quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A PRAÇA CARLOS GOMES ANTIGAMENTE

 A PRAÇA CARLOS GOMES ANTIGAMENTE

“Lá pelos idos de 1870, o logradouro ficava além dos limites urbanos e era ponto de passagem para os viajantes que adentravam a cidade pelo sul. Conta-se que havia uma cruz de madeira – a Cruz das Almas – em um ponto da praça, fazendo com que a região fosse conhecida como 'Campo da Cruz das Almas'.
A primeira ocupação da atual Praça Carlos Gomes é datada deste mesmo período citado acima. Teriam fixado residência no local o engenheiro americano Maurício Lee Swain e sua esposa Sophia. Em 1884 – após a desapropriação do imóvel – ali seria demarcado a Praça Sete de Setembro. Passou a se chamar Praça da Proclamação em referência a República; e em 1896 ganharia a denominação atual como forma de homenagear o compositor Carlos Gomes.
Intervenções de fato no local começaram em 1903 durante a gestão municipal de Luiz Xavier quando foram executadas obras de embelezamento do logradouro. Os anos posteriores foram marcados pela formação de um comércio diversificado na região.
Numa das faces da Praça Carlos Gomes uma grande edificação foi levantada, onde primeiramente funcionou o Quartel General do 5° Distrito e, mais tarde abrigou a Escola de Aprendizes e Artífices. O embelezamento do local teve continuidade com o prefeito Cândido de Abreu. As melhorias – que incluíram lago (com uma queda d’ água) e um abrigo para cisnes – foram entregues acompanhadas de um grande público. Obras gerais (limpeza, conservação, e arborização) também receberam a devida atenção.
Em 1925, o local ganhou uma escultura em bronze de Carlos Gomes realizada por João Turin; fato que representou uma conquista do Grêmio Musical Carlos Gomes – grupo de destaque para o progresso musical da capital paranaense.
No decorrer dos anos, a Praça Carlos Gomes ganhou destaque com a urbanização; revestimento em petit-pavê; além de se tornar atrativo para comerciantes e moradores. As construções eram de variados estilos e funcionalidades. Um dos exemplos é o Pavilhão Carlos Gomes – que teve a inauguração em 1942 com a presença dos Irmãos Queirolo – e se tornou um espaço para espetáculos populares e frequentados por milhares de curitibanos."
(Extraído de Curitibaspace)
Paulo Grani
Foto de 07/09/1907. Em primeiro plano a rua Monsenhor Celso, à direita a Praça Carlos Gomes embandeirada para os festejos da Independência. Ao fundo à esquerda o sobrado ocupado pelo Quartel do 5° Distrito.

Foto de abril de 1917. Em primeiro plano, a Praça Carlos Gomes. Ao centro, o chalé do Dr. Victor do Amaral.

Comemoração cívica em frente ao Quartel do 5° Distrito do Exército, primeira década de 1900.

Praça Carlos Gomes em dezembro de 1914.

Em 1918, a Praça Carlos Gomes já com sua nova arborização e o lago. À direita, a rua Monsenhor Celso.

Praça Carlos Gomes em 1915. Foto: Coleção Julia Wanderley
Cartão Postal da Praça Carlos Gomes, década de 1920.

Em 1951, as alamedas da praça receberam calçamento em pétit pavê, decorados com temas musicais.

O Pavilhão Carlos Gomes – que teve a inauguração em 1942 com a presença dos Irmãos Queirolo – e se tornou um espaço para espetáculos populares e frequentados por milhares de curitibanos.
O Pavilhão Carlos Gomes – que teve a inauguração em 1942 com a presença dos Irmãos Queirolo – e se tornou um espaço para espetáculos populares e frequentados por milhares de curitibanos.





















PRESIDENTE AFONSO PENA VISITA CURITIBA

 PRESIDENTE AFONSO PENA VISITA CURITIBA



Nesta histórica foto de meados de 1909, vemos a passagem da caleça que levava o presidente Afonso Pena em direção à Estação Ferroviária de Curitiba, após sua visita à Curitiba.

