quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Uma Casa de Madeira e Esperança: O Projeto de Eduardo Fernando Chaves para Feliciano Guimarães

 Eduardo Fernando Chaves:  Projetista

Denominação inicial: Projecto para residência do Snr. Feliciano Guimarães

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência Econômica

Endereço: Rua Visconde de Nacar

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 50,25 m²
Área Total: 50,25 m²

Técnica/Material Construtivo: Madeira

Data do Projeto Arquitetônico: 22/03/1927

Alvará de Construção: Talões Nº 157 e 158; Nº 1386/1927

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de uma residência.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto para uma residência para o Snr. Feliciano Guimarães, à Rua Visconde de Nacar. Plantas do pavimento térreo e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

Uma Casa de Madeira e Esperança: O Projeto de Eduardo Fernando Chaves para Feliciano Guimarães

Na Curitiba dos anos 1920 — cidade em expansão, ainda marcada por ruas de terra, bondes elétricos e um desejo coletivo de modernidade — erguia-se, com simplicidade e dignidade, uma pequena casa de madeira na Rua Visconde de Nacar. Projetada em 22 de março de 1927 pelo arquiteto Eduardo Fernando Chaves, a residência destinava-se a Feliciano Guimarães, um homem cujo nome hoje resiste apenas nos arquivos, mas cujo lar foi, em seu tempo, um símbolo de realização pessoal e acesso à moradia urbana.

Embora demolida até 2012, essa construção de apenas 50,25 m² carrega em si o espírito de uma era em que a arquitetura não era privilégio das elites, mas também ferramenta de inclusão social — especialmente quando moldada por profissionais como Chaves, sensíveis às necessidades das classes emergentes.


Uma Residência Econômica, Mas com Alma

Classificada como “Residência Econômica”, a casa de Feliciano Guimarães era unifamiliar, térrea e construída inteiramente em madeira — material acessível, rápido de montar e amplamente utilizado na Curitiba da primeira metade do século XX, especialmente em bairros periféricos ou em zonas de recente ocupação.

Com pouco mais de 50 metros quadrados, o projeto organizava de forma eficiente os espaços essenciais: provavelmente uma sala integrada à cozinha, um ou dois quartos modestos e um banheiro simples — tudo disposto com clareza funcional. A fachada frontal, registrada na prancha do projeto, revelava traços típicos da época: telhado de duas águas, vãos simétricos, beiral saliente e detalhes construtivos que buscavam, mesmo na economia, um mínimo de harmonia estética.

A implantação no lote, cuidadosamente desenhada, demonstrava o respeito do projetista pelo entorno urbano, ainda que em uma via secundária como a Rua Visconde de Nacar — localizada na região central, próximo ao antigo Bairro Alto, área de ocupação residencial crescente na década de 1920.


Feliciano Guimarães: O Sonho de Ter um Teto Próprio

Pouco se sabe sobre Feliciano Guimarães, mas seu nome associado a uma residência "econômica" sugere que era um trabalhador urbano — talvez operário, artesão, funcionário público ou pequeno comerciante. Em um Brasil ainda profundamente desigual, conseguir encomendar um projeto arquitetônico, mesmo modesto, era um ato de ascensão social.

O fato de ter obtido dois talões de alvará (nº 157 e 158) e o Alvará de Construção nº 1386/1927 indica que seguiu todos os trâmites legais da época — um sinal de que valorizava não apenas a casa, mas também sua regularidade perante a cidade. Para Feliciano, aqueles 50 m² não eram apenas paredes e telhado: eram segurança, identidade e futuro para sua família.


Eduardo Fernando Chaves e a Arquitetura ao Alcance de Todos

Embora mais conhecido por projetos de maior porte, Eduardo Fernando Chaves — muitas vezes creditado sob a razão “Gastão Chaves & Cia.”, escritório que liderava — demonstrava, neste caso, um compromisso raro com a habitação popular. Seu envolvimento com residências econômicas revela uma faceta essencial de sua carreira: a crença de que a boa arquitetura não depende do orçamento, mas da intenção.

