sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Antenor Pamphilo dos Santos, o primeiro vereador negro de Curitiba

 

Antenor Pamphilo dos Santos, o primeiro vereador negro de Curitiba

por Mauricio Geronasso

Que tal a gente se colocar por cinco minutos na pele do médico Antenor Pamphilo dos Santos? Mal se passavam 50 anos do fim da escravidão no Brasil quando ele se tornou o primeiro vereador negro da capital do Paraná. A eleição de Antenor para a Câmara Municipal de Curitiba (CMC), em 1947, com a redemocratização após o Estado Novo, provavelmente faz ele ser o primeiro parlamentar negro da CMC. A impossibilidade de analisar com critérios atuais a questão racial em períodos anteriores não nos deixa cravar esse dado. É certeza, contudo, que desde o retorno à democracia com a Constituição de 1946, Antenor foi o pioneiro negro a representar a população da cidade.

Antenor Pamphilo dos Santos nasceu na cidade de Salvador, capital da Bahia, no dia 1° de junho de 1895. Ele chegou no Paraná na década de 1920 e, durante sua vida, foi reconhecido pelo trabalho árduo nos serviços comunitários de saúde e no combate às endemias enquanto funcionário público do Governo do Paraná. Também teve grande influência na formação médica e acadêmica na cidade, antes de entrar na vida política. Com o slogan “Não vote em branco, vote no Antenor”, o médico baiano atuou como vereador por duas legislaturas. Ele chegou a assumir interinamente a Prefeitura de Curitiba, sendo provavelmente também a primeira pessoa negra a chefiar o Executivo da capital.

Pamphilo dos Santos foi casado com Laura Sozzi. Tiveram apenas um filho, Jayme Sozzi Pamphilo dos Santos, formado em Direito e falecido em 10 de maio de 1963. Moravam na antiga rua Conselheiro Barradas, depois renomeada como rua Carlos Cavalcanti, no número 1.386. O médico faleceu em 9 de fevereiro de 1967, aos 72 anos. Nessa data, a Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) decretou luto simbólico de três dias, e a Prefeitura de Curitiba e a Secretaria Estadual de Educação decretaram luto oficial de dois dias, em reconhecimento ao serviço prestado às instituições locais.

Inauguração do Hospital de Clínicas
A formação acadêmica do Dr. Pamphilo e a sua carreira como “mata-mosquito”, alcunha recebida pelos agentes de combate às endemias, sempre o colocaram como referência em assunto ligados à saúde da população. Foi convidado em diversas oportunidades para representar o Paraná em congressos sobre temas como tuberculose, saúde da criança, lepra e febre tifoide, além de atuar em campanhas de solidariedade para angariar recursos para a construção e a aquisição de um terreno para a Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa Contra Lepra de Curitiba, na década de 1960.

Dentro da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ocupou por duas vezes a diretoria da Faculdade de Medicina (1956 a 1963). Durante sua gestão, o prédio do Hospital de Clinicas de Curitiba (HC) foi concluído, em 26 de março de 1960. “É uma obra, o Hospital de Clínicas de Curitiba, que vai, incontestavelmente, solucionar uma das grandes dificuldades que tínhamos, que era a do ensino das clínicas”, discursou Pamphilo dos Santos na ocasião.

A inauguração do HC ocorreu em março de 1961, com o descerramento da placa comemorativa pelo ministro da Educação e Cultura, Clóvis Salgado da Gama, representante do presidente Jânio Quadros. Nesse mesmo período, Pamphilo dos Santos fundou, com outros médicos, a Sociedade de Endocrinologia e Nutrição do Paraná, que depois foi incorporada à Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia como Regional do Paraná.

Antes disso, a vida profissional de Pamphilo já continha atuações públicas e políticas. Em 1930, tornou-se médico sanitarista da Diretoria Geral da Saúde do Paraná, sendo chefe do laboratório de Bromatologia e Análises Clínicas. Em 1932, assumiu interinamente a Diretoria Geral da Saúde Pública e, em 1939, a Diretoria Geral do Departamento de Saúde, ambos durante o governo do interventor Manoel Ribas Em 1944, Pamphilo dos Santos foi diretor-geral de Educação, logo depois assumindo a presidência da Associação de Assistência à Criança do Paraná, que era um órgão da Secretaria de Saúde e Assistência Social, com a finalidade de estimular e orientar a organização de estabelecimentos municipais e particulares destinados à proteção da maternidade e da infância, além de realizar estudos sobre a situação da maternidade, da infância e da adolescência no Paraná.

Carreira acadêmica
Pamphilo dos Santos ingressou como aluno de Farmácia na Universidade Federal do Paranáno ano de 1921. Assim que concluiu o curso, tornou-se docente, assumindo a disciplina de química e bromatológica da mesma graduação em 1926. Mesmo com a docência, continuou estudando e, em 1928, pela UFPR, graduou-se em Medicina, defendendo a tese “Teoria dos envenenamentos”, com a qual recebeu a honraria Nilo Cairo - prêmio que até os dias de hoje é concedido pela às maiores notas.

