Eduardo Fernando Chaves: Arquiteto e Construtor
Denominação inicial: Projecto de uma casa e muro a construir na Rua João Negrão para o Snr. Ricardo Dröher
Denominação atual: Churrascaria Costelão Iguaçu
Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Pequeno Porte
Endereço: Rua João Negrão esquina Avenida Iguassu
Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 180,00 m²
Área Total: 180,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Concreto Armado
Data do Projeto Arquitetônico: 23/05/1934
Alvará de Construção: Nº 586/1934
Descrição: Projeto arquitetônico para construção de residência com dois pavimentos e muro. Alvará com Memória de Cálculo, Justificativa, Desenho de Execução, e fotografia do imóvel.
Situação em 2012: Existente
Imagens
1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Projeto do muro.
3 - Planta baixa e cálculo estrutural.
4 - Alvará de Construção.
5 - Fotografia do imóvel em 2012.
Referências:
1, 2 e 3 - CHAVES, Eduardo Fernandes. Projecto de uma casa a construir na Rua João Negrão para o Snr. Ricardo Dröher. Plantas dos pavimentos térreo e superior, corte, implantação e fachada frontal; planta baixa e implantação dos muros; planta-baixa da casa e cálculo estrutural do concreto armado, apresentados em três pranchas. Microfilme digitalizado.
4 – Alvará n.º 586
5 – Fotografia de Elizabeth Amorim de Castro (2012).
1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Projeto do muro.
3 - Planta baixa e cálculo estrutural.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
4 - Alvará de Construção.
5 - Fotografia do imóvel em 2012.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.
A Casa de Ricardo Dröher: Entre a Residência Familiar e a História Urbana de Curitiba
Na Curitiba dos anos 1930 — uma cidade em transição entre o rural e o moderno, entre o velho madeiramento colonial e as novas promessas do concreto — ergueu-se, na esquina da Rua João Negrão com a Avenida Iguaçu, uma residência de dois pavimentos que desafiava a simplicidade das moradias comuns da época. Projetada pelo arquiteto e construtor Eduardo Fernando Chaves para Ricardo Dröher, a casa não apenas refletia o status de seu proprietário, mas também anunciava uma nova era na arquitetura doméstica da capital paranaense.
Hoje conhecida como Churrascaria Costelão Iguaçu, o imóvel permanece de pé, transformado em ponto gastronômico, mas ainda carregando, em suas estruturas e proporções, os traços originais de um projeto ousado para a época: a primeira residência de pequeno porte em Curitiba a utilizar concreto armado de forma documentada e calculada com rigor técnico.
Ricardo Dröher: Um Homem à Frente do Seu Tempo
Embora os registros biográficos sobre Ricardo Dröher sejam escassos, o simples fato de encomendar, em 1934, uma casa de 180 m² em dois pavimentos, com muro perimetral e estrutura em concreto armado, revela um homem de visão, provavelmente inserido nas camadas urbanas emergentes da Curitiba pós-revolução de 1930. Seu sobrenome — grafado como Dröher nos documentos originais — sugere ascendência germânica, comum entre comerciantes, industriais e profissionais liberais que impulsionavam a economia local.
Ao escolher uma construção em concreto, e não em madeira (ainda dominante nas residências da classe média), Dröher não apenas buscava durabilidade, mas também modernidade. Sua casa era, de certa forma, uma declaração de pertencimento a uma nova ordem urbana.
Eduardo Fernando Chaves: Arquiteto da Transição
Responsável pelo projeto, Eduardo Fernando Chaves consolidava-se, na década de 1930, como um dos principais nomes da arquitetura curitibana voltada à habitação acessível, mas com padrões técnicos elevados. Diferentemente de arquitetos que seguiam tendências ecléticas ou neocoloniais, Chaves adotava uma linguagem funcional, racional e atenta aos avanços da engenharia.
O projeto para Dröher, datado de 23 de maio de 1934, incluía:
- Planta dos pavimentos térreo e superior;
- Fachada frontal, corte e implantação no terreno;
- Projeto detalhado do muro de fechamento;
- Memória de cálculo estrutural em concreto armado — um documento raro para residências da época, que demonstra profissionalismo incomum entre construtores locais.
O Alvará de Construção nº 586/1934, emitido pela prefeitura, trazia não apenas autorização, mas também justificativa técnica, desenhos de execução e, mais tarde, fotografias do imóvel, sinalizando um novo rigor no controle urbano da cidade.
Do Lar Familiar à Churrascaria: A Reinvenção de um Patrimônio
Por décadas, a casa abrigou a vida privada de Ricardo Dröher e, possivelmente, de sua família. Com dois andares bem distribuídos, varanda frontal, quartos bem ventilados e uma escada interna que conectava os níveis, era uma residência moderna, segura e elegante para os padrões da época.
Com o tempo, o entorno urbano mudou. A Avenida Iguaçu tornou-se um dos principais corredores viários da cidade. A esquina com a Rua João Negrão ganhou valor comercial. E a antiga residência, em vez de ser demolida, foi adaptada.
Em 2012, uma fotografia registrada por Elizabeth Amorim de Castro e arquivada no Arquivo Público Municipal de Curitiba mostra o imóvel ainda de pé, já operando como Churrascaria Costelão Iguaçu. Apesar das intervenções comerciais — fachada revestida, letreiro luminoso, toldos —, a volumetria original, a altura dos pavimentos e a configuração da esquina permanecem reconhecíveis.
Um Monumento à Arquitetura Cotidiana
A casa de Ricardo Dröher não é um edifício icônico no sentido estético, nem foi concebida por um “grande mestre” da arquitetura. Mas é, talvez por isso mesmo, ainda mais valiosa. Representa a arquitetura do cotidiano, aquela que constrói cidades de verdade: feita por cidadãos comuns, projetada por profissionais técnicos e capaz de sobreviver às transformações do tempo — mesmo que com novas funções.
É raro encontrar, em Curitiba, uma residência de 1934 em concreto armado ainda existente, documentada desde seu cálculo estrutural até sua fotografia recente. Sua preservação — ainda que funcional, e não patrimonial — é um testemunho silencioso da capacidade de adaptação da cidade e do valor histórico do que parece ordinário.
“As cidades não são feitas apenas de monumentos, mas de esquinas que guardam histórias. Às vezes, basta olhar com atenção para ver, por trás de uma churrascaria, a casa de um homem que, há quase um século, acreditou no futuro de Curitiba.”
A casa de Ricardo Dröher ainda está lá. E, com ela, a memória de uma cidade que cresceu — tijolo por tijolo, projeto por projeto.

















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