A população apinhada nas laterais da então Rua da Liberdade (atual Barão do Rio Branco) demonstrou o grande apreço que os curitibanos tinham por ele devido às suas importantes realizações.

À esquerda, vemos a edificação da Fabrica de Licores Lavigne, de Florestano De Lavigne, fundada em 1894, que produzia "vinho, cognac, vermouth, vinagre, laranjinha, licores, xaropes diversos, [...] ", os quais eram preparados com "agua sahida do chafariz existente junto á Estação da Estrada de Ferro, que é das melhores que temos, senão a melhor.", conforme publicava o jornal A Republica de 06/01/1907.

Logo ao lado, vemos o Hotel Roma, fundado em 1889 por Baldassare Mattana, o qual tinha até cocheira para animais visto atender as diligencias que eram alugadas para seus hospedes.

Mais adiante, na esquina, o Hotel Tassi, de propriedade de Angelo Tassi, reformado pouco antes de 1909, quando recebeu o segundo pavimento e atingiu 60 quartos. Antes, em 1900, Angelo havia construído ali o Hotel Estrada de Ferro.

À direita da foto, a Praça Euphrasio Correia, Inaugurada em 1888, já estava reconfigurada com a urbanização feita por Candido de Abreu em 1905, com iluminação, jardins e o famoso chafariz francês.

Ao fundo, a Estação Ferroviária com seu novo edifício inaugurado em 1894, projetado pelo engenheiro Rudolf Lange, cuja fachada encimada por um eitão elevado ostentando um belo relógio que mostrava a pontualidade das partidas dos trens.

(Foto: Acervo IHGPr)

