sexta-feira, 4 de novembro de 2022

OS IMIGRANTES ITALIANOS CHEGAM EM MORRETES

 OS IMIGRANTES ITALIANOS CHEGAM EM MORRETES

"Por volta de 1872, chegou em massa a imigração italiana, fundando a Colônia Nova Itália com os seus diversos núcleos. Os italianos aqui aportaram e encontraram um povo amigo e acolhedor que os recebeu de braços abertos. Aqui assentaram as suas primitivas vivendas, trabalharam de sol-a-sol, dispostos a lutar e a vencer. Pesquisando este solo, passo a passo, buscaram o progresso próprio e o desta nação, aproveitando ao máximo a generosidade da terra, para ter uma vida digna com o fruto do trabalho.
Hoje, os seus descendentes - filhos, netos, bisnetos e trinetos, brasileiros integrados no senso pátrio, estão espalhados por este Brasil. Aonde quer que se vá, encontraremos os descendentes daqueles imigrados que aqui chegaram, ansiosos por uma vida melhor, e a conseguiram. Hoje os vemos por toda a parte, exercendo as mais variadas funções e profissões na comunidade brasileira: políticos, administradores, artistas, professores, clérigos. Na medicina, no direito e na engenharia, na indústria e comércio, na lavoura, o nome italiano está sempre evidenciado na liderança representativa de uma etnia que se ajustou num caldeamento predestinado a um grande povo, o que nos leva a crer nos destinos deste nobre país.
O empresário Savino Tripotti iniciou os preparativos para a fundação da Colônia Alexandra, ainda em 1872, quando chegou da Itália a primeira leva de imigrantes, com a galera "Ana Pizzorno" e pelo navio "Liguria". Muitos italianos que vieram, não se destinavam propriamente ao Paraná. Eram obrigados, muitas vezes, a interromper a viagem, quer pela beleza da paisagem tropical, quer por cansaço ou doença, ou para abreviar o sofrimento das crianças que adoeciam e morriam a bordo, entulhadas que eram nas terceiras classes ou porões de navios infectos, junto às caldeiras, iluminados por insuficiente luz artificial, sem que nem mesmo o vento do mar chegasse até eles para minorar o calor sufocante.
Devido ao balanço do navio, que jogava muito, a maioria enjoava e já no segundo dia de viagem não havia um lugar seco onde pisar; poças de vômito espalhavam-se por todo o lado. Não bastasse isso, mais tarde, durante a travessia, combalidos, estranhando a comida a bordo que não era boa, sobrevinha a diarreia, e as mães que amamentavam perdiam o seu leite e, em consequência, as crianças pereciam.
Chegados em Paranaguá, eram alojados na Casa da Imigração, recebendo sua primeira alimentação em terra - aí, alguns tiveram a sua primeira decepção. Vendo sobre a mesa várias cuias de farinha de mandioca, avançaram para as mesmas, à voz de "formaggio, formaggio...", pois a muito não comiam queijo; mas de imediato cuspiram fora, sentindo que o gosto não se amoldara aos seus paladares (pensavam ser queijo ralado). Da Casa da Imigração, eram encaminhados à Colônia Alexandra, correndo as despesas de hospedagem e o transporte, por conta do Governo da Província.
Ao chegarem os colonos nas áreas que lhes eram destinadas, viam logo que não era bem a sonhada terra que eles imaginavam. Muitos dos seus lotes ficavam em lugares ermos, praticamente inabitáveis. Alguns deles ficavam em terreno alagadiço, arenoso ou pedregoso, longe dos centros mais populosos como Morretes e Paranaguá, provocando desânimo na posse da nova terra.
Como ignoravam o rigor do clima, que era muito quente no litoral, e outros aspectos da ecologia da região, ainda mais, o desconhecimento de como prevenir e acautelar-se contra animais ferozes, ofídios e insetos, que em grande quantidade existiam no lugar, de como começar uma agricultura rápida, tudo isso, agravado pela inexperiência no idioma, sobrevinha para os menos fortes o total esmoreci mento que influiu negativamente no colono italiano.
Se isso não bastasse, sucediam-se os casos de doenças. Havia falta de médicos, e pelos altos preços que estes cobravam pelos seus trabalhos, eram pouco procurados.
Nos casos de emergência, apelavam para os curandeiros, charlatães que gozavam de grande prestígio entre a população nativa, não menos ignorante e supersticiosa.