A prancha de projeto, hoje preservada em microfilme no Arquivo Público Municipal de Curitiba, reúne em uma única folha planta baixa, corte, fachada e implantação — uma síntese de clareza técnica e eficiência gráfica. Mesmo com recursos limitados, Chaves não abria mão da coerência espacial e da qualidade construtiva, ainda que simbólica.

Essa postura o coloca entre os arquitetos que, silenciosamente, ajudaram a construir a base da Curitiba moderna — não com monumentos, mas com centenas de casas modestas que, juntas, formaram bairros, comunidades e uma identidade urbana duradoura.


O Silêncio da Demolição

Em 2012, nada restava da casa de madeira na Rua Visconde de Nacar. Demolida sem alarde, provavelmente substituída por um edifício mais denso ou simplesmente por um terreno vazio, sua ausência é mais um capítulo na história silenciosa da perda patrimonial cotidiana — aquela que não envolve palacetes, mas casas comuns, onde viveram vidas reais.

E, no entanto, sua memória persiste. Nos traços do projeto, na assinatura de Chaves, no nome de Feliciano Guimarães registrado nos talões municipais — ali está a prova de que Curitiba também foi feita de sonhos pequenos, mas verdadeiros.


Legado em Linhas e Memória

A residência para Feliciano Guimarães talvez nunca tenha sido considerada "notável" pelos cânones da arquitetura. Mas é justamente nesse tipo de edifício que reside a verdadeira história urbana: a de homens e mulheres que, com esforço e ajuda de um bom projetista, puderam dizer: “Esta é minha casa.”

"Nem toda arquitetura precisa ser grandiosa para ser importante. Algumas das construções mais humanas são aquelas que cabem em 50 metros quadrados — e ainda assim abrigam toda uma vida."


Ficha Técnica Histórica

  • Projeto: 22 de março de 1927
  • Arquiteto/Projetista: Eduardo Fernando Chaves (Gastão Chaves & Cia.)
  • Proprietário: Feliciano Guimarães
  • Localização: Rua Visconde de Nacar, Curitiba – PR
  • Tipo: Residência Econômica Unifamiliar
  • Material: Madeira
  • Área: 50,25 m²
  • Alvará: Talões nº 157 e 158; Alvará nº 1386/1927
  • Situação em 2012: Demolido
  • Documentação: Microfilme no Arquivo Público Municipal de Curitiba

Homenagem póstuma a Feliciano Guimarães — e a todos os curitibanos que construíram a cidade com as mãos, o suor e o sonho de um lar próprio.


A Casa que Não Mais Existe: O Bangalô de Orestes Comandulli e a Assinatura de Eduardo Fernando Chaves

 Eduardo Fernando Chaves:  Arquiteto

Denominação inicial: Projéto de Bungalow para o Snr. Orestes Comandulli

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Pequeno Porte

Endereço: Alameda D. Isabel

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 135,00 m²
Área Total: 135,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 03/08/1934

Alvará de Construção: Nº 690/1934

Descrição: Projeto arquitetônico para construção de bangalô e Alvará de Construção.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Alvará de Construção.

Referências: 

1 – CHAVES, Eduardo Fernandes. Projéto de Bungalow. Planta do pavimento térreo e implantação; corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
2 - Alvará n.º 690

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.

A Casa que Não Mais Existe: O Bangalô de Orestes Comandulli e a Assinatura de Eduardo Fernando Chaves

Em uma Curitiba ainda em pleno florescimento arquitetônico dos anos 1930 — marcada pela transição entre o ecletismo e as primeiras influências modernistas — ergueu-se, por breve tempo, uma residência singela, porém significativa: o bangalô projetado para o senhor Orestes Comandulli, localizado na elegante Alameda D. Isabel. Embora hoje demolido, o edifício sobrevive na memória dos arquivos públicos e na precisão técnica de seu criador: o arquiteto Eduardo Fernando Chaves.


Um Projeto Datado: 3 de Agosto de 1934

No verão de 1934, Eduardo Fernando Chaves entregava ao cliente Orestes Comandulli um projeto arquitetônico meticuloso: uma residência unifamiliar de pequeno porte, assinada com a elegância discreta que caracterizava muitas de suas obras. Com apenas um pavimento e 135,00 m² de área construída, o bangalô destacava-se não pelo tamanho, mas pela clareza funcional, proporção harmônica e sensibilidade ao contexto urbano.

