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domingo, 12 de julho de 2026

A IMIGRAÇÃO JAPONESA EM DIREÇÃO AO BRASIL

 A IMIGRAÇÃO JAPONESA EM DIREÇÃO AO BRASIL



A imigração japonesa para o Brasil é a mais tardia dentre as demais, embora já em 1895 tenha sido assinado um tratado de comércio entre Brasil e Japão. A corrente imigratória japonesa chega em 1908 para as fazendas de café e núcleos coloniais, dirigindo-se para o interior do Estado de São Paulo e para o litoral paulista.

Este foi provavelmente o grupo que mais sofreu as diferenças culturais - a disparidade de culturas era muito grande e a desilusão também (problemas de alimentação, habitação, comunicação, namoro, preconceitos, religião etc.).

Em Santos, o fluxo imigratório se originou principalmente da inadaptação do trabalho de muitos japoneses, nas fazendas de café. Os primeiros imigrantes a se fixarem eram originários da ilha de Okinawa haviam abandonado as fazendas na Alta Sorocabana; chegam em 1911 em número de 8 famílias.

Radicaram-se principalmente no bairro da Ponta da Praia, dedicando-se sobretudo à pesca e à agricultura, além do porto que exercia uma forte atração de mão-de-obra. Estabeleceram-se como arrendatários de terras, muitas delas ociosas, e produziam hortigranjeiros. O arrendamento dessas terras e a concentração de japoneses vinham desde o Marapé, Campo Grande, Jabaquara, Vila Belmiri, Santa Maria, Nova Cintra, em terras próximas aos morros onde se concentravam as chácaras, e no bairro da Ponta da Praia.

É possível cogitar que o japonês funcionou como elemento que se aproveitou dos vazios periféricos da cidade e que futuramente direcionou a expansão urbana de Santos; a Ponta da Praia seria um exemplo. Além disso, se instalaram também como operários, carregadores do cais, pequenos agricultores, pescadores, verdureiros, armadores, pequenos comerciantes, carpinteiros, artesãos, tintureiros etc.

Como comerciantes inicialmente de produtos agrícolas e pescado, essa atividade era exercida especialmente pelas mulheres, que vendiam no mercado ou de casa em casa.

Como pescadores, formaram uma comunidade nas proximidades da Av. Rei Alberto com a Capitão João Salerno. No início, a pesca era de linha, para subsistência; depois com rede, a fim de aumentar a produção pesqueira para o mercado; aí o pescado era comercializado e, embora tendo alguns "caiçaras" do litoral Norte como empregados, a empresa japonesa era basicamente familiar. Além disso, as mulheres dedicavam-se à coleta de uma alga, o "nori", que servia para embalar recheios de legumes típicos da cozinha japonesa, e mantinham as redes. Em 1932 fundaram a Cooperativa Pesqueira de Santos. Mas, anos depois, os seus descendentes já estavam trabalhando nos armazéns gerais, exportadores de frutas, empresas de carga e transportes, empresas pesqueiras e academias de artes marciais.

A preocupação com a escolarização dos filhos, a exemplo dos outros imigrantes, é bastante grande e ficou viável na segunda e terceiras gerações, que vão ganhando status social com cursos superiores e participação na política local. Isto, contudo, não é apenas uma especialidade dos japoneses: o mesmo ocorreu com os demais imigrantes que se fixaram em Santos.

Após trinta anos, quando haviam alcançado estabilidade, a Segunda Guerra Mundial veio retirá-los do litoral para o interior, uma vez que o Brasil era aliado dos EUA, e o Japão inimigo destes; o rompimento ocorre em 1943. Dessa forma, os nipônicos tiveram 24 horas para deixar a cidade, ficando para trás os bens que possuíam. Mesmo os descendentes, nascidos no País e com mais de 18 anos de idade, preferiram acompanhar a família.

Em 10/07/1943, o jornal de Santos, A Tribuna registrava: "Mais de 1.500 súditos japoneses e alemães são removidos. E segue: "Colhidos de surpresa, numerosos japoneses trataram de se desfazer de seus bens. No Marapé, na Ponta da Praia e em Santa Maria, houve verdadeira corrida para venda de suínos, galináceos, muares etc. ... Quase todos os proprietários de chácaras, eles puseram à venda quase tudo o que possuíam. Vendiam a qualquer preço, pois não havia tempo para regatear. Um deles, para desfazer-se de sua chácara, em Santa Maria, vendeu três porcos, uma carroça e um muar pela quantia de mil cruzeiros. As galinhas eram vendidas a dois ou três cruzeiros". A polícia publicava na mesma página do jornal um apelo ao povo de Santos, para que tomassem para si a responsabilidade de guardar essas propriedades, tornando-se cada vizinho um vigilante atento, que deveria dar notícia urgente de qualquer irregularidade. Não é preciso dizer que isso pouco aconteceu.

Após a Guerra, houve a possibilidade de voltar, mas a maioria preferiu não vir. E, na década de 1950, os nipônicos se voltaram para a organização de empresas nos moldes do capitalismo moderno.

Em Santos talvez fosse maior a corrente imigratória japonesa, caso não houvessem sido enviados ao interior durante a Guerra. E como todos os demais imigrantes de outras nacionalidades radicados em Santos, criaram suas associações de lazer e auxílio. Das associações japonesas, uma das mais importantes é o Estrela Club e a Escola Japonesa de Santos; promoveram a confraternização e mantiveram suas tradições. Muitos japoneses foram cristianizados em Santos. Os padres jesuítas iniciaram a evangelização dos nipônicos a partir de agosto de 1929, com a missão católica japonesa.

(Extraído de: novomilenio.com.br / Fotos: Museu da Imigração Japonesa)