Por esse tempo chegaram à Província mais 870 colonos italianos com destino a Alexandra, dirigida por Savino Tripotti. Este, dizendo que estava sem recursos até para manter os antigos colonos, abandonou-os declarando que não tinha meios sequer para os primeiros suprimentos.
Por sua vez, os imigrantes recém-chegados declararam que tinham vindo iludidos e ao saberem do aperto porque estavam passando os seus patrícios, não quiseram absolutamente pertencer a Colônia Alexandra. Negaram-se a fazer parte da referida Colônia por vários motivos, e estas queixas e alegações provocaram os seguintes acontecimentos:
1º- Transferência de colonos de Alexandra para a Colônia Nova Itália, em Morretes.
2º- Criação de novos núcleos no planalto curitibano.
3º- Rescisão de contratos estabelecidos entre o Império e Empresários. Isso não impediu que novos empresários continuassem a introduzir italianos no Paraná.
Naquelas condições, as autoridades, de acordo com o Inspetor Geral da Colonização, resolveram transferi-los para Morretes, onde existiam terras férteis, próprias para todo o gênero de cultura. Mas o descontentamento persistiu em Morretes, onde a precariedade dos caminhos era semelhante às dificuldades da Colonia Alexandra, e muitos colonos, em situação crítica, puseram-se em debandada. Enquanto isso, o Governo providenciava a medição de terrenos no planalto curitibano para a formação de novas colônias. (Scnino Tripotti era natural de Teramo, no Abruzzo. Veio para a América fugido da justiça italiana, sendo mais tarde absolvido da acusação que lhe imputavam.).
A DESERÇÃO
A Colônia Nova Itália começara a sofrer o êxodo, abundante nos seus primeiros tempos, a ponto de assustar as autoridades encarregadas da colonização, pressentindo estar em risco o êxito da iniciativa. Pensara-se então ser o clima, o maior fator do esvaziamento. Além das condições climáticas que em parte contribuíram para afugentar os imigrantes, também, surtos mórbidos vitimavam os colonos.
Muito duvidoso era, então, acreditar-se que só o clima determinava a fuga de muitos para o planalto. Porém é sabido, que muitos deles, um dia, retornaram espontaneamente aos seus primitivos lotes da Colônia Nova Itália em Morretes. Haviam colonos carpinteiros, pedreiros, canteiros, alfaiates, sapateiros, etc. Muitos foram impelidos à construção da estrada de ferro Paranaguá-Curitiba (1881-1885), aproveitados principalmente no seu trecho mais difícil (Volta Grande à Roça Nova), onde demonstraram os seus conhecimentos de cavouqueiros, perfuradores de túneis, preparadores de minas, sendo nesses misteres muito eficientes. Anteriormente, também trabalharam na estrada de rodagem Graciosa.
No livro n° 239 intitulado 'Livro de Contas de Colonos de Morretes - 1878', encontram-se nomes de imigrantes como: Lazarotto Pietro, Taverna Giacomo, Trevizan Giuseppe, Simioni Giovani, Mocelin Adamo, Mottin Giovani, Maschio Francesco e outros, aos quais o Governo Provincial creditava utensílios, ferramentas, alimentos e outros pertences úteis ao seu trabalho. A procura de trabalho na estrada de ferro foi tão grande por parte do imigrante (Arquivo Público, Livro de Ofícios n° 16-1 880) que se fez disso um caso de polícia enfrentado pelas autoridades de Morretes, onde estavam os escritórios da companhia. Em 10 de agosto de 1880, dirige-se o delegado de polícia Antonio Polidoro, ao Presidente da Província, solicitando o aumento do destacamento local: - "Invadida como se acha esta cidade (Morretes) por estrangeiros que procuram serviços na Estrada de Ferro".
Mais tarde, com a decadência da Colônia Cecília (anarquistas) localizada no município de Palmeira, os italianos, tendo perdido suas terras, dispersaram-se, e ficaram perambulando sem destino em busca de trabalho para que pudesses reconstruir suas vidas.
Na ocasião, a construção da estrada de ferro nos trechos de Restinga Seca à Palmeira e entre Palmeira e Lago, ofereceu a essa gente oportunidade de emprego, beneficiando tanto às obras quanto aos colonos, sendo esse trabalho assalariado a arrancada para uma vida melhor e estável, e o olvido de seus ideais anárquicos. Inúmeros toparam o trabalho assalariado na estrada de ferro. Os do litoral, muitos deles subiram a serra junto com os trilhos e por lá ficaram. Os que permaneceram foram aos poucos se adaptando ao meio, adquirindo costumes locais e, em troca, introduzindo conhecimentos e costumes trazidos de sua longínqua terra de origem.
