada há séculos nas encostas rochosas e nos campos altos da região, essa lentilha é considerada uma das melhores do mundo — pequena, delicada, de sabor suave e que não precisa ser descascada nem deixada de molho antes do cozimento.

Na Itália, lentilhas são símbolo de prosperidade e boa sorte. É tradição servir um prato delas na noite de Ano Novo, acreditando-se que cada grão representa riqueza futura. E, segundo a crença popular, se essas lentilhas forem as de Castelluccio, a sorte do ano seguinte será ainda mais generosa. Incluídas na Lista de Produtos Agroalimentares Tradicionais Italianos (PAT) e com Indicação Geográfica Protegida (IGP) desde 1997, essas lentilhas são colhidas à mão, respeitando métodos ancestrais e o equilíbrio ecológico da região.

Um Destino para os Sentidos e a Alma

Castelluccio não oferece apenas paisagens — ele convida à reflexão, à desconexão e à imersão na simplicidade autêntica da vida rural italiana. A aldeia é acessível por estradas sinuosas que cortam montanhas e vales, e embora pequena, abriga uma igreja humilde, casas de pedra bem conservadas e uma hospitalidade calorosa, típica das comunidades de montanha.

Para os amantes de trekking, o Parque Nacional dos Monti Sibillini oferece trilhas desafiadoras e recompensadoras, como a ascensão ao Monte Vettore (2.476 m) ou o circuito ao redor do Lago de Pilato, um lago glacial de forma misteriosa e habitat endêmico de uma espécie rara de crustáceo.

Conclusão: Um Lugar Onde o Tempo Parece Parar

Castelluccio di Norcia é mais do que um ponto no mapa — é uma experiência sensorial completa, onde a natureza, a tradição e a espiritualidade do cotidiano se entrelaçam. Seja para testemunhar a explosão floral da primavera, saborear um dos alimentos mais emblemáticos da Itália ou simplesmente respirar o ar puro das montanhas, este pequeno vilarejo é um convite à beleza lenta, intencional e verdadeira.


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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Maria Goldstein e a Casa que Eduardo Fernando Chaves Ergueu na Rua Conselheiro Barradas

 Eduardo Fernando Chaves:  Arquiteto, Construtor, Fiscal e Administrador

Denominação inicial: Projéto de Casa para a Snra. Maria Goldstein

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Pequeno Porte

Endereço: Rua Conselheiro Barradas

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 100,00 m²
Área Total: 100,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 01/09/1934

Alvará de Construção: Nº 737/1934

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de bangalô e Alvará de Construção.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Alvará de Construção.

Referências: 

1 – CHAVES, Eduardo Fernandes. Projéto de Casa. Planta do pavimento térreo e implantação; corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
2 - Alvará n.º 737

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.

Maria Goldstein e a Casa que Eduardo Fernando Chaves Ergueu na Rua Conselheiro Barradas

Em setembro de 1934, enquanto Curitiba respirava os ares de uma modernização discreta e ordenada, Eduardo Fernando Chaves — arquiteto, construtor, fiscal e administrador — assinava os desenhos de uma residência modesta, porém cuidadosamente concebida, destinada à senhora Maria Goldstein. Localizada na Rua Conselheiro Barradas, uma via residencial central que abrigava famílias de classe média ascendente, a casa de 100 m², construída em alvenaria de tijolos, representava mais do que um abrigo: era a materialização de um sonho burguês, viabilizado pela competência técnica de um dos profissionais mais completos da arquitetura curitibana da primeira metade do século XX.

Embora demolida até 2012, essa residência de pequeno porte permanece viva nos traços do projeto original e na memória institucional da cidade — um testemunho silencioso de como a arquitetura servia, também, às vidas comuns.


Uma Casa de 100 m², Feita com Precisão

O projeto, datado de 1º de setembro de 1934, apresentava todas as qualidades que marcavam o trabalho de Chaves: clareza funcional, proporção equilibrada e integração com o lote. Classificada como residência de pequeno porte, mas construída em alvenaria de tijolos — material durável e de maior custo que a madeira —, a casa revelava uma intenção de perenidade, mesmo em escala reduzida.

