segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Curitiba em 1955: Modernidade Urbana, Saúde Pública e Identidade Política na Capital do Paraná

 

Curitiba em 1955: Modernidade Urbana, Saúde Pública e Identidade Política na Capital do Paraná



Curitiba em 1955: O que essas páginas mostram (e escondem) da cidade que virou moderna

Um passeio por cinco páginas de uma publicação local — cheias de anúncios, fotos, textos e até polêmicas — que nos revelam como era Curitiba na metade dos anos 1950: entre prédios novos, hospitais históricos, políticos falando do passado e construtoras prometendo o futuro.


Página 1: “No ponto mais central da cidade ergue-se o edifício Manoel de Macedo”

Essa é a capa de um anúncio poderoso — quase um manifesto da modernidade curitibana.

  • O título em destaque já diz tudo: “No ponto mais central da cidade ergue-se o edifício Manoel de Macedo”. Isso não é só um prédio — é um símbolo. A localização é sagrada: Praça Nossa Senhora da Luz, nº 20, bem no coração da cidade, onde hoje ainda fica o prédio histórico.
  • A ilustração mostra o prédio alto, com linhas retas, janelas em fileiras — típico do estilo modernista dos anos 50. Ao lado, um desenho em perspectiva mostra o entorno: ruas, outros prédios menores, carros antigos. É a cidade crescendo ao redor dele.
  • Tem um homem de terno e chapéu, apontando para o prédio — talvez o próprio Manoel de Macedo? Ou um corretor? Ele representa o sonho da classe média: ter um escritório ou apartamento nesse novo arranha-céu.
  • O texto fala em “localização privilegiada”, “vendas com facilidade”, “plano de pagamento”. Eles estão vendendo não só um imóvel — estão vendendo status, modernidade, pertencimento à elite urbana.
  • No rodapé, os responsáveis: Gutierrez, Paula & Munhoz — Engenheiros Construtores. Esses nomes são importantes — eram os grandes construtores da época em Curitiba. Eles projetaram e construíram muitos dos primeiros prédios modernos da cidade.

Detalhe curioso: O anúncio diz que o prédio foi “planejado para uso escrito ou consultório”. Ou seja, era voltado para profissionais liberais — advogados, médicos, contadores — que queriam se instalar no centro, perto de tudo.


Página 2: “Hospital de Caridade” — a Santa Casa de Misericórdia em foco

Aqui a coisa muda de tom. Deixa de ser propaganda e vira reportagem séria — quase um documentário fotográfico.

  • A foto principal é linda: a fachada da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, com seu estilo neogótico, torres, vitrais, janelas altas. O texto diz: “Em sua bela arquitetura, ostentando o tradicional nome de benemerência, o edifício da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba abriga, em tratamento médico, boa parte da população mais carente.”

    Ou seja: mesmo sendo um prédio bonito, ele é um hospital público, que atende os pobres. Isso mostra a dualidade da época — modernidade para uns, caridade para outros.

  • Abaixo, duas fotos em preto e branco mostram o interior:
    • Uma mostra pacientes deitados em camas, com lençóis brancos, em um quarto amplo com janelas grandes — a luz natural era considerada essencial para a cura.
    • Outra mostra enfermeiras cuidando dos pacientes — vestidas com uniformes brancos, toucas, luvas. Elas estão atentas, concentradas. A legenda diz: “Desde a mais remota antiguidade que o tratamento de enfermos exige deveres morais...” — ou seja, elas não são só técnicas, são “moralmente obrigadas” a cuidar.

Detalhe importante: O texto menciona que a Santa Casa recebe “doações de particulares, empresas e até do governo”. Isso mostra que, mesmo em 1955, o sistema de saúde ainda dependia muito da caridade, não de um sistema público estruturado.


Página 3: Mais sobre a Santa Casa — e um pouco de política

Essa página continua a matéria sobre o hospital, mas com mais profundidade — e um toque político.