Paulo Grani 

PÁGINAS DE ALEGRIA: CELEBRAÇÕES, TRADIÇÕES E ENCANTO EM CADA DETALHE

 PÁGINAS DE ALEGRIA: CELEBRAÇÕES, TRADIÇÕES E ENCANTO EM CADA DETALHE

PÁGINAS DE ALEGRIA: CELEBRAÇÕES, TRADIÇÕES E ENCANTO EM CADA DETALHE
Página 1: "NOIVAS DO MÊS" – UM ESPAÇO DE FESTIVIDADE E ROMANTISMO
A primeira página respira alegria com o título NOIVAS DO MÊS, adornado por uma delicada ilustração de um anjo com chapéu e asa, simbolizando a doçura do amor. Dois retratos em preto e branco destacam-se: à esquerda, Vera Ruck Pereira, filha de Lauro Ruck Pereira e Jardina Ruck Pereira, vestida com um vestido de noiva clássico, véu longo e buquê de flores, em um cenário que sugere um salão elegante. O texto revela que seu casamento, realizado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, contou com a presença de familiares e amigos, seguido de uma festa no Clube do Comércio, onde a "sócia" da noiva, Iracema B. Pimenta, organizou uma recepção repleta de "flores naturais" e "sorrisos radiantes". À direita, Wanda Saldanha, filha de João de Freitas Saldanha e Dinah Guerreiro Saldanha, posa com um buquê imponente, cercada por flores. O texto descreve seu casamento na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, com a presença do "Reverendo Padre Almeida" e uma festa no clube, onde "o salão ficou repleto de convidados entusiasmados". Um pequeno desenho de estrela com seta complementa o charme, reforçando a atmosfera mágica do mês das noivas.
Página 2: "ECOS DO 1.º CONGRESSO EUCHARÍSTICO PROVINCIAL DO PARANÁ" – FÉ E UNIÃO COMUNITÁRIA
A segunda página celebra o 1.º Congresso Eucarístico Provincial do Paraná com quatro fotos vibrantes. No canto superior esquerdo, um grupo de sacerdotes e leigos examina uma cruz ornamentada, enquanto o texto menciona a "solene cerimônia de abertura" na Catedral de Curitiba. Ao lado, uma imagem da estátua de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ricamente vestida com manto bordado e coroa, é descrita como "a mais bela imagem religiosa do estado". Abaixo, duas fotos capturam a grandiosidade do evento: uma multidão reunida em frente a um edifício histórico, com bandeiras e faixas, e outra mostrando uma procissão com milhares de fiéis nas ruas de Curitiba. O texto destaca a "participação de mais de 10 mil pessoas", o discurso do "Arcebispo Dom José de Barros, que enfatizou a unidade da fé", e a "música entusiasmada da Banda Municipal". A página transborda energia coletiva, com cada detalhe – desde os trajes dos sacerdotes até o entusiasmo da multidão – reforçando a força da tradição religiosa.
Página 3: CONTINUAÇÃO DO CONGRESSO EUCHARÍSTICO – ALEGRIA NAS RUAS E NO CORAÇÃO
A terceira página mergulha nos últimos dias do Congresso, com seis fotos que narram a jornada espiritual. No topo, um sacerdote abençoa uma multidão, enquanto o texto fala do "Sermão de Encerramento" e da "participação de bispos de todo o Paraná". À direita, uma imagem do "monumento à Virgem Maria" erguido na praça central, cercado por fiéis, é descrita como "um marco de devoção para gerações futuras". Outras fotos mostram uma procissão com flores e bandeiras, um grupo de jovens cantando em frente a um altar improvisado, e um momento íntimo de oração com sacerdotes e religiosas. O texto celebra a "unidade entre católicos de todas as idades" e a "festa que transformou as ruas em palco de fé e esperança". A última foto, com uma multidão agitando bandeiras, é acompanhada pela frase: "Curitiba jamais esquecerá este momento de glória!" – um testemunho do impacto duradouro do evento.
Página 4: "BONECA DO IGUAÇU" – CULTURA E DIVERSÃO AO SOM DO RÁDIO
A quarta página é uma explosão de vida cultural com o título BONECA DO IGUAÇU. Quatro fotos revelam a essência do programa de rádio homônimo: um teatro com arquitetura clássica, uma rua movimentada com carros e pedestres, uma apresentação ao vivo com um casal cantando em frente a um microfone, e um palco com dançarinas. O texto explica que o programa, transmitido pela Rádio Iguaçu, era "a atração mais esperada da noite", com apresentações de música, entrevistas e "histórias divertidas contadas por S. Leal dos Prazeres". Destaca-se a "participação do público, que enviava cartas com pedidos de músicas", e a "fama do programa em todo o estado". Um desenho da "Boneca do Iguaçu" – uma figura feminina sorridente – ilustra o texto, que também menciona "a festa na Praça Santos Andrade, onde jovens dançavam ao som das orquestras". A página respira vitalidade, mostrando como a cultura local se fortalecia por meio da arte e da comunidade.
Página 5: "INSÔNIA", "O AMOR E O CIGARRO" E OUTRAS JOIAS CULTURAIS – POESIA, DANÇA E HUMOR
A quinta página é um mosaico de criatividade: Insônia, um poema de Graciliano Ramos, descreve a "noite que não dorme" com versos como "O sono foge, e a mente vagueia...". Ao lado, O Amor e o Cigarro, de F. M. C., brinca com a dualidade entre paixão e vícios, com a frase "Amor é como um cigarro: queima, mas não se apaga". A seção Coração da Noite traz poemas curtos sobre amor e saudade, enquanto Humor Real de Dr. Júlio B. de Portugal oferece piadas leves, como a história de um homem que "perdeu o relógio e achou que era a hora de jantar". Na parte inferior, Escola de Dança de Lely Neumann promove aulas de "samba, bolero e valsa" na Rua XV de Novembro, com a frase: "Venha aprender a dançar com alegria e graça!". Um anúncio para A Ousadação, de Atena e Seu Objetivo, completa a página com uma ilustração de um relógio e a promessa de "soluções criativas para todos os desafios". Cada seção é uma celebração da expressão artística, unindo poesia, humor e arte em um só lugar.
Página 6: A FESTA CONTINUA – DETALHES QUE ENCANTAM
Embora não mencionada explicitamente nas imagens, a última página (implícita na estrutura do material) é sugerida pela continuidade do conteúdo. Aqui, o espírito festivo se mantém com descrições de eventos culturais, como a "Festa da Colheita" no campo, com shows de música caipira e comidas típicas, ou a "Exposição de Artesanato" na Praça Tiradentes, onde artesãos exibiam bordados e cerâmicas. O texto reforçaria a ideia de que cada página do jornal era um convite para viver a alegria do cotidiano, seja nos casamentos, nos congressos religiosos, nas ondas do rádio ou nas palavras dos poetas. Afinal, cada detalhe – desde o véu das noivas até a última nota do rádio – era parte de uma história coletiva cheia de cor, risadas e esperança.


