No curso de Medicina, ministrou aulas de Química Geral e Mineral, mas foi como titular de Fisiologia que se aposentou, no ano de 1965. No exercício do magistério, antes de ser docente universitário, Pamphilo dos Santos lecionou Física e Química em diversas escolas e cursos preparatórios para vestibular na cidade de Curitiba, alguns bastantes conhecidos, como o Novo Atheneu e o Colégio Iguassu, localizados na praça Rui Barbosa.

 

Política
No ano de 1958, a Faculdade de Medicina da UFPR amanheceu com uma faixa pendurada, na qual se lia “NÃO VOTE EM BRANCO. VOTE NO PROFESSOR PAMPHILO!”. Era a terceira candidatura dele para deputado estadual, não obtendo êxito em das tentativas anteriores. No entanto, o slogan ficou marcado em sua campanha, com os alunos da faculdade de medicina pendurando a faixa no pátio da instituição de ensino, fazendo uma alusão à cor da pele do professor, em uma época na qual aumentava consideravelmente o número de votos em branco (quando o eleitor abdica de indicar um candidato).

Antenor Pamphilo dos Santos foi eleito vereador de Curitiba por duas legislaturas (1947-1950 e 1956-1959), pelo Partido Social Democrático (PSD), sigla de orientação política moderada, fundada em 1945 por ex-interventores do Estado Novo nas unidades federadas, extinta durante a Ditadura Militar, pelo Ato Institucional Número Dois (AI-2). Como vereador, apresentou projetos para auxiliar o esporte amador, reduzir a tributação e em defesa da educação e da saúde para os desamparados. Assumiu interinamente a prefeitura no dia 16 de julho de 1948, época em que presidia a Câmara Municipal de Curitiba. 

No ano de 1957, ele se licenciou da função de vereador para assumir a Secretaria Estadual de Educação e Cultura, no governo de Moyses Lupion. Foi homenageado ainda em vida pela trajetória pública e hoje uma escola na cidade de Iporã, no noroeste do Paraná, leva seu nome. Em Curitiba, batiza a rua Vereador Antenor Pamphilo dos Santos, no bairro Vista Alegre.

O Dr. Antenor Pamphilo dos Santos viveu em uma época que infelizmente ainda se assemelha aos dias atuais, onde o racismo persiste estruturalmente na sociedade. São raros, em Curitiba, os casos de pessoas negras com destaque na cena política, o que evoca os problemas da longa dominância de uma aristocracia escravocrata. A situação é tão peculiar que não é possível nem enumerar todos os vereadores negros que já participaram da CMC, pois as informações de raça só passaram a ser exigidas pelo TSE em 2014.

Apesar das dificuldades, cumprindo o objetivo de dar a necessária visibilidade à população negra na formação da cidade de Curitiba, os registros analisados mostram que, depois do Dr. Antenor, houve pelo menos mais dez vereadores negros: Coronel Sidney Lima Santos (1969), Jotapê (1989), Adenival Alves Gomes (2001), Manasses Oliveira da Silva (2005), Elcio Pereira (2008), Edson do Parolin (2009), Mestre Pop (2013), Herivelto Oliveira (2019), Carol Dartora (2021) e Renato Freitas (2021).

“A presença do negro na formação da identidade paranaense sempre foi secundarizada, quando não omitida, e a imagem do Paraná branco seguiu em frente”, registraram os sociólogos Pedro Rodolfo Bodê Moraes e Marcilene Garcia de Souza no artigo “Invisibilidade, preconceito e violência racial em Curitiba”, publicado em 1999. Neste mês de dezembro, é necessário registrar, celebramos 75 anos da poses do primeiro vereador negro da capital do Paraná.

Nossa Memória
Iniciado em 2009, pela Diretoria de Comunicação Social, o Nossa Memória é um projeto de resgate e valorização da história da Câmara Municipal e da cidade de Curitiba, já que ambas se entrelaçam. Além das reportagens especiais, a página reúne “Os Manuscritos”, com documentos desde a fundação da cidade, em 29 de março de 1693, e o “Livro das Legislaturas”, que mostra quem foram os vereadores da capital paranaense desde 1947. Também traz bancos de dados como o “Aconteceu” e o “Rua & História”, entre outros materiais com fatos marcantes do município, todos disponíveis para a consulta da população.

Se tiver interesse em temas que não estão na seção Nossa Memória, pode pesquisar no arquivo histórico da CMC, que conta com documentos históricos datados a partir de 1743.


Referências:
VANALI Ana Cristina. Caderno Pedagógico Oralidade Afroparaneenses, Personalidades Negras da Sociedade Curitibana do Século XX.

MORAES, Pedro Rodolfo Bode; SOUZA, Marcilene Garcia de. Invisibilidade, preconceito e violência racial em Curitiba. In: Revista de Sociologia e Política, n.13, nov. 1999, p. 7-16.

