segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Beatriz de Albuquerque (1517–1584): A "Capitoa" e Primeira Governante das Américas

 

Beatriz de Albuquerque
2ª governadora da Capitania de Pernambuco
Período18 de abril a 18 de julho de 1553
Antecessor(a)Duarte Coelho
Sucessor(a)Duarte Coelho
4ª governadora da Capitania de Pernambuco
Período27 de fevereiro de 1554 a 10 de março de 1561
Antecessor(a)Duarte Coelho
Sucessor(a)Duarte Coelho de Albuquerque
6ª governadora da Capitania de Pernambuco
Período16 de fevereiro de 1572 a 22 de abril de 1575
Antecessor(a)Duarte Coelho de Albuquerque
Sucessor(a)Duarte Coelho de Albuquerque
Dados pessoais
Nascimento1517
Reino de Portugal
Morte1584
Capitania de Pernambuco, Brasil Colônia
ProgenitoresMãe: Joana de Bulhões
Pai: Lopo de Albuquerque

Beatriz de Albuquerque (Portugal, 1517Pernambuco, 1584) , por vezes Brites, na grafia da época, foi uma nobre portuguesa, esposa do primeiro capitão-donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho. Por ter assumido o governo da Capitania após a morte do marido, é reconhecida como a primeira governante das Américas.[1]

Biografia

Nascida em Portugal, era filha de Joana de Bulhões e Lopo de Albuquerque.[2] Brites, ou Beatriz, como era também chamada, fazia parte da poderosa família dos Albuquerque, arrolados entre os “barões assinalados” do poema Os Lusíadas, sendo sobrinha de Afonso de Albuquerque.[3]

Chegou ainda jovem a Pernambuco (9 de março de 1535), acompanhando o seu marido, Duarte Coelho, que recebera a posse da Capitania, por doação de el-Rei D. João III. Além do esposo, Brites partiu para o Brasil acompanhado de seu irmão, Jerônimo de Albuquerque.

Por volta de 1553, quando o marido retorna a Portugal acompanhado dos filhos do casal, Duarte Coelho de Albuquerque e Jorge de Albuquerque Coelho, Dona Beatriz assume interinamente o governo da capitania, assistida por seu irmão, Jerônimo de Albuquerque, que se havia estabelecido na região e casado com a tabajara Muira-Ubi, depois batizada Maria do Espírito Santo Arcoverde, filha do cacique Uira Ibi. Jerônimo ficaria conhecido na história como “O Adão Pernambucano”, por ter deixado vastíssima descendência por todo o Brasil.[4]

Em 1554 com a morte de seu marido, Duarte Coelho, em Portugal, ela própria ocupará o cargo, assumindo, assim, todas as honras e obrigações adjacentes ao título, sendo que a designariam por "capitoa" pela firmeza de sua gestão. Manteve-se no posto até a maioridade do seu filho mais velho, Duarte Coelho de Albuquerque, que estudava em Portugal, juntamente com seu irmão Jorge de Albuquerque Coelho. Quando ambos chegam ao Brasil, em 1560, Duarte assume o governo de Pernambuco, mas tão somente até 1572, data em que terá sido chamado de regresso a Portugal. Duarte e Jorge são incorporados à armada do rei D. Sebastião, que avançava sobre a África. Ambos são gravemente feridos após a batalha de Alcácer-Quibir, em 4 de agosto de 1578, e nunca mais retornariam ao Brasil. Assim, uma vez mais, Dona Beatriz ficará no comando das terras pernambucanas, exercendo essa função até o fim de sua vida.

Dona Beatriz é considerada pelos especialistas como uma das mais ilustres brasileiras, sendo que durante o seu governo, manteve a ordem e a paz da Capitania de Pernambuco, combatendo as insurreições indígenas, legislando e controlando os assuntos dos colonos e construindo e urbanizando núcleos, como Olinda, onde faleceu, provavelmente entre junho e outubro de 1584.[5][6]

