terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O Ano de 1955 no Brasil: Um Retrato em Páginas — Indústria, Arquitetura, Saúde e Consumo

 

O Ano de 1955 no Brasil: Um Retrato em Páginas — Indústria, Arquitetura, Saúde e Consumo

O Ano de 1955 no Brasil: Um Retrato em Páginas — Indústria, Arquitetura, Saúde e Consumo

Por: Redação Histórica

Curitiba, dezembro de 2025

O ano de 1955 foi um marco na história do Brasil. Em plena era do desenvolvimentismo, o país vivia um período de otimismo econômico e transformações sociais profundas. A industrialização acelerada, a urbanização crescente e o surgimento de uma nova classe média consumidora moldaram uma identidade nacional moderna. As páginas aqui reproduzidas — extraídas de uma publicação local de Curitiba — oferecem um retrato vívido desse momento histórico, mostrando como a indústria, a arquitetura, a saúde e o consumo se entrelaçavam na vida cotidiana.

Vamos explorar, página por página, o que esses anúncios e notícias revelam sobre o Brasil de 1955.


Página 2: Edimetál — A Força da Indústria Metalúrgica Nacional

A primeira página apresenta a Fábrica Nacional de Estruturas Metálicas “EDIMETAL” S.A., uma empresa que simbolizava a ambição industrial do Brasil da época. Seu produto principal eram estruturas metálicas pré-fabricadas, disponíveis em diversos tamanhos (de 6,00m a 25,00m de vão livre) e alturas (3,50m, 5,30m ou 7,10m).

Análise:

  • Tecnologia e Modernidade: A ênfase em "estruturas pré-fabricadas" reflete a influência da arquitetura moderna e da construção racionalizada, inspirada no funcionalismo europeu e norte-americano.
  • Versatilidade e Aplicações: Os produtos eram destinados a uma ampla gama de usos — fábricas, oficinas, garagens, hangares, depósitos de trigo e cereais — demonstrando a diversificação da economia e a necessidade de infraestrutura para o crescimento industrial.
  • Materiais: A opção por chapas de alumínio, aço galvanizado ou fibro amianto mostra a busca por materiais resistentes e duráveis, ainda que o uso do amianto, hoje sabido como perigoso, era comum na época.
  • Parceria Industrial: A menção à FORMAC S.A. como distribuidora exclusa e fornecedora de máquinas indica uma rede de parcerias industriais, típica do modelo de desenvolvimento estatal-industrial.

Essa página é um testemunho da confiança na indústria nacional. Em 1955, o governo Juscelino Kubitschek estava prestes a assumir o poder, prometendo "Cinquenta anos em cinco". A EDIMETAL representava exatamente esse espírito: construir o futuro do Brasil com aço e concreto.


Página 30: Edifício Guilherme Weiss — A Arquitetura Moderna em Curitiba

Esta página é dedicada ao Edifício Guilherme Weiss, um prédio residencial e comercial inaugurado em 1952 na cidade de Curitiba. O texto celebra sua arquitetura moderna, sua localização privilegiada e seu papel na transformação urbana da capital paranaense.

Análise:

  • Arquitetura e Urbanismo: O edifício é descrito como "adaptado ao mais invejável habitar", com "ambiente transformado em sua energia viva e supermodernamente". Isso reflete a estética modernista, que valorizava a funcionalidade, a luz natural e a integração entre interior e exterior.
  • Localização Estratégica: Situado na Rua XV de Novembro, o edifício estava no coração da cidade, próximo a importantes instituições como o Banco do Brasil, o Banco Econômico, o Mercado Municipal e a Estação Ferroviária. Isso demonstra como a urbanização concentrava-se nos centros comerciais.
  • Inovação e Conforto: O texto menciona "salas de estar, salas de jantar, quartos, banheiros, cozinhas, áreas de serviço" — todos projetados para o conforto da família moderna. A menção a "sistema de ventilação e aquecimento" e "instalações elétricas e hidráulicas de última geração" destaca o foco em tecnologia e bem-estar.
  • Personalidade do Edifício: O nome "Guilherme Weiss" homenageia um dos principais empresários da cidade, reforçando a ligação entre o desenvolvimento urbano e a elite econômica local.

Em 1955, Curitiba era uma cidade em ascensão, e o Edifício Guilherme Weiss era um símbolo dessa modernidade. Ele representava não apenas um prédio, mas um novo estilo de vida urbano, mais confortável, higiênico e conectado.