- A República, 14/10/1920, p. 1.

- COSTA, Iseu AKonso da; LIMA, Eduardo Correa. O ensino de medicina na Universidade Federal do Paraná. Curitiba: Editora da UFPR, 1992.

- Commercio do Paraná, 11/02/1925, p. 7. O Dia, 01/03/1925, p. 5.

- A República, 22/04/1930, p. 3.

- O Dia (PR), 04/02/1933, p. 1. Lei Nº 2703 de 29/04/1929.

- O Dia (PR), 12/03/1944, p. 8. O Dia (PR), 22/06/1944, p. 3.

RODRIGUES, Jaqueline dos Santos. Postos de Puericultura - Fundação O Dia: educação das mães e saúde dos filhos (Curitiba, 1940-1942). Curitiba: Mestrado em Educação da UFPR, 2013.

MARTINS, Walkiria Braum. Levantamento das legislaturas e vereadores (1947-2020). Curitiba: CMC, 2017.

Resultados de eleições municipais – Curitiba – 16/11/1947. Disponível em http://www.tre-pr.jus.br/eleicoes/resultados/resultados-de-eleicoes-municipais-tre-pr

Resultados de eleições municipais – Curitiba – 03/10/1955. Disponível em http://www.tre-pr.jus.br/eleicoes/resultados/resultados-de-eleicoes-municipais-tre-pr

*Notícia elaborada pelo estudante de Jornalismo Mauricio Geronasso*, especial para a CMC
Supervisão do estágio: José Lázaro Jr.
Revisão: Alex Gruba

A casa mal-assombrada de Curitiba: as missas e as chaves benzidas Até o padre foi chamado para tentar resolver o mistério do Capão da Imbuia.

 A casa mal-assombrada de Curitiba: as missas e as chaves benzidas Até o padre foi chamado para tentar resolver o mistério do Capão da Imbuia.

https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/a-casa-mal-assombrada-de-curitiba-as-missas-e-as-chaves-benzidas

por Fernanda Foggiato | Revisão: Vanusa Paiva


“Após perseguir inutilmente por três dias e três noites os atiradores de pedras, a polícia resolveu abrir fogo contra as árvores do Capão da Imbuia. Enquanto isso, reforçando a hipótese de fenômeno sobrenatural, o padre da igreja local irá benzer hoje as chaves das casas”, noticiou, na capa da edição de 6 de janeiro de 1974, o jornal “Diário do Paraná”. A segunda parte da história sobre a residência supostamente mal-assombrada, apresenta, neste domingo (7), novos personagens em busca de uma explicação para as “pedras voadoras”.

Também surgem outros relatos de “estranhas ocorrências”: houve até quem afirmasse ter testemunhado, ali, a levitação de talheres. Resgatado, desde a semana passada, pela Diretoria de Comunicação Social (DCS) da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), o mistério da casa mal-assombrada, do bairro Capão da Imbuia, é tema da primeira temporada da série “Curitiba Horror Stories”, mais um projeto do Nossa Memória.

>> Assista à história no Instagram da CMC. Ou, então, no nosso perfil do TikTok.

O bairro, explicou o “Diário do Paraná”, “por muitos anos, ou até recentemente”, foi um extenso campo para a criação de gado e cavalos. “O Capão da Imbuia surgiu com essa denominação em virtude de um grande capão de mato em seu interior, onde havia árvores de imbuia, madeira de lei muito aplicada na marcenaria, para o mobiliário fino”, contou o jornal. A área citada, conservada até hoje, é o Instituto de Defesa do Patrimônio Natural (atual Museu de História Natural do Capão da Imbuia).

Segundo a publicação, as “pedras voadoras” tornaram a cair no fim da tarde e na noite abafada daquele sábado, dia 5 janeiro. Com até 300 gramas, elas fariam uma trajetória horizontal e seria possível identificar de onde vinham. O mistério, que dividiu opiniões, chegava ao quarto dia. Para tentar responder à pergunta — afinal, aquilo era assombração ou vingança? —, foi chamado também o padre da Paróquia de São Benedito, localizada a uma quadra dali.

A estratégia adotada pelo vigário foi benzer as chaves das casas da região, nas três missas que celebraria na manhã daquele domingo, dia 6 de janeiro de 1974. Também seriam benzidos e entregues aos moradores ramos verdes e palmas, “que, em casos de catástrofes ou maus espíritos”, poderiam ser queimados com o objetivo de purificar as residências.

“Talheres voadores”
A Radiopatrulha, enquanto isso, havia apertado o cerco, em busca dos atiradores das pedras. Conforme o jornal, os policiais haviam montado uma operação mais discreta na casa supostamente mal-assombrada, com o objetivo de conter os curiosos. Em contrapartida, haviam ampliado a vigilância para as residências das proximidades e o terreno do Museu de História Natural.

