| Pedro Poti[nota 1] | |
|---|---|
| Nascimento | Capitania da Paraíba |
| Morte | Oceano Atlântico[2] |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Ocupação | Líder indígena a serviço da Coroa holandesa |
Pedro Poti (capitania da Paraíba, 1608 – oceano Atlântico, 1652) foi um líder indígena brasileiro da etnia potiguara.[1] Aliado dos neerlandeses contra os lusitanos, em meados do século XVII, Poti chegou a ser levado para a Holanda, onde foi recebido como herói e tratado com honrarias.
Em 19 de fevereiro de 1649, durante a Segunda Batalha dos Guararapes caiu prisioneiro dos portugueses, período em que viveu um calvário na prisão, como transcreve o antropólogo Darcy Ribeiro em seu A fundação do Brasil: testemunhos, 1500–1700:
Pedro Poty, regedor da infeliz nação, tendo caído prisioneiro dos portugueses a 19 de fevereiro de 1649, na segunda funesta batalha de Guararapes, foi barbaramente tratado por aqueles algozes, excedendo [com] o que perpetraram a todas as crueldades por mais desumanas que se possa imaginar: era constantemente acoitado, sofreu toda espécie de tormentos, foi atirado, preso por cadeias de ferros nos pés e mãos, a uma enxovia escura, recebendo por alimento unicamente pão e água, e realizando ali mesmo durante seis longos meses as suas necessidades naturais. (...) A concessão que lhe davam algumas vezes de sair dali uma ou mais horas para gozar a luz do dia, [o que] longe de aliviá-lo antes lhe recrudescia os males.[3]
Poti viria a óbito em pleno oceano Atlântico a bordo de um navio quase três anos depois, enquanto era conduzido para ser julgado em Portugal
Pedro Poti (1608–1652): O Líder Potiguara e a Resistência na Insurreição Pernambucana
Pedro Poti (nascido na capitania da Paraíba em 1608 e falecido no oceano Atlântico em 1652) foi um destacado líder indígena da etnia potiguara. Durante o século XVII, em meio aos violentos conflitos das Guerras Holandesas no Brasil, Poti destacou-se como um aliado estratégico e militar das forças da Companhia das Índias Ocidentais (neerlandesas) contra o domínio da Coroa Portuguesa.
Trajetória e Aliança com os Neerlandeses
Pertencente à nação potiguara — cujos grupos tradicionais habitavam o litoral norte da Paraíba e o Rio Grande do Norte —, Pedro Poti integrou o contingente de indígenas que optou por apoiar os neerlandeses em sua expansão no Nordeste açucareiro.
Devido à sua importância política e militar perante a administração batava, Poti realizou uma viagem à Europa, sendo levado para as Províncias Unidas (Holanda). Lá, recebeu tratamento de destaque, sendo acolhido e festejado publicamente com honrarias de herói.
Prisão na Segunda Batalha dos Guararapes
O destino de Pedro Poti mudou drasticamente com o enfraquecimento e a expulsão gradual dos neerlandeses. Em 19 de fevereiro de 1649, durante a Segunda Batalha dos Guararapes (marco decisivo da Insurreição Pernambucana), Poti foi capturado pelas forças luso-brasileiras.
O rigoroso tratamento infligido ao líder potiguara foi documentado por cronistas da época e compilado por historiadores e antropólogos. Em sua obra O povo brasileiro e em A fundação do Brasil: testemunhos, 1500–1700, o antropólogo Darcy Ribeiro retrata o suplício vivido por Poti nos cárceres portugueses:
"Pedro Poty, regedor da infeliz nação, tendo caído prisioneiro dos portugueses a 19 de fevereiro de 1649, na segunda funesta batalha de Guararapes, foi barbaramente tratado por aqueles algozes, excedendo [
com] o que perpetraram a todas as crueldades por mais desumanas que se possa imaginar: era constantemente acoitado, sofreu toda espécie de tormentos, foi atirado, preso por cadeias de ferros nos pés e mãos, a uma enxovia escura, recebendo po r alimento unicamente pão e água, e realizando ali mesmo durante seis longos meses as suas necessidades naturais. (...) A concessão qu e lhe davam algumas vezes de sair dali uma ou mais horas para gozar a luz do dia, [o que] longe de aliviá-lo antes lhe recrudescia os males."
Morte e Legado
Após suportar anos de aprisionamento, maus-tratos extremos e interrogatórios, Pedro Poti foi embarcado sob custódia para ser julgado em tribunais metropolitanos em Portugal. No entanto, enfraquecido pelas torturas e pelas péssimas condições da viagem, Poti viria a falecer em pleno oceano Atlântico, a bordo de um navio, por volta de 1652, encerrando de forma trágica a trajetória de um dos mais influentes líderes indígenas do período colonial brasileiro.
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