sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

A casa mal-assombrada de Curitiba: a família que nunca mais voltou

 

A casa mal-assombrada de Curitiba: a família que nunca mais voltou

por Fernanda Foggiato | Revisão: Vanusa Paiva

Nelson Raimundo da janela onde viu, há quase meio século, o começo da história. (Foto: Michelle Stival da Rocha/CMC)

“A rua ficou lotada de gente. Saiu até na televisão.” Aos 87 anos de idade, o projetista aposentado Nelson Moacir Raimundo diz lembrar muito bem de toda a movimentação de policiais, repórteres e curiosos, motivada pelas “pedras voadoras”, há quase meio século. O homem ainda mora a poucos metros de onde ficava a casa supostamente mal-assombrada – hoje uma obra paralisada, para a construção de um empreendimento comercial. “Era um monte de gente, os policiais entravam nas casas, atropelando os cachorros”, recorda. “Só faltava a Polícia Federal aqui.”

Na noite do primeiro apedrejamento, registrado no dia 2 de janeiro de 1974, uma quarta-feira, o homem conta que acordou, assustado, com gritos. “Saia!”, bradava Ildefonso Till, proprietário do imóvel na esquina das ruas Professor Nivaldo Braga e Delegado Leopoldo Belczak. Proferindo xingamentos como “safado” e palavras de calão, o vizinho chegou a pensar que Raimundo era o responsável por lançar as pedras. Segundo o aposentado, ele se levantou e, depois de espiar pela janela, decidiu sair, de pijama mesmo, calçando chinelos, para tentar entender o que estava acontecendo. “Ninguém atira uma pedra a mais de 30 metros”, avalia.

>> Perdeu alguma parte da história? Confira:

Parte 1 – A casa mal-assombrada de Curitiba: o mistério das “pedras voadoras”

Parte 2 – A casa mal-assombrada de Curitiba: as missas e as chaves benzidas

Parte 3   A casa mal-assombrada de Curitiba: das “pedras voadoras”, só ficou a história

Raimundo e a mãe se mudaram para o Capão da Imbuia em 1964, para a 92ª “casa patente” entregue em Curitiba pela Companhia Brasileira de Habitação (Cibralar). Financiada pelo já extinto Banco Nacional de Habitação (BNH), a residência era anunciada como o “símbolo da casa própria, porque pode ser adquirida por qualquer pessoa, pois a sua aquisição é baseada no salário mínimo”. Os imóveis, propagandeavam, eram de concreto pré-moldado e tinham “características revolucionárias”, “muito mais avançadas que qualquer casa comum”.

Solteiro, nunca se casou. Na juventude, desejava “ir para o mosteiro”, sonho abandonado, explica, porque precisava cuidar da mãe. Desde que ela faleceu, em 2010, aos 95 anos de idade, o aposentado vive sozinho. Na manhã da entrevista, sua companhia era o radinho de pilhas, sintonizado em um programa religioso. A estante ao lado da cama é adornada por terços. Fotos antigas da família dividem o espaço com imagens católicas, simbolizando Jesus Cristo e Nossa Senhora. Santinhos com orações, colados nos móveis antigos, completam a decoração do cômodo empoeirado.

 

 

A relação com o filho dos Till e outros quatro rapazes do bairro, afirma, era conturbada. “Tinham raiva de mim, me caluniavam, com inveja. Fui caluniado a vida toda”, relata, sentado na mesma cama de onde foi tirado, há quase meio século, sob a acusação de ser o atirador. Raimundo narra que, alguns meses antes dos apedrejamentos terem início, o grupo chegou a tentar armar uma “armadilha” para ele, para incriminá-lo por um falso crime. “Vamos proteger nossas mulheres”, um deles teria dito. “Você ainda vai cair do cavalo”, ameaçou outro membro do grupo.

No começo, eu achei que aquilo era uma grande palhaçada”, diz. Só que as “pedras voadoras”, explica, não deixavam rastro no ar. “O telhado acabou inteirinho”, recorda. “O casal até se mudou, foi morar no litoral. Pouco tempo depois, não lembro ao certo.” Alguns vizinhos, segundo ele, creditavam o episódio a uma “manifestação demoníaca”. Já a tese de Raimundo é que seu anjo da guarda fez aquilo, para protegê-lo do grupo de rapazes do bairro, que tentavam lhe prejudicar.