Página 36: Hospital São Lucas — A Saúde no Coração da Cidade

Esta página apresenta o Hospital São Lucas, fundado em 1946 e localizado na Avenida João Gualberto, em Curitiba. O texto lista os médicos que compunham o corpo clínico, organizados por especialidades.

Análise:

  • Especialização Médica: A lista de médicos é impressionante, cobrindo desde cirurgia geral até oftalmologia, neurologia e ginecologia. Isso mostra que, mesmo em uma cidade de porte médio como Curitiba, havia uma oferta de serviços médicos especializados, refletindo o avanço da medicina no Brasil.
  • Infraestrutura de Saúde: O hospital era um dos principais da região Sul, oferecendo atendimento de qualidade e sendo referência para outras cidades do Paraná.
  • Profissionais e Formação: Muitos dos médicos listados tinham formação em universidades brasileiras (como a USP) e no exterior, indicando a internacionalização da formação médica.
  • Contexto Histórico: Em 1955, o Brasil ainda enfrentava desafios na área da saúde, com alta mortalidade infantil e doenças infecciosas. No entanto, hospitais como o São Lucas representavam um avanço significativo, oferecendo tratamentos modernos e especializados.

O Hospital São Lucas era mais do que um centro de saúde; era um símbolo de progresso e cuidado social. Em uma época em que o Estado ainda não tinha um sistema de saúde universal, instituições privadas como essa desempenhavam um papel crucial na assistência à população.


Página 34: ICO Importadora Comercial S.A. — O Comércio e o Consumo

Esta página é um anúncio da ICO Importadora Comercial S.A., uma empresa que importava e distribuía produtos de várias marcas internacionais, como Wayne, Elin, Carrier e Hotpoint.

Análise:

  • Importação e Consumo: A ICO era uma das muitas empresas que importavam produtos de consumo para atender à demanda crescente da classe média brasileira. Os produtos variavam de equipamentos automotivos (Wayne) a tintas (Elin), produtos químicos (Carrier) e eletrodomésticos (Hotpoint).
  • Diversificação de Produtos: A empresa tinha seções específicas para diferentes tipos de produtos, mostrando a complexidade da cadeia de suprimentos e a necessidade de especialização no comércio.
  • Marketing e Publicidade: O slogan "ICO — Símbolo da boa compra" era um apelo direto ao consumidor, prometendo qualidade e confiabilidade. Isso reflete a emergência de uma cultura de consumo, onde a marca e a reputação eram fundamentais.
  • Globalização Econômica: A presença de marcas internacionais (como a austriaca Hotpoint) mostra que o Brasil, mesmo com políticas protecionistas, estava integrado à economia global.

Em 1955, o Brasil estava começando a experimentar um boom de consumo. A chegada de produtos importados, especialmente eletrodomésticos e automóveis, mudou o modo de vida das famílias brasileiras, tornando-as mais modernas e conectadas ao mundo.


Página 38: Hermes Macedo — O Natal e o Consumo de Massa

A última página é um anúncio sensacional da loja Hermes Macedo, promovendo uma "Oferta Sensacional" para as festas de fim de ano. O texto promete "preços de festas" e "conjuntos crédito-único" para que o Natal seja mais festivo.

Análise:

  • Comércio e Festividades: O Natal era (e ainda é) uma das épocas mais importantes para o comércio. A loja aproveitava a ocasião para atrair clientes com ofertas especiais e condições de pagamento facilitadas.
  • Crédito e Consumo: A menção a "prestações a partir de 200,00 sem entrada" é um exemplo claro da expansão do crédito ao consumidor, que permitia que famílias de classes média e baixa comprassem bens de consumo duráveis.
  • Imagem e Marketing: A ilustração da mulher elegante, carregando presentes, reflete os ideais de feminilidade e consumo da época. Ela representa a dona de casa moderna, responsável pela decoração e pelas compras de Natal.
  • Rede de Lojas: O anúncio menciona que a loja tem filiais em várias cidades (Lapa, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, etc.), mostrando a expansão do comércio varejista no interior do Paraná.

Em 1955, o Natal já era uma celebração comercial, marcada por compras, presentes e celebrações familiares. A loja Hermes Macedo capturava esse espírito, oferecendo não apenas produtos, mas também a promessa de felicidade e conforto familiar.