No entanto, até um grupo de parapsicólogos teria comparecido ao local. “Essas pessoas argumentavam que pelo fato de ser a única moradia atingida pelas pedras, que jamais erraram o alvo, e pelo fato de não ter sido possível estabelecer o local de onde elas procediam, indicava estarem diante de um fato clássico de fenômeno parapsicológico”, acrescentou. E a reportagem finalizou: embora desde o começo defendesse a tese de vingança, o proprietário, Ildefonso Till, teria se mostrado “bastante curioso com as explicações dadas pelos estudiosos”.

Como o jornal não circulava às segundas-feiras, o assunto voltou às páginas do “Diário do Paraná” na edição de 8 de janeiro, uma terça. O mistério continuava: um policial da Radiopatrulha teria contado à reportagem que o problema não era mais só as pedras. Até mesmo talheres estariam “voando misteriosamente e trocando de lugar”. “As estranhas ocorrências”, completou, teriam levado um grande número de fiéis às três missas rezadas na Paróquia de São Benedito, na manhã daquele domingo.

E agora, será que o padre conseguiu resolver o problema? Ou os policiais localizaram o responsável por atirar as pedras? Na terceira e na quarta parte da série, que a CMC publica no próximo domingo (14), confira o desfecho da história e o que a vizinhança lembra sobre os fatos curiosos que esquentaram, ainda mais, aquele janeiro de 1974, no até então pacato bairro do Capão da Imbuia.

Nossa Memória
Iniciado em 2009, pela Diretoria de Comunicação Social, o Nossa Memória é um projeto de resgate e valorização da história da Câmara Municipal e de Curitiba, já que ambas se entrelaçam. Além das reportagens especiais, a página reúne “Os Manuscritos”, com documentos desde a fundação da cidade, em 29 de março de 1693; e o “Livro das Legislaturas”, que mostra quem foram os vereadores da capital paranaense desde 1947. Também traz bancos de dados como o “Aconteceu” e o “Rua & História”, entre outros materiais com fatos marcantes da cidade, todos disponíveis para a consulta da população.

** Confira AQUI as referências da pesquisa histórica para as matérias especiais "A casa mal-assombrada de Curitiba".

A casa mal-assombrada de Curitiba: o mistério das “pedras voadoras” conheça o caso do Capão da Imbuia que atiçou a curiosidade da população, em 1974.

 A casa mal-assombrada de Curitiba: o mistério das “pedras voadoras” conheça o caso do Capão da Imbuia que atiçou a curiosidade da população, em 1974.

https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/a-casa-mal-assombrada-de-curitiba-o-misterio-das-pedras-voadoras

por Fernanda Foggiato | Revisão: Vanusa Paiva


As reportagens começaram a ser publicadas pelo “Diário do Paraná” em 5 de janeiro de 1974. (Montagem: Carol Periard/CMC)

Havia quem jurasse se tratar de assombração, de um fato sobrenatural. Para outras pessoas, não passava de vandalismo, vingança  caso de polícia mesmo. “Pedras, mistério na casa de Ildefonso.” Essa foi a manchete que o jornal “Diário do Paraná”, naquela época em circulação há quase duas décadas, estampou na capa da edição de sábado, dia 5 de janeiro de 1974.

Foi o começo, ali, da maratona de notícias até o desfecho daquela incógnita. História que a Diretoria de Comunicação Social (DCS) da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) resgata, a partir deste domingo (31), na primeira temporada da série “Curitiba Horror Stories”, mais um projeto do Nossa Memória.

 Eu vou embora. Isto não é caso para a polícia. O dono da casa que chame um padre  disse, segundo o “Diário do Paraná”, um dos oficiais designados para investigar o caso, ao ver uma pedra, “aparentemente saída do nada”, atingir uma das vidraças da casa de número 1.366, na rua Professor Nivaldo Braga, no bairro Capão da Imbuia, zona leste da capital paranaense. O fenômeno, relatava o repórter, já se repetia há três noites.  

>> Assista AQUI à história no Instagram da CMC. Ou, AQUI, no nosso perfil do TikTok.

Na avaliação das autoridades, não existia uma explicação plausível para o caso. O cerco ao imóvel, em busca da origem das pedras, reunia unidades da Companhia de Operações Especiais e da Radiopatrulha, ambas da Polícia Militar do Paraná (PM-PR), além de investigadores da Polícia Civil.

Inicialmente, afirmava o jornal, eles pensavam ser obra de algum atirador escondido entre as árvores do Instituto de Defesa do Patrimônio Natural (hoje chamado de Museu de História Natural do Capão da Imbuia), que fica em frente ao imóvel. Só que a área teria sido “vasculhada palmo a palmo” pelos policiais, com o uso de potentes lanternas e até de holofotes, e nada foi encontrado.

A reportagem do dia 5 de janeiro de 1974, que revelou o mistério da casa mal-assombrada de Curitiba, também contava que as senhorinhas da região, “desfiando as contas do rosário”, não tinham dúvida: o caso seria, sim, de assombração. Enquanto as pedras voavam, destruindo as vidraças da residência de madeira, e os policiais buscavam o culpado, já irritados com a “perseguição inútil”, a população se aglomerava, curiosa, para acompanhar a movimentação. Tanto que as autoridades teriam até desistido de tentar dispersar a multidão.