Em 1886, muitos italianos já possuíam títulos provisórios dos seus lotes, recebidos por autorização do Presidente da Província. Pelos idos de 1885-1886, fundaram-se sociedades de imigração em Morretes e Porto de Cima, que muito concorreram para o bom êxito e o bom andamento dos núcleos. Colaboravam em tudo no sentido de dar pronto atendimento às colônias, revelando o cuidado pela instalação conveniente de novos imigrantes que chegavam à Província.
Sobressaiu-se nesse setor, a Sociedade de Imigração de Porto de Cima, a qual tinha por fim ocupar-se com tudo o que se inclinava a favorecer o aumento da imigração e o bem estar dos núcleos.
O SUCESSO
Souberam os colonos italianos, em poucos anos de permanência entre nós, conquistar a simpatia dos brasileiros com os quais passaram a viver na maior e melhor harmonia, pouco a pouco amalgamando-se, aprendendo o vernáculo, os seus costumes e unindo as duas raças parecidas através de matrimônio cruzado.
O jornalista italiano Alfredo Cusano, que esteve no Brasil durante cinco anos, publicou na Itália o seguinte depoimento (resumido) quanto ao estabelecimento de imigrantes italianos em nosso país:
"Itália Oltre Mare - Impressioni e Ricordi Dei Miei Cinque Ani di Brasile" (Milão, 1911).
Começando pelas colônias do município de Morretes, isto é: Sítio Grande, Porto de Cima, Alexandra, América, Rio do Pinto, Anhaia e outras que, como já frisei, são muito prósperas, encontramos por volta de uns quarenta que saíram da mediocridade para uma vida melhor.
Destes, três usufruem de uma verdadeira riqueza, porque o seu patrimônio oscila entre 200 mil liras a meio milhão, a saber:
Salvatore Scucato, vindo de Vicenza em 1888; a viúva Brambilla e Marcos Malucelli, o mais rico de todos, que produziu um engenho de cana de açúcar.
Doze possuem uma fortuna que varia de 80 a 150 mil liras, a saber:
Giuseppe Gnatta, de Vicenza; André Buzetti, Vicente Bettega. Bôrtolo Foltran, José Sanson e Benjamim Zilli, de Treviso; Alexandre Brandalize, de Belluno; Antonio Chierigatti, de Môntova; Antonio Pedinato, de Vicenza, e Antonio Consentino, de Cocenza.
Finalmente, vinte e cinco possuem de 50 a 80 mil liras, a saber: Júlio Vila Nova, Antonio Fruscolin, Luiz de Fiori, Antonio de Bona, Battista Citti, Ângelo de Rocco e Ângelo Ciscata, de Belluno; Antonio Robassa, Francisco Filipetti, Pedro Callegari, Luiz Tonetti, André Simon, José Dal' Col, Domingos Dall' Negro, Marcelino Meduna e Antonio Orreda, de Treviso; Antonio Dalcucchi, de Mântova; Pio Manosso, Ângelo Pilotto, José Fabris e Marcos Tosetto, de Vicenza.
E outros como: Valério, Turin, De Mio, Fante, Cherobin, Sotta, Ghignone, Fontana, Dall' Stella, Borsatto, Grandi, Piazza, Mazza, Gregorini, Bindo, Lati, Pontoni, Bacci, Madalozzo, Della Bianca, Pasquini, Gobbo, Zanardi, Canetti, Moro, Bavetti, Cavagnoíli, De Lay, Mori, Possiedi, Piovesan, Sundin, Miranda, Bertholdi, Bortholin, Triacchini (Triaquim), Curcio, Meneghetti, Contin, Cavogna, Bazzani, Grossi, Cavagnari, Brustolin, Belotto, Bergonse, Bertagnolli, Bortholuzzi, Carazzai, Carta, Casagrande, Cavalli, Cavallin, Cheminazzo, Chiarello, Zicarelli, Cini, Cit, Conte, Costa, Cusman, Dall' Ligna, Daí Lin, Dea, De Carli, De Paola, Dirienzo, Dotti, Ercole, Scarante, Favoretto, Comandulli, Ferrari, Ferrarini, Fraxino, Ferruci, Gabardo, Galli, Gaio, Gasparin, Grigoletto, Guzzoni, Jacomelli, Lazzarotto, Lucca, Lunardeli, Manfredini, Marchioratto, Marconsin, Marcon, Menin, Moreschi, Menegazzo, Molinari, Muraro, Nadalin, Nori, Olivetti, Orlandi, Panzolini, Pietrobom, Pilatti, Poletto, Possiedi, Ramina, Ramagnolli, Roncaglio, Rossetto, Rossi, Salvare, Santi, Savio, Scarpin, Scorzin, Scremin, Semionatto, Simeão, Sperandio, Sguário, Stocco, Stocchero, Strapasson, Talamini, Feltrin, Tessari, Giglio, Tosin, Tozetto, Tramontini, Trevisan, Trombini, Todeschini, Túllio, Valenti, Valenza, Vicentini, Volpato, Vardanega, Zalton, Zeni, Zem, Zampieri, Zanardini, Zanella, Zanetti, Zanier, Zanon, Zortea e muitos outros (Texto de Maurício Ferrarini.".
Paulo Grani.

