| Zorobabé | |
|---|---|
| Nascimento | Meados do séc. XVI |
| Morte | 1608[1] |
| Ocupação | Líder indígena que lutou para extermínio de quilombolas e indígenas por querer recompensas da Coroa portuguesa[2] |
Zorobabé[nota 1] (capitania do Rio Grande, meados do séc. XVI — Évora, Portugal, 1609) foi um líder indígena brasileiro, que, servindo como mercenário para a Coroa portuguesa, veio a se tornar um dos maiores caçadores de escravos quilombolas da história do Brasil colonial.[2][3] Inicialmente inimigo dos luso-brasileiros vindos da capitania de Pernambuco para conquistar o agreste paraibano, tornou-se aliado destes após uma derrota na Serra da Copaoba.
O chefe potiguara morreu no exílio em Portugal, após ter sido acusado de intentar se rebelar contra a Coroa. Zorobabé nunca se converteu ao cristianismo.[3]
Capitão do mato

Antes da conquista portuguesa do agreste paraibano, Zorobabé vivia na região da Copaoba, tornando-se cacique tribal e aliando-se posteriormente aos corsários franceses que buscavam o «pau de tinta», como era conhecido o pau-brasil. Aguerrido chefe dos potiguaras, lutou contra os portugueses na Guerra dos Potiguaras até 1599, quando, após uma sangrenta derrota passou a prestar-lhes serviços.[3]
Atuou, junto com seu séquito potiguara, em várias campanhas às quais foi enviado. Mandado combater os aimorés da Bahia, os quais aterrorizavam as capitanias de Ilhéus e Porto Seguro,[2] Zorobabé decidiu também atacar o quilombo do rio Itapicuru, na capitania de Sergipe D’El Rey, onde matou a maior parte dos quilombolas, desobedecendo as ordens preestabelecidas pela Metrópole.[3]
No livro Ouro vermelho: a conquista dos índios brasileiros (vol. 27) lê-se:
O rei concedeu generosas recompensas ao governador-geral, que havia persuadido os potiguares a ajudar a subjugar os aimorés. O cacique potiguar que chefiou a campanha foi tratado de modo bem mais parcimonioso. Quando regressou com a maior parte de seus homens, Zorobabé foi enviado para submeter um mocambo, um esconderijo de escravos negros que haviam fugido de um engenho em Salvador para as matas do Itapicuru. (...) Poucos escravos retornaram a seus donos, porque os gentios mataram muito, e Zorobabé levou alguns que foi vendendo pelo caminho para comprar uma bandeira de campo, tambor, cavalo e vestidos, com que entrasse triunfante em sua terra.[4]
Por ordem de Diogo Botelho, tornou-se jagunço e arruinador dos quilombos da Paraíba. Os sobreviventes de seus ataques, ele escravizava ou vendia para comprar roupas, armas e bandeiras, as quais acreditava lhe darem a mesma pompa dos militares brancos.[3][2]
Morte
Com medo de que sua crescente empáfia fizesse Zorobabé se rebelar contra a Coroa, o rei deu ordens para ele ser mandado para o exílio em Évora, Portugal, em 4 de novembro de 1608.[5] Lá, após muitas tentativas de assassinato sofridas na prisão, veio a falecer meses depois nos calabouços dessa então vila portuguesa,[2][1] tornando-se o primeiro exilado brasileiro da história.[6]
O Frei Vicente, que estava na Paraíba à época do retorno de Zorobabé de suas campanhas na capitania da Bahia, dedicou um capítulo inteiro de seus escritos a este chefe potiguara.[7]
Notas
Referências
- VARNHAGEN, Francisco Adolfo de (1955). História das lutas com os Holandeses no Brasil desde 1624 a 1654. [S.l.]: Livraria Progresso Editora. 424 páginas
- MOURA, Clóvis (2004). Dicionário da escravidão negra no Brasil. [S.l.]: EdUSP. 434 páginas. ISBN 9788531408120
- GONÇALVES, Regina Célia (2006). «Os Potiguara na Guerra dos Brancos (1630-1654)» (PDF). Departamento de História da UNICAMP. Consultado em 15 de julho de 2014. Arquivado do original (PDF) em 24 de setembro de 2015
- HEMMING, John; Moura, Carlos Eugênio Marcondes de (2007). Ouro Vermelho:A Conquista dos Índios Brasileiros, vol. 27. [S.l.]: EdUSP. 813 páginas. ISBN 9788531409608
- ALENCASTO, Luiz Felipe de (2000). O trato dos viventes, O. [S.l.]: Companhia Das Letras. 525 páginas
- ALMEIDA, Geraldo Gustavo de (1988). Heróis indígenas do Brasil: memórias sinceras de uma raça. [S.l.]: Cátedra. 140 páginas
- Associados do IHGP (1986). Revista, Volume 24. [S.l.]: Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP)
Zorobabé (c. séc. XVI – 1609): O Cacique Potiguara, Caçador de Quilombolas e Primeiro Exilado do Brasil
Zorobabé (nascido na capitania do Rio Grande em meados do século XVI e falecido em Évora, Portugal, em 1609) foi um célebre e singular líder indígena brasileiro da etnia potiguara. Inicialmente um feroz opositor da colonização lusitana, Zorobabé transformou-se em mercenário a serviço da Coroa Portuguesa, ganhando notoriedade histórica como um dos mais implacáveis caçadores de quilombolas do Brasil colonial. Diferente de muitos líderes indígenas catequizados da época, ele manteve suas crenças ancestrais e nunca se converteu ao cristianismo.