Só que o proprietário da residência, Ildefonso Till, não concordava com a tese de fenômeno sobrenatural. Casado com Irene de Oliveira Till, o homem dizia ser vítima de uma vingança dos rapazes do bairro. “Contam [os moradores] que há mais de duas semanas pediram que a polícia prendesse uma menor, empregada da casa, que vinha praticando atos indecorosos com uma turma de jovens do bairro”, escreveu o repórter.

Na próxima reportagem da série, que a CMC publica no próximo domingo (7), saiba qual foi a estratégia adotada pelo padre da comunidade. Enquanto isso, a Radiopatrulha “abriu fogo” contra as árvores, em busca dos supostos atiradores. Será que o mistério foi resolvido? Confira!

Nossa Memória
Iniciado em 2009, pela Diretoria de Comunicação Social, o Nossa Memória é um projeto de resgate e valorização da história da Câmara Municipal e de Curitiba, já que ambas se entrelaçam. Além das reportagens especiais, a página reúne “Os Manuscritos”, com documentos desde a fundação da cidade, em 29 de março de 1693; e o “Livro das Legislaturas”, que mostra quem foram os vereadores da capital paranaense desde 1947. Também traz bancos de dados como o “Aconteceu” e o “Rua & História”, entre outros materiais com fatos marcantes da cidade, todos disponíveis para a consulta da população.

** Confira AQUI as referências da pesquisa histórica para as matérias especiais "A casa mal-assombrada de Curitiba".

O Código de 1932 e a segunda “primeira” legislatura

 

O Código de 1932 e a segunda “primeira” legislatura

por Fernanda Foggiato | Revisão: Vanusa Paiva

“Senhores da comissão, recebo de vossas mãos o projeto de lei eleitoral que vai ser submetido ao exame e apreciação do governo. Tenho a impressão de que me entregam a carta de alforria da democracia brasileira. [...] Processo dentro do qual será permitida a consulta à opinião do país em um regime verdadeiramente livre e democrático”, discursou, em 26 de janeiro de 1932, o então ministro da Justiça, Mauricio Cardoso. Com a fala, ele encerrava os trabalhos da comissão de reforma eleitoral, criada em dezembro do ano anterior.

Promulgado por Getúlio Vargas, que desde a Revolução de 1930 chefiava o governo provisório – há 90 anos , no dia 24 de fevereiro, o decreto número 21.076, mais conhecido como o Código Eleitoral de 1932. A norma trouxe importantes avanços para a democracia brasileira, como os votos feminino (ainda facultativo) e secreto. Os marcos foram consolidados na Constituição de 1934 e na lei 48/1935, que reformou a legislação eleitoral.

O voto feminino foi uma luta travada desde o século 19. A Constituição do Império, em 1891, não trouxe uma proibição explícita, já que as mulheres não são citadas entre quem não podia se alistar, caso dos mendigos e os analfabetos, mas tampouco o autorizou. Na Constituinte, houve embates sobre emendas para permitir, por exemplo, o voto às mulheres com títulos científicos e professoras, desde que não estivessem “sob o poder marital, nem paterno, bem como às que estivessem na posse de seus bens”, mas as propostas foram rejeitadas.

No começo do século 20, o movimento feminista ganhou força pelo país. Em Curitiba, uma das precursoras foi a educadora, escritora e poetisa Marianna Coelho. Ela defendia a emancipação da mulher por meio de bandeiras como a conquista de seus direitos políticos e da participação no mercado de trabalho. Coelho chegou a receber o apelido de "Beauvoir tupiniquim", em referência à francesa Simone de Beauvoir.

“Homens maiores de 60 anos e as mulheres em qualquer idade podem isentar-se de qualquer obrigação ou serviço de natureza eleitoral”, dizia o Código de 1932. Pela Constituição de 1934, mulheres com função pública remunerada passaram a ser obrigadas a votar. No Código Eleitoral de 1945, o voto só era facultativo às “mulheres que não exerçam profissão lucrativa”. O voto obrigatório a todas as mulheres foi instituído pelo Código Eleitoral de 1965.  

O Código de 1932 também determinou, pela primeira vez, o voto obrigatório para os homens entre 21 e 60 anos de idade. Àqueles com mais de 60 anos, assim como às mulheres, o voto era facultativo. Na Carta de 1934, a idade mínima para votar foi reduzida para 18 anos, a exemplo do que é adotado atualmente.

Já os mendigos, os analfabetos e os “praças de pré, excetuados os alunos das escolas militares de ensino superior”, seguiram de fora do processo democrático. Foi só na Constituição de 1988 que o voto para analfabetos passou a ser facultativo.