  • A foto superior mostra um grupo de médicos e enfermeiras posando junto a um paciente — parece ser uma cena de visita médica. Todos estão sorrindo, o que dá um ar de otimismo. Mas o texto abaixo diz: “Foi formada uma boa unidade e precisa das suas virtudes...” — ou seja, eles estão orgulhosos do trabalho, mas também reconhecem que há limitações.
  • O texto fala da importância da Santa Casa para Curitiba — que ela é “uma obra de caridade” e que “atende a todos os setores da população”. Mas também diz que ela precisa de modernização — “equipamentos mais modernos, melhores condições de higiene”.
  • Há um parágrafo interessante sobre o papel do Estado:

    “O Governo Federal, através do Ministério da Saúde, vem prestando apoio à Santa Casa...”

    Isso mostra que, mesmo em 1955, o governo federal já começava a se envolver mais diretamente na saúde pública — um passo importante rumo ao SUS, que só viria décadas depois.
  • No canto inferior direito, há uma foto de trabalhadores em um laboratório — provavelmente farmacêuticos ou técnicos de análise. O texto diz: “Têm sido preparados e testados todos os laboratórios nas nossas casas, respeitando as normas sanitárias...” — ou seja, eles estão tentando seguir padrões científicos modernos.

Detalhe curioso: O texto menciona que a Santa Casa tem “um corpo clínico qualificado” — mas também que “nem todos os médicos têm formação universitária”. Isso revela a realidade da época: havia profissionais experientes, mas nem sempre com diploma.


Página 4: “De onde vem o Paraná?” — Política, história e identidade

Aqui a publicação muda completamente de assunto — vai da arquitetura à política, da saúde à história.

  • O título é provocativo: “As dúvidas de Carlos V” — referência ao rei espanhol Carlos V, que governou Portugal no século XVI. O autor, José Nicolau dos Santos, escreve um artigo longo sobre as origens do Paraná, questionando se a região foi realmente “descoberta” pelos portugueses ou se já tinha povos indígenas organizados.
  • O texto começa com uma pergunta: “Se os olhos de Portugal vissem agora o Paraná...” — ou seja, ele está imaginando como os colonizadores veriam a região hoje, com suas cidades, estradas, indústrias.
  • Ele fala da colonização portuguesa, da expulsão dos jesuítas, da formação dos municípios. E critica a ideia de que o Paraná foi “uma terra vazia” antes dos europeus — diz que isso é um mito.
  • Há trechos fortes:

    “O Paraná não foi descoberto — foi conquistado.”

    “Os índios não eram selvagens — tinham cultura, organização social, religião.”

    Isso mostra que, mesmo em 1955, havia intelectuais em Curitiba questionando a narrativa oficial da história.
  • O texto termina com uma reflexão sobre o futuro do estado:

    “O Paraná tem potencial para ser uma das regiões mais desenvolvidas do Brasil — se souber usar seus recursos naturais e humanos.”

Detalhe curioso: O autor menciona que o Paraná foi “criado” em 1853 — mas que sua história começou muito antes. Ele cita documentos antigos, mapas, relatos de viajantes. É um artigo acadêmico, mas escrito para o público leigo.


Página 5: “Construtora Imobiliária Comercial CISA S.A.” — O futuro está sendo construído

Voltamos à construção — mas agora com outro empreendimento: o Edifício Presidente.

  • O anúncio é grandioso: “Apresenta: Edifício Presidente — Em fase de execução”. E tem uma foto do prédio em construção — andaimes, guindastes, trabalhadores subindo e descendo.
  • O texto diz que o edifício fica na Rua Desembargador Westphalen, 30 — outra rua central de Curitiba, perto da Praça Tiradentes. E que o preço da entrada é de Cr$ 12.900 — uma fortuna para a época.
  • Os benefícios listados:
    • Apartamentos de 1, 2 e 3 quartos
    • Garagem
    • Elevador
    • Água quente
    • Jardim

    Tudo isso mostra que o edifício era luxuoso — voltado para a classe média alta.

  • Há um mapa pequeno mostrando a situação geográfica — perto de bancos, lojas, cinemas. O texto diz: “A CISA S.A. está construindo o maior e mais moderno edifício comercial da cidade.”
  • No rodapé, os nomes dos responsáveis: Dr. Mário Gomes, Dr. Francisco da Cunha, Pereira Filho, entre outros. São políticos, empresários, figuras importantes da sociedade curitibana.