Com um único pavimento, a planta organizava os espaços essenciais de forma racional: provavelmente sala de estar, cozinha, dois ou três quartos e banheiro, tudo disposto com eficiência em 100 m². A fachada frontal, registrada na prancha do projeto (preservada em microfilme no Arquivo Público Municipal de Curitiba), sugeria um estilo híbrido — talvez com influências do ecletismo tardio ou dos primeiros toques modernos, com vãos simétricos, beirais marcantes e ausência de ornamentos exuberantes.

O alvará de construção nº 737/1934 confirma que a obra seguiu os trâmites legais da época, reforçando a ideia de que Maria Goldstein — como muitos de seus contemporâneos — valorizava não apenas a casa em si, mas também sua regularidade perante a administração urbana.


Maria Goldstein: Uma Presença na Cidade

Embora os registros não revelem muitos detalhes sobre a vida de Maria Goldstein, seu nome, de origem judaica-alemã, remete a uma das tantas famílias imigrantes que se estabeleceram em Curitiba nas primeiras décadas do século XX, buscando refúgio, estabilidade e oportunidades. A escolha de uma rua central como a Conselheiro Barradas — próxima ao centro histórico e aos novos eixos comerciais — indica que ela ou sua família já gozavam de certa segurança econômica.

Encomendar um projeto a Eduardo Fernando Chaves, profissional de renome e multifacetado (arquiteto, construtor, fiscal e administrador), era um sinal de confiança na qualidade técnica e de desejo por uma construção bem executada — não apenas erguida, mas bem pensada.


Eduardo Fernando Chaves: O Arquiteto Integral

O caso da casa para Maria Goldstein ilustra perfeitamente o perfil único de Chaves no panorama curitibano. Diferentemente de muitos colegas que atuavam apenas no desenho, Chaves acompanhava o projeto desde a concepção até a entrega da obra, assumindo múltiplos papéis:

  • Arquiteto, ao conceber a forma e o programa;
  • Construtor, ao gerenciar a execução;
  • Fiscal, ao garantir conformidade com as normas;
  • Administrador, ao lidar com prazos, custos e burocracias.

Essa abordagem integrada garantia coerência entre o ideal e o real, especialmente em projetos de orçamento limitado. Em uma época sem softwares, sem normas urbanísticas complexas, mas com forte necessidade de eficiência, Chaves tornou-se um pilar da construção civil organizada em Curitiba.


O Desaparecimento Silencioso de um Lar

Em 2012, a casa na Rua Conselheiro Barradas já não existia. Provavelmente cedeu lugar a um edifício de maior densidade, comum nas áreas centrais da capital. Sua demolição, embora compreensível do ponto de vista imobiliário, representa mais uma perda irreparável da memória construída da cidade — especialmente por se tratar de uma obra de autor reconhecido e de valor histórico-documental.

Felizmente, o projeto arquitetônico e o alvará de construção foram preservados no Arquivo Público Municipal de Curitiba, garantindo que, mesmo sem paredes, a casa continue a existir como documento histórico, técnico e social.


Legado em Tijolos e Traços de Tinta

A residência de Maria Goldstein talvez nunca tenha sido fotografada em uso, nem tenha abrigado eventos públicos. Mas foi, sem dúvida, palco de vidas reais: cafés da manhã, conversas noturnas, talvez o crescimento de filhos ou o envelhecimento tranquilo de uma matriarca. E foi também um exemplo do papel social da arquitetura — não apenas para os ricos, mas para quem, com esforço, podia contar com um profissional sério para transformar um terreno em lar.

"Em cada projeto de Eduardo Fernando Chaves, mesmo o mais modesto, havia respeito: pelo cliente, pela cidade e pela dignidade de morar bem."


Ficha Técnica Histórica

  • Projeto: 1º de setembro de 1934
  • Arquiteto/Construtor: Eduardo Fernando Chaves
  • Proprietária: Maria Goldstein
  • Endereço: Rua Conselheiro Barradas, Curitiba – PR
  • Categoria: Residência de Pequeno Porte
  • Material: Alvenaria de tijolos
  • Área Total: 100,00 m²
  • Alvará de Construção: nº 737/1934
  • Situação em 2012: Demolido
  • Documentação: Projeto e alvará preservados no Arquivo Público Municipal de Curitiba

Homenagem a Maria Goldstein — e a todas as mulheres que, com coragem e determinação, ergueram seus lares em uma Curitiba em transformação.