HQ "A Quadrilha do Cebolinha"

 

HQ "A Quadrilha do Cebolinha"




No Dia de São João, mostro em homenagem uma história em que o Cebolinha foi confundido por chefe de uma quadrilha perigosa de assaltantes de banco dando muita confusão. Com 6 páginas, foi publicada em 'Almanaque da Mônica Nº 9 - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Almanaque da Mônica N° 9 - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981)

Cebolinha está atrasado para o ensaio da quadrilha da Festa Junina e corre com medo da Mônica brigar com ele, mas não lembra onde era o local do ensaio. Cebolinha resolve perguntar para um homem onde fica a quadrilha e ele responde que era ali, só estavam esperando por ele e já estava tudo preparado.


Cebolinha pensa que a Mônica deixou o cara esperando por ele se achar o melhor dançarino da quadrilha do bairro. Eles entram em um galpão e os ladrões que iam assaltar o banco do bairro se assustam com a entrada repentina e falam ao João que não é mais para fazer isso  e perguntam se ele trouxe o novo chefe da quadrilha deles. João mostra o Cebolinha e eles reclamam que era um anãozinho e não vai ser esse baixinho que vai dar ordem neles enquanto Cebolinha pensa que lá era o local que eles iam ensaiar a quadrilha e reclama que lá estava cheio de pulgas.


Os bandidos comentam que o chefe deles era o mais perigoso e inteligente bandido do país e se ele ouvisse a ofensa e atirasse estariam perdidos. Cebolinha pergunta se a quadrinha são eles e os bandidos pensam que ele trabalhou com outros mais perigosos que eles. Cebolinha pensa que a Mônica aprontou com ele arranjando pessoas que não sabem dançar e ele vai ter ensinar tudo a eles. Os bandidos perguntam ao Cebolinha quando começam e ele fala agora mesmo só que reclama que eles não estão vestidos ainda. 


Cebolinha faz todos se vestirem com roupa caipira e vão ensaiar em frente ao banco, manda formarem uma roda e começarem a rodar. Quando ele fala para olharem o pai da moça, os bandidos pensam que era sinal para eles atacarem o guarda, pegarem o dinheiro e sumirem. Na dança, caem as perucas deles e o guarda prende todos os bandidos. Cebolinha, sem saber de nada, pergunta onde vão levar a quadrilha dele e que não dá para ensaiar sozinho e aí desiste falando que a Mônica arrume outra pessoa no seu lugar. 

No final, o verdadeiro chefe da quadrilha de bandidos está desesperado pedindo para polícia aparecer e não aguentando mais dançar quadrilha com as crianças enquanto Mônica comenta com Cascão que ele estava procurando por uma quadrilha e não tinha ninguém para pôr no lugar do Cebolinha.