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Primeira capela construída pelos imigrantes.

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Típica casa construída pelo governo, para as famílias de imigrantes.
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Rio Nhundiaquara e seu entorno, década de 1910.

Na década de 1950 era construída uma Capela (ainda sem nome) no local onde era o restaurante estudantil do Centro Politécnico, atual ginásio de esportes da Escola São Carlos Borromeu.

 Na década de 1950 era construída uma Capela (ainda sem nome) no local onde era o restaurante estudantil do Centro Politécnico, atual ginásio de esportes da Escola São Carlos Borromeu.

ANTIGA CAPELA DE SÃO CARLOS BORROMEO
Na década de 1950 era construída uma Capela (ainda sem nome) no local onde era o restaurante estudantil do Centro Politécnico, atual ginásio de esportes da Escola São Carlos Borromeu.
Na época vinha rezar missa o Padre Júlio Saavedra da Paróquia de São Paulo Apóstolo, no Uberaba. A comissão encarregada de cuidar da Capela convocou os moradores para escolher um nome, os quais escolheram o nome de São Carlos Borromeo.
Em 1967, a capela foi desmontada e transportada do Centro Politécnico para o atual endereço, o qual recebeu o nome de rua Padre Júlio Saavedra, em homenagem ao pároco.
Paulo Grani.

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A COLÔNIA NOVA ITÁLIA EM MORRETES

 A COLÔNIA NOVA ITÁLIA EM MORRETES

"A Colônia Nova Itália foi fundada em 22 de abril de 1877, iniciada por imigrantes vênetos retirantes da Colônia Alexandra. Era formada por 12 núcleos, num total de 610 lotes demarcados, mas com poucas casas construídas. O município de Morretes contava com sete núcleos: América (de Cima e de Baixo), Sítio Grande, Sesmaria, Rio do Pinto, Anhaia, Rio Sagrado e Nossa Senhora do Porto. O município de Porto de Cima com cinco núcleos: Marques, Ipiranga, Bananal, Cari e Esperança.
Em janeiro de 1878, época em que o Governo da Província designou o engenheiro André Braz Chalréo para dirigir a Colônia, a situação dos imigrantes era deplorável.
Mais de oitocentas famílias viviam em barracas ou casas alugadas, alimentando-se do que lhes fornecia o Governo (Romário Martins). Numa de suas visitas, o Presidente da Província Dr. Rodrigo Otávio, a fim de examinar as colônias do litoral e, em particular, a Colônia Nova Itália, que mais chamava a atenção pelas queixas, encontrou-a em estado lastimável: os colonos quase na miséria, sem roupas, habitação apenas suportável, sem sementes para o plantio.
Estavam em completo desânimo; seus terrenos eram alagadiços e ruins.
As más condições da colonização fizeram com que muitos italianos solicitassem sua volta à terra de origem, ou transferência para outros países sul americanos, visto que todos os pedidos às autoridades provinciais eram negados, em virtude da falta de verbas.
Os mais velhos contavam a história de um italiano já de certa idade, que blasfemava contra este estado de coisas e desejava voltar a todo custo para sua terra natal, onde queria morrer. Dizia ele: "Questa sporca terra dei Brasile nom mi mangiara". E não comeu mesmo, diziam os antigos, pois, ao ser exumado o seu corpo, ao final do período regulamentar, estava mumificado. Fez-se o desejo do italiano e a terra brasileira, também, o rejeitou!
AS REIVINDICAÇÕES
Quando da visita de S.M.I. D.Pedro II à Província do Paraná, no ano de 1880, os italianos residentes nas diversas colônias de Morretes aproveitaram a ocasião para bombardearem-lhe com requerimentos de diversos pedidos:
- "Giacomo Arboit e outros, abaixo assinados, colonos moradores no núcleo Rio Sagrado, Colônia Nova Itália, solicitando ao Imperador que lhes mande fornecer a ferragem e mola para estabelecerem um moinho para preparar o milho preciso à sua alimentação". Morretes, junho de 1880.
- "Alexandre Bridarolli e outros, abaixo assinados, de colonos do núcleo Sesmaria, solicitando cobertura de telhas para as suas pequenas casas que são precariamente cobertas de palha". Morretes, 3 de junho de 1880.
- "Os mesmos solicitando que lhes seja concedida passagem gratuita na balsa que comunica o caminho de Barreiros com a cidade ou melhor, que se arrecade o produto dessas assinaturas para favorecer a construção de uma ponte, sem o que procurarão estabelecer-se em outros núcleos assim favorecidos". Morretes, 3 de junho de 1880.
- "Giovani Tassi e outros, abaixo assinados, ao Imperador, residentes no núcleo Rio do Pinto, solicitando que se cumpra a promessa de serem cobertas de telhas as suas casas". Morretes, 3 de junho de 1880.
- "Joseph Comei, sendo um dos primeiros colonos que se estabeleceram na colônia N.S.do Porto, solicita a V.M.I. que se digne manda abonar ao suplicante a alimentação a que tem direito, e cobrir de telhas sua casinha". Morretes, 3 de junho de 1880.
- "Caterina Vollodel, colona moradora na colônia N. S. do Porto, lote número 27, suplicando a S.M.I., a graça de mandar para a sua companhia seu filho Pietro, a mulher e os três filhos que o Governo mandou para Santa Catarina, ficando assim inconsolável a suplicante sem saber o destino que tiveram". Morretes, 2 de junho de 1889.
Muitos dos requerimentos não tiveram o devido encaminhamento, e, se tiveram, alguns não foram agraciados com o respectivo despacho."
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Sobrados dos Malucelli em Morretes, em 1914.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