Detalhe curioso: O anúncio diz que “corretores estão no local da obra” — ou seja, eles queriam vender os apartamentos enquanto o prédio ainda estava sendo construído. Isso mostra a confiança no mercado imobiliário da época.


Conclusão: Curitiba em 1955 — Uma cidade em transformação

Essas cinco páginas nos mostram uma Curitiba em plena mudança:

  • Arquitetura moderna — com prédios altos, linhas retas, vidros e concreto.
  • Saúde pública em transição — com hospitais históricos tentando se modernizar, mas ainda dependentes da caridade.
  • Política e identidade em debate — com intelectuais questionando a história oficial e defendendo os direitos dos povos originários.
  • Economia em expansão — com construtoras apostando no futuro, vendendo sonhos de modernidade.

Tudo isso acontecia em uma cidade que, embora pequena comparada a São Paulo ou Rio, já tinha sua própria identidade — e estava decidida a crescer, modernizar, se afirmar.










Mingau: HQ "Férias de um gato"

 

Mingau: HQ "Férias de um gato"


Mostro uma história em que o Mingau viaja junto com a família da Magali de férias e fica todo estressado por isso. Com 15 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 80' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Magali Nº 80' (Ed. Globo, 1992)

Mingau afia as unhas na almofada e dorme. A família vai em direção ao carro para viajarem e Magali pega o Mingau, dizendo que quase iam esquecer dele e Seu Carlito fala que bem que podiam ter se esquecido do gato. 

Magali põe cinto de segurança no Mingau, que se dá conta que entrou em um carro e lembra de que só o colocam no carro para levá-lo a lugares terríveis como tomar injeção do veterinário ou ir a casa das primas terríveis da Magali, a Júlia e a Juliana. Só que percebe que nunca saíram todos juntos e nem levaram tantas tranqueiras, até a tigela dele foi e pensa que estão de mudança.

Mingau pergunta para Magali por que vão se mudar de casa, gostava da outra, mas naturalmente Magali não escuta. Mingau diz que espera chegar logo porque o balanço do carro faz sentir algo esquisito. Magali vê o gato verde, pergunta para o pai se demora muito pra chegar e a mãe manda afrouxar o cinto para ver se melhora.

Mingau diz que sente enjoo, dor de cabeça e vontade de fazer xixi. Anda por baixo dos bancos do carro, vê só carpete e diz que precisar sair dali imediatamente. Mingau sobe na cabeça do Seu Carlito enquanto dirige, Dona Lili tira o gato e manda ficar quieto. Mingau mija dentro do carro, a família sente o cheiro e precisam parar o carro para limpá-lo.

Depois de limpo, voltam para o carro, Mingau pergunta se não enjoam andar de carro e acham que estão se mudando de país. Horas depois chegam, mas param na praia para Magali molhar os pés. Magali acorda o Mingau para mostrar o que nunca viu, ele acha que é a casa nova e depois vê o mar e desmaia de susto. Depois voltam para o carro, Mingau, dormindo, sonha se afogando no mar.

Chegam na casa de praia da Tia Zel. Mingau fala que eles são loucos de se mudarem para um fim de mundo, mas depois daquela água, qualquer lugar deve ser maravilhoso. Quando abre a porta, são recepcionados pela Tia Zel e as primas Julia e Juliana, que esticam o Mingau, disputam quem vai brincar com ele. Dona Lili avisa que as meninas vão poder brincar com ele todos os dias e Mingau se esconde debaixo da geladeira. Dona Lili diz que depois ele sai e todos vão se arrumar para irem à praia.

Mingau começa a relatar no seu diário como foram os dias na casa de praia. Sempre no refúgio debaixo da geladeira, vê a agitação de pés todas as manhãs, cheios de sacolas e meio pelados, e aí aproveita para esticar as pernas com segurança. Na hora do almoço, o barulho alerta que estão voltando, se esconde debaixo da geladeira, vê todos vermelhos, sujos de areia e suados, porém felizes, e acha que estão pirando.