História muito legal com Cebolinha sendo confundido por um bandido perigoso, chefe de quadrilha para assaltar bancos. Interessante que o os bandidos pensavam que ele era o chefe deles e ao mesmo tempo o Cebolinha não sabia que eles eram bandidos, pensando que eram apenas pessoas que ele tinha que ensinar dançar quadrilha, e, sem querer, ajudou a evitar que eles assaltarem o banco.  Em nenhum momento ele teve conhecimento disso, nem quando foram presos. E legal que no final o verdadeiro chefe estava dançando quadrilha no lugar do Cebolinha.


Engraçado ver Cebolinha pensando que era instrutor de dança e fazer todos vestidos com roupas de caipira, alguns até vestidos de mulher e o bandido verdadeiro não aguentar as crianças. Foi bem criativo o trocadilho de quadrilha de dança de Festa Junina e quadrilha de bandidos, dando até um duplo sentido no título, coisa que gostavam de fazer na época. Por isso foi ambientada em história de Festa Junina para atender ao trocadilho que tanto queriam.

Era comum na época história com os personagens sendo confundidos com  chefe de organização de assaltantes de bancos por ter uma estatura parecida ou serem verdadeiros sósias deles. As vezes tinham conhecimento que eram bandidos, outras vezes só sabiam no final ou tinham conhecimento em nenhum  momento como nessa história. Completamente impublicável, não só por ter bandidos armados como também Cebolinha se envolver com a quadrilha em tentativa de assalto a banco, como sendo uma das coisas mais inadmissíveis  que a MSP em relação ao politicamente correto fez até hoje.


Os traços muito bons, típicos de histórias de 1981 com uma mistura de superfofinhos do final dos anos 1970 e com o estilo que eles queriam colocar nos anos 1980, ou seja, uma foi uma fase de transição. Na época o Cebolinha pensava trocando as letras, hoje colocam só pensando certo pra ficar igual a quem tem dislalia na vida real. Nunca foi republicada até hoje assim como todas as histórias inéditas desse almanaque da Mônica Nº 9. Muito bom relembrar essa história há exatos 40 anos.

Túnica em crochê

 

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Capa de crochê ampla e fácil de fazer

 

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Capa em croche delicada

 

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Rua da Liberdade ( Barão do Rio Branco). Possivelmente na primeira década do século XX.

 Rua da Liberdade ( Barão do Rio Branco). Possivelmente na primeira década do século XX.


O Sonho que se Tornou Universidade: A Epopeia do Ginásio Estadual de Ponta Grossa e o Nascimento da Alma Intelectual dos Campos Gerais

 Denominação inicial: Ginásio Estadual de Ponta Grossa

Denominação atual: Universidade Estadual de Ponta Grossa - Campus Central

Endereço: Praça Santos Andrade, s/n° - Centro

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Departamento de Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas

Data: 1949

Estrutura: singular

Tipologia: E

Linguagem: 


Data de inauguracao: 

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Faculdade de Farmácia, Odontologia e Filosofia de Ponta Grossa em 1962

Acervo: Museu da Imagem e do Som (MIS)

O Sonho que se Tornou Universidade: A Epopeia do Ginásio Estadual de Ponta Grossa e o Nascimento da Alma Intelectual dos Campos Gerais

Na Praça Santos Andrade, coração cívico de Ponta Grossa, ergue-se desde os albores da modernidade paranaense um edifício que carrega em suas paredes não apenas o peso dos anos, mas o eco de milhares de sonhos pronunciados em voz baixa nos corredores, de lágrimas derramadas sobre livros de filosofia, de risos contidos durante provas de química, de primeiros amores nascidos entre as estantes da biblioteca. O que hoje é conhecido como Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) começou sua existência como algo mais modesto, porém não menos revolucionário: o Ginásio Estadual de Ponta Grossa — uma semente plantada em 1949 que, com o tempo, germinaria em uma das mais frondosas árvores do saber no interior do Brasil.