VAPOR "CURITIBA"

 VAPOR "CURITIBA"

Na foto da primeira década de 1900, o vapor "Curitiba" navegando no rio Iguaçu tendo por torcida ribeirinha a criançada que ansiosamente aguardava a passagem dos vapores.
O vapor "Curitiba" foi o quarto vapor a navegar no rio Iguaçu, lançado em 1893, com casco de fundo chato, roda traseira, tinha 19 metros de comprimento e 4,5 metros de largura, potência de 45 HP, e pertencia à firma Burmester Thom & Cia.
O Curitiba era destinado ao transporte de passageiros, mas levava alguma carga. Nos períodos de estiagem vários barcos encalhavam nos baixios, porém, o Curitiba tinha fundo chato que permitia trafegar nos períodos de estiagem.
A navegação estava apenas no início, pois os barcos pertenciam a empresários, em sua maioria ligada ao ramo da erva-mate. Porém, a navegação estava limitada ao período das safras, parando quase que completamente no período da entressafra, além disso, os longos períodos de estiagem, em que o rio diminuía seu nível, comprometiam a navegação dos demais vapores que não tinham fundo chato, obrigando-os a interromper o transporte nesses períodos.
Com isso, a tripulação dos vapores, mão-de-obra especializada composta por pilotos, maquinistas, marinheiros e mecânicos não poderia ser dispensada a todo o momento, tendo o risco de não poder contar com eles diante da normalidade das atividades. Isso representava um custo muito elevado aos proprietários das embarcações, forçando-os a operar como empresa de transportes gerais, alternativa que não convinha ao industrial do mate.
Os vapores não possuíam grandes proporções por causa da imposição das características dos rios pelos quais navegavam. Aos poucos os vapores foram evoluindo. Do transporte de mercadorias, principalmente madeira (quando iniciada a indústria madeireira no Vale do Iguaçu) e erva-mate, paulatinamente foram se adaptando ao transporte de passageiros, instalando-se cabines e refeitórios razoavelmente confortáveis para a época. As variações de condições da navegabilidade do rio e o agenciamento de transporte de cargas e de passageiros causavam aborrecimento aos donos dos vapores, obrigando os mesmos a adaptarem seus barcos conforme determinada demanda.
Paulo GraniNenhuma descrição de foto disponível.

Flagrante de um histórico momento da então Rua Fechada, Curitiba, em 1880, captado pelo fotógrafo José Durski, atual rua José Bonifácio.

 Flagrante de um histórico momento da então Rua Fechada, Curitiba, em 1880, captado pelo fotógrafo José Durski, atual rua José Bonifácio.


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"VARRA A SALA, ENQUANTO VOCÊ ESPERA"

 "VARRA A SALA, ENQUANTO VOCÊ ESPERA"