Origens e a Guerra contra os Portugueses
Antes de firmar aliança com os portugueses, Zorobabé habitava a região da Serra da Copaoba, no agreste paraibano, onde atuava como cacique tribal e mantinha laços comerciais e militares com corsários franceses interessados na extração do pau-brasil ("pau de tinta").
Guerra dos Potiguaras: À frente de seus guerreiros, lutou tenazmente contra a expansão luso-brasileira até o ano de 1599.
A Virada Estratégica: Após sofrer uma sangrenta e decisiva derrota militar nas imediações da Serra da Copaoba, Zorobabé optou por render-se e passou a prestar serviços militares aos portugueses, aproveitando sua alta combatividade em benefício da Metrópole.
Capitão do Mato e as Campanhas contra Quilombolas
Como mercenário e aliado da Coroa, Zorobabé liderou seu séquito potiguara em diversas campanhas punitivas por diferentes capitanias do Nordeste:
Expedição na Bahia: Foi enviado para combater os índios aimorés, que aterrorizavam as capitanias de Ilhéus e Porto Seguro.
O Massacre no Rio Itapicuru (Sergipe): Por conta própria e desobedecendo às ordens prévias dadas pelas autoridades metropolitanas, Zorobabé decidiu desviar sua rota para aniquilar um quilombo (mocambo) situado nas matas do Itapicuru, formado por africanos escravizados que haviam fugido de engenhos de Salvador.
O historiador John Manuel Monteiro descreve a expedição em sua obra Ouro vermelho: a conquista dos índios brasileiros:
"O cacique potiguar que chefiou a campanha foi tratado de modo bem mais parcimonioso. Quando regressou com a maior parte de seus homens, Zorobabé foi enviado para submeter um mocambo... Poucos escravos retornaram a seus donos, porque os gentios mataram muito, e Zorobabé levou alguns que foi vendendo pelo caminho para comprar uma bandeira de campo, tambor, cavalo e vestidos, com que entrasse triunfante em sua ter
ra."
A mando do governador-geral Diogo Botelho, Zorobabé atuou sistematicamente como destruidor de quilombolas na Paraíba. Os sobreviventes de seus ataques eram por ele escravizados ou comercializados para financiar a aquisição de roupas, armamentos e insígnias militares (como bandeiras), aduanas que ele ostentava para equiparar-se à pompa dos oficiais militares europeus.
O Exílio e a Morte em Portugal
A crescente independência, o prestígio e a empáfia de Zorobabé começaram a alarmar as autoridades coloniais portuguesas, que temiam uma insurreição generalizada liderada pelo guerreiro potiguara.
O Banimento (1608): Para neutralizar a ameaça, a Coroa ordenou a sua prisão e deportação. Em 4 de novembro de 1608, Zorobabé foi embarcado rumo a Portugal, tornando-se formalmente o primeiro exilado brasileiro da história.
O Fim nos Calabouços: Confinado em Évora, sofreu diversas tentativas de assassinato nos calabouços daquela vila portuguesa até vir a falecer meses depois, em 1609.
A relevância e a excentricidade de sua trajetória foram tais que o Frei Vicente do Salvador, cronista da época que se encontrava na Paraíba durante o retorno de Zorobabé de suas campanhas na Bahia, dedicou um capítulo inteiro de seus escritos para relatar as proezas deste notável chefe potiguara.
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