Havia, no Código de 1932, um capítulo destinado ao voto secreto, prevendo o isolamento do eleitor num “gabinete indevassável”. Para dar maior segurança aos pleitos, o título ganharia a foto e a impressão digital do eleitor. Já as cédulas, colocadas em envelopes e então depositadas nas urnas, seguiram sem um padrão. Na época, elas costumavam ser distribuídas pelos partidos ou publicadas pelos jornais.

O decreto assinado por Vargas também já previu o “uso das máquinas de votar” – hoje conhecidas como urnas eletrônicas. O sistema, aplicado apenas em 1996, deveria ser “regulado oportunamente pelo Tribunal Superior”. Outras inovações foram criar a Justiça Eleitoral e adotar o sistema de representação proporcional, o registro de candidatos por partido político, as alianças partidárias e as candidaturas avulsas.


Elas vão às urnas
A primeira eleição em que as curitibanas puderam votar, para a escolha dos deputados da Assembleia Nacional Constituinte, foi realizada no dia 3 de maio de 1933, uma quarta-feira, feriado nacional. Foi o primeiro pleito organizado pela Justiça Eleitoral. Em todo o país, mesmo com a inclusão das mulheres e o voto obrigatório para homens de 21 a 60 anos de idade, a participação foi baixa, com a adesão de menos de 4% da população.

Enquetes publicadas pelo “Correio do Paraná”, entre os dias 9 de fevereiro e 10 de março de 1933, mostram que as curitibanas ainda divergiam sobre o voto. Das 20 entrevistadas, 16 declararam que a mulher deveria se dedicar à família e aos afazeres domésticos. “Pudemos observar que a maioria das senhoras e senhoritas da nossa sociedade, obedecendo a uma tradição da sociedade brasileira, são contrárias ao voto feminino. A missão da mulher é no lar, preparando o Brasil de amanhã. E é essa missão que santifica o sexo formoso”, escreveu o jornal.

No Paraná, segundo informações do jornal “Diário da Tarde”, 34.435 eleitores se alistaram, 7.068 deles em Curitiba. Desses, 5.688 compareceram às urnas. Não há estatísticas, entretanto, de quantas mulheres fizeram o título ou votaram.

O voto secreto ganhou mais destaque nos jornais da capital do que a presença feminina nas seções eleitorais. Na edição de 7 de maio, a “Gazeta do Povo”, por exemplo, comentou o caso de uma “senhorita” impedida de votar na 7ª seção eleitoral, já que o título dela estampava, em vez de sua fotografia, o retrato de um “carão barbado”.

O resultado do pleito saiu no dia 17 de maio de 1933. A única mulher eleita, em todo o Brasil, foi Carlota Pereira de Queiroz, candidata em São Paulo. Foram eleitos, no Paraná, os deputados constituintes coronel Plinio Tourinho (Partido Liberal), general Raul Munhóz (Liga Católica), Lacerda Pinto (Liga Católica) e Antonio Jorge Machado Lima (Partido Social-Democrático), que ajudariam a elaborar a Constituição de 1934.

Segunda “primeira” legislatura
Durante a Era Vargas (1930-1945), a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) só teve uma eleição, realizada no dia 12 de setembro de 1935. Cinco anos depois de se despedir do primeiro ciclo de legislaturas do pós-Monarquia, encerrado após a Revolução de 1930, o Legislativo empossaria, no dia 2 de dezembro daquele ano, os vereadores da segunda “primeira” legislatura da República.

Segundo registros do jornal “O Dia”, Curitiba foi dividida em quatro zonas eleitorais, totalizando 18.263 eleitores, número já bem maior que o registro em 1933. Conforme a Constituição do Paraná de 16 de maio de 1935, os candidatos a vereador precisavam ter no mínimo 21 anos e residir no Município há pelo menos dois anos.

Em 5 de setembro, a coluna “Novidades políticas”, do jornal “Diário da Tarde”, relatou: “Na chapa integralista de candidatos à Câmara Municipal de Antonina, figura como candidata a exma. [excelentíssima] sra. d. Maria Clara Leão Fonseca”. Ela era neta do desembargador Agostinho Ermelino de Leão, patrono da Comarca de Curitiba, e filha do ervateiro Ermelino Agostinho de Leão, um dos fundadores da antiga Academia de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

Já entre os candidatos listados ao pleito para a capital, não houve nenhuma mulher. Conforme o edital da Justiça Eleitoral da Comarca de Curitiba, publicado, em 10 de setembro, pelo jornal “O Dia”, 36 homens concorrem às 12 cadeiras do Legislativo da capital. Cada legenda – Partido Social Democrático (PSD), Ação Integralista Brasileira (AIB) e Partido Social Nacionalista (PSN) – lançou 12 candidatos.

“Correram nesta capital em ordem, mas sem o mínimo de entusiasmo, as eleições de vereadores”, citou, na edição de 13 de setembro, o jornal “Diário da Tarde”. “Não se pode negar, porém, que cada cidadão votou como quis e em quem quis. Não houve pressão nem cabala [troca do voto por favores].”