"Uma cobrança rendeu juros à vovó curitibana Elvira Wolowska Kenski. Tudo se deu nos tempos que era criancinha, quando o Paraná ficava lá no fim do mundo. Elvira era ainda menina de tranças na hora em que seu pai, dono de uma marcenaria na Rua Comendador Araújo, mandou que ela fosse ao consultório de um protético, logo ali, para que lhe pagasse, sem choro.
Ao ver a mensageira loira como uma espiga de milho, filha de imigrantes por certo, o devedor lhe sugeriu que, enquanto esperava, desse uma “varrida na sala”. Não precisou repetir, saberia até dançar com a vassoura, se preciso fosse. Terminado o serviço, recebeu o convite para trabalhar no consultório, sem receber um tostão furado nos primeiros três meses, que ficasse claro.
Pois o desaforo lhe saiu melhor que a encomenda. Elvira aprendeu a esculpir próteses dentárias como ninguém, para alegria das bocas banguelas da então “Cidade Sorriso”. Foi assim que decidiu o que queria do futuro. Seria dentista, à revelia de nunca ter cruzado com uma na Rua do Fogo ou na Aquidaban. Pelo que tudo indica, foi uma das cinco primeiras a abraçar o ofício por aqui.
Ela nasceu em 1914, numa Curitiba de 70 mil habitantes e dois veículos apenas. Na época em que isso se deu, as gurias faziam o Normal, quando muito. Casavam-se tão logo lhe apontassem os seios. No caso de Elvira havia uma agravante – além de ser mulher, vinha da comunidade polonesa, identificada com o isolamento das colônias, à margem do charleston, o ritmo de então. Sabia que teria de bater em ferro frio. Ademais, tinha um exemplo em casa: sua irmã mais velha, Wladislawa, lhe abrira caminho ao ingressar no curso de Medicina. Os grupos de gênero deviam estudar as irmãs Wolonska.
No primeiro dia de aula na então Universidade do Paraná, encontrou apenas uma outra aluna – Joana, de quem se tornou amiga até o outono de suas vidas. No mais, sentiu-se Elvira, a estranha, espiada por aquele bando de guris nervosos diante do balançar de uma saia. Não lhe davam confiança. Referiam-se em sussurros à “polaca”. “No pejorativo”, garante. Um artigo de jornal lido então lhe confirmou as piores impressões – o colunista bradava que “até a filha de operários poderia se tornar doutora”. Aquilo lhe dizia respeito.
A página só virou a favor de Elvira nas ditas aulas de prótese. Valeram o show. Os galalaus bem nascidos da Odonto tinham os boletins tingidos de sangue, não o das gengivas, mas o da caneta vermelha do professor. Não se davam bem com os melindres das espátulas e das químicas diabólicas que convertiam pós em dentes.
Quanto à polaca, nota 9,5. Elvira convidou a turma à sua casa, para umas aulas de reforço. Descobriram a Polônia. Impressionaram-se com a construção de madeira, a mesa farta, o colorido. Comeram os bolinhos de banana feitos pela mãe, dona Maria Skroch, com a volúpia dedicada aos quitutes da Cometa. “Vocês é que são felizes”, disse-lhe o filho de um banqueiro, ao filar o último bolinho do prato.
Naquela noite, Elvira ganhou amigos. Faz uma data. Hoje, mora muito bem, obrigada, no século ao qual a maioria de seus colegas não teve a sorte de chegar. Mesmo assim, sonha achá-los distraídos por aí, ressuscitados por algum capricho da máquina do tempo. “Na XV os encontramos, quem sabe?”, sugere à filha Rossana Matta, a cada vez que a seduz para que façam juntas um footing na Rua das Flores. Antes que me esqueça, Elvira tem 100 anos.
Ela nasceu em 1914, numa Curitiba de 70 mil habitantes e dois veículos apenas. Poucos se lembram. De acordo com o Censo 2010, a capital paranaense teria 140 pessoas com 100 anos ou mais. São os poucos contemporâneos da senhora Kenski, anônimos na casa do milhão – de gente e de automóvel. Pergunto se conhecia Hedwiges Mizerkowski, morta ano passado, aos 104 anos, retratada no documentário A polaca, de Fernando Severo. “A Iadja? Claro.” Nos últimos 50 anos se falavam mais era pelo telefone. Como tantos se foram, que venham os novos amigos.
“Me chame de você”, pede. Traja blusa fúcsia, calça comprida e crocs brancos, pelos quais se desculpou. As paredes do apartamento no Cristo Rei são rosa, cobertas de cerâmicas. “Sabe o Theodoro Makiolka, o da rua? Pois era irmão do meu avô”, diz, para depois emendar que foi uma barra ser polonês em Curitiba. Passou. Prefere é rir. E ri solto, como uma colônia inteira assistindo a uma peça de Alexander Fredro.
Pierogi completo. Fala com intimidade das desditas da Polônia em tempo de guerras. De Lamenha Lins e das colônias. De ter conhecido o advogado Miecislau Napoleão Kenski na Sociedade Tadeusz Kosciuszko. Tiveram cinco filhos. Em viagem à Polônia, já entrada em anos, queriam saber de onde vinha o talhe doce de sua pronúncia polonesa. Melhor que isso, suspira ao lembrar o dia em que ficou “frente a frente com Lech Walesa”.
Quando lhe perguntam sobre a vida longa, avisa ter resposta pronta. Empluma-se a velha senhora e declama um verso da poetisa Helena Kolody, de quem foi vizinha:
“Acha a vida linda? Gosta de agir? Faz planos? Sorri de seus enganos? Sabe sonhar ainda? É jovem apesar dos anos”.
Só resta pedir que declame mais uma vez. Depois aceitar o sonho de goiaba que insiste em me oferecer."
(Foto2: Hugo Harada / condensado do texto de José Carlos Fernandes, publicação: gazetadopovo.com.br)
Paulo Grani.

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Elvira Wolowska Kenski na mocidade: alfabetizada em polonês, criada às voltas da colônia eslava de Curitiba, rompeu com os costumes ao entrar para a faculdade de Odontologia da Universidade do Paraná, hoje UFPR, em 1933. Tornou-se uma das primeiras dentistas de Curitiba. De acordo com pesquisa do professor Luís Fernando Boros, da UFPR, a pioneira foi Helena Viana Seiler, graduada em 1914, ano em que Elvira nasceu.