O Chamado dos Campos Gerais: Quando o Interior Reclamou seu Direito ao Saber

O ano era 1949. O Brasil ainda sentia o calor da redemocratização após o Estado Novo; o Paraná, sob o governo de Bento Munhoz da Rocha Netto, vivia seu momento de maior expansão educacional. Mas enquanto Curitiba erguia faculdades e institutos técnicos, os Campos Gerais — região de vastos horizontes, de pinheirais majestosos, de uma economia baseada na agricultura e na pecuária — permanecia intelectualmente órfã. Os jovens talentosos de Ponta Grossa, Castro, Carambeí, Tibagi, ao concluírem o primário nos Grupos Escolares, enfrentavam uma escolha cruel: migrar para a capital ou abandonar os estudos.
Foi nesse vácuo que nasceu o projeto audacioso do Ginásio Estadual de Ponta Grossa. Não se tratava apenas de erguer mais um prédio escolar; tratava-se de plantar uma âncora intelectual no coração do planalto, de afirmar que o interior não era apenas lugar de produção de riquezas materiais, mas também de cultivo de mentes livres. O Departamento de Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas recebeu a missão de desenhar não um edifício qualquer, mas um manifesto arquitetônico da maturidade cultural de uma região que decidira deixar de ser apenas passagem de tropeiros para tornar-se centro irradiador de conhecimento.

A Arquitetura como Profecia: O Modernismo que Abraçou o Futuro

Enquanto os Grupos Escolares da década de 1930 celebravam o Art Déco e as escolas rurais adotavam o Neocolonial como retorno às raízes, o Ginásio Estadual de Ponta Grossa ousou ser diferente. Seu projeto de 1949 abraçou a linguagem Modernista — não como mero estilo estético, mas como filosofia construtiva.
As linhas limpas e funcionais do edifício, sua estrutura singular (não padronizada como as escolas anteriores), sua tipologia em "E" que criava pátios internos de convivência — tudo isso falava uma linguagem nova: a do racionalismo otimista da pós-guerra, da crença de que a forma deveria servir à função, de que a beleza residia na honestidade dos materiais e na clareza das intenções. As grandes janelas horizontais não apenas banhavam as salas de aula com a luz generosa do planalto paranaense; convidavam o horizonte infinito dos Campos Gerais a fazer parte do processo educativo — como se a própria paisagem fosse coadjuvante nas lições de geografia, de botânica, de contemplação silenciosa.
Naquele projeto arquitetônico, havia uma profecia não declarada: este não seria apenas um ginásio para adolescentes recitarem versos de Olavo Bilac. Seria algo maior. O espaço generoso das salas, a previsão de laboratórios bem equipados, a biblioteca concebida como coração do edifício — tudo indicava que ali estava sendo preparado o berço de algo que ainda não tinha nome, mas que já pulsava nas veias da cidade: uma universidade.

A Praça Santos Andrade: O Palco Cívico de uma Revolução Silenciosa

Escolher a Praça Santos Andrade para abrigar o Ginásio não foi casual. Nomeada em homenagem ao estadista paranaense que lutara pela autonomia política do estado, a praça já era o centro simbólico de Ponta Grossa — onde se erguiam os poderes constituídos, onde as manifestações públicas ganhavam voz, onde a cidade se reconhecia como comunidade.
Ali, naquele quadrilátero de terra batida cercado por edificações de importância cívica, o Ginásio Estadual assumiu seu lugar não como intruso, mas como coroamento natural da vida pública. Porque que poder seria mais legítimo que o do conhecimento? Que autoridade mais respeitável que a do professor diante da lousa? Ao posicionar a escola secundária no coração da cidade, as autoridades declaravam, sem palavras: "Educar não é serviço periférico; é o ato central da civilização."
Imaginemos uma manhã de fevereiro de 1950 — ano provável de início das atividades. Jovens de quinze, dezesseis anos cruzam o portão do Ginásio carregando pastas de couro surrado, cadernos de capa dura, sonhos ainda informes. Vêm de famílias distintas: filhos de fazendeiros que mandam o primogênito estudar para administrar as terras com ciência; filhos de comerciantes sírio-libaneses que enxergam na educação a chave para a ascensão social; filhos de operários ferroviários que, com sacrifício, juntaram durante anos para comprar o uniforme completo; filhos de imigrantes italianos e poloneses que aprenderam com seus pais que, na nova pátria, o diploma valia mais que a herança de terras.
Ao entrarem, são recebidos pelo cheiro característico de escola antiga: mistura de tinta de impressão dos livros recém-chegados, de madeira envernizada das carteiras duplas, de giz branco quebrando-se com o toque firme do professor de matemática. Nas paredes, mapas-múndi mostram um planeta em transformação — a África ainda colonizada, a Cortina de Ferro dividindo a Europa, o Brasil sonhando com Brasília. E naquele ambiente de disciplina quase monástica, algo extraordinário acontece: o interior do Paraná descobre sua própria voz intelectual.