Dormem a tarde inteira, mas é arriscado sair porque uma das gêmeas podem estar acordada. À noite brincam, inventam jogos e de madrugada, todos caçam mosquitos, inclusive ele. Uma vez tentou fugir, mas tinha um cachorro guardando a casa e acha que definitivamente lá não é o paraíso dos gatos e se pergunta se vai ficar o resto das sete vidas dele debaixo de uma geladeira, só que acha que hoje está um ar meio diferente, mais silencioso.

No lado de fora, Magali e os pais se despedem da Tia Zel e as primas e eles também vão partir. Esquecem do Mingau e Magali vai buscá-lo debaixo da geladeira. Seu Carlito fala que podiam esquecer o gato lá e Mingau diz que já assistiu a esse filme.

Durante a viagem de volta, transcorre sem problema, só uma paradinha depois do Mingau mijar no carpete do carro. Chegam em casa, Mingau fica feliz por ver sua casinha, seu pratinho, sua almofada e seu banheiro e, então, finalmente deita na almofada, decretando as suas férias.

História legal em que a família da Magali viaja de férias para uma casa de praia e levam o Mingau junto, tirando todo o sossego do gato, desde a viagem já sofreu e piorou quando realmente chegaram no destino. Só conseguiu sossego quando retornou para a sua casa e aí assim tendo as suas próprias férias.

O Mingau pensava que a família estava se mudando para um fim de mundo e que iam morar para sempre lá e para piorar junto com as primas gêmeas da Magali, aí ficou desesperado. Mudou toda a rotina dele que estava acostumado, Magali devia ter levado a almofada dele para sentir menos falta de casa.

Foi engraçado ver o desespero do Mingau no carro pensando que ia mudar de casa, pular na cabeça do Seu Carlito quando queria sair do carro para mijar e fazer suas necessidades dentro do carro, o grande susto de ver o mar e desmaiar e de ver as primas da Magali na casa, ficar debaixo da geladeira quase todo o tempo e ainda caçar mosquitos. Definitivamente passou grande sufoco e estresse nessa viagem da casa de praia.

História mostrou a visão de um bicho de estimação que vai viajar junto com os donos e fica longe do conforto do lar, mudando toda a rotina deles. Na vida real, os donos precisam viajar e não tem com quem deixar o seu pet e acaba levando. O bicho vai sentir falta tanto se saísse para outra casa quanto se deixassem sozinho ou na casa de outra pessoa enquanto viajavam, fica uma situação difícil, com gatos pior ainda, aí tem que deixá-lo de uma forma que fique mais confortável dentro do possível.

Foi bom que mostrou situações de cotidiano de um gato comum, como afiar almofada preparando local pra dormir, só fazer necessidades em um só local, se esconder em um local e ficar lá e só sair quando não tem mais perigo. Ficamos mais próximos de cotidiano dos gatos. 

Tia Zel e as primas gêmeas Júlia e Juliana só apareceram nessa história, como era costume em parentescos da turma. Ficou retratado que a tia era a mãe solteira já que o pai das meninas não apareceu e que a casa de praia o Seu Carlito tinha cópia da chave porque eles saíram por último e ainda voltaram para abrir porta e tirar o Mingau debaixo da geladeira.

Teve absurdo de Mingau escrever diário como se fosse humano, eram engraçados esses absurdos. Na época já estava fixo do Seu Carlito implicar com o Mingau e ser alérgico, espirrando, por isso agiu assim com o gato, até desejando que tivessem esquecido nas casas. Magali não entendia o que o Mingau falava, porém depois nas histórias a partir do final dos anos 1990 só com os dois juntos até dava impressão que ela entendia o que o Mingau falava.

Incorreta atualmente por mostrar o Mingau estressado longe de sua casa e de sua rotina, enjoar ficando verde, ficar debaixo da geladeira tempo todo, família nem deu atenção a ele enquanto estavam na casa de praia, Mingau pular na cabeça do Seu Carlito enquanto dirigia, podendo causar acidente, os pais da Magali sem cinto de segurança no carro, Mingau achar injeção ruim, ser esticado com força pelas meninas, além de palavras e expressões populares com duplo sentido como "louco", "treco", "pegar praia", "não sou de ferro", etc. 