Nunca ouvi”
Moradora da região desde os 8 anos de idade, Marily Lessnau, hoje com 76 anos, lembra da família Till, mas não dos apedrejamentos. “Essa coisa de assombração, nunca ouvi falar”, afirma. Em 1974, ela conta que morava no Mato Grosso, em função do trabalho do marido. “Não lembro do pai ter comentado nada”, reforça.

De volta a Curitiba, lá por 1976, Marily conta que chegou a morar, por alguns anos, na casa supostamente mal-assombrada, após a mudança dos Till. Jura nunca ter presenciado nada de estranho no local. Antes dela, complementa, outra família já havia residido ali.

A lenda do bosque
Aos 59 anos de idade, o servidor municipal Paulo Gomes mora no bairro há 40 anos. Ele é o funcionário mais antigo do Museu de História Natural do  Capão da Imbuia (MHNCI), onde trabalha desde 1983: “Costumo brincar que faço parte do acervo”.

Quase dez anos depois das “pedras voadoras”, havia, segundo Gomes, boatos, um “diz que me diz” sobre a casa de esquina, de frente para o bosque. “Contam que teve até rapel [dos policiais] nas árvores”, afirma sobre a operação policial na tentativa de localizar o suposto atirador.

“Naquela época, as pessoas vinham visitar o museu por curiosidade das histórias”, aponta. O bosque, revela o servidor, guarda outros mistérios. A lenda é que um padre teria se enforcado ali, muito tempo atrás. “Achavam que ele era a assombração”, recorda. “O falatório da época era isso.” A árvore onde o corpo teria sido encontrado, na trilha que margeia o terreno, apodreceu e “foi sumindo”.

Na década de 1980, diz o servidor, ele montava as vitrines, dentro do bosque, onde ficavam expostas diferentes espécimes taxidermizadas (ou empalhadas, na linguagem popular). As trocas do acervo eram realizadas no cair da noite, quando a visitação já havia sido encerrada.

Ali no escurecer, em meio às árvores centenárias, munido apenas de uma lanterna, já que a trilha não tem, até hoje, postes de energia elétrica, Gomes admite que já levou alguns sustos. “Eu ficava assustado. Eu sentia passos passar assim por trás. Olhava e não tinha ninguém. Bem no local onde diziam que o padre tinha se enforcado”, rememora.

Com o passar dos anos de trabalho, no entanto, o servidor público garante que não ouviu, ou sentiu, mais nada de estranho. Doada pelas famílias Camargo e Reginato à Prefeitura de Curitiba, em 1953, com a condição de que se preservasse a vegetação, a área onde fica o Museu de História Natural Capão da Imbuia (MHNCI) possui 36 mil m2.

Localizado em um remanescente de Floresta com Araucária, tem árvores centenárias. O MHNCI foi instalado em 1963, ainda com o nome de Instituto de Defesa do Patrimônio Natural. Até 1956, havia funcionado como uma seção do Museu Paranaense. No convênio firmado, em 1959, entre a prefeitura e o governo estadual, a proposta era que se chamasse Jardim Botânico de Curitiba.

O Museu de História Natural do Capão da Imbuia atualmente é uma divisão do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA). O acervo do MHNCI está tombado como Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná e a sede constitui uma Unidade de Conservação de Curitiba.

A família Till    
Já viúvo, Ildefonso Till faleceu em Guaratuba, litoral do Paraná, no dia 29 de dezembro de 2014. A esposa, Irene de Oliveira Till, havia falecido na capital, Curitiba, aos 77 anos de idade, no dia 1º de dezembro de 2008.

Filho do casal, Celso Ildefonso Till, que na época dos apedrejamentos tinha 19 anos, também já é falecido. Ele residia em Carapicuíba (SP) e foi a óbito em Osasco, cidade vizinha localizada na Região Metropolitana de São Paulo, no dia 12 de abril de 2005, antes mesmo dos pais. Tinha 50 anos de idade.