Referências

  1. Amaral, Tércio (22 de novembro de 2015). «Na sombra da história». Diario de Pernambuco. Consultado em 11 de junho de 2017
  2. «Joanna de Bulhão». www.araujo.eti.br. Genealogia Pernambucana. Consultado em 8 de julho de 2016
  3. «Albuquerques» (PDF). Projeto Áquila Griffo-UFRJ. Consultado em 8 de junho de 2016
  4. «O "Adão" Pernambucano e a "Capitoa"». História Hoje. Consultado em 7 de abril de 2019
  5. Adler Vainsencher, Semira. «Brites Mendes de Albuquerque». Secretária da Mulher do Governo de Pernambuco. Consultado em 8 de julho de 2016
  6. Cândido Pinheiro Koren de Lima. Albuquerque, a Herança de Jerônimo, o Torto (Fundação Gilberto Freyre, 2014). [S.l.: s.n.] ISBN 978-85-85197-13-1

Beatriz de Albuquerque (1517–1584): A "Capitoa" e Primeira Governante das Américas

Beatriz de Albuquerque (frequentemente grafada na época como Brites) nasceu em Portugal em 1517 e faleceu em Pernambuco em 1584. Nobre portuguesa de ilustre linhagem, foi esposa do primeiro capitão-donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho. Devido ao seu papel de destaque ao assumir e administrar efetivamente o governo da capitania em momentos cruciais do período colonial, é historicamente reconhecida como a primeira governante das Américas.

Origens e Chegada ao Brasil

Nascida em Portugal, Brites era filha de Joana de Bulhões e Lopo de Albuquerque, pertencendo à poderosa e tradicional família dos Albuquerque — citada por Luís de Camões como um dos "barões assinalados" em Os Lusíadas —, além de ser sobrinha do famoso navegador e conquistador Afonso de Albuquerque.

  • A Viagem (1535): Brites chegou a Pernambuco em 9 de março de 1535, acompanhando o marido, Duarte Coelho, que recebera a capitania por doação do rei D. João III.

  • O Irmão: A travessia também contou com a presença de seu irmão, Jerônimo de Albuquerque, que viria a se estabelecer definitivamente na região. Jerônimo casou-se com a indígena tabajara Muira-Ubi (batizada como Maria do Espírito Santo Arcoverde, filha do cacique Uira Ibi), ficando conhecido na historiografia brasileira como "O Adão Pernambucano" devido à vastíssima descendência deixada pelo país.

A Trajetória Política e os Governos de Pernambuco

A atuação política de Dona Beatriz dividiu-se em diferentes períodos marcados por ausências, falecimentos e tragédias familiares na Europa:

  1. Primeira Regência (c. 1553): Quando Duarte Coelho retornou a Portugal levando os dois filhos do casal (Duarte Coelho de Albuquerque e Jorge de Albuquerque Coelho), Dona Beatriz assumiu interinamente o governo da capitania, contando com o forte apoio de seu irmão Jerônimo.

  2. A "Capitoa" (1554–1560): Com a morte do marido em Portugal em 1554, ela própria ocupou formalmente o cargo, assumindo todas as prerrogativas, honras e obrigações da donataria. Dada a firmeza, habilidade e pulso firme com que conduziu a administração, passou a ser amplamente designada pelo título de "capitoa". Manteve-se no posto até 1560, ano em que seu filho mais velho atingiu a maioridade e retornou de Portugal para assumir o governo.

  3. Retorno ao Comando (após 1578): O filho Duarte governou até 1572, quando retornou a Portugal para incorporar-se à armada do rei D. Sebastião rumo ao norte da África. Após a desastrosa e sangrenta Batalha de Alcácer-Quibir (4 de agosto de 1578), tanto Duarte quanto seu irmão Jorge foram gravemente feridos e nunca mais puderam retornar ao Brasil. Diante disso, Dona Beatriz reassumiu o comando das terras pernambucanas, administrando-as firmemente até o fim de seus dias.

Legado e Falecimento

Dona Beatriz de Albuquerque é consagrada pelos historiadores como uma das figuras femininas mais importantes da história do Brasil colonial. Durante seus governos, destacou-se por:

  • Manutenção da Ordem: Garantia da paz interna e controle rigoroso sobre os colonos e as tensões geopolíticas locais.

  • Defesa e Conflitos: Atuação firme no combate às insurreições indígenas contrárias à colonização intensiva.

  • Urbanização: Estímulo à construção, expansão e estruturação de núcleos urbanos fundamentais, com destaque para a cidade de Olinda, onde faleceu, provavelmente entre os meses de junho e outubro de 1584.

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