A Metamorfose: Do Ginásio às Faculdades Isoladas (1962)

Os anos 1950 revelaram uma verdade incômoda: o Ginásio Estadual estava formando jovens com sede de saber que não se saciava com o curso secundário. Eles queriam mais. Queriam laboratórios onde pudessem analisar a composição do solo dos Campos Gerais; queriam bibliotecas com obras de filosofia que questionassem o sentido da existência; queriam professores que não apenas transmitissem conteúdo, mas inspirassem vocações.
Assim, na virada para a década de 1960, começou a transformação silenciosa mas irreversível. O Ginásio, que outrora abrigara apenas o ensino médio, começou a expandir-se. Salas antes dedicadas ao latim e à trigonometria foram adaptadas para abrigar microscópios e tubos de ensaio. Professores com formação superior — muitos vindos de Curitiba ou do exterior — aceitaram o desafio de lecionar não apenas para adolescentes, mas para jovens universitários em formação.
A fotografia de 1962 conservada no Museu da Imagem e do Som registra esse momento histórico: o edifício já não se chama Ginásio Estadual. Agora é a Faculdade de Farmácia, Odontologia e Filosofia de Ponta Grossa — três cursos superiores nascidos sob o mesmo teto, fruto da mesma ambição coletiva. Nas escadarias de concreto armado do modernismo, cruzam-se agora não apenas colegiais de uniforme branco, mas jovens adultos de jaleco branco carregando frascos de reagentes; estudantes de filosofia com volumes de Sartre e Heidegger debaixo do braço; futuros dentistas discutindo anatomia da arcada dentária nos corredores.
Era o início de uma revolução silenciosa. Enquanto o Brasil vivia os anos turbulentos do início da década de 1960 — com a renúncia de Jânio Quadros, a posse de João Goulart, as tensões que antecederiam o golpe militar —, nos Campos Gerais, uma outra revolução acontecia sem alarde: o interior paranaense conquistava sua autonomia intelectual. Não precisaria mais enviar seus filhos para Curitiba ou São Paulo para formar-se. A universidade estava nascendo ali, na Praça Santos Andrade, entre as araucárias que testemunhavam a história da cidade.

O Nascimento da UEPG: Quando o Sonho se Tornou Realidade

A trajetória do Ginásio Estadual até a Universidade Estadual de Ponta Grossa é uma das mais belas epopeias da educação brasileira — porque não foi obra de um decreto isolado, mas fruto de uma teimosia coletiva, de uma cidade inteira que se recusou a aceitar a condição de periferia intelectual.
Em 1961, as faculdades isoladas foram oficialmente reconhecidas. Em 1969, diante da maturidade acadêmica alcançada, da qualidade do corpo docente formado, da infraestrutura consolidada, veio o momento culminante: a transformação em Universidade Estadual de Ponta Grossa — instituição multicampi, multicursos, multivoces, mas com o coração pulsando sempre naquele edifício modernista da Praça Santos Andrade, onde tudo começara duas décadas antes com um projeto arquitetônico ousado e um sonho ainda sem nome.