A sessão de posse, seguida da eleição para a escolha do presidente da CMC, foi realizada no dia 2 de dezembro. “Estão sendo convocados para o dia 2 do corrente [mês] os 12 camaristas eleitos para constituição do 1º Legislativo Municipal de Curitiba na 2ª República. Naquele dia será eleito o presidente da Câmara Municipal”, noticiou, no fim de novembro, o “Diário da Tarde”.

Os “pessedistas”, como eram chamados os políticos filiados ao PSD, formaram maioria na Câmara, ocupando 7 das 12 cadeiras. Foram eles: Aluizio França, médico; Arcésio Guimarães, industrial; Ezequiel Honório Viale, industrial; Linneu Ferreira do Amaral, engenheiro civil; Manoel Francisco Correia, industrial; Nicolau Mader Junior, industrial; e Pedro Nolasco Pizzatto, comerciante e industrial.

Pelos integralistas, fizeram parte da segunda “primeira” legislatura, ou a primeira legislatura da Era Vargas (chamada também de Segunda República): General Raul Munhoz, militar reformado; Luiz Machuca, chefe da Estação Ferroviária; e Nelson Lins d'Albuquerque, acadêmico de Direito. O PSN fez duas cadeiras, elegendo o médico Carlos Heller e o advogado Ciro Silva.

Para presidir a Casa, foi eleito, por 11 votos, o pessedista Arcesio Guimarães. Conforme a ata da sessão de posse, o engenheiro Linneu Ferreira do Amaral obteve 1 voto. “O sr. Arcesio Guimarães é um nome de responsabilidade, de tradição, de probidade na vida conservadora do nosso Estado”, elogiou o “Diário da Tarde”. O camarista era o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP). 

Os demais cargos da Mesa Diretora, à época apenas o de primeiro-secretário e o de segundo-secretário, também ficaram com o PSD, respectivamente com Ezequiel Honório Viale e Pedro Nolasco Pizzatto. Assim como Guimarães, os vereadores eram industriais de Curitiba. “Elementos comunistas”

Realizada a eleição da Mesa, Guimarães declarou aberta a primeira de três sessões preparatórias para a solene de instalação que se realizaria no dia 14 de dezembro, às 14 horas. A primeira proposta em pauta, sugerida pelo integralista General Raul Munhoz, foi um voto de congratulações ao presidente Getúlio Vargas “pela maneira eficiente e enérgica do Governo da República em punir em reprimir o movimento sedicioso [subversivo] irrompido em diversos pontos do país, principalmente no Rio de Janeiro, cujo movimento foi provocado por elementos comunistas”.

Ciro Silva ponderou que era justo, sim, saudar o presidente – eleito indiretamente pelos deputados constituintes, em julho de 1934 –, mas que se tratava de “elementos extremistas”. Para o camarista, não caberia a associação a um partido político, sendo essa a redação acatada para o requerimento.

A sessão solene contou com a participação das autoridades locais, como o governador Manoel Ribas e o prefeito Jorge Lothário Meissner. “Dia jubiloso é o de hoje. Depois de tanto tempo de nossa inexistência, talvez o maior desde à época da nossa criação política [superado pelo fechamento por 10 anos, entre 1937 e 1947, no Estado Novo], reinstalamo-nos hoje”, celebrou o médico Aluizio França, encarregado de discursar em nome dos colegas.

“Cometeria inominável injustiça se não lembrasse, com respeito e gratidão, como homenagem, o trabalho notável de todos aqueles nobres e honrados legisladores que passaram por esta Casa, edificaram o nosso Município e nos deram, com leis sensatas e resoluções inteligentes, uma das mais belas cidades do Brasil”, continuou Franças. “Homens de sã consciência, homens bons, como tão pitorescamente se referem os papéis velhos, que dão notícia, lá em 1693, da nossa primeira instalação.”

“Criando um caso”
Um dos maiores embates travados na legislatura foi com os padeiros. O conflito começou em setembro de 1936, quando a CMC começou a discutir um projeto que modificaria o descanso semanal da categoria. Pela lei 23/1936, de junho, não haveria a fabricação de pães em Curitiba aos domingos e até as 14 horas das segundas-feiras, “de modo que o descanso semanal dos padeiros se dê das 7 horas de domingo até as 14 horas de segunda-feira”.

“Os pães de qualquer espécie, fabricados nas segundas-feiras, só poderão ser expostos à venda, nesse dia, depois da hora 18”, acrescentava. Tanto os fabricantes quanto os revendedores que infringissem as regras estariam sujeitos a pesadas multas. Já a lei número 39, sancionada em outubro, autorizava a produção diária de pão em Curitiba, “sem exceção dos dias de domingos e feriados nacionais”. A mesma norma, no artigo 2º, facultava às barbearias abrir aos domingos e nos feriados trabalhar até o meio-dia.