Conclusão: 1955 — Um Ano de Transição e Esperança

As páginas aqui analisadas pintam um retrato vibrante do Brasil de 1955. Era um país em transformação, onde a indústria, a arquitetura, a saúde e o consumo se entrelaçavam para criar uma nova identidade nacional. A EDIMETAL construía o futuro com aço, o Edifício Guilherme Weiss abrigava a modernidade, o Hospital São Lucas cuidava da saúde da população e a ICO e Hermes Macedo alimentavam o sonho de consumo.

Esse ano foi um ponto de virada, antecipando a era JK, quando o Brasil se lançaria definitivamente na rota do desenvolvimento. As páginas de 1955 não são apenas anúncios; são documentos históricos que nos lembram como o Brasil se construiu, pedaço por pedaço, sonho por sonho.


Fonte: Reprodução de páginas de revista ou catálogo de Curitiba, 1955.
Elaborado com base em análise histórica e contextualização do período.











Penadinho: HQ "O Bug da Morte"

 

Penadinho: HQ "O Bug da Morte"


No Dia de Réveillon, mostro uma história em que na virada de ano a Dona Morte mandou almas para reencarnação para o passado por causa de um erro do seu computador. Com 13 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 159' (Ed. Globo, 1999).

Capa de 'Mônica Nº 159' (Ed. Globo, 1999)

Dona Morte chama as almas para a reencarnação, conta para o Penadinho que agora está informatizada, com um computador, pega os dados das almas, joga no programa e vai direto para o setor de reencarnação. João Euclésio e Maria Creozodete foram os últimos a reencarnarem no século XX e a partir de agora serão os do ano 2000, o ano novo que ia chegar.

Um fantasma pega a ficha e que será o primeiro do século a nascer, dia 01º de janeiro de 2000, meia noite e cinco, e mais dois também vão reencarnar no mesmo dia. Dona Morte se despede deles e depois comenta com o Penadinho que o trabalho cansa, pelo menos ela tem a máquina para ajudá-la e Penadinho fala que depois do Frank, é o parafuso que ele mais gosta.

Dona Morte resolve tirar uma folga até o final do dia, quando surge a Dona Cegonha. Dona Morte pergunta se está de folga também e Dona Cegonha responde que deveria, mas ela fica pedindo para fazer cada coisa absurda, mandando almas para reencarnar no passado, aí teve que pedir autorização para São Jorge, São João e São Pedro. Dona Morte acha errado Dona Cegonha mandar alguém de ré, se ela mandou para frente e Dona Cegonha diz que errado é o seu serviço depender da Dona Morte.

Dona Morte confere os dados da alma, tudo certo em nomes, time de futebol, data que bateu as botas e de reencarnação em janeiro de 00. Penadinho fala que o computador está com o Bug do Milênio, Dona Morte diz que o computador é um bandido miserável, ela lhe deu cama, carinho, roupa lavada e a trocou por esse Bug-do-Sei-Lá.  

Penadinho diz que Bug do Milênio não é gente nem doença, é falha de programação dos computadores antigos, na hora de passar os dados para o ano 2000, toma os zeros e como se fosse o ano 1900 e pode acontecer também com videocassetes, relógios, micro-ondas. Dona Morte, então, se dá conta que as almas reencarnaram em janeiro de 1900 e vai ao passado com o Penadinho para resgatar as almas que reencarnaram em data errada.

Já em 1900, vão a uma casa que estava uma alma enviada, o casal estranha o bebê ter aparecido lá de repente. Dona Morte se apresenta como a besta das bestas, que não toca campainha, chega sem avisar e que leva o que não pede. A mulher pensa que é avó dela e Dona Morte fala que ela é a Morte. O casal quebra a parede e saem correndo de casa e Dona Morte leva o bebê. 

O próximo bebê irá nascer na maternidade Mamãe Feliz, só que a maternidade ainda estava em construção. Dona Morte encontra o bebê em um andaime, que sobe com ele na construção. Ela sobe até lá para buscar e os construtores se jogam dos andaimes com medo da morte. Já o outro bebê estava no carro de leite, consegue buscá-lo e todos voltam ao cemitério em 1999.