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Foto2, Elvira com 100 anos, em 2015.

INRI, O POLÊMICO E FOLCLÓRICO PERSONAGEM DE CURITIBA

 INRI, O POLÊMICO E FOLCLÓRICO PERSONAGEM DE CURITIBA

" Quem nasceu, passou ou vive em Curitiba nas últimas duas décadas, provavelmente já ouviu falar de um personagem ícone da cidade: INRI Cristo, que afirma ser a própria reencarnação de Jesus Cristo. Assim como Oil Man, a mulher que gritava Borboleta 13 na Rua XV, mímicos, estátuas e outras pessoas que marcam a história dos curitibanos, INRI Cristo chegou a ter uma sede da Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade (Soust) por aqui.
Há pouco mais de uma década, no entanto, suas andanças na cidade ficaram mais raras. Ele mudou-se para Brasília, como previsto na fundação da Soust, por uma “ordem de Deus”. Antes disso, porém, foi em território curitibano que ele começou a ganhar fama.
Era 1962 quando INRI desembarcou em Curitiba pela primeira vez. Aos 14 anos, o adolescente de Indaial, Santa Catarina, ficou hospedado em um hotel próximo à rodoviária. Naquela época ele ainda não havia tido o que acredita ser a revelação de que era a “reencarnação de Jesus Cristo“, o que só aconteceu em 1979, durante um jejum em Santiago, no Chile. Por isso, o jovem levava uma vida comum, trabalhando como mascate e corretor. Apenas mais um rosto na capital paranaense.
No ano seguinte ele participou, inclusive, da inauguração de um dos cinemas mais tradicionais da cidade, o Cine Vitória, fechado em 1987 para a construção do Centro de Convenções de Curitiba. Anos mais tarde, depois de fundar a Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade (Soust) em Belém do Pará, ele voltou à cidade para estabelecer sua igreja. Foi com a ajuda da Gazeta do Povo, aliás, que o endereço foi escolhido.
“O imóvel onde foi estabelecida a sede provisória no Alto Boqueirão foi localizado após várias buscas em anúncios na Gazeta do Povo”, revela. O lugar deveria ser uma mercearia, mas, segundo INRI, o alvará foi negado pela Prefeitura, o que possibilitou que a Soust ficasse sediada ali por nada menos que 24 anos. A casa em questão, na rua Danilo Pedro Schreiner, ainda existe, mas já não exibe a placa em que se lia “Sede Provisória do Reino de DEUS”.
O que INRI fazia em Curitiba?
Jogar boliche no Shopping Curitiba, caminhar no Parque Barigui, assistir a concertos no Teatro Guaíra. Poderia ser apenas um dia normal na vida de um curitibano típico, mas essa é a descrição de alguns dos programas que INRI Cristo mais gostava de fazer quando morou em Curitiba, entre 1982 e 2006.
Apesar do tempo na cidade, ele diz não levar daqui o sotaque característico. “Deveras é um sotaque bem peculiar [o do curitibano]”, avalia. Mas emenda que, por ter “consciência universal”, é imune a trejeitos e a mudanças no sotaque ou no jeito de ser. Por isso, não levou das terras curitibanas nem mesmo o “E” carregado do “leite quente”.
Em Brasília
Instalado em Brasília desde 2006 por “ordem divina”, INRI diz ter muito carinho por Curitiba e pelas pessoas da cidade. “O que mais gostava em Curitiba era encontrar filhos de Deus que lá residiam e vinham à minha presença nas reuniões de sábado. Alguns tiveram a missão de me assessorar em todos os sentidos, inclusive enfrentando hostilidade dos que ignoravam e ignoram minha real condição e identidade.” Fora da sede da Soust e além desses encontros, o cotidiano do Filho de Deus era tipicamente curitibano.
“Muitas vezes caminhei com meus discípulos até o zoológico no Parque Iguaçu, também fiz caminhadas no Barigui. Nos últimos tempos visitei alguns parques da cidade, a Ópera de Arame, assisti a um concerto no Teatro Guaíra, onde sei que um dia voltarei para falar ao povo curitibano”, conta INRI. Ele também diz que gostava de assistir a “filmes clássicos do cinema mundial, incluindo faroeste” e disputar partidas de sinuca com amigos que o visitavam no Alto Boqueirão.
Hostilidade
Mas nem só de alegrias viveu INRI em Curitiba. De acordo com seus relatos, foi um período de muito trabalho para que as pessoas reconhecessem sua verdadeira identidade. “O Senhor disse que eu haveria de permanecer em Curitiba até que o povo dessa cidade não me chamasse por outro nome a não ser INRI Cristo. Nesse lugar o Senhor colocou diante de mim muitas cobaias vivas para eu conhecer os diferentes comportamentos de meus contemporâneos.”
Depois de passar mais de duas décadas vivendo aqui, ele tornou-se uma das figuras lendárias da cidade – e recebeu até homenagens antes de se mudar para Brasília.
“Fui convidado a participar da campanha do Festival de Teatro de Curitiba, não como artista, mas para prestigiar a arte. Minha imagem em tamanho real ficou espalhada pelas ruas da cidade nos pontos de ônibus. Foi uma espécie de carinhosa homenagem dos curitibanos. É essa a imagem, a sublime lembrança que carrego do povo curitibano”, relata.
Com o tempo, tal qual está escrito na Bíblia, INRI parece ter “vencido o mundo” e aprendido a lidar com a hostilidade daqueles que não acreditam no que diz. Hoje, mantém um canal no Youtube em que publica vídeos sobre assuntos que vão de “livre-arbítrio” a “bonecas de silicone”, passando ainda por “Pablo Escobar“, “ioga” e “rodeios”.
Sua conta no Twitter tem mais de 13 mil seguidores e, no Instagram, mais de sete mil. É muita gente, mas nada comparado à página oficial no Facebook, com mais de 338 mil inscritos. Além das atividades nas redes sociais, INRI também responde perguntas e concede bênçãos todo sábado, às 11h, por meio de sua TV online, e recebe os “filhos do coração” na sede da Soust, em Brasília.
Ele diz que sente falta da organização dos curitibanos, mas se lembra sem saudades de outras características da cidade. O que menos gostava era “do característico frio de Curitiba, em todos os sentidos.”
(Texto e fotos extraídos da Gazeta do Povo)
Paulo Grani