Os traços ficaram muito bons, com contornos grossos, típicos do inicio dos anos 1990. Mingau ficava muito bonito desenhado desse jeito, ficava bem fofinho. Era legal a colorização diferente com tons azuis em pensamentos das personagens. Tiveram erros de Seu Carlito com camisa branca no 5º quadro da 4ª página da história (página 6 do gibi), orelha do Mingau com parte interna branca em toda 12ª página da história, olho direito branco em vez de azul no 3º quadro da última página.

HQ "Cascão de férias"

 

HQ "Cascão de férias"


Mostro uma história em que o Cascão foi passar férias em um deserto e um Diabo que vivia lá implorou que desse água para ele. Com 11  páginas, foi história de abertura publicada em 'Almanaque do Cascão Nº 4' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 4' (Ed. Abril, 1981)

Escrita e desenhada por Mauricio de Sousa, Cascão chega no local que o homem da agência de viagens disse com nenhum lago à direita, nenhum oceano à esquerda, nem uma nesguinha de nuvem no céu. Acha qão tem mais o que querer, é o lugar que pediu a Deus pra tirar férias. Um diabo ouve e diz que tudo bem elogiar o lugar, mas não precisa mencionar o nome de Deus.

Cascão se assusta ao ver o Diabo, manda ir embora, não estava no programa da agência de viagens. O Diabo diz que é uma agência mixuruca, deixar de explorar uma atração turística como ele. Cascão pergunta se ele é um Diabo de verdade e ele responde que só sendo um diabo pra viver em um inferno como aquele. Cascão manda desaparecer, não está acostumado a conversar com Diabos e ele que responde que se pudesse sumir dali, não estaria em uma porcaria de lugar.

Cascão pergunta o que tem contra aquele lugar, é tão legal que escolheu passar as férias ali. O Diabo fala que é esperar o Sol começar a esquentar os miolos e implorar por água. Cascão manda não falar esta palavra e que nunca vai sair implorando por água. O Diabo acha que o Sol começou a esquentar miolo do Cascão e que ele em pleno gozo das faculdades mentais dele, daria o reino por um litro de água gelada e pergunta se ele tem um pouco de água no embornal.

Cascão diz que ele é o Cascão, dá ordem que estão conversados, quer curtir as férias sequinhas no canto dele e que o Diabo fique na dele. Era só o que faltava de cair justo e um inferninho de um pobre diabo morto de sede. Só quer curtir o calorão gostoso, o arzinho seco e a falta de água.

O Diabo choraminga, primeiro diz que soluçou  e depois, que estava pensando de novo em um copinho de água gelada. Cascão reclama que não pode curtir férias secas com ele assim. O Diabo diz que vai tentar não lembrar da sede de um milhão de anos. Cascão manda não exagerar e o Diabo diz que na verdade são quatro milhões de anos que não bebe água.

Cascão se espanta e pergunta se esse tempo todo também sem banho e nada. Cascão pede autógrafo, dizendo que o Diabo vai ser o ídolo dele a partir de agora e que é mais formidável que o Capitão Feio, imagine 4 milhões de anos sem banho. O Diabo diz que é fácil de imaginar com esse cheiro de enxofre por causa do jejum de água.

Cascão pergunta se ele não experimentou um desodorante ou perfume para homem, diz que sempre leva um desodorante senão nem ele próprio o aguenta, é uma das maiores invenções da humanidade. O Diabo coloca o desodorante e se transforma em uma nuvem, a sua forma original. Diz que o Cascão fez um grande favor, o perfume o fez ficar feliz e parar de pensar como diabinho, nenhum ser feliz e contente poderia ter a forma que tinha e agora pode voltar à antiga casa e nunca mais se queixar dela, não quer ser mais condenado a viver em um local seco e calorento como aquele, é tudo que sonhava e dar adeus. 

Cascão vai embora e vai até a agência de viagens e o atendente não entende da queixa do Cascão do plano de viagem que sugeriram, devolveu o saquinho de viagens e um tubo de desodorante e contou história de um diabinho que virou nuvem.