Nossa Memória
O mistério da casa supostamente mal-assombrada, atacada por “pedras voadoras”, foi resgatado pela Diretoria de Comunicação Social (DCS) da Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Dividida em quatro partes, publicadas nas duas últimas semanas, a história é tema da primeira temporada da série “Curitiba Horror Stories”. O projeto faz parte do Nossa Memória.

Iniciado em 2009, o Nossa Memória tem como proposta o resgate e a valorização da história da Câmara Municipal e de Curitiba, já que ambas se entrelaçam. Além das reportagens especiais, a página reúne “Os Manuscritos”, com documentos desde a fundação da cidade, em 29 de março de 1693; e o “Livro das Legislaturas”, que mostra quem foram os vereadores da capital paranaense desde 1947. Também traz bancos de dados como o “Aconteceu” e o “Rua & História”, entre outros materiais com fatos marcantes da cidade, todos disponíveis para a consulta da população.

** Confira AQUI as referências da pesquisa histórica para as matérias especiais "A casa mal-assombrada de Curitiba".

a Curitiba do século 19 e as viagens da família real

 

a Curitiba do século 19 e as viagens da família real

por Fernanda Foggiato | Revisão: Vanusa Paiva 

A princesa Isabel, o marido e os filhos chegaram a Curitiba em novembro de 1884. (Arte: Montagem/CMC)

Você sabia que a Independência brasileira, no século 19, era celebrada em outro dia? Que por Curitiba passaram Dom Pedro II e a princesa Isabel? E, ainda, que a capital paranaense já teve ruas e uma praça, no Centro, batizadas em homenagem ao casal imperial?

Depois de falar do jovem padre curitibano, a segunda parte do especial pelo Bicentenário da Independência reúne sete curiosidades sobre a capital e o Brasil Império. A pesquisa faz parte do Nossa Memória, projeto da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) de resgate de histórias da cidade. Confira!

>> 1 - Que dia é mesmo?
O dia 12 de outubro de 1822, quando Dom Pedro I foi oficialmente aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, hoje pode ser pouco conhecido, já foi até a data da comemoração da Independência do país. O Rio de Janeiro parou para acompanhar a cerimônia realizada no Campo de Santana, hoje Praça da República, com autoridades de diversas províncias. 

Dom Pedro I, naquele 12 de outubro, também completava o 24º aniversário. Em 1823, ele determinou que tanto o 7 de setembro quanto o 12 de outubro eram festividades nacionais. Três anos depois, a decisão foi confirmada na Câmara dos Deputados. Na Corte, a segunda data era mais comemorada, pois a aclamação era tida como o marco da elevação do Brasil à categoria de Império. Para muitos, o grito do Ipiranga significava a Proclamação da Independência em apenas uma província.

Só que em 1831, com a abdicação ao trono, a lei foi revista, já que não faria mais sentido festejar o aniversário de Dom Pedro I. Às vésperas do 12 de outubro, o Senado aprovou um projeto para pôr fim à data, além de criar as celebrações da abdicação, no 7 de abril, e do aniversário de Dom Pedro II, em 2 de dezembro. Como o decreto só foi publicado no dia 25 de outubro, a aclamação ainda chegou a ser celebrada naquele ano, em poucos e discretos jantares. Foi só em 1980, quase 150 anos depois, que o Brasil oficializou outra data no 12 de outubro: o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, hoje feriado nacional.

>> 2 - As comemorações por aqui
O ofício da Câmara do Rio de Janeiro, informando Curitiba sobre a aclamação, foi lido pelos vereadores daqui durante a sessão de 9 de outubro de 1822. Edital avisou a população sobre a cerimônia e determinou o início dos festejos. Segundo os documentos históricos, as fachadas das casas foram prontamente iluminadas.

No dia 12, houve missa solene na Igreja Matriz, seguida pela entoação de um “Te Deum laudamos” - o hino de ação de graças mais célebre da Igreja. “Se concluiu este ato sagrado com 13 descargas de mosquetaria pela Tropa de Cavalaria desta vila”, acrescentava o “Ato de Aclamação de Sua Majestade Imperial”.

No fim daquele mês, os vereadores ainda escolheram quem seria o curitibano a ter a honra de beijar a mão de Dom Pedro I, já que Curitiba não esteve entre as vilas representadas na cerimônia de aclamação. O indicado para a tarefa foi o alferes Cândido Marcondes Ribas, que na época residia “na Corte do Rio de Janeiro”.

