Eduardo Fernando Chaves: Arquiteto e Construtor
Denominação inicial: Projeto de Bungalow para o Snr. Randholfo Pereira Gomes
Denominação atual:
Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Pequeno Porte
Endereço: Rua Clevelândia
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 164,00 m²
Área Total: 164,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico: 25/06/1934
Alvará de Construção: Nº 636/1934
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de bangalô e Alvará de Construção.
Situação em 2012: Demolido
Imagens
1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Alvará de Construção.
Referências:
1 – CHAVES, Eduardo Fernandes. Projéto de Bungalow na Rua Clevelandia para o Snr. Randholfo Pereira Gomes. Plantas do pavimento térreo e implantação; corte, fachada frontal, projeto de fossa séptica e plano da cobertura apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
2 - Alvará n.º 636
1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Alvará de Construção.
2 - Alvará de Construção.
2 - Alvará de Construção.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.
Randolpho Pereira Gomes e seu Bungalow na Rua Clevelândia: Elegância Acessível em Curitiba nos Anos 1930
Em 25 de junho de 1934, em meio a uma Curitiba que se modernizava com bondes, novos bairros e aspirações urbanas, foi assinado um projeto arquitetônico que sintetizava o espírito de uma era: o bungalow de alvenaria de tijolos destinado ao senhor Randolpho Pereira Gomes, na Rua Clevelândia. A assinatura por trás do traço era a de Eduardo Fernando Chaves, arquiteto e construtor cuja atuação marcou profundamente a paisagem residencial da capital paranaense nas primeiras décadas do século XX.
Mais do que uma simples casa, esse bangalô de 164 m² — térreo único, sólido, funcional e estilizado — representava um modelo de moradia que conjugava sofisticação discreta e praticidade, em sintonia com as tendências internacionais adaptadas à realidade local.
O Bangalô: Entre a Tradição e a Modernidade
Popularizado a partir de modelos anglo-americanos e indianos, o bangalô tornou-se símbolo de conforto e bom gosto nas cidades brasileiras do início do século XX. Em Curitiba, sua versão local — muitas vezes em alvenaria de tijolos aparentes ou rebocados, com telhado inclinado, varandas generosas e proporções horizontais — era sinônimo de ascensão social.
O projeto para Randolpho Pereira Gomes não foge a essa regra. Com 164 metros quadrados bem distribuídos em um único pavimento, o bangalô incluía não apenas planta arquitetônica detalhada do pavimento térreo, mas também implantação no terreno, fachada frontal, corte, cobertura e até projeto de fossa séptica — um sinal claro do compromisso de Eduardo Fernando Chaves com a engenharia sanitária e a habitabilidade integral, ainda raras em projetos da época.
O uso de alvenaria de tijolos, em vez da madeira comum nas décadas anteriores, indica uma mudança técnica e simbólica: a casa não era apenas para morar, mas para durar. Era um investimento em estabilidade, em identidade familiar, em pertencimento ao bairro.
Randolpho Pereira Gomes: Um Cidadão da Nova Curitiba
Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Randolpho Pereira Gomes — seu nome grafado de forma variada em documentos antigos ("Randholfo" nas pranchas originais) — mas sua escolha por um bangalô assinado por Chaves revela muito. Ele não era um mero ocupante de espaço urbano; era um cidadão engajado em construir seu lugar no mundo, com consciência estética e responsabilidade técnica.
O fato de seu nome constar diretamente no título do projeto — "Projéto de Bungalow na Rua Clevelandia para o Snr. Randholfo Pereira Gomes" — reforça seu papel ativo como cliente exigente e proprietário consciente, participando ativamente do processo construtivo em uma época em que muitos ainda delegavam tudo a empreiteiros sem formação técnica.
Eduardo Fernando Chaves: O Arquiteto das Casas que Contam Histórias
Chaves não era apenas um projetista; era arquiteto e construtor, uma figura híbrida comum na Curitiba pré-profissionalização plena da arquitetura. Sua firma, ativa nas décadas de 1920 e 1930, produziu dezenas de residências econômicas e de pequeno porte, sempre com atenção aos detalhes, à ventilação cruzada, à orientação solar e à integração com o terreno.
Seu traço, embora funcional, carregava toques de identidade: beirais expressivos, molduras discretas, varandas integradas à sala de estar — elementos que transformavam o cotidiano em experiência espacial. No projeto para Randolpho, essas qualidades certamente estavam presentes, mesmo que hoje só possamos imaginá-las através das linhas do microfilme preservado.
O Fim Físico, a Sobrevivência Documental
Infelizmente, assim como tantas outras construções do período, o bangalô de Randolpho Pereira Gomes foi demolido antes de 2012, cedendo lugar, talvez, a um edifício, um estacionamento ou ao simples esquecimento.
Mas sua memória arquitetônica resiste. Graças ao microfilme digitalizado guardado no Arquivo Público Municipal de Curitiba — que contém tanto o projeto quanto o Alvará de Construção nº 636/1934 —, é possível reconstituir, analisar e homenagear essa obra.
Esses documentos não são meros papéis técnicos. São testemunhos de uma cidade que se fez com casas, nomes, sonhos e tijolos.
Legado
Randolpho Pereira Gomes pode ter desaparecido dos registros cotidianos, mas sua casa — ainda que demolida — permanece como exemplo do ideal habitacional da classe média curitibana nos anos 1930. E Eduardo Fernando Chaves, por sua vez, consolida-se como um dos agentes silenciosos da identidade arquitetônica popular de Curitiba.
Juntos, eles representam um capítulo essencial da história urbana não monumental — aquela que não está nos cartões-postais, mas nas ruas, nos lotes e nos arquivos esquecidos que, quando resgatados, contam a verdadeira história de uma cidade.
“Nem toda arquitetura precisa ser preservada em pé. Às vezes, basta que seja lembrada com respeito.”
Ficha Técnica da Obra
- Proprietário: Randolpho (ou Randholfo) Pereira Gomes
- Arquiteto/Construtor: Eduardo Fernando Chaves
- Endereço: Rua Clevelândia, Curitiba – PR
- Data do Projeto: 25/06/1934
- Alvará de Construção: nº 636/1934
- Categoria: Residência de Pequeno Porte
- Tipo: Bangalô
- Material: Alvenaria de tijolos
- Área Total: 164,00 m² (térreo único)
- Situação em 2012: Demolido
- Documentação preservada: Arquivo Público Municipal de Curitiba (Projeto e Alvará em microfilme digitalizado)




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