História legal em que o Cascão viaja de férias para um local deserto, seco e sem água e encontra um diabo morto de sede que queria que o Cascão desse água para ele. Cascão reluta afirmando que detesta água e nunca andaria com uma garrafinha e tenta ajudar o Diabinho entregando um desodorante pra disfarçar o cheiro de enxofre. Aí ele se transforma em nuvem, a sua forma original, e vai embora feliz prometendo nunca mais reclamar da casa antiga dele. Cascão desiste das férias e reclama com o homem da agência de viagens do plano que sugeriu.

A nuvem saiu do seu habitat porque achava que não era um bom lugar e foi parar em um deserto seco e calorento e acabou se transformando em um diabo. Teve azar de encontrar justo o Cascão que odeia água e não tinha uma garrafinha e nem queria ajudar alguém morto de sede, sorte da nuvem que o desodorante tinha certo líquido e perfume bom que ajudou a voltar a sua forma normal senão ficaria condenada a viver lá para sempre. Aprendeu lição que não devemos reclamar de onde vivemos, sempre valorizar onde mora, porque podemos encontrar algo pior se sair de onde está. 

Se o Cascão estava incomodado com o Diabo, era só ir em outro local do deserto longe dele e curtir a sua viagem em paz. Estava na cara que não era um diabo, senão  ia gostar de calor e seca da região Como era um local quente que se parecia um inferno, aí a nuvem se transformou em diabo. Cascão era muito egoísta, só porque não gostava de água, ninguém poderia também ter contato. Não à toa que viajou para um local como aquele, se deslumbrou que o diabo não bebia água nem tomava banho há 4 milhões de anos e tinha ídolos como diabo e o Capitão Feio.

Era legal a autonomia das crianças de viajarem sozinhas, sem ter questionamentos do tipo de com que dinheiro conseguiu pagar passagem de uma agência de viagens, como pais deixaram viajar sozinho ou se ele fugiu de casa, tirar férias de quê se ele nem estudava nem trabalhava, apenas acontecia as coisas e pronto, assim que era bom.  Legal ele viajar a pé só com uma trouxinha. Vimos que o Cascão aguenta seu cheiro por causa de desodorante senão nem ele mesmo aguentaria e enquanto a palavra proibida para o diabo é Deus e para o Cascão é água, boa analogia. E engraçado o Cascão dizer que não se fazem mais desodorantes como antigamente.

A história apesar de ser de 1981, teve estilo de anos 1970. Seguiu o estilo do Mauricio de Sousa com ar filosófico, transmitir mensagem, até as crianças ficavam mais filosóficas, linguagem mais formal com palavras difíceis como "nesguinha", "embornal", "formidável". A cena do Cascão com rosto virado no 3º quadro da 4ª página da história (página 7 do gibi) indica que é história do Mauricio. Os traços ficaram bons, mas com um estilo do Mauricio de bochechas mais pontiagudas e que não estavam mais com desenhos assim em 1981. Não duvido que foi uma história arquivada há algum tempo e depois resolveram colocar neste almanaque.

Teve erro do Cascão falar de boca fechada no primeiro quadro da 6ª página da história (página 9 do gibi). Incorreta atualmente por ter diabo, Cascão fazer apologia que água não é bom a ponto de ter Diabo e Capitão Feio como ídolos e ainda ser egoísta em deixar o Diabo/ nuvem com sede para prevalecer seu ideal, a autonomia de Cascão viajar sozinho, os absurdos mostrados, mencionarem nome de Deus, palavra "gozo" é proibida hoje nos gibis, assim como expressões populares e de duplo sentido como "pobre" no sentido de "coitado", "morto de sede", "tempo pacas", "tempo pra chuchu", etc.

Essa foi a única história inédita deste almanaque, as demais foram republicações de histórias com participação do Cascão que saíram em gibis da Mônica e do Cebolinha entre 1973 a 1975. Foi também a única da edição envolvendo tema de férias já que não tinham histórias solo do Cascão até 1976 suficientes  para republicações até então, muito menos com temáticas de férias. Teve um caderno de 10 páginas de passatempos para ter ideia de férias e preencher páginas na falta de histórias para republicar. E nunca foi republicada até hoje como todas as histórias inéditas em almanaques da Editora Abril, aí se torna bem rara hoje e só quem tem esse Almanaque do Cascão Nº 4 que a conhece.