Dona Morte manda os bebês marcharem até à Dona Cegonha, entrega as fichas a mão para enviá-los para o ano 2000 e Dona Cegonha diz para ela não complicar na próxima vez. Dona Morte pergunta para o Penadinho o que fazer com o computador que lhe custou uma grana. Penadinho diz que Doutor Frankestóin pode dar um jeito. Dona Morte queria desligar, aperta um botão errado de apagar tudo e acaba apagando cemitério todo e Dona Morte comenta que em 1900 ninguém tinha esse tipo de problema e Penadinho fala para ficar fria, que um dia ela aprende.

História bem bolada e divertida que a Dona Morte sem querer encaminha as almas para serem reencarnadas 100 anos atrás porque o computador interpretou que o final 00 se referia ao ano 1900 e não ao ano 2000. Dona Morte e Penadinho voltam para o passado pra buscar os bebês que estavam em 1900 e, com isso, consegue desfazer a confusão e no final entra em outra confusão ao apagar todo o cemitério ao clicar na tecla do computador que apaga tudo. Já que o bug deu pane no computador, passou a apagar todo ambiente externo em volta ao clicar a tecla DELETE.

Começava informatização de empresas na época e com a Dona Morte chegou a informatização de cadastro de almas que chegavam e que iriam ser reencarnadas no banco de dados do cemitério. Se não tivesse comprado um computador tão antigo e se fosse mais esperta digitalmente, nada disso tinha acontecido. Aliás, um computador de 15 anos naquela época era jurássico, pelo visto Dona Morte não queria gastar muito já que computadores eram caros. 

Era legal também rivalidade entre Dona Morte e Dona Cegonha nas histórias, sempre eram divertidas. Vimos que Dona Morte tinha capacidade de viajar no tempo se precisasse, sem precisar de uma máquina do tempo para isso. A viagem ao passado foi boa, as pessoas de 1900 fugiam da morte exatamente como seria atualmente, isso não mudou através dos séculos, teve construção de maternidade Mamãe Feliz lá que seria muito famosa durante o século XX e ainda vemos coisas datadas como carro do leite da Leitaria do Brás que entregava para as casas.

Destaques para várias cenas e tiradas engraçadas como Dona Morte dizer "terrível Ano-Novo", fantasma dizer que o limbo não era um lugar sério, ter time de futebol no banco de dados da reencarnação, Dona Morte tirar folga, como se a Morte descansasse por um momento, tratar computador como uma pessoa e pensar que Bug era outra pessoa por qual o computador a trocou, a forma da Dona Morte se apresentar para o casal em 1900, os bebês marchando, Dona Morte dizer para os bebês irem com Deus e sem demorar para morrerem para voltarem logo para o cemitério.

Tiveram algumas paródias como "Fontasma" (herói Fantasma), "Ispilbergue" (Steven Spielberg), "Charlie Chapis" (Charlie Chaplin). O nome da fantasma Maria Creozedete depois foi aproveitado com a criação da vidente Madame Creuzodete, que se tornou a vidente fixa nas histórias a partir de 2001.

Foi última história da Globo com tema de Réveillon e Ano Novo, depois pararam de fazer histórias com esse tema, deixando só histórias de Natal nos gibis. Na época, histórias da Turma do Penadinho eram mais curtas nos gibis quinzenais do Cascão e mais desenvolvidas nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica.

Teve informação errada de que o século XXI iria começar no ano 2000, na verdade foi em 2001, o que poderia ter falado só que seria o primeiro bebê nascido no ano 2000 ou da década de 2000. Ainda assim, matematicamente o correto é uma década começar em anos terminados em 1 e acabar em anos terminados e 0, assim como século e milênio, pelo menos na década fica algo mais popular como até a mídia posta assim.

Foi boa sacada retratar o Bug do Milênio que era um assunto muito comentado pelo pessoal na época com o avanço da tecnologia, que não prestaram atenção na programação de computadores com datas abreviadas em dois dígitos que não conseguiam interpretar anos do segundo milênio e podiam dar pane na virada do milênio. 

A expectativa do povo para entrada do ano 2000, também era grande desde pelo menos 20 anos antes, sempre falavam de ano 2000, faziam contagem regressiva para presenciar novos século e milênio, até para citar que algo era ultrapassado e que estavam progredindo, diziam algo como "estamos há x anos para ano 2000 e você ainda com esse pensamento antiquado". Aí, a MSP que sempre gostava de abordar assuntos do momento tinha que fazer história assim de Réveillon para entrada de 2000 e o Bug do Milênio.