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Bem poderia ser um dia como hoje no longínquo ano de 1911, na Rua Desembargador Motta no Batel.

 Bem poderia ser um dia como hoje no longínquo ano de 1911, na Rua Desembargador Motta no Batel.

Bem poderia ser um dia como hoje no longínquo ano de 1911, na Rua Desembargador Motta no Batel.
Impossível dizer-se que sente saudades desse tempo, pois ninguém vivo hoje em dia, por mais velho que seja não alcançou essa época, mas que é uma bela viagem, isso sim.
Colorizada por IA, em foto de Augusto Weiss, do acervo de Paulo J. Costa.

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As placas publicitárias anunciavam filmes em cartaz nos cinemas da cidade. A Noite Sonhamos (1945); Pimpinela Escarlate e Sua Última Cartada, ambos de 1935.

 As placas publicitárias anunciavam filmes em cartaz nos cinemas da cidade. A Noite Sonhamos (1945); Pimpinela Escarlate e Sua Última Cartada, ambos de 1935.


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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

O VAPOR POTINGA

 O VAPOR POTINGA

APORES DO RIO IGUAÇU
O VAPOR POTINGA
O terceiro navio a vapor lançado no Rio Iguaçu em 1891 foi o "Potinga", de propriedade de José Marques, adquirido de Francisco Fasce Fontana. Antes da sua aquisição, navegava pelo rio Tibagi, batizado com o nome “Fontana”.
Tinha 22 metros de comprimento, 5,5 metros de largura e maquinário a vapor com potência de 60 HP. Foi o primeiro com roda propulsora na popa e serviu de modelo para os demais barcos fabricados em Porto Uniao.
Em 1915, foi vendido à Companhia Lloyd Paranaense e seu nome mudado para "Vitória". Em 1943, foi remodelado e repassado para o estaleiro Schiffer & Soldi.
A navegação a vapor no Rio Iguaçu teve início em 1882. Esses barcos movidos com maquinário a vapor, ficaram conhecidos por “vapores”. A partir desta data, foram seis décadas de muitas viagens deles pelo rio Iguaçu, assim poeticamente cantado por Jandir Bianco:
O porto estava lotado
E o povo andando apressado
Era aquele vai e vem
A viagem era embarcada
Quase não existia estrada
Ainda não havia o trem
Ouvi o apito apitar
Era hora de zarpar
Do cais de Porto Amazonas
Ali na primeira curva
O marujo até se encurvava
Para dar adeus à sua dona.
Os barcos a vapor subiam o rio levando erva-mate e madeira, ligando Porto Amazonas a Porto Vitória. Nesse período, a navegação fluvial era um dos principais sustentáculos do desenvolvimento da região. Os barcos também faziam o transporte de passageiros, trazendo os imigrantes europeus para a região, como os poloneses que vieram para São Mateus do Sul. ��
Paulo Grani

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Foto do Vapor Potinga agora renomeado "Victoria", ainda em sua estrutura com os camarotes em baixo, num misto de cargueiro e transporte de passageiros.
Foto: Prefeitura de SMS.