A Torre que Sobreviveu às Águas: O Último Sussurro do Mosteiro de São Nicolau em Kalyazin

 

A igreja de São Nicolau, Kalyazin, Rússia




Fotografias Via

A torre do sino é tudo o que resta do mosteiro de São Nicolau, construída entre 1796 e 1800. 



As fotografias por Clarke michael coisas

"um símbolo da velha Rússia que desapareceu após a revolução é considerado". Em 1939, Stalin decidiu inundar a cidade para fazer um reservatório no rio Volga. 



Fotografia de Lite


Em 1940, o mosteiro e a maior parte da cidade velha foram inundados pela construção do reservatório de Úglich. Além do mosteiro, deve-se notar que a catedral de San Nicolás de 1800 foi submersa, a partir do qual a torre do sino ainda é visível entre as águas do reservatório acima mencionado. Após esse fato, a cidade foi transferida para um lugar mais alto. 



Fotografia porSnowgrove
A mesma abadia foi desmantelada. No entanto, quando os turistas estavam interessados ​​em ver este espetáculo incomum, o governo esfaqueou a torre do sino e fez uma pequena ilhota onde os navios podem atracar. É um local bonito e imponente, especialmente quando se pensa em todos aqueles que trabalharam na sua construção, apenas para lembrar que estava submersa devido à vontade de outros homens. 



Fotografia Via http://englishrussia.com 



Fotografia por philcalvert


Fonte e via


A Torre que Sobreviveu às Águas: O Último Sussurro do Mosteiro de São Nicolau em Kalyazin

No meio das águas calmas do reservatório de Úglich, no coração da Rússia, ergue-se uma silhueta solitária — uma torre branca e elegante que parece flutuar entre o céu e o rio Volga. É a torre do sino do antigo Mosteiro de São Nicolau, em Kalyazin, tudo o que resta de um mundo devorado pelas ondas da história… e pela vontade de um ditador.

Construída entre 1796 e 1800, essa torre fazia parte de um complexo monástico ortodoxo dedicado a São Nicolau — um lugar de oração, canto e devoção nas margens do Volga. Por mais de um século, seus sinos ecoaram sobre a cidade, marcando o tempo com fé e serenidade. Mas em 1939, o destino mudou para sempre.

Sob o regime stalinista, o governo soviético decidiu inundar grandes áreas do rio Volga para criar gigantescos reservatórios hidrelétricos. Kalyazin, com suas igrejas, ruas estreitas e memórias centenárias, foi condenada. Em 1940, as águas subiram implacáveis, engolindo a catedral de São Nicolau, os claustros, as casas e quase toda a cidade histórica. Apenas a torre do sino, mais resistente ou talvez mais simbólica, permaneceu — emergindo das águas como um faro silencioso da Rússia que se perdeu.

A cidade foi reconstruída em um local mais alto, seguro das águas artificiais. O mosteiro, desmantelado, desapareceu — exceto por essa torre, que o tempo e a ideologia não conseguiram apagar por completo.

Com o passar das décadas, algo surpreendente aconteceu: os turistas começaram a vir. Atraídos pela imagem quase mítica da torre solitária no meio do lago, embarcações começaram a se aproximar para contemplá-la. Diante do crescente interesse, o governo russo, em gesto tardio de preservação simbólica, reforçou a base da torre e criou uma pequena ilhota artificial ao seu redor, com um cais para embarcações. Hoje, é possível desembarcar, caminhar até a torre e ouvir o vento sussurrar histórias de monges, sinos e sacrifícios.

Mais do que uma atração turística, a Torre de São Nicolau é um monumento à memória — um lembrete silencioso de como o progresso, muitas vezes imposto, pode apagar vidas, culturas e espaços sagrados. Cada tijolo visível acima da água carrega o peso de quem o ergueu… e a tristeza de quem viu tudo desaparecer sob as ondas.

Hoje, ao navegar pelo reservatório de Úglich, não se vê apenas uma torre. Vê-se a alma da “Velha Rússia” — resistente, meio submersa, mas ainda de pé.

Fotografias que capturam sua melancólica beleza: cortesia de Clarke Michael Coisas, Lite, Snowgrove e arquivos históricos via “Via”.


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