Tudo indica que a história foi escrita pelo Paulo Back, é incorreta atualmente por envolver reencarnação, citar nome de Deus e santos, e também não fazem mais histórias sobre Réveillon e Ano Novo há muitos anos, palavra "bandido" é proibida assim como expressões populares e com duplo sentido como "peraí", "bater as botas", "fica fria", etc, computador de mesa com monitor tubo e videocassete são datados e mudariam isso hoje. Os traços ficaram muito bem desenhados assim.

FELIZ ANO NOVO PRA TODOS!!!

A Turma: HQ "Músculos"

 

A Turma: HQ "Músculos"


Em janeiro de 1995, há exatos 30 anos, era lançada a história "Músculos" em que o Cebolinha passa a fazer exercícios com o Cascão para ficar forte e derrotar a Mônica. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 97' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Cebolinha Nº 97' (Ed. Globo, 1995)

Magali e Denise falam lindo e coisa mais fofa enquanto passa o Cebolinha, que pensa que estavam falando com ele e finalmente reconheceram. As meninas dizem que é o Arnoldinho da Rua de Cima, que os músculos dele parecem o Rambo. Cebolinha pergunta se elas gostam disso, parece inchado e Magali diz que Cebolinha é um despeitado, está com inveja porque é molenga e Denise fala que de Rambo ele tem nada.

Cebolinha grita para elas qual é a vantagem, vê Dona Olga admirando que o Arnoldinho era forte e carregou seu carrinhos de compras sozinho, Cebolinha se imagina fazendo exercícios, ficando musculoso e derrotando a Mônica e corre para pedir para o Arnoldinho a ensiná-lo a ficar forte. Arnoldinho dá gargalhada, pergunta se quer que transforme toda a banha em músculos, Cebolinha fala que a mãe dele diz que é fofura. Arnoldinho diz que tem que ter muita força de vontade, acordar cedinho todos os dias para fazer exercícios, trocar doces e salgadinhos por vegetais crus e esquecer as tardes preguiçosas na frente da televisão.  

Cebolinha aceita, pega as dicas com o Arnoldinho e no dia seguinte, está fazendo exercícios em casa. Cascão aparece quando ele estava fazendo abdominais contando um, dois e Cascão conta até dez para o amigo saber de todo o resto. Cebolinha fala que está ocupado, Cascão diz que está na hora do "Super Japa" na TV, Cebolinha diz que não vai assistir. Cascão oferece um pouco do seu pirulito, Cebolinha conta que não pode comer tranqueiras porque está fazendo exercícios, o Arnoldinho está ensinando e já lhe pagou adiantado. Cascão fala que é para ele ficar se matando enquanto vai assistir "Super Japa" folgadão em casa com muita pipoca e refrigerante.

Cebolinha pega o Cascão e obriga a fazer exercícios também, diz que está magrelo e um palito e ameaça que se ficar mais forte, vai dar uma surra nele. Cebolinha começa levantando pesinho, não consegue e Cascão ri. Cebolinha manda Cascão levantar, não consegue também, mas com esforço levanta, batendo na barriga do Cebolinha. Cascão fala que pelo menos ajudou a perder barriga.

Eles vão fazer flexões, Cascão acha que falou "flechões". Cebolinha faz algumas para demonstrar e Cascão dorme. Cebolinha manda pegar a corda de pular e Cascão diz que ele já acordou. Assim, os meninos fazem exercícios a sério, pulam corda, fazem barra fixa, alongamento e corrida. Cascão começa a suar muito e Cebolinha desmaia. Dona Cebola leva lanche para eles, Cebolinha fala para mãe que só querem duas cenouras cruas e Cascão come, não por apetite, mas de raiva.

Depois vão para rua para perguntar para o Arnoldinho se já estão fortes. Cascão baba ao ver um carrinho de sorvetes e Cebolinha fala que nem pensar. Cascão diz que não sabe se vai aguentar isso e quer saber por que o Cebolinha quer ter tantos músculos. Ele responde que é para bater na Mônica, vale a pena malhar, não ver mais TV e deixar de comer coisas gostosas para vê-la derrotada e que em uma luta com a Mônica, o Arnoldinho levava a melhor.