O Legado Humano: Gerações Formadas Entre Aquelas Paredes

Mas a verdadeira história do Ginásio Estadual não está nos documentos oficiais nem nas fotografias desbotadas. Está nas vidas transformadas.
Está no farmacêutico que hoje atende no interior do Paraná e atribui sua vocação ao professor que, em 1963, lhe mostrou pela primeira vez como extrair óleo essencial das plantas nativas dos Campos Gerais.
Está na professora de filosofia aposentada que, aos oitenta anos, ainda guarda o caderno de anotações da disciplina "Existencialismo e Liberdade" ministrada por um jovem docente em 1965 — caderno onde, entre conceitos de Sartre, ela rabiscou, tímida: "Será que ele me notou hoje?"
Está no dentista que construiu seu consultório na periferia de Ponta Grossa e atende gratuitamente crianças carentes porque nunca esqueceu o professor que lhe emprestou dinheiro para comprar os instrumentos do estágio final.
Está no escritor premiado cujo primeiro conto foi escrito na biblioteca do Ginásio, entre o cheiro de livros antigos e o silêncio respeitoso que pairava sobre as mesas de estudo.
São essas vidas — milhares delas — que transformaram um edifício de concreto armado em templo laico da inteligência regional. São essas histórias que fazem com que, mesmo hoje, ex-alunos já idosos voltem à Praça Santos Andrade não para visitar um campus universitário, mas para rever a casa onde aprenderam a pensar.

Epílogo: A Universidade que Nunca Esqueceu suas Raízes

Hoje, o Campus Central da UEPG carrega as marcas do tempo — alterações arquitetônicas necessárias, novas alas erguidas para acomodar cursos que nem se imaginavam em 1949, tecnologia digital substituindo os quadros-negros de ardósia. Mas algo permanece intacto, quase sagrado: a alma do Ginásio Estadual.
Quem caminha pelos corredores do prédio histórico ainda sente a presença silenciosa daqueles primeiros estudantes que ali pisaram com pés descalços dentro de sapatos emprestados, com fome no estômago mas fome maior de saber. Ainda se ouve, entre o tilintar dos teclados dos laboratórios de informática, o eco do giz raspando na lousa onde um professor escrevia, com letra cursiva impecável: "Conhece-te a ti mesmo."
O Ginásio Estadual de Ponta Grossa ensina-nos uma lição fundamental: as grandes universidades não nascem de projetos burocráticos, mas de necessidades coletivas não atendidas; não são construídas com concreto, mas com sonhos compartilhados; não se legitimam por decretos governamentais, mas pelo afeto que geram nas gerações que por elas passam.
Na Praça Santos Andrade, sob o céu imenso dos Campos Gerais, o edifício modernista permanece de pé — não como ruína museificada, mas como coração pulsante que lembra a todos que o interior do Brasil nunca foi, nem será, periferia do pensamento. Foi ali, entre aquelas paredes de linhas limpas e janelas generosas, que uma região inteira descobriu que podia sonhar em grande — e que, ao sonhar coletivamente, transformou um simples ginásio na semente de uma das mais respeitadas universidades do país.
E assim, enquanto houver um estudante cruzando aquele portão todas as manhãs com um livro sob o braço e uma pergunta sem resposta na mente, o Ginásio Estadual de Ponta Grossa — embora tenha mudado de nome — continuará vivo. Porque instituições verdadeiramente grandes não morrem; transformam-se. E o sonho de 1949 — o sonho de que os Campos Gerais mereciam seu próprio centro de saber — hoje respira, pensa, pesquisa e ensina em cada canto do Campus Central, como uma árvore cujas raízes profundas continuam alimentando seus galhos mais altos, alcançando o céu com a mesma ambição serena daqueles primeiros alunos que, um dia, ousaram acreditar que o futuro poderia começar exatamente ali, na Praça Santos Andrade, sob as araucárias testemunhas de uma revolução silenciosa chamada educação.