>> 3 - O casal imperial
Em maio de 1880, quando Dom Pedro II já reinava há 40 anos, foi a vez de Curitiba, já capital do Paraná, receber o segundo e último imperador brasileiro. A comitiva chegou à cidade pela Colônia Orleans, e os moradores aproveitaram para pedir uma força para a conclusão da capela. Meses depois, promessa cumprida: os colonos receberam uma imagem de Santo Antônio e dois sinos.

No dia 22 de maio, o casal imperial (Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina) inaugurou a nova sede da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba – até então, o único hospital da cidade. A cerimônia reuniu mais de duas mil pessoas no local que passaria a ser chamado de largo da Misericórdia - hoje a praça Rui Barbosa, no Centro.

Em homenagem à passagem da comitiva real, a rua das Flores passou a se chamar rua da Imperatriz. O largo da Matriz foi rebatizado como Dom Pedro II. Com a Proclamação da República, em 1989, os logradouros mudaram de nome mais uma vez, recebendo os nomes de rua XV de Novembro e de praça Tiradentes, adotados até hoje. O movimento republicano também desbancou a rua do Imperador, atual Marechal Deodoro.


>> 4 - A princesa Isabel
“A comissão de festejos roga a todos os dignos comerciantes desta praça o obséquio de fecharem os estabelecimentos hoje das 2 horas da tarde em diante e, outrossim, pede aos habitantes da capital, que se dignem de iluminar a frente de suas casas durante as noites em que aqui permanecerem SS. Altezas.”* Foi assim que o jornal “O Dezenove de Dezembro” noticiou a visita de outra comitiva real a Curitiba.

O objetivo da viagem da princesa Isabel, filha do casal imperial, era conhecer a região e inaugurar a estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá – obra cujos estudos foram feitos pelos irmãos André e Antônio Rebouças, engenheiros, negros e abolicionistas. Ela, o marido, Conde d'Eu, e os filhos Pedro, Luis e Antônio chegaram à capital no dia 29 de novembro de 1884. 

Como a linha férrea até a estação da praça Eufrásio Correia não havia sido concluída, a família imperial teve de descer na altura do bairro Cajuru e terminar o trajeto em carruagens. Os visitantes foram recepcionados no palácio de Ildefonso Corrêa, o Barão do Serro Azul - título concedido pela própria princesa Isabel, em 1888. “Curitiba é uma bonita cidadezinha: ruas alinhadas, casas muito limpinhas, alguns edifícios bonitos...”, constatou a princesa Isabel durante troca de correspondências com os pais.  

>> 5 - A erva-mate
Não poderiam faltar, durante o tour real à terra do pinhão, as visitas a fábricas da erva-mate, considerado o ciclo de “ouro” de Curitiba, que enriqueceu muitas famílias e trouxe progresso à cidade. E era esse o principal motivo de se construir a estrada de ferro inaugurada pela família real.

Um dos locais visitados pela comitiva, em 1º de dezembro de 1884, segundo a “Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro”, jornal que enviou um correspondente para acompanhar a comitiva real, foi a fábrica de erva-mate e chácara do Fontana, localizada perto de onde hoje fica o Passeio Público. Por lá, tomaram até licor de mate e princesa Isabel ficou encantada pelas paisagens.

A família real também esteve na fábrica de erva-mate de propriedade de Ildefonso Correia – onde hoje está a pracinha do Batel. “Esta fábrica está um pouco fora da cidade [o Batel era considerado um rocio, afastado do Centro], e aí perto há um altozinho aonde fomos para gozar a vista. Não se podia ver nada de mais lindo e aprazível. Ao longe, S. José dos Pinhais, campos, copas de pinheiros. Mais perto, casinhas pitorescas, culturas, Curitiba”*, escreveu a herdeira.

>> 6 - A cadeia pública
Apesar dos comentários positivos sobre as ruas alinhadas, as casas limpinhas, as belas paisagens e as chácaras de “matte”, além de elogios à população curitibana, nem tudo foram flores. A princesa Isabel e o jornal carioca se decepcionaram, por exemplo, com o prédio da Câmara Municipal, que na época funcionava em cima da cadeia pública.