Eles encontram o Arnoldinho bem na  hora que a Mônica vê que ele estava pisando em cima do lenço. Mônica levanta o Arnoldinho só com uma mão para pegar o lenço e, com isso, Cebolinha e Cascão desistem de ficar fortes e vão para casa assistir "Super Japa" largados no sofá e com muita pipoca, batata, pirulito e refrigerante.

História engraçada que o Cebolinha faz exercícios para ficar forte como o Arnoldinho para derrotar a Mônica e ainda obriga o Cascão também a se exercitar junto. No final, descobrem que a Mônica é mais forte que o Arnoldinho, conseguindo levantá-lo com uma mão para pegar seu lenço que estava sendo pisado e assim Cebolinha e Cascão desistem de ficarem fortes e voltam à vida sedentária que sempre gostaram.

Para o Cebolinha estava uma obrigação se privar de comer coisas gostosas, ficar horas na frente da televisão para fazer exercícios e ficar forte. Era uma boa causa, a obsessão de derrotar a Mônica era grande e valia tudo, mas foi muito sacrifício, principalmente sem comer bobagens como sanduíche, pipoca, etc. Ele ainda obriga o Cascão a fazer os exercícios juntos como forma de não fazer sacrifício sozinho e por inveja que o Cascão ia fazer tudo que gostava enquanto se matava nos exercícios. Até que para quem nunca tinha treinado, os meninos foram bem, principalmente na barra fixa.

Interessante o Cebolinha pensa que ficaria forte só depois de um dia de exercícios. O Arnoldinho tinha que ter dado orientação que isso leva meses para começar a ver resultados e também tinha que estar lá treinando o Cebolinha, apenas deu as dicas e que se virasse sozinho. Só queria ganhar dinheiro fazendo bico de personal trainer à custa do Cebolinha. Arnoldinho era forte, a ponto de levantar peso com o dedo, só que não era páreo para a Mônica. Se ela consegue levantar o Arnoldinho, ninguém conseguiria derrotá-la, ela é a mais forte de todos, Cebolinha já podia ter imaginado isso antes de falar com o Arnoldinho.

Foi engraçado Magali e Denise interessadas por um menino musculoso, que é o tipo físico que acham bonito, o Cebolinha pensar que elas estavam falando que ele era lindo e coisa fofa, Cebolinha se imaginar musculoso pisoteando a Mônica derrotada, Cascão dizer "Forte?! Você?!", como se o Cebolinha não tinha capacidade para isso, os trocadilhos de flexões e acorda, Cascão derrubar halteres na barriga do Cebolinha, Cascão comendo cenoura com raiva, meninos com força de vontade para evitar tentação de comer coisas gostosas e Mônica levantando o Arnoldinho só com uma mão, entre outras coisas.

Legal um menino fortão, apesar de mais idade que o Cebolinha e o Cascão, o Arnoldinho não deixa de ser uma criança que faz academia e tomou anabolizante. O nome do Arnoldinho foi inspirado no Arnold Schwarzennegger e ele apareceu só nessa história como de costume de personagens secundários pensados para aparição única. "Rambo" não teve paródia, na época nem sempre parodiavam nomes famosos. 

História mostrou drama de quem tenta vida fitness e precisa se sacrificar de comer tudo que gosta para ter um corpo perfeito. As academias de musculação estavam começando a se popularizar na época, à princípio entre os jovens, não foi à toa que logo depois, em abril de 1995, a TV Globo lançou a novela "Malhação", e isso serviu de inspiração para o tema da história. Encaixaria bem com o Rolo, inclusive já tiveram histórias com ele assim, e dessa vez preferiram colocar com as crianças para variar. Com o Titi também ficaria bem. 

Os traços ficaram bons com personagens com língua ocupando mais espaço na boca e que prevaleceu nos anos 1990. Teve um erro da pálpebra do Cascão aparecer branca no penúltimo quadro da última página. Incorreta atualmente por mostrar criança como Arnoldinho anabolizado, meninas ficarem apaixonadas por menino musculoso, crianças fazendo musculação, ameaça de surra do Cebolinha com o Cascão se não fizesse exercícios com ele, absurdo da super força da Mônica, e um final com mau exemplo de que é melhor comer bobagens e ser sedentário do que comer coisas saudáveis e fazer exercícios, além de palavras e expressões populares e de duplo sentido proibidos como "molenga", "fica se matando", "não amola", etc. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.