Construído em alvenaria de tijolos — técnica dominante na época, que garantia solidez e durabilidade —, o imóvel representava um modelo residencial em ascensão na capital paranaense: a casa térrea, integrada ao jardim, com fachada modesta, porém bem resolvida, típica do estilo bangalô inspirado nas moradias anglo-coloniais.

O projeto, preservado em microfilme no Arquivo Público Municipal de Curitiba, incluía planta baixa, corte e fachada frontal em uma única prancha — demonstrando a síntese gráfica e técnica do arquiteto. A implantação na Alameda D. Isabel, via arborizada e residencial por excelência, reforçava o caráter burguês e familiar da construção.


Orestes Comandulli: O Homem por Trás da Casa

Embora os registros históricos não detalhem a vida de Orestes Comandulli, seu nome associado a uma residência na Alameda D. Isabel sugere um cidadão de certa estabilidade econômica — talvez comerciante, profissional liberal ou funcionário público. Escolher um arquiteto como Eduardo Fernando Chaves para projetar sua casa indicava, além de recursos, um senso estético apurado e valorização do espaço doméstico como expressão de identidade.

Ao encomendar um bangalô — modelo menos comum que as casas ecléticas com torres ou varandas elaboradas —, Comandulli demonstrava uma preferência por simplicidade, funcionalidade e modernidade, ainda que contida. Sua residência era, portanto, um reflexo silencioso de seus valores: pragmáticos, familiares, mas atentos à estética do seu tempo.


Eduardo Fernando Chaves: Arquiteto da Cidade em Transformação

Figura atuante na cena arquitetônica curitibana das primeiras décadas do século XX, Eduardo Fernando Chaves foi um dos profissionais que ajudaram a moldar o tecido urbano residencial da capital. Seus projetos, embora muitas vezes modestos em escala, revelavam domínio técnico, respeito ao contexto e atenção aos detalhes construtivos.

O bangalô para Orestes Comandulli é um exemplo típico de sua produção: sem pretensões monumentais, mas com clareza espacial e integração urbana. Num período em que Curitiba ainda carecia de regulamentação urbanística rigorosa, arquitetos como Chaves desempenhavam papel fundamental na qualificação do espaço privado e na formação da paisagem residencial.


Desaparecimento Silencioso: A Demolição em 2012

Infelizmente, como tantas outras edificações do período entre-guerras, o bangalô da Alameda D. Isabel não resistiu à pressão imobiliária e às transformações urbanas do século XXI. Em 2012, foi demolido, cedendo lugar, provavelmente, a um empreendimento vertical ou a uma reforma total do lote.

Sua ausência física é um lembrete doloroso da fragilidade da memória construída — sobretudo quando não há proteção legal ou reconhecimento patrimonial. Restam, porém, os documentos: o projeto arquitetônico e o Alvará de Construção nº 690/1934, guardados no Arquivo Público Municipal de Curitiba, testemunhas mudas de uma era em que cada casa contava uma história de vida, ofício e pertencimento.


Um Legado em Papel

Embora os tijolos tenham desaparecido, a assinatura de Eduardo Fernando Chaves e o nome de Orestes Comandulli permanecem vinculados na história da arquitetura residencial de Curitiba. Esta pequena casa, de 135 m², não era apenas um teto — era um manifesto de vida modesta, bem vivida.

Hoje, ao caminhar pela Alameda D. Isabel, ninguém mais encontra o bangalô. Mas nos arquivos, nas linhas de tinta de uma prancha amarelada, ele ainda existe — não como ruína, mas como ideia pura de lar.

"Nem toda arquitetura precisa permanecer de pé para ser eterna. Algumas casas vivem mais intensamente na memória do que na pedra."


Referências documentais:

  1. CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto de Bungalow para o Snr. Orestes Comandulli. Planta, corte e fachada. Microfilme digitalizado. Arquivo Público Municipal de Curitiba.
  2. Alvará de Construção nº 690/1934. Acervo da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Situação atual: Demolido (2012)
Localização histórica: Alameda D. Isabel, Curitiba – PR
Projeto: 03 de agosto de 1934
Arquiteto: Eduardo Fernando Chaves
Proprietário: Orestes Comandulli