“Muito acanhada, e Gaston [Gastão de Orleans, o Conde d’Eu] desceu à prisão que achou muito suja, muito desordenada, os presos muito acumulados. Dizem que pouca fiscalização tem havido, e que até súcias [farras] e jantares se têm dado na prisão, entre presos e gente de fora”, relatou Isabel ao casal imperial. O jornalista da Corte observou: “Não podemos deixar de declarar que não ha em todo o imperio peior cadeia que a d'esta capital. Os presos aqui passam um vidão, passeiam quando querem, visitam a família e os amigos, dão banquetes e fazem negocio nas prisões, cujas grades têm o aspecto de vitrina de casa de quinquilharias.”*

O prédio ao qual se referiram foi demolido. Ele ficava onde hoje é o Mercado das Flores, na praça Generoso Marques. O correspondente carioca também foi impiedoso sobre a Santa Casa, que Dom Pedro II havia inaugurado na passagem por Curitiba, quatro anos antes. A Princesa Isabel, por outro lado, reconheceu a falta de recursos, mas fez um relato mais suave sobre o hospital de caridade.

>> 7 - Os colonos e a despedida
“As mulheres n'esta colonia usam todas umas toucas, parecidas com as que se põe nas crianças recém-nascidas, e que lhes dão uma apparencia muito cômica.” O trecho da descrição da “Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro” foi da visita da comitiva real à colônia Abranches, no quinto dia da viagem.

Formada por imigrantes poloneses, assim como outras colônias curitibanas, ali se cultivava milho, trigo, centeio e batatas. Durante a visita, em 4 de dezembro de 1884, dois colonos que ceifavam trigo avistaram três meninos que, vindo em sua direção, pediram-lhes algumas espigas do cereal. Nem imaginavam os camponeses – e pense na surpresa quando descobriram – que as crianças eram príncipes, netos de Dom Pedro II.

Em 13 de dezembro de 1884, depois de 15 dias de viagem, a comitiva real se despediu de Curitiba. A ideia era que pudessem embarcar na estação da praça Eufrásio Correia, onde hoje fica o Museu Ferroviário, mas as obras, iniciadas cinco anos antes, não ficaram prontas. “Em Curityba tem havido o diabo com o assentamento dos trilhos da estrada de ferro do Paraná”, criticou o jornal carioca. O fato é que as obras foram concluídas dali alguns dias para os festejos do 31º aniversário da Emancipação Política do Paraná, data celebrada em 19 de dezembro.

Nossa Memória
Iniciado em 2009, pela Diretoria de Comunicação Social, o Nossa Memória é um projeto de resgate e valorização da história da Câmara Municipal e de Curitiba, já que ambas se entrelaçam. Além das reportagens especiais, a página reúne “Os Manuscritos”, com documentos desde a fundação da cidade, em 29 de março de 1693; e o “Livro das Legislaturas”, que mostra quem foram os vereadores da capital paranaense desde 1947. Também traz bancos de dados como o “Aconteceu” e o “Rua & História”, entre outros materiais com fatos marcantes da cidade, todos disponíveis para a consulta da população.

Restrições eleitorais
Em respeito à legislação eleitoral, a comunicação institucional da CMC será controlada editorialmente até o dia 2 de outubro. Nesse período, não serão divulgadas informações que possam caracterizar uso promocional de candidato, fotografias individuais dos parlamentares e declarações relacionadas a partidos políticos, entre outros cuidados. As referências nominais serão reduzidas ao mínimo razoável, de forma a evitar somente a descaracterização do debate legislativo. 

Ainda que a Câmara de Curitiba já respeite o princípio constitucional da impessoalidade, há dez anos, na sua divulgação do Poder Legislativo, publicando somente as notícias dos fatos com vínculo institucional e com interesse público, esses cuidados são redobrados durante o período eleitoral. A cobertura jornalística dos atos do Legislativo será mantida, sem interrupção dos serviços de utilidade pública e de transparência pública, porém com condicionantes (saiba mais). 

Reprodução fiel dos documentos daquela época.

** Confira AQUI as referências bibliográficas da segunda parte do especial do Bicentenário.