“Criando um caso” foi o título da matéria dada, em 21 de setembro de 1936, pelo “Diário da Tarde”. Conforme o jornal, os padeiros estavam “profundamente descontentes” com deliberação tomada pela Câmara Municipal. “A questão em foco vem por em cheque os honrados trabalhadores que trocam o dia pela noite e, como todos nós, precisam de descanso”, opinou a publicação, semanas depois, quando a lei havia sido aprovada.

“Falamos com alguns operários padeiros e proprietários, fomos informados que com a lei, ou sem ela, não haverá pão às segundas-feiras, pois ninguém sujeitar-se-á a trabalhar 365 dias por ano. Além disso, somos cristãos e desejamos guardar o domingo”, informou o “Diário”. A decisão teria sido resultado de uma assembleia com mais de 200 trabalhadores.

A categoria decidiu buscar o prefeito Meissner que, com a pressão, convocou a Câmara para uma sessão extraordinária, no dia 21 de dezembro, para discutir a alteração da lei. No dia da votação, narrou a imprensa, um grande número de padeiros compareceu ao Paço Municipal, onde os vereadores se reuniam, “pedindo justiça aos homens que trocam o dia pela noite”. O presidente do Sindicato dos Padeiros, João Messias de Paula, teve espaço para se manifestar da tribuna.

Em 1937, Aluizio França foi eleito presidente da Câmara e os aliados de Arcesio Guimarães, que buscou a reeleição, mas perdeu por um voto, acusaram alguns camaristas de traição. Enquanto isso, o imbróglio com os padeiros continuava... “Subirá o preço do pão?”, indagou, em fevereiro, o “Diário da Tarde”. “Com a abolição do descanso semanal, os proprietários são obrigados a colocar mais gente para trabalhar”, argumentou, reproduzindo a queixa dos empresários.

Em março de 1937, o vereador Carlos Heller apresentou um projeto de lei para revogar a regulamentação. Depois de muita discussão, a decisão final saiu na sessão de 6 de outubro, mantendo a lei do jeito que estava. “Esta decisão significa que os padeiros e os barbeiros perderam o descanso dominical”, avaliou o “Diário”.

A nova despedida
Os camaristas se reuniram pela última vez, no Paço Municipal, no dia 10 de novembro de 1937. O presidente Aluizio França rebatia o editorial de “O Estado”, com críticas a ele. Então apresentou a carta de renúncia ao cargo e se retirou da sessão, com Nicolau Mader Junior assumindo a Presidência interina.

Na sequência, Nelson Lins d'Albuquerque pediu a palavra e “levou ao conhecimento da Casa que acaba de receber o Governo Federal, posso eu dizer, uma nova Constituição da República, dissolvendo todos os Poderes Legislativos e por conseguinte foi também dissolvida esta Câmara”.

Os vereadores divergiram sobre continuar, ou não, com a sessão. Para Manoel Correia, as notícias eram “de caráter particular” e os trabalhos deveriam ser mantidos. Entre a aprovação de projetos e indicações à Prefeitura de Curitiba, os camaristas discursam sobre a “estranheza” com que receberam a renúncia de França e o possível novo fechamento dos Legislativos. O último a usar a palavra foi Ciro Silva, que, ao encerrar o discurso, lançou: “Viva a democracia!”.

A notícia do fechamento dos Legislativos realmente era verdadeira, e não um boato. Vargas havia outorgado a Constituição de 1937, conhecida como a Carta “Polaca”. Era o começo do Estado Novo, que deixaria a Câmara de Curitiba fechada por mais de dez anos. A Casa só reabriu em dezembro de 1947, quando deu início à contagem atual das legislaturas. Esse é o tema da última reportagem da série “Câmara na História”, na próxima semana.

** Confira AQUI as referências da pesquisa histórica.

Câmara na História
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) conta as legislaturas a partir do ano de 1947, após o fim do Estado Novo, mas a verdade é que a trajetória da instituição começou muito antes, lá no Brasil Colonial, e segue pelo Império, pela República Velha e pela Era Vargas até chegar nos períodos democráticos, aterrissando na Nova República, fundada com o fim da Ditadura Militar. Na série de reportagens “Câmara na História”, a Diretoria de Comunicação Social avança no projeto Nossa Memória, resgatando as principais características do Legislativo e da própria cidade em cada um desses períodos. 

A ideia é que a população possa ter um panorama de como a CMC e Curitiba nasceram e se transformaram juntas, caminhando lado a lado, dentro da história do Brasil. Entre o fim de outubro e o dia 18 de novembro, serão publicadas sete reportagens especiais, às quintas e sextas-feiras. E também vai ter história rolando nas redes sociais da Câmara, de uma forma mais descontraída e acessível. 

Iniciado em 2009, pela Diretoria de Comunicação Social, o Nossa Memória é um projeto de resgate e valorização da história da Câmara Municipal e de Curitiba, já que ambas se entrelaçam. Além das reportagens especiais, a página traz, por exemplo, “Os Manuscritos”, que reúnem documentos desde a fundação oficial da cidade, em 1693, e o “Livro das Legislaturas”, com os vereadores da